30 de jun de 2011

As Revelações do Sagrado Coração de Jesus

O que mais admira as Irmãs de Paray ao analisar a vida de Margarida Maria é a duração e a natureza extática da sua oração. Certos dias, por exemplo, quando o Santíssimo Sacramento era exposto, ela nunca deixava a capela. Mesmo de saúde enfraquecida, já com a doença avançando, ela mantinha-se por horas sem movimentar-se, ajoelhada, sem apoio, sua mãos unidas, com os olhos abaixados. A hora de oração matinal, aos fins de 1673, ela acrescentou orações noturnas. Nós sabemos que, particularmente na noite entre a Quinta-Feira e a Sexta-Feira Santas, ela permanecia doze horas consecutivas ajoelhada, tão concentrada que não ouvia nada do que passava ao seu redor. As irmãs, não sabendo como descrever tal estado, compararam a uma estátua de mármore e diziam ser ela uma "extática".  Frequentemente ela terminava as orações muito enfraquecida, tremendo, incapaz de manter-se em pé e pronta para desmaiar. Três ou quatro vezes foi necessário carregá-la , pois havia sido sobrepujada por um amor tão forte que nenhum ser humano é capaz de suportar.

Foi em tais circunstâncias, durante tais orações em êxtase, que, sem o conhecimento da Comunidade, teve lugar as grandes revelações do Sagrado Coração de Jesus. Nós dizemos revelações; pois foram três distintas, com vários meses de intervalos entre elas. A primeira deu-se em 27 d eDezembro de 1673, quando Margarida Maria tinha 26 anos de idade e havia professado a fé a pouco mais de um ano. A segunda ocorreu no ano seguinte, em 1674. O momento preciso não sabemos. O Sagrado Coração estava exposto na Capela e, de acordo com o costume do tempo, podemos supor que foi durante as orações da hora oitava do dia de Corpus Christi. A terceira teve lugar em 16 de Junho de 1675, no mesmo dia, na mesma oração à hora oitava. Portanto, entre elas há um considerável intervalo, alguns meses entre a primeira e segunda; e pello menos um ano entre a segunda e terceira. Mas estes intervalos não foram tão grandes, pois Margarida necessitava de tempo para recuperar-se do estado emocional consequencia destas aparições, pois sua agitação e fragilidade eram tão grandes que pensávamos que poderia morrer.
Quando consideramos estas três aparições em conjunto, ficamos surpreendidos pela sua seqüência, gradação e incrível beleza. É como um drama em três atos, no qual Deus é elevado, pouco a pouco a mente se Sua serva compreende a inteireza da missão que Ele inesperadamente lhe confiou.

Para o restante do texto, nós temos como testemunho das aparições a Margarida Maria. Obrigada pelas suas superioras a colocar o recital destas maravilhas por escrito, ela o fez molhando o papel com lágrimas, e quando devolvido os originais a ela, preferiu queimá-los. Somente uam cópia de tais livros permanece; e há neles um tom tão sincero de humildade, uma franqueza tão verdadeira, um esquecimento de si tão grande e traços de emoções tão profundas, que mesmo que a Igreja ainda não esteja convencida da correção de tais aparições, é impossível duvidar ao ouvir Margarida Maria relatando-as.

Assim ela inicia: "É somente por teu amor, ó meu Deus, que eu me submeto a escrever em obediência. Peço perdão por resistir, portanto é somente Tu que podes me dar força para realizar tal tarefa." Então, acrescenta: "Eu recebi a ordem como vinda do Senhor, e ao realizá-la eu gostaria de considerar como uma punição pela alegria excessiva e precaução que experimentei ao seguir minhas inclinações humanas. Ó meu Soberano Bem, que eu possa escrever somente para a Tua grande glória e minha grande confusão!"

Ela então tomou a caneta e começou seu recital. Mas logo parou confundida, sem palavras, incapaz de manter-se na tarefa devida a sua repugnância. "Ó meu Senhor, somente tu conheces a dor que sinto ao entrar em obediência e a violência que devo fazer contra meus desejos para resistir a repugnância e confusão que sinto ao escrever tais palavras, dê-me a graça de morrer ao invés de escrever qualquer outra coisa que não tenha vindo do Espírito da Verdade, para o qual deve-se dar toda glória, e nunca à minha confusão. Com piedade, meu Soberano Bem, que isto nunca seja visto por qualquer outra pessoa exceto aqueles que desejares que examinem isto, para que estes escritos não me conduzam às chamas e esquecimento eternos. O meu Deus, consolai esta Tua pobre e miserável escrava".

Um pouco depois, ela recomeçou a escrever, mas novamente paralisada em seu trabalho, nós lemos: "Eu continuo por obediência, ó meu Deus, sem qualquer outro desejo que não seja satisfazê-Lo pelo martírio que sinto ao escrever tais linhas, todas as palavras me custam grande sacrifício. Mas que possas ser gloficado eternamente!" O emso tom suplicante é encontrado em suas memórias, a mesma disputa entra a obediência e humildade. Em um momento, a humildade faz com que descanse a caneta; no próximo a obediência a faz recomeçar. Foi desta maneira , com uma incoparável glória e santiade, que conclui a descrição das três revelações do Coração de Jesus. Agora devemos conhecer as prórpias palavras de Margarida Maria. A Igreja tem estudado estes escritos com a mesma severidade que sempre utiliza em tais situações e declarou solenemente sua autenticidade.

-- Do Livro Revelações do Sagrado Coração de Jesus, do Bispo Emile Bougaud, sobre a vida de Santa Margarida Maria. O livro foi escrito em torno de 1850.

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