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16 de jul. de 2011

As Revelações do Sagrado Coração de Jesus, relato do Padre Emile Bougaud

O padre Emile Bougaud escreveu um pequeno texto resumindo as revelações do Sagrado Coração de Jesus para Santa Margarida Maria Alacoque e as circunstâncias que cercaram tal acontecimento. O texto em inglês que traduzi está disponível aqui, a tradução é responsabilidade particular.  As visões ocorreram de 1673 a 1675, enquanto o texto teria sido publicado pela primeira vez em 1890, dois anos após o falecimento do Padre Bougard.

Como se pode ver, não trata-se de uma devoção trivial, de um Jesus "bonitinho", mas de um chamado sério a conversão individual e da humanidade, tendo em vista os muitos pecados cometidos por nós, um chamado de um Deus um tanto angustiado pelas nossas escolhas, em geral, contra Seus mandamentos e conselhos.

O texto está dividido em quatro partes:
1. Introdução
2. Primeira revelação
3. Segunda revelação
4. Terceira revelação



A Terceira Revelação do Sagrado Coração de Jesus

Era 16 de Junho de 1675 quando a última das grandes revelações relativas ao Sagrado Coração ocorreu. Estava próximo o tempo de encerramento das solenes festas. Até então, a humilde virgem recebera do Senhor apenas favores pessoais, muito semelhantes aos que outras santas almas já haviam também recebido.  Ele havia solicitado apenas práticas de devoção individual. Agora, entretanto, era o momento dEle atribuir uma grande missão pública.

Durante a oitava da festa do Sagrado Sacramento, Margarida Maria esta ajoelhada, olhos fixos no Tabernáculo. O Senhor concedera "algumas imensuráveis graças do Seu amor". Nada sabemos a respeito destas graças. Subitamente o Senhor apareceu no altar e descobriu seu coração, dizendo: "Veja este coração que tem amado tanto os homens, até consumir a si mesmo em exaustão, para testemunhar seu amor. Em retorno, a maioria tem respondido com ingratitudes, irreverências e sacrilégios, pela sua frieza e desconsideração que demonstram ao sacramento do amor. E o que é mais doloroso para Mim (Ele disse num tom de dor) é que são corações consagrados a Mim".  Então pediu que fosse estabelecida na Igreja uma festa em honra particular ao Seu Sagrado Coração. "é por esta razão que pedi para considerar a primeira sexta-feira após a oitava do Sagrado Sacramento ser apropriada para uma festa especial, em honra do Meu Coração e reparação das indignidades que tem recebido. E prometo que Meu Coração irá se dilatar e derramar abundantemente as influências do amor sobre todos que lhe renderem homenagens".

Esta foi a última e a mais celebrada revelação. Justamente a mais celebrada por que toda mensagem do Divino Coração de Jesus está contida nela. Seu princípio não é outro que amor transbordante de Deus fazendo um grande esforço para superar o mal; seu objetivo, ao tornar-se uma devoção pública, tem sido a muito tempo somente este; e, por fim, uma nova efusão do divino amor pela Igreja e, mais particularmente, pelas almas piedosas de seus apóstolos e propagadores.

Mas, se o Senhor fez uso de sua possibilidades naturais naquele momento tão sério, concedendo um pouco do esplendor de sua Divina presença, ou se Margarida Maria, reafirmada pelo Padre de la Colombiere, banira todo medo e abandonara sua alma inteiramente a alegre contemplação do seu divino Mestre, isto não sabemos. Mas, ao concluir a terceira revelação, não havia sinais das violentas emoções que seguiram-se às duas primeiras. A humilde virgem estava atenta e feliz, embora um pouco assustada com tal missão, afinal quem era ela para estabelecer uma festa no calendário da Igreja se não conseguia sequer convencer seus superiores e uma palavra deixou escapar: "Senhor, como fazê-lo?"  Ele respondeu que deveria confiar ao servo de Deus que Ele havia lhe enviado para alcançar tal objetivo.

Margarida Maria recorreu ao padre e lhe confiou a terceira revelação. O venerável padre pediu um relato por escrito para que pudesse, mais tarde, estudar. Nós podemos ver, mais tarde, com que respeito preservou tal documento. Ele examinou atentamente a revelação em frente a Deus e, iluminado pelo Altíssimo, declarou a Margarida que poderia confiar pois, sem dúvida, a revelação era vinda dos céus. Assim confirmada, ela não mais hesitou, ajoelhou-se em frente ao Divino Coração de Jesus, solenemente consagrou-se a Ele e lhe rendeu as primeiras e uma das mais puras homenagens. O padre, desejando unir-se a ela, também consagrou-se ao Coração de Jesus. Era uma sexta-feira, 21 de Junhoo, o dia após a oitava do Sagrado Sacramento, o dia designado pelo Senhor para ser sempre lembrado por um dia de Festa ao seu adorável Coração. Então Ele recebeu, através da humilde virgem e o santo padre, os primeiros frutos daqueles atos de adoração que logo seriam realizados por toda humanidade.

Assim termianva este glorioso drama, ao mesmo tempo três e um, das revelações do Sagrado Coração. Desenvolveu-se, seguindo uma profunda e misteriosa ordem, as incomparáveis visões confiadas a mais humilde das virgens. No silêncio e êxtase, ela por três vezes, na capela, em frente ao altar, ela vislumbrou por primeiro aquilo que toda a Igreja veria. A Igreja examinou seu testemunho, pediu seu relato, forçou pela obediência, e então declarou como sendo verdadeiro e autêntico, prostando-se em frente ao Sagrado Coração.

O que o Senhor pedira foi feito, o rebanho fiel de todos lugares, nas primeiras sexta-feiras de cada m6es ajoelha-se em frente ao Sagrado Coração de Jesus e faz reparação às incompreensíveis ingratitudes das criaturas que ele ama tão apaixonadamente. Em qualquer região, cristãos, - esposas, mães, jovens, padres e virgens consagram-se a Deus, aqueles que levantam-se no meio da noite entre Quinta e Sexta, que vêm para adorá-lo, chorar com Ele, e, muitas vezes, até par amarcar em sua carne as marcas sagradas da Sua Paixão. Em todos lugares, através da Igreja Católica, a sexta-feira após a oitava do Sagrado Sacramento é uma solenidade dedicada a contemplação da doçura do melhor dos corações.

Mas continuemos nosso relato. Por agora apenas parte do desejo do Nosso Salvador é conhecido. Ainda poderemops ver outros aparecerem e, neste caso, deveremos procurar realizá-los. Sem dúvida, é encessário tempo. Num dia de outuno, o sol lentamente clareia um céu obscuro pela cerração, mas embora lentamente para aparecer, sua luz é muito amada e desejada. Assim também é com o Adorável Coração de Jesus em nossos tristes tempos. Há cerca de dois séculos ele apareceu no horizonte. Não reclamemos, pois já grande parte das nuvens desapareceram. Está se aproximando a hora que Ele iluminará os céus e renovará a terra. 

-- Do Livro Revelações do Sagrado Coração de Jesus, do Bispo Emile Bougaud, sobre a vida de Santa Margarida Maria. O livro foi escrito em torno de 1850.

6 de jul. de 2011

A Segunda Revelação do Sagrado Coração de Jesus

A segunda revelação é a única que não sabemos com certeza a data exata. Certamente ocorreu em 1674 antes da chega à Paray do Padre de la Colombiere, que ocorreu no outono daquele ano. Assim que o Sagrado Sacramento estava exposto, de acordo com os costumes daquela época, não pode ter sido senão na Festa da Visitação ou durante a oitava de Corpus Christi. Por outro lado, pela narrativa de Margarida Maria, foi numa primeira sexta-feira de algum mês. Nós entendemos que tenha sido na de Junho ou na sexta-feira da oitava de Corpus Christi.

Ouçamos o que conta a irmão: "Assim que o Sagrado Sacramento estava exposto, minha alma absorvida em extraórdinário contemplação, Jesus Cristo, meu suave mestre, apresentou-se a mim. Ele estava brilhante e glorioso; suas cinco chagas iluminadas como cinco sóis. Raios partiam de todas as partes do Seu Sagrado Corpo, mas especialmente do Seu adorável peito, que parecia como um forno, e ao qual, abrindo, mostrou-me seu amoroso coração, fotne viva de todos raios".

Ao relembrar a primeria aparição, Margarida maria não descreveu a admirável pessoa do Senhor por que, provavelmente, não possuia a gloriosa aparência desta segunda. Teria uma aparição menos real, mas, talvez, mais íntima. "Ele me fez repousar em seus braços" (relembrando a primeira aparição), o que parece não concordar adequadamente com uma aparição esplendorosa, com os raios que envolviam Jesus na segunda aparição. Entretanto, esta diferença em forma corresponde à uma diferença quanto ao espírito de cada uma das aparições. Até aquele momento Jesus era o amigo, o pai, fazendo um esforço amoroso para salavar seus filhos. Agora Ele é o esposo indignado, o rei demandando reparação. Margarida, tremendo de emoção, estava contemplando-O, "Ele descobriu para mim", ela diz, as inexplicáveis maravilhas do Seu puro amor, e como tem amado os homens tão profundamente, mesmo que tenha recebido em troca apenas ingratitude. "Isto", diz Ele, "é muito mais doloroso que todos os sofrimentos da MInha Paixão. Se os homens se nutrissem por mim algum amor, Eu demonstrando minha pouca estima por mim, desejaria, se pudesse, sofrer tudo novamente; mas os homens recebem meu amor com frieza e desculpas. Tu, pelo menos, me consola e alegra-se em mim, recompensando a máximo de tuas forças a ingratitude de todos os demais.

Após ter mostrado na primeira aparição o verdadeiro princípio da nova devoção, o amor que lhe queimava o coração e Ele não mais podia conter, Jesus revelou seu carater. Esta expiação deveria reparar e expiar todos os crimes do mundo, ser uma consolação ao esquecido Coração. Ele pediu a algumas almas escolhidas para vir ao pé dos altares por aqueles que não O amavam.; e pelo seu amor e devoção, render homenagens a Ele como a multidão fria e indiferente não faz. "Vós deveis, pelo menos", e falando assim po Senhor dirigia-se a todas almas piedosas, "dar-me consolação, confortando-me pela ingratitude, tanto quanto puderes.".

Margarida desculpa-se pela sua incapacidade e responde Jesus: "Nada temas, permanecer aqui é tudo o que é necessário". E neste momento, continua Margarida, "o Divino Coração abriu-se, de lá saíram chmas tão ardentes que pensei que me consumiriam". Admirável símbolo do que esta nova devoção iria se tornar para a Igreja, do reaquecimento universal dos corações.

Atingida por tais chamas e incapaz de suportar este fogo, Margarida implorou ao Salvador para ter piedade de sua fraqueza: "Nada temas, Eu te darei a fortaleza. Apenas ouça o que Eu desejo para preparar os acontecimentos que planejo". Então o Senhor lhe pediu duas coisas: que todas as primeiras sextas-feiras de cada mês se ajoelhasse para adorá-lo; e que acordasse entre onze e meia-noite entre quinta e sexta-feira a cada semana para prostar-se por uma hora com a face no chão, em expiação aos pecados dos homens e consolar Seu Coração pelo abandono geral, do qual a fraqueza dos apóstolos no Monte das Oliveiras havia sido apenas um preludio.

"Durante todo este tempo eu estava como inconsciente, não sabia one estava. Algumas da irmãs vieram para levar-me e vendo que eu nem podia responder nem manter-me em pé, levaram-me para nossa madre, que me encontrou como fora de mim, como se estivesse queimando". Quando Margarida contou-lhe o que acontecera, acreditasse ou não, ou talvez fingisse que não acreditava, a Madre de Saumaise humilhou-a tão severamente quanto pode, "o que me deu imenso prazer, causou-me imensa alegria", diz Margarida Maria, "pois eu me sentia como uma grande criminosa, tão confusa, que por mais duro fosse o tratamento dispensado a mim, ainda me acharia muito leniente".

"O fogo que me devorava mantinha-me em contínua febre; mas eu rejubilava por tal sofrimento e não reclamava. Eu falei sobre ele, exceto quando minhas forças estavam completamente terminadas. Nunca senti tão grande consolação. Meu corpo estava curvado com dores extremas e isto aliviava um pouco a sede que sentia em sofrer. Este fogo devoradornão podia ser aplacado nem satisfeito a não ser pelo amor da cruz; ou seja, por todos tipos de humilhações e dores. Nunca meu corpo sofreu de tal maneira, mas achava que não sofria o suficiente. As irmãs pensaram que eu morreria."

Dr Billiet, médico assistente, declarou que Santa Margarida Maria teve febres por sessenta dias consecutivos que resistiram a todos os remédios utilizados para aplacá-la. A Madre de Saumaise, muito perplexa, ao final tentou um último expediente. Aproximou-se da cama onde esta a irmã Margarida e ordenou que em nome da obediência pedisse a Deus pela sua recuperação, acrescentando que deveria reconhecer isto como um sinal do carater sobrenatural de todos os acontecimentos. Ela permitiria que comungasse nas primeiras sextas-feiras de todos os meses e rezasse durante as noites de quinta para sexta-feiras.
Margarida experimentou grande repugnância à idéia de pedir pelo fim de seus sofrimentos, temendo, como ela disse, "ser ouvida".  Mas, em nome da obediência, não mais hesitou. Após breve oração ela sentiu a febre passar, o coração bater normalmente e um atônito médico declará-la curada. Havia, claro, pouca necessidade do médico fazer esta afirmação, pois a santa levantou-se e, a partir daquele dia, as irmãs perceberam uma mudança total na sua saúde.

A madre não resistiu a palavra de Deus e autorizou Margarida Maria a comungar todas primerias sexta-feiras de cada mês e levantar-se nas noites de quinta para sexta-feira para orar.

No entanto, a madre ficou mais e mais embaraçada. Esta cura, que parecia um milagre, e talvez realmente fosse, fez pensar mais seriamente sobre a propriedade de aceitar a incontestável santidade da irmã Margarida. Por outro lado, a irmã era muito jovem, vinte e seis anos, e tinha apenas dois anos de vida religiosa. As visões que ela relatava eram, de qualquer forma, extraordinárias. Mas não seria algum tipo de ilusão? Então a madre resolveu consultar outros, e quebrando o silêncio pela primeira vez, ela discutiu a questão com alguns religiososcujos nomes não sabemos - "pessoas educadas" - diz ela em suas memórias. Mas seja por que Margarida, tão tímida, tão humilde, não fazia-se entender, ou por que estas pessoas levantaram algumas dúvidas sobre estas manifestações sobrenaturais, algo não incomum entre padres e pessoas pias, conduziram a conclusão de que no caso de Margarida Maria havia muito de imaginação, algo do seu temperamento natural, e, talvez, alguma ilusão de espíritos demoníacos, ainda que a boa irmã não percebesse.

A perplexidade dos juízes de Margarida aumentou, não diminuiu. Condenada pelas suas superioras e confessores, a pobre Margarida não sabia direito o que fazer. Ela disse: "Eu fiz todos esforços para resistir às minhas tendências interiores, acreditando que isto era realmente um erro. Mas não fui bem sucedido. Eu não mais duvidei que havia sido abandonada, uma vez que haviam me dito que não era o Espírito do Senhor que me governava; e ainda assim era-me impossível resistir ao Espírito que me movia." Certo dia, quando desfalecia sobre o peso desta contínua ansiedade e derramava seus sofrimentos aos pés do Senhor, lhe pareceu ouvir uma voz dizendo: tenha paciência e espera, minha serva. Ele não entendeu o significado exato das palavras, mas soaram como um bálsamo para sua alma agitada, e percebeu que o Senhor viria em sua assistência no momento que Ele julgasse adequado.

As coisas seguiam da mesma forma quando a Madre anunciou à comunidade uma piedosa conferência que seria ministrada por um religioso da Sociedade de Jesus que recém havia chegado a Paray e tinha reputação de falar eloquentemente das coisas do Senhor. Seu nome era Padre de la Columbiere. Ficamos surpreendidos com um homem, ainda tão jovem, que já era celebrado, a ponto de sua entrada na Sociedade ser considerada uma promessa de renovação, fosse enviado a lugar tão pequeno como Paray. Após analisar os acontecimentos, entendemos o divino propósito do seu envio. Padre de la Columbiere chegou a tempo de testemunhar grandes perplexidades, que ameaçavam a segunda aparição, muito mal compreendida pelas pessoas de Paray, e às vésperas da terceira e última, a mais importante de todas. Ele iria, em poucas palavras, iluminar a confusão.

Irmã Margarida Maria foi, junto com a comunidade, a tal conferência. Padre de la Columbiere relatou que ela não lhe causou a mínima impressão. Mas ele mal havia aberto os lábios para falar quando ela ouviu distintamente estas palavras: "Confie nele que te enviei". Acostumada a ouvir Deus em momentos que não esperava, ela mal manteve o olhar no Padre que lhe fora enviado, ela pediu que Deus cuidasse de torná-la conhecida para o Padre.

Os dias de confissão chegaram e o Padre foi convidado a ouvir as confissões da comunidade. Margarida percebeu que, embora ele nunca a houvesse visto, ele falava como se conhecesse o que lhe passava na alma. Ele mantevesse com ela por um longo tempo e, ainda, ofereceu para encontrarem-se novamente no próximo dia a fim de ouvir uma confissão mais detalhada e completa sobre o que se passava no seu interior. Tudo isso não poderia acontecer em momento mais propício. Mas Margarida não queria abrir seu coração, e quanto à segunda idéia, ela humilde e timidamente respondeu que faria de acordo com a regra da obediência.

É provável que a venerável madre houvesse falado com o Padre sobre a situação de Margarida, que talvez ele pudesse acrescentar a sua opinião e piedoso conselho aos daqueles que já o haviam dado, embora tenha sido Deus mesmo que iluminou seus servos, para que Ele pudesse conceder a Sua fiel esposa o aconselhamento que ela tanto necessitava. Seja como for, alguns dias após o Padre retornou para conversar com a irmã Margarida Maria. Assim ela relatou: "Embora eu soubesse que esta era a vontade de Deus, falar com ele, ainda assim sentia extrema repugnância a responder as suas perguntas."

Sua repugância, entretanto, durou apenas um momento. Convecida pela piedade e doçura de tão santo religioso, e interiormente excitada pela graça, Margarida Maria confiou a ele os segredos de seu coração. O encontro foi longo, e a irmã foi iluminada e consolada. "Ele assegurou a mim que não havia nada a temer ao seguir as orientações do Senhor, desde que não me afastasse da obediência; que eu deveria seguir suas recomendações e abandonar todo meu ser a Ele, ser sacrificada e imolada conforme a sua vontade. O Padre admirou-se da grande bondade de Deus em não fazê-lo desistir em face de tanta resistência, ensinou-me a estimar as graças de Deus e receber com respeito e humildade as frequentes comunicações com que Deus me favorecia. O Padre acrescentou que deveria agradecer a Deus por tão grandes bençãos. Quando lhe disse que minha alma estava tão próxima da Soberana Bondade em qualquer tempo ou lugar, que muitas vezes não podia rezar em alta voz sem me fazer violência, que muitas vezes me mantinha de boca aberta sem dizer uma só palavra, que isto acontecia em especial durante a oração do Rosário; ele disse me para não continuar com tais esforços e confinar minhas orações vocalizadas apenas às de obrigação. Quando lhe contei sobre os cuidados especiais e a amorosa união de almas que recebi do meu Amado, de tal forma que não podia lhe descrever, ele respondeu que eu possuia grande razão em manter-me humilde e admirava a maravilhosa piedade de Deus em meu favor."

Copiei aqui este relato por completo por que mesmo na sua forma breve, contem grande iluminação. Há nele algo de elevado, sensível, doce e piedoso. Ele é a grande palavra do Padre de la Columbiere. Sem dúvida ele ajudou a muitos outros, tendo se tornado conhecido na França e Inglaterra.

Mas, não obstante tudo isto, ele foi enviado de longe, divinamente preparado por uma cadeia de acontecimentos maravilhosos que expressaram-se através de suas palavras. Sendo assim, ele retirou-se, pois sua missão havia sido concluída por aquele momento, havia realizado sua parte. Seguramente não há anada mais glorioso e útil; pela iluminação de uma alma, ele iluminou a muitos milhões. Contribuiu muitíssimo para o bem da Igreja, afastando os obstáculos que a tempesatade havia jogado no caminho de Margarida. Mas nem por isso sua missão estava completa, pois ainda o veremos atuando em um momento decisivo da terceira aparição, sustentando e iluminando a irmã.

-- Do Livro Revelações do Sagrado Coração de Jesus, do Bispo Emile Bougaud, sobre a vida de Santa Margarida Maria. O livro foi escrito em torno de 1850.

1 de jul. de 2011

A Primeira Revelação do Sagrado Coração de Jesus

A primeira das três revelações teve lugar, ninguém pode duvidar, na festa de São João Evangelista, 27 de Dezembro de 1673. Foi no mesmo dia em trezentos e cinquenta e três anos antes, Santa Gertrudes compreendeu durante uma visão que se o amado discípulo não houvera dito nada sobre as sagradas pulsações do Sagrado Coração era porque Deus reservara para si mesmo falar sobre elas num momento em que o mundo começasse a esfriar na fé. O dia não poderia ser melhor escolhido para tal revelação. Disto temos testemunho escrito por Margarida Maria. Ela nos deixou um sentido completo para a vida.

"Certa vez", ela disse, "estando em frente ao Sagrado Sacramento por mais tempo que o habitual, senti-me completamente preenchida pela sua Divina Presença e tão poderosamente movida por isto que esqueci de mim mesma e do lugar que estava. Abandonei-me ao Divino Espírito e meu coração ao poder do Seu amor. Ele me fez descansar por um longo tempo no Seu Divino Corpo, de onde Ele descobriu as maravilhas do Seu amor e inexplicáveis segredos do Seu Sagrado Coração, que até então ele havia mantido escondido. Agora Ele abriu Seu Coração para mim, de uma maneira tão real e sensível que não deixou espaço para dúvidas, embora eu esteja sempre temerosa de me decepcionar".

Nós percebemos que foi neste momento que o Senhor mostrou Seu Coração para Margarida, que até ali estava como escondido. E é tal o caráter desta aparição e a impressão deixada, que a humilde virgem, ordinariamente tão tímida, tão incerta de si mesma não teve dúvida nenhuma. Jesus então falou; e acrescenta Margarida: "Isto é o que me parece que se passou. O Senhor disse para mim: Meu Divino Coração está tão apaixonado amando aos homens que não pode mais conter as chamas ardentes da Sua caridade. Ele precisa derramar este amor, manifestá-lo para os homens para enriquecê-los com os mais preciosos tesouros, que contem todas as graças que precisam para salvar-se da perdição. Eu escolhi a ti como pela ignorância e falta de confiança para realizar tão grande obra de tal modo que tudo possa ser feito por Mim".

Então, de acordo com as condições da primeira revelação, a nova devoção seria um grande esforço do Sagrado Coração de Jesus, apaixonadamente caindo de amores pelos homens e desejando a todo custo salvá-los do abismo da perdição. Até aquele momento, os meios ordinários haviam sido suficientes, mas devido ao triste estado do mundo, Jesus não podia mais conter as chamas da caridade em Seu Coração, com as quais deseja salvar todos os homens. Do seu lado transpassado, Seu Coração ansiava por revelar-se. Até ali havia mostrado a si mesmo apenas em clausuras para almas escolhidas, as fazendo acreditar profundamente no seu amor. Mas agora ele desejava mostrar-se a si mesmo para as multidões e revelar seus segredos, para que fosse bem sucedido na tarefa de derreter o gelo do coração do povo cristão. Este era o sentido da primeira aparição.

Jesus não disse nada mais para Margarida Maria, exceto que, para a realização de Seus projetos, Ele a usaria; não por sua fraqueza e ignorância, mas contando com elas para que tudo fosse feito de acordo com Sua vontade. Mas quando, como, de que maneira? O Senhor nada disse e Margarida Maria muito menos lhe perguntou.  

No entanto, por tratar-se de uma questão de ministério público, o Senhor desejava deixar uma prova inquestionável da verdade do que se passara. Antes de desaparecer, Ele perguntou se ela desejava dar a Ele o seu coração. Mas deixemos ela mesma relatar:

"Ele pediu meu coração e supliquei a Ele que o levasse. Ele assim o fez e o colocou junto ao próprio Adorável Coração. Permitiu que eu o visse como sendo consumido em uma fornalha. Então o retirou de lá como uma chama flamejante na forma de coração, Ele o colocou no lugar de onde havia retirado meu coração, dizendo: Cuidado, minha amada, esta é uma preciosa prova do Meu amor. Eu coloquei neste coração uma pequena fagulha da mais ardente chama do Meu amor, para que sirva como teu coração e se consuma até o último momento. Até aqui carregas apenas o nome de minha escrava, de agora em diante serás conhecida como amada discípula do Meu Sagrado Coração".

É fácil imaginar os efeitos produzidos por tal favor em uma criatura já inflamada pelo divino amor. Ela disse: "após tão grande graça, que durou por tanto tempo, de tal modo que já não sabia se estava nos céus ou na terra, permaneci por muitos dias totalmente inflamada, totalmente inebriada. Estava tão fora de mim que somente me violentando eu conseguia murmurar uma palavra. Era necessário fazer um grande esforço para alimentar-me e fortalecer-me que estava exausta nos esforços para suportar meus sofrimentos".

Novamente ela foi conduzida a Madre Saumaise, mas mal conseguia pronunciar uma palavra: "Eu experimentei tão grande plenitude de Deus que não era capaz de expressar aos meus superiores como desejava". Em relação a suas irmãs, ela havia apenas experimentado uma única tentação, de jogar-se aos pés delas e confessar os pecados. "Teria sido de grande consolo para mim ter feito minha confissão geral em alta voz no refeitório, para que minhas irmãs soubessem as profundidades da minha corrupção, para que não atribuíssem a mim nada das graças que havia recebido".

Afora este sentimento de profunda humildade, o primeiro fruto da luminosa aparição, este sentimento que deve necessariamente tomar qualquer um que descanse nos braços do Salvador,  pela maravilha, admiração e amor, deve brotar uma profunda humildade, Margarida preservou uma lembrança, uma uma inefável marca do amor divino. Ela não a carregava visvelmente, como São Francisco de Assis ou Santa Catarina de Sena, mas por toda a sua vida manteve uma invisível ferida no seu lado. "As dores desta ferida são tão preciosas para mim, fazem-me com que mantenha viva", ela disse. Este divino memorial não curou-se com o tempo, pois o Senhor o renovava a cada primeira sexta-feira do mês mostrando o Seu Coração. Ela disse: "O Sagrado Croação é mostrado a mim como um sol brilhante com uma luz, cujos raios caem diretamente no meu coração. E então sinto-me como inflamada por tal fogo que parece reduzir-me a cinzas".

Este foi o primeiro ato da tripla revelação do Sagrado Coração. Já se percebe, desde o princípio a inspiração de tal devoção, mas com qual beleza! Um Deus esquecido pelos homens, incapaz de desistir apesar de tal esquecimento, desprezado pelos homens, conteve sua ira, tentou calar a voz do Seu Amor, e novamente não sendo bem sucedido, incapaz de conter as chamas de Sua ardente caridade, incapaz de punir sua ingratas criaturas, Ele resolveu conquistá-los pela força de sua ternura, e para tal fim criou novas formas para demonstrar seu amor! Após os esplendores e benefício da criação, humilhou-se numa manjedoura. Desta seguiu-se os sofrimentos da Cruz; da Cruz, a Sagrada Eucaristia! Resta ainda algum esforço? Sim, por nós realiza o supremo esforço do Sagrado Coração! É sempre a mesma regra. Cada nova evidência da frieza do corçaão do homem resulta em Deus descendo a nós de forma a tocar nosso coração pois não consegue nos abandonar.

O dia seguinte a esta viva e indelével aparição, na qual Margarida compreendeu duas coisas; a primeira que Deus não pode mais conter os segredos de Seu Coração; a segunda que Ele poderia utilizá-la para revelá-los ao mundo - a vida de nossa santa retornou aos hábitos diários. Quase seis meses foram lhe permitidos para recuperar-se das profundas impressões e sentimentos - e ela muito necessitava deles. Seis meses de paz, recolhimento, silêncio, brilhante prograsso na humildade e amor de Deus! E então, no momento em que ela menos esperava, recebeu a segunda revelação! Mais penetrante, mais luminosa que a primeira, fez aionda uma mais profunda impressão na sua alma. Ela sentiu-se fraca devido a tão violenta emoção que lhe causou, tão fraca que pensou que poderia morrer.
-- Do Livro Revelações do Sagrado Coração de Jesus, do Bispo Emile Bougaud, sobre a vida de Santa Margarida Maria. O livro foi escrito em torno de 1850.

30 de jun. de 2011

As Revelações do Sagrado Coração de Jesus

O que mais admira as Irmãs de Paray ao analisar a vida de Margarida Maria é a duração e a natureza extática da sua oração. Certos dias, por exemplo, quando o Santíssimo Sacramento era exposto, ela nunca deixava a capela. Mesmo de saúde enfraquecida, já com a doença avançando, ela mantinha-se por horas sem movimentar-se, ajoelhada, sem apoio, sua mãos unidas, com os olhos abaixados. A hora de oração matinal, aos fins de 1673, ela acrescentou orações noturnas. Nós sabemos que, particularmente na noite entre a Quinta-Feira e a Sexta-Feira Santas, ela permanecia doze horas consecutivas ajoelhada, tão concentrada que não ouvia nada do que passava ao seu redor. As irmãs, não sabendo como descrever tal estado, compararam a uma estátua de mármore e diziam ser ela uma "extática".  Frequentemente ela terminava as orações muito enfraquecida, tremendo, incapaz de manter-se em pé e pronta para desmaiar. Três ou quatro vezes foi necessário carregá-la , pois havia sido sobrepujada por um amor tão forte que nenhum ser humano é capaz de suportar.

Foi em tais circunstâncias, durante tais orações em êxtase, que, sem o conhecimento da Comunidade, teve lugar as grandes revelações do Sagrado Coração de Jesus. Nós dizemos revelações; pois foram três distintas, com vários meses de intervalos entre elas. A primeira deu-se em 27 d eDezembro de 1673, quando Margarida Maria tinha 26 anos de idade e havia professado a fé a pouco mais de um ano. A segunda ocorreu no ano seguinte, em 1674. O momento preciso não sabemos. O Sagrado Coração estava exposto na Capela e, de acordo com o costume do tempo, podemos supor que foi durante as orações da hora oitava do dia de Corpus Christi. A terceira teve lugar em 16 de Junho de 1675, no mesmo dia, na mesma oração à hora oitava. Portanto, entre elas há um considerável intervalo, alguns meses entre a primeira e segunda; e pello menos um ano entre a segunda e terceira. Mas estes intervalos não foram tão grandes, pois Margarida necessitava de tempo para recuperar-se do estado emocional consequencia destas aparições, pois sua agitação e fragilidade eram tão grandes que pensávamos que poderia morrer.
Quando consideramos estas três aparições em conjunto, ficamos surpreendidos pela sua seqüência, gradação e incrível beleza. É como um drama em três atos, no qual Deus é elevado, pouco a pouco a mente se Sua serva compreende a inteireza da missão que Ele inesperadamente lhe confiou.

Para o restante do texto, nós temos como testemunho das aparições a Margarida Maria. Obrigada pelas suas superioras a colocar o recital destas maravilhas por escrito, ela o fez molhando o papel com lágrimas, e quando devolvido os originais a ela, preferiu queimá-los. Somente uam cópia de tais livros permanece; e há neles um tom tão sincero de humildade, uma franqueza tão verdadeira, um esquecimento de si tão grande e traços de emoções tão profundas, que mesmo que a Igreja ainda não esteja convencida da correção de tais aparições, é impossível duvidar ao ouvir Margarida Maria relatando-as.

Assim ela inicia: "É somente por teu amor, ó meu Deus, que eu me submeto a escrever em obediência. Peço perdão por resistir, portanto é somente Tu que podes me dar força para realizar tal tarefa." Então, acrescenta: "Eu recebi a ordem como vinda do Senhor, e ao realizá-la eu gostaria de considerar como uma punição pela alegria excessiva e precaução que experimentei ao seguir minhas inclinações humanas. Ó meu Soberano Bem, que eu possa escrever somente para a Tua grande glória e minha grande confusão!"

Ela então tomou a caneta e começou seu recital. Mas logo parou confundida, sem palavras, incapaz de manter-se na tarefa devida a sua repugnância. "Ó meu Senhor, somente tu conheces a dor que sinto ao entrar em obediência e a violência que devo fazer contra meus desejos para resistir a repugnância e confusão que sinto ao escrever tais palavras, dê-me a graça de morrer ao invés de escrever qualquer outra coisa que não tenha vindo do Espírito da Verdade, para o qual deve-se dar toda glória, e nunca à minha confusão. Com piedade, meu Soberano Bem, que isto nunca seja visto por qualquer outra pessoa exceto aqueles que desejares que examinem isto, para que estes escritos não me conduzam às chamas e esquecimento eternos. O meu Deus, consolai esta Tua pobre e miserável escrava".

Um pouco depois, ela recomeçou a escrever, mas novamente paralisada em seu trabalho, nós lemos: "Eu continuo por obediência, ó meu Deus, sem qualquer outro desejo que não seja satisfazê-Lo pelo martírio que sinto ao escrever tais linhas, todas as palavras me custam grande sacrifício. Mas que possas ser gloficado eternamente!" O emso tom suplicante é encontrado em suas memórias, a mesma disputa entra a obediência e humildade. Em um momento, a humildade faz com que descanse a caneta; no próximo a obediência a faz recomeçar. Foi desta maneira , com uma incoparável glória e santiade, que conclui a descrição das três revelações do Coração de Jesus. Agora devemos conhecer as prórpias palavras de Margarida Maria. A Igreja tem estudado estes escritos com a mesma severidade que sempre utiliza em tais situações e declarou solenemente sua autenticidade.

-- Do Livro Revelações do Sagrado Coração de Jesus, do Bispo Emile Bougaud, sobre a vida de Santa Margarida Maria. O livro foi escrito em torno de 1850.

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