9 de jan de 2018

Perguntas e respostas sobre a Eucaristia


A Sagrada Eucaristia é central na Igreja Católica, que acredita na presença real de Cristo na forma de Corpo e Sangue. Não é um símbolo, não é um alimento para ser compartilhado, é infinitamente muito mais que isso.

Tomando por base perguntas formuladas pelo Padre Robert Barron, resolvi publicar minhas respostas numa sucessão de cinco posts, ao ver tamanha riqueza de ensinamentos. Espero que também vejam o amor de Deus neste sacramento.

Basta clicar no título de cada parte para ler minhas respostas. 

1. Qual o significado da palavra "Eucaristia"?
2. Por quais outros nomes a Eucaristia é também conhecida?
3. O que relembramos na Eucaristia?
4. Por que a Eucaristia é a fonte de toda vida cristã?
5. Quando a Igreja começou a celebrar a Eucaristia?

1. Que graças a Eucaristia confere àqueles que a recebem?
2. O que o Profeta Isaías fala sobre a Celebração da Missa?
3. Como São Mateus foi chamado a ser apóstolo?
4. Como Adão e Eva pecaram contra a Eucaristia?
5. Qual a relação entre a Última Ceia e a Eucaristia?

1. O que é uma aliança no sentido bíblico?
2.  Qual foi a Aliança de Deus com Abraão?
3. Por que sacrifícios do Antigo Testamento foram incompletos?
4. Por que o sacrifício de Cristo é perfeito?
5. Por que o sacrifício de Cristo é definitivo e dispensa todos os outros?
6. Como entender que a Missa é um sacrifício?

1. Como Cristo está presente no mundo e na Igreja?
2.  Como Cristo está presente na Eucaristia?
3. Por que a hóstia e o vinho não são meros sinais? 
4. Como os apóstolos aceitaram esta realidade?
5. Como a Eucaristia beneficia a Igreja?

1. O que é um sacramento?
2. Por que é importante receber os sacramentos?
3. Por que a Eucaristia é o principal sacramento da Igreja?
4. Como Cristo está presente de modo real, em corpo e sangue, na Eucaristia?
5. Como a Eucaristia é um sinal dos tempos futuros?

--autoria própria

Perguntas sobre Eucaristia - Sacramento

A Igreja Católica têm sete sacramentos: Batismo, Crisma, Eucaristia, Penitência, Casamento, Ordem e Unção dos Enfermos, mas a Eucaristia é o principal deles.

1. O que é um sacramento?

Os sacramentos são ações do Espírito Santo que opera no seu corpo que é a Igreja, os sacramentos são "nas obras-primas de Deus", na nova e eterna Aliança. 

Os sacramentos são sinais eficazes da graça de Deus, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis, com os quais são celebrados os sacramentos, significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Eles dão fruto naqueles que os recebem de maneira adequada.

* segundo Catecismo da Igreja Católica (CIC), parágrafos 116 e 1131.

2. Por que é importante receber os sacramentos?

Os sacramentos conferem a graça que prometem e são eficazes, porque neles é o próprio Deus que realiza a promessa. O Pai atende sempre a oração da Igreja, que em cada sacramento, exprime a sua fé no poder do Espírito. Tal como o fogo transforma em si tudo quanto atinge, assim o Espírito Santo transforma em vida divina tudo quanto se submete ao seu poder.

Os sacramentos são necessários para a salvação. A cada sacramento corresponde uma graça específica dada por Cristo e ministrada pelo Espírito Santo que transforma aqueles que O recebem, conformando-os com o Filho de Deus. O fruto da vida sacramental é que o Espírito de adoção  que faz com que os fiéis unam-se vitalmente ao Filho único, o Salvador.

O sacramento não é realizado pela justiça do sacerdote que o dá ou que do fiel que recebe, mas pelo poder de Deus. Desde que um sacramento seja celebrado conforme a intenção da Igreja, o poder de Cristo e do seu Espírito age nele e por ele, independentemente da santidade pessoal do ministro. 

* CIC 1127-1129

3. Por que a Eucaristia é o principal sacramento da Igreja?

Na Eucaristia está presente, em Corpo e Sangue, o próprio Cristo, Filho de Deus e Supremo Sacerdote da sua Igreja. Os demais seis sacramentos são como estradas que conduzem à Eucaristia. A Eucaristia celebrada ao redor do mundo une toda Igreja à Cristo, garantindo a sua unidade. 

O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela "como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos" (São Tomás de Aquino, Suma Teológica). No Santíssimo Sacramento da Eucaristia estão contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo (Concílio de Trento). 

* CIC 1324, 1326 e 1374

4. Como Cristo está presente de modo real, em corpo e sangue, na Eucaristia?

São João Crisóstomo declara:
"Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem corpo e sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia estas palavras, mas a sua eficácia e a graça são de Deus.Isto é o Meu corpo, diz ele. Esta palavra transforma as coisas oferecidas" .
E Santo Ambrósio diz a respeito da mesma conversão:
"Estejamos bem convencidos de que isto não é o que a natureza formou, mas o que a bênção consagrou, e de que a força da bênção ultrapassa a da natureza, porque pela bênção a própria natureza é mudada. A Palavra de Cristo, que pôde fazer do nada o que não existia, não havia de poder mudar coisas existentes no que elas ainda não eram? Porque não é menos dar às coisas a sua natureza original do que mudá-la.

* CIC 1375 

5. Como a Eucaristia é um sinal dos tempos futuros?

Cada vez que se celebra a Eucaristia, realiza-se a obra da nossa redenção e nós "partimos o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas viver em Jesus Cristo para sempre" (Santo Agostinho). Como esperamos alcançar a redenção da vida eterna, a Eucaristia é um sinal deste futuro que nos aguarda.

Numa antiga oração, a Igreja aclama assim o mistério da Eucaristia: "Ó sagrado banquete, em que se recebe Cristo e se comemora a sua paixão, em que a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da futura glória". Ou seja, na Eucaristia, Cristo nos garante a futura glória.

* CIC 1402-1405

-- autoria própria

7 de jan de 2018

Perguntas sobre a Eucaristia - Presença Real

Para os orientais, a palavra é a ação. Quando Deus disse: "que se faça o mundo", o mundo foi criado. Vendo a ação de Deus, entendemos que Deus existe. Hoje nós podemos perceber Deus na criação, ao observarmos o mar, as montanhas, os céus, toda natureza, muitos testemunharam Deus vivo em Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado em forma humana. Muitos poderiam pensar que estamos, então, nunca espécie de desvantagem, por não termos o mesmo privilégio dos apóstolos, Maria e outros daquela época. Isto é pensar pouco de Deus, pois na Eucaristia manifesta-se a presença real de Cristo, que é presente em Corpo e Sangue. Como acreditamos nisto? Por que Cristo mesmo disse: 

"Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? 

Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. 5Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim." (Jo 6, 49-57)

1. Como Cristo está presente no mundo e na Igreja?

Jesus Cristo está presente na sua Igreja de múltiplos modos: na sua Palavra, na oração da sua Igreja, "onde dois ou três estão reunidos em Meu nome" (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros, nos seus sacramentos, dos quais é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas está presente sobretudo sob as espécies eucarísticas.

* segundo Catecismo da Igreja Católica (CIC), parágrafo 1373.

2.  Como Cristo está presente na Eucaristia?

O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos (São Tomás de Aquino, Suma Teológica). No Santíssimo Sacramento da Eucaristia estão contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo. "Esta presença chama-se "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem"(Papa Paulo VI, Misterium Fides).

*CIC 1374

3. Por que a hóstia e o vinho não são meros sinais? 

Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação.

Que era capaz de realizar milagres, Cristo deu provas ainda vida na multiplicação dos pães e transformar a água em vinho nas bodas de Canaã. Se a pessoa aceitar estes milagres, torna-se menos difícil aceitar que Deus é capaz de transformar hóstia e vinho em Corpo e Sangue cada vez que uma Missa é celebrada.

*CIC 1376, 1335

4. Como os apóstolos aceitaram esta realidade?

O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, tal como o anúncio da paixão os escandalizou: "Estas palavras são insuportáveis! Quem as pode escutar?" (Jo 6, 60). A Eucaristia e a cruz causam dúvidas até hoje. Tendo amado os seus, o Senhor amou-os até ao fim. Sabendo que era chegada a hora de partir deste mundo para regressar ao Pai, lhes deixou uma garantia deste amor, e para jamais se afastar dos seus e para os tornar participantes da sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memorial da sua morte e da sua ressurreição, e ordenou aos seus Apóstolos que a celebrassem até ao seu regresso.

*CIC 1336-1337

5. Como a Eucaristia beneficia a Igreja?

Os que recebem a Eucaristia ficam mais estreitamente unidos a Cristo. Por isso mesmo, Cristo une todos os fiéis num só corpo: a Igreja. A Comunhão renova, fortalece e aprofunda esta incorporação na Igreja já realizada pelo Batismo.  A Eucaristia realiza esta vocação: "O cálice da bênção que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque participamos desse único pão" (1 Cor 10, 16-17). 

Quando ouvimos esta palavra: "O corpo de Cristo"; e respondemoss: "Ámen", então, confirmamos nosso Batismo, confirmamos sermos membros do Corpo de Cristo que é a Igreja. Sem a Sagrada Eucaristia, não haveria Igreja.

* CIC 1396.



6 de jan de 2018

Perguntas sobre Eucaristia - Aliança e Sacrifício de Cristo

A origem da palavra "sacrifício" é literalmente "fazer algo santo", isto é, retornar para Deus algo que ele criou. Quase todas as religiões tem este conceito, como o sacrifício de animais para agradar a Deus, ou os melhores frutos da colheita, bens preciosos, etc... Mas, na Igreja Católica há este conceito único de que o sacrifício é feito por Deus, para Deus, em Cristo, na Eucaristia. E esta á uma aliança que Deus fez conosco, válida para toda eternidade.

1. O que é uma aliança no sentido bíblico?

 De todas as criaturas visíveis, só o homem é capaz de conhecer e amar o seu Criador; só ele é chamado a partilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus. 

Porque é imagem de Deus, o indivíduo humano possui a dignidade de pessoa: ele não é somente alguma coisa, mas alguém. É capaz de se conhecer, de se possuir e de livremente se dar e entrar em comunhão com outras pessoas. 

A Aliança Bíblica é uma espécie de acordo com Deus, onde Deus cria o homem, lhe dá os recursos necessários para preservar a vida, por que Lhe ama como um pai ama seu filho e, em troca, o homem de decide amá-lo como uma resposta ao amor de Deus. A Aliança Bíblica começa com uma ação de Deus a qual o homem responde por livre vontade.

Na Bíblia, a primeira Aliança foi com Adão e Eva, que poderiam ter permanecido no Paraíso, mas duvidaram do amor de Deus quando aceitaram as mentiras do Demônio e terminaram se afastando da presença de Deus. 

* segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC) parágrafos 356-358.

2.  Qual foi a Aliança de Deus com Abraão?

Abraão e Sara eram velhos e não tinham filhos, não tinham para quem deixar sua herança, a família terminaria ali com os dois velhos morrendo. Deus promete a Abraão filhos, aumentar sua herança, manter seu nome na terra por mil gerações, exatamente o que Abraão temia que não seria mais possível. Em troca Deus pediu que confiassem nele, abandonassem o que haviam construído onde moravam, pois Deus lhe daria uma terra maravilhosa, cheia de frutos e mel. 

Esta é a Aliança de Deus com Abraão: Deus dá tudo, filhos, saúde, bens materiais; Abraão teria que confiar em Deus, sair da Babilônia onde morava e seguir às orientações de Deus até chegar à Terra Prometida. 

3. Por que sacrifícios do Antigo Testamento foram incompletos? 

Os Judeus, segundo a sua própria confissão, não puderam nunca cumprir integralmente a Lei sem violação do mínimo preceito (Jo 7, 19; At 13, 38-41; 15, 10), pois são humanos. Por isso é que, em cada festa anual da Expiação, pedem a Deus perdão pelas suas transgressões da Lei. Com efeito, a Lei constitui um todo e, como lembra São Tiago, "quem observa toda a Lei, mas falta num só mandamento, torna-se réu de todos os outros" (Tg 2, 10).

Este princípio da integralidade da observância da Lei, não só na letra mas também no espírito, era caro aos fariseus. Tomando-o extensivo a Israel, conduziram muitos judeus do tempo de Jesus a um zelo religioso extremo (Rm 10, 2). 

O cumprimento perfeito da Lei só podia ser obra de quem escreveu a Lei, Deus mesmo, nascido sujeito à Lei na pessoa do Filho (Gl 4, 4). Em Jesus, a Lei já não aparece gravada em tábuas de pedra, mas "no íntimo do coração" (Jr 31, 33), o qual, proclamando "fielmente o direito" (Is 42, 3), se tornou "a aliança do povo" (Is 42, 6). 

* CIC 578-580

4. Por que o sacrifício de Cristo é perfeito?

A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens (1 Cor 5, 7; Jo 8, 34-36), restabelecendo a comunhão entre o homem e Deus (Ex 24, 8), reconciliando-o com Ele pelo "sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados" (Mt 26, 28; Lv 16, 15-16). 

Este sacrifício de Cristo é único, leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios (Heb 10, 10). Antes de mais, é um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega o seu Filho para nos reconciliar consigo (1 Jo 4, 10). Ao mesmo tempo, é um sacrifício do Filho de Deus, que livremente e por amor (Jo 15, 13) oferece a sua vida (Jo 10, 17-18) ao Pai pelo Espírito Santo (Heb 9, 14) para reparar a nossa desobediência.

* CIC 613, 614

5. Por que o sacrifício de Cristo é definitivo e dispensa todos os outros? 

Nenhum homem, ainda que fosse o mais santo, estava em condições de tornar sobre si os pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos. A existência, em Cristo, da pessoa divina do Filho, que ultrapassa e ao mesmo tempo abrange todas as pessoas humanas e O constitui cabeça de toda a humanidade, é que torna possível o seu sacrifício redentor por todos.

A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo sofredor (Is 53. 7-8; At 8, 32-35). O próprio Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo sofredor (Mt 20, 28). Após a sua ressurreição, deu esta interpretação das Escrituras aos discípulos de Emaús (450) e depois aos próprios Apóstolos (Lc 24, 25-27).

Consequentemente, Pedro pôde formular assim a fé apostólica no plano divino da salvação: fostes resgatados da vã maneira de viver herdada dos vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito nem mancha, predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por nossa causa (1 Pe 1, 18-20). 

É o "amor até ao fim" (Jo 13, 1) de Deus por todos seus filhos que confere ao sacrifício de Cristo o valor de redenção e reparação, de expiação e satisfação. "O amor de Cristo nos pressiona, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram" (2 Cor 5, 14). 

* CIC 601, 602, 616

6. Como entender que a Missa é um sacrifício?

 Porque é o memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O carácter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição: "Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós" e "este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós" (Lc 22, 19-20). Na Eucaristia, Cristo dá aquele mesmo corpo que entregou por nós na cruz, aquele mesmo sangue que "derramou por muitos em remissão dos pecados" (Mt 26, 28).

A Eucaristia é, pois, um sacrifício, porque torna presente o sacrifício da cruz, porque é dele memorial: porque após a morte de Cristo não se devia extinguir o seu sacerdócio (Heb 724-27), na última ceia, "na noite em que foi entregue" (1 Cor 11, 13), Ele quis deixar à Igreja um sacrifício visível, em que fosse representado o sacrifício cruento que ia realizar uma vez por todas na cruz, perpetuando a sua memória até ao fim dos séculos e aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados que nós cometemos cada dia. (Concílio de Trento, Doutrina da Santa Missa)

O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: é uma só e mesma vítima e Aquele que agora Se oferece pela ação dos sacerdotes é o mesmo que outrora Cristo ofereceu a Si mesmo na cruz; só a maneira de oferecer é que é diferente. E porque neste divino sacrifício, que se realiza na missa, aquele mesmo Cristo, que a Si mesmo Se ofereceu outrora de modo cruento sobre o altar da cruz, agora está contido e é imolado de modo incruento, este sacrifício é verdadeiramente salvador (Santo Inácio de Antioquia).

* CIC 1365-1367
-- autoria própria






1 de jan de 2018

São Basílio Magno

Basílio nasceu em Cesaréia da Turquia, antiga Capadócia, no ano 329. Pertencia a uma família de santos. Seu avô morreu mártir na perseguição romana. Sua avó era Santa Macrina e sua mãe, Santa Amélia. A irmã, cujo nome homenageia a avó, era religiosa e se tornou santa. Também, seus irmãos: São Pedro, bispo de Sebaste e São Gregório de Nissa, e seu melhor amigo São Gregório Nazianzeno, são honrados pela Igreja.

Basílio estudou em Atenas e Constantinopla. Mas, foi sua irmã Macrina que o levou para a vida religiosa. Ela havia fundado um mosteiro onde as religiosas progrediam muito em santidade. Basílio decidiu ir para o Egito aprender com os monges do deserto este modo de viver em solidão. Voltou, se consagrou monge e escreveu suas famosas "Constituições", a primeira Regra de vida espiritual destinada aos religiosos. 

Por sua oratória maravilhosa, seus admiráveis escritos e suas inúmeras obras de assistência, que fez em favor do povo, foi chamado "Basílio Magno". Era amado por cristãos, judeus e pagãos. Além de sua arrebatadora eloqüência, Basílio mantinha uma intensa atividade em favor dos pobres. Doava tudo o que ganhava à eles. Foi o primeiro bispo a fundar um hospital para aos carentes e depois criou asilos e orfanatos.

Seu pensamento era: depois do amor à Deus, ajudar, e fazer os outros ajudarem, os pobres e marginalizados. Trabalhava e escrevia sem cessar, apesar da saúde débil. Sofrendo de hepatite, quase não podia se alimentar, a ponto de sua pele tocar os ossos. Morreu em 1o. de janeiro de 379, com apenas quarenta e nove anos e foi sepultado no dia seguinte, seguido por uma multidão como nunca acontecera naquela região.

Sobre São Basílio, o Santo Papa João Paulo II escreveu a Carta Apostólica Pater Ecclesiae.

-- resumo baseado em Santos do Dia da Igreja Católica. 

25 de dez de 2017

Homília de Natal

Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com promessa da eternidade.

Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque nosso senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida.

Quando chegou a plenitude dos tempos, fixada pelos insondáveis desígnios divinos, o Filho de Deus assumiu a natureza do homem para reconciliá-lo com seu criador, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que antes vencera.

Eis por que, no nascimento do Senhor, os anjos cantam jubilosos: Glória a deus nas alturas; e anunciam: Paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14). Eles vêem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo. Diante dessa obra inexprimível do amor divino, como não devem alegrar-se os homens, em sua pequenez, quando os anjos, em sua grandeza, assim se rejubilam?

Amados filhos, demos graças a Deus Pai, por seu Filho, no Espírito Santo; pois, na imensa misericórdia com que nos amou, compadeceu-se de nós. E quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo (Ef 2,5) para que fôssemos nele uma nova criação, nova obra de suas mãos.

Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne.

Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra-te de que cabeça e de corpo és membro. Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o reino de Deus.

Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o sangue de cristo.

--Dos Sermões de São Leão Magno, papa (século V)

13 de dez de 2017

Perguntas sobre a Eucaristia - Alimento Sagrado

Ao longo da Bíblia, em diversas ocasiões, se apresenta um banquete proporcionado por Deus. Adão e Eva tem todas as frutos e alimentos do Paraíso ao seu dispor, o povo do deserto alimentou-se do maná por quarenta anos, Cristo multiplicou pães e peixes para alimentar uma multidão, e há a Última Ceia, na Páscoa Judaica, que Cristo compartilha com seus apóstolos. Em todas estas pcasoões, o alimento é útil para matar a fome corporal, mas também cria uma comunhão espiritual com Deus. Estas perguntas são exatamente sobre este Sacrum Convivium, o Banquete Sagrado. 

1. Que graças a Eucaristia confere àqueles que a recebem?

A Comunhão aumenta a nossa união com Cristo. Receber a Eucaristia na comunhão traz consigo, como fruto principal, a união íntima com Cristo Jesus. De fato, o Senhor diz: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele» (Jo 6, 56). A vida em Cristo tem o seu fundamento no banquete eucarístico: «Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também o que Me come viverá por Mim» (Jo 6, 57):

Quando, nas festas do Senhor, os fiéis recebem o corpo do Filho, proclamam uns aos outros a boa-nova: "Cristo ressuscitou!". Eis que também agora a vida e a ressurreição são conferidas àquele que recebe Cristo. Este alimento também conserva, aumenta e renova a vida da graça recebida no Batismo. A vida cristã precisa de ser alimentada pela Comunhão eucarística até à hora da morte, em que nos será dado como viático.

A Comunhão afasta-nos do pecado. O corpo de Cristo que recebemos na Comunhão é entregue por nós e o sangue que nós bebemos é derramado pela multidão, para remissão dos pecados. É por isso que a Eucaristia não pode unir-nos a Cristo sem nos purificar, ao mesmo tempo, dos pecados cometidos, e nos preservar dos pecados futuros:

A Eucaristia preserva-nos dos pecados mortais futuros. Quanto mais participarmos na vida de Cristo e progredirmos na sua amizade, mais difícil nos será romper com Ele pelo pecado mortal. 

A Eucaristia faz a Igreja. Os que recebem a Eucaristia ficam mais estreitamente unidos a Cristo. Por isso mesmo, Cristo une todos os fiéis num só corpo: a Igreja. No Batismo fomos chamados a formar um só corpo. A Eucaristia realiza esta vocação: "O cálice da bênção que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque participamos desse único pão" (1 Cor 10, 16-17).

* Resposta baseada no Catecismo da Igreja Católica (CIC) parágrafos 1391-1397.

2. O que o Profeta Isaías fala sobre a Celebração da Missa?

Em Isaías (2,1-5), o profeta prediz que todas as nações se reunirão no Monte Santo, onde a Palavra de Deus será ensinada e ouvida por todo se Deus governará acima muitos povos. Esta é uma descrição de uma Santa Missa nos dias atuais: a mesma Missa, o meso sacrifício eucarístico é oferecido em todas as nações, a mesma Palavra de Deus é proclamada diariamente na Ásia, África, Europa, Oceânia e Américas. Muitos fiéis se deixam governar mansamente por este justo juiz, Deus.

3. Como São Mateus foi chamado a ser apóstolo?

Em Mateus 9, 9-13, temos este relato: "Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: Segue-me. O homem levantou-se e o seguiu. Como Jesus estivesse à mesa na casa desse homem, numerosos publicanos e pecadores vieram e sentaram-se com ele e seus discípulos. Vendo isto, os fariseus disseram aos discípulos: "Por que come vosso mestre com os publicanos e com os pecadores?" Jesus, ouvindo isto, respondeu-lhes: "Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores."

Daí se vê claramente que o São mateus foi chamado para participar deste Banquete Sagrado, não para ser discípulo, apóstolo ou pescador de homens, isto viria no futuro. Em primeiro lugar, foi chamado para se alimentar com Jesus. E não apenas Mateus, mas também outros pecadores, como nós, foram e são chamados a receber a Eucaristia. A Igreja é para os pecadores, não é um grupo selecionado de almas santas, como pensavam os fariseus.

4. Como Adão e Eva pecaram contra a Eucaristia?

Adão e Eva foram convidados a participar deste Banquete Sagrado que Deus lhes preparara, podiam comer todas as frutas e animais, tudo estava ao seu dispor exceto uma árvore. Imagine agora você numa grande festa, com os melhores pratos e bebidas sendo servidos, pois nesta posição estavam Adão e Eva. Mas eles insistiram em não participar do Banquete, preferiram outra comida, sobre a qual foram advertidos que estava contaminada. É como se você, em vez de continuar na festa, resolvesse sair do salão e se alimentar daquilo que já está sendo jogado no lixo. Assim, Adão e Eva romperam a aliança que Deus lhes propusera.

5. Qual a relação entre a Última Ceia e a Eucaristia?

Além da óbvia relação de que a Sagrada Eucaristia foi estabelecida durante a Última Ceia, quando Cristo santificou o pão e vinho, declarou serem seu corpo e sangue, repartiu-os com seus apóstolos e ordenaou que isto seja feito sempre em sua memória, há uma relação espiritual importante:

A Última Ceia foi uma Páscoa judaica, na qual todos os milagres realizados por Deus são relembrados pelo povo judeu. Toda Ceia judaica é uma grande ação de graças pela vida que tem. Nela canta-se o Dayenu, um canto onde recorda-se que Deus salvou seus primigênitos da morte, retirou o povo do Egito, abriu o mar para o povo passar e fugir dos soldados do Faraó, os alimentou com o maná e água no deserto,  deu os mandamentos no Monte Sinai, deu-lhes a Terra Prometida e construiu o Santo Templo em Jerusalém. Por tudo isto, deve-se dar graças ao Senhor. 

Nós cristãos, também devemos dar graças a Deus que nos deu seu único filho em favor de nossos pecados, nos conduz à vida eterna pela Ressuirreição, perdoa nossos pecados, nos alimenta com seu corpo e sangue a cada Eucaristia, nos dá a sua palavra para orientar a nossa vida, nos livra de cometermos pecados mortais, alimenta nossa alma. É esta ação de graças, tudo isto que temso para agradecer a Deus a cada Missa.

* autoria própria.







12 de dez de 2017

Os milagres no manto da Virgem de Guadalupe

Em 12 de Dezembro de 1531, o índio mexicano Cuauhtlatoatzin que havia se convertido ao Catolicismo e mudado de nome para Juan Diego, estava indo até a cidade para buscar um confessor para seu tio que estava muito doente. Ele já havia visto a virgem três vezes e contado ao Bispo, não acreditara na sua história e pedira um sinal.

Sentindo vergonha da virgem por seu fracasso com o Bispo, decidiu ir por outro caminho, mas a Virgem lhe apareceu mesmo assim, disse que não temesse pois seu tio já estava curado e devia ir ao alto do monte para colher rosas novas, este seria o sinal para o Bispo, pois já era inverno e as rosas "normais" já estavam todas queimadas. Ao chegar no monte, encontrou um lindo jardim de rosas, colheu algumas, enrolou-as no seu poncho e foi até o Bispo, Ao tirar as rosas, viu-se que no poncho havia uma imagem de Nossa Senhora, que até hoje está em exposição na Basílica de Guadalupe, próximo à cidade do México.

Os significados da imagem

Sobre esta imagem, há vários detalhes importantes que foram imediatamente reconhecidos pelos astecas, detalhes que ainda não eram bem compreendidos pelos espanhóis que estavam no país: 

A túnica de Nossa Senhora de Guadalupe: a túnica da Virgem Maria é semelhante às usadas pelas mulheres astecas. 

As flores na túnica: a túnica de Nossa Senhora de Guadalupe tem vários outros tipos de flores. Cada flor nasce numa determinada região do México. 

O laço de Nossa Senhora de Guadalupe: O laço que a Virgem tem acima da cintura e abaixo de suas mãos postas era o sinal que as mulheres indígenas usavam para mostrarem que estavam grávidas. 

A flor de quatro pétalas: logo abaixo do laço e sobre o ventre da Virgem de Guadalupe há uma flor de quatro pétalas. Este era um símbolo muito conhecido dos astecas e significa: "O lugar onde Deus habita". Portanto, a Virgem de Guadalupe está grávida e seu ventre é o lugar onde Deus habita. Ela está grávida de um ser divino.

O sol atrás de Nossa Senhora de Guadalupe: Em volta de toda a imagem da Virgem de Guadalupe aparecem raios do sol, dando a entender que o sol, embora não apareça, está atrás dela. O sol, para os astecas, era o símbolo da divindade mais importante cultuada por eles. Colocando-se em frente ao Sol, a Virgem indica que a velha religião asteca deve ficar para trás e a nova religião, o Cristianismo, assumir o seu lugar.

A cruz no colarinho de Nossa Senhora de Guadalupe: Com este símbolo, Nossa Senhora define para os americanos que o ser divino que está em seu ventre, que vai nascer e que iluminará os povos, é Jesus Cristo, morto numa cruz e ressuscitado para a salvação de todos.

Os cabelos da Virgem: os cabelos soltos sob o véu de Nossa Senhora indicam para os astecas que ela é virgem, pois as mulheres casadas usavam o cabelo em outro estilo. Nossa Senhora de Guadalupe é mãe e virgem, em consonância com toda a Doutrina Católica.

A lua negra debaixo dos pés: Esta lua negra simbolizava para os astecas todas as forças do mal. Com esta imagem, Nossa Senhora mostra que pisa sobre o mal, graças ao poder que recebe de seu Filho Divino, Jesus Cristo. É também uma referência ao Livro do Apocalipse: Apareceu uma mulher vestida como o Sol, tendo a Lua sob seus pés. 

O anjo debaixo da Virgem de Guadalupe: para os astecas, apenas reis e rainhas eram carregados, o anjo carregando Maria indica a sua realeza. Para os europeus mostra que se trata da mesma Virgem Maria, Mãe de Deus, que está no céu e que eles veneravam na Europa. 

O manto de Nossa Senhora de Guadalupe: a cor azul do manto representa o céu e as estrelas nele representadas correspondem exatamente, precisamente, à posição das estrelas e constelações visíveis no céu daquela região no dia da aparição. As estrelas no lado direito estão ao sul, as do lado esquerdo no norte do céu. Os astecas eram bons conhecedores das estrelas pois marcavam suas datas festivas com base nas estrelas, por isso, quando viram as estrelas no manto da Virgem de Guadalupe, compreenderam imediatamente que aquela mulher vinha do céu, do divino, de Deus.

As mãos: a mão direita é mais escura e representa os indígenas, nativos das Américas, a mão direita é mais clara e representa os brancos vindos da Europa. As duas mãos juntas em sinal de oração simbolizam que brancos e índios devem se unir e rezar, para a paz e o crescimento de todos.

Milagres que cercam o manto

A durabilidade do manto: o poncho onde está a imagem é feito das fibras de um cacto que, em condições ideais, dura, no máximo, 20 anos. Mas este poncho já tem quase 500 anos e continua intacto, tendo ficado mais de 200 anos exposto no tempo, sem qualquer tipo de proteção. Réplicas que foram feitas ao longo dos séculos foram perdidas, decompostas por processos naturais.

Ácido derramado: em 1785, um trabalhador acidentalmente derramo ácido nítrico sobre o manto, o que normalmente deveria corroê-lo, mas ele permanece intacto.

Bomba: em 1921 uma bomba foi colocada próximo ao manto. Todos os vidros ao redor foram despedaçados, mas o vidro no qual está o manto atualmente não sofreu nada. Até um crucifixo de ferro que estava ao pé da Virgem ficou todo retorcido, mas o manto está intacto.

Pintura: não nenhum sinal de tinta, natural ou artificial, não há sinais de pinceladas ou qualquer outra técnica usada por pintores. Examinada em microscópio, a imagem parece flutuar a três décimos de milímetros do tecido, sem tocá-lo.

Os olhos da Virgem: quando exposta à luz intensa, os olhos da Virgem se contraem, como ocorre com nossos olhos. Além disso, usando computadores, a imagem dos olhos da Virgem foram ampliadas milhares de vezes revelando que o Bispo e outras doze pessoas estão olhada para ela. Ampliando os olhos do Bispo ainda mais, aparece Juan Diego, que estava em frente ao Bispo. Isto se repete nos dois olhos, mas em ângulos ligeiramente diferentes, como seria esperado do olho humano. Não há técnica de pintura possível para fazer estes reflexos microscópicos.

Temperatura do tecido: o tecido mantém uma temperatura constante de 36.5 graus, como uma pessoa com boa saúde.

Batidas de coração: ao colocar um estetoscópio no ventre da Virgem, escuta-se batidas de um coração ao ritmo de 115 batidas por minuto, como o coração de um bebê saudável.

11 de dez de 2017

Perguntas sobre Eucaristia - introdução

1. Qual o significado da palavra "Eucaristia"?

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), item 1328, chama-se Eucaristia, porque é uma ação de graças a Deus. Provém das palavras gregas "eucharistein" (Lc 22, 19; 1 Cor 11, 24) e "eulogein" (Mt 26, 26; Mc 14, 22) que lembram as bênçãos judaicas que proclamam – sobretudo durante a refeição – as obras de Deus: a criação, a redenção e a santificação.

A Eucaristia  é um sacrifício de louvor em ação de graças pela obra da criação. Neste sacrifício toda a criação, amada por Deus, é apresentada ao Pai, através da morte e ressurreição de Cristo. É um louvor em ação de graças por tudo o que Deus fez de bom, belo e justo, na criação e na humanidade.

A Eucaristia é um sacrifício oferecido por Cristo na cruz, com Cristo presente na hóstia e vinho, que é aceito em memória de Cristo.

* baseado no Catecismo da Igreja Católica (CIC), parágrafos 1328, 1359-61.

2. Por quais outros nomes a Eucaristia é também conhecida?

Utiliza-se vários outros nomes para significar a Eucaristia:

  • Ceia do Senhor, porque se trata da ceia que o Senhor comeu com os discípulos na véspera da sua paixão.
  • Fração do Pão, porque este rito, próprio da refeição dos judeus, foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão como chefe de família, sobretudo na última ceia. É por este gesto que os discípulos O reconheceram depois da sua ressurreição.
  • Assembleia eucarística, porque a Eucaristia é celebrada em assembleia de fiéis, expressão visível da Igreja.
  • Santo Sacrifício, porque atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e inclui a oferenda da Igreja; ou ainda santo Sacrifício da Missa, Sacrifício de louvor (Heb 13, 15), Sacrifício espiritual, Sacrifício puro e santo, pois completa e ultrapassa todos os sacrifícios da Antiga Aliança.
  • Santa e divina Liturgia, porque toda a liturgia da Igreja é centrada neste sacramento; no mesmo sentido se lhe chama também celebração dos Santos Mistérios. Fala-se igualmente do Santíssimo Sacramento, porque é o sacramento dos sacramentos. E, com este nome, se designam as espécies eucarísticas guardadas no sacrário.
  • Comunhão, pois é por este sacramento que nos unimos a Cristo, o qual nos torna participantes do seu corpo e do seu sangue, para formarmos um só corpo.
  • Santa Missa, porque a liturgia em que se realiza o mistério da salvação termina com o envio dos fiéis («missio»), para que vão cumprir a vontade de Deus na sua vida quotidiana.
* CIC: 1329-1333

3. O que relembramos na Eucaristia?


A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferenda sacramental do seu único sacrifício, na liturgia da Igreja que é o seu corpo. No sentido que lhe dá a Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus fez pelos homens.

Na celebração litúrgica destes acontecimentos, eles se tomam presentes e atuais. É assim que Israel entende a sua libertação do Egipto: sempre que se celebrar a Páscoa, os acontecimentos do Êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que conformem com eles a sua vida.

Quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz memória da Páscoa de Cristo, e esta torna-se presente: o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz uma vez por todas, continua sempre atual: Todas as vezes que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual "Cristo, nossa Páscoa, foi imolado", realiza-se a obra da nossa redenção.

* CIC 1362-1364

4. Por que a Eucaristia é a fonte de toda vida cristã?

A Eucaristia é fonte e ponto central de toda a vida cristã. Tudo mais que acontece na Igreja, outros sacramentos, todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se orientam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa.

Nela se encontra o cume, ao mesmo tempo, da ação pela qual Deus, em Cristo, santifica o mundo, e do culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por Ele, ao Pai. Pela celebração eucarística, unimo-nos desde já à Liturgia do céu e antecipamos a vida eterna. (1 Cor 15, 18 ).

* CIC 1324-1327

5. Quando a Igreja começou a celebrar a Eucaristia?

Desde o princípio a Igreja foi fiel à ordem do Senhor. Da Igreja de Jerusalém está escrito:
Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. [...] Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração (At 2, 42.46).
6. A Igreja sempre celebrou Eucaristia como faz hoje?

 Desde o século II, temos o testemunho de São Justino sobre a forma da celebração eucarística e permaneceram as mesmas até aos nossos dias. Veja o testemunho do santo escrito cerca do ano 155:
No dia que chamam Dia do Sol, realiza-se a reunião num mesmo lugar de todos os que habitam a cidade ou o campo.
Lêem-se as memórias dos Apóstolos e os escritos dos Profetas, tanto quanto o tempo o permite.
Quando o leitor acabou, aquele que preside toma a palavra para incitar e exortar à imitação dessas belas coisas.
Em seguida, levantamo-nos todos juntamente e fazemos orações por nós mesmos [...] e por todos os outros, [...] onde quer que estejam, para que sejamos encontrados justos por nossa vida e ações, e fiéis aos mandamentos, e assim obtenhamos a salvação eterna.
Terminadas as orações, damo-nos um ósculo uns aos outros.
Depois, apresenta-se àquele que preside aos irmãos pão e uma taça de água e vinho misturados.
Ele toma-os e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, pelo nome do Filho e do Espírito Santo, e dá graças  longamente, por termos sido julgados dignos destes dons.
Quando ele termina as orações e ações de graças, todo o povo presente aclama:Ámen.[...] Depois de aquele que preside ter feito a ação de graças e de o povo ter respondido, aqueles a que entre nós chamamos diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água "eucaristizados" e também os levam aos ausentes.
 Ou seja, a ordem seguida na celebração já era próxima da atual: leituras bíblicas, homília, preces da comunidade, consagração do pão e vinho, e distribuição da Eucaristia.

* CIC 1342, 1345.

* autoria própria, totalmente baseado no Catecismo da Igreja Católica (CIC).

* outras quatro partes estão para ser publicadas.

21 de nov de 2017

Eis que vem a ti teu rei, justo e salvador

Digamos também nós a Cristo: Bendito o que vem em nome do Senhor (Mt 21,9), rei de Israel (Mt 27,42). Levantemos para ele, quais folhas de palmeira, as derradeiras palavras na cruz. Vamos com entusiasmo para a frente, não com ramos de oliveira, mas com as honras das esmolas de uns aos outros. Estendamos a seus pés, como vestes, os desejos do coração. Deste modo, pondo seus passos em nós,esteja dentro de nós, e nós inteiros nele; e se manifeste ele totalmente em nós. Repitamos para Sião a aclamação do Profeta: Tem confiança, filha, não temas. Eis que vem a ti teu rei, manso e montado no jumentinho, filho da que leva o jugo (cf. Zc 9,9).
 
Jesus entra em Jerusálem, de Giotto(século XIV)
Vem aquele que está presente em todo o lugar e ocupa tudo, para realizar em ti a salvação  de tudo. Vem aquele que não veio chamar os justos, mas os pecadores à conversão (Mt 9,13), para fazer voltar os desviados pelo pecado. Não temas, pois. Está Deus no meio de ti, não serás abalada (cf. Dt 7,21).

De mãos erguidas, recebe-o, a ele que gravou nas próprias mãos tuas muralhas. Acolhe-o, a ele que cavou em suas palmas teus fundamentos. Recebe-o, a ele que tomou para si tudo o que é nosso, à exceção do pecado, a fim de mergulhar tudo que é nosso no que é dele. Alegra-te, cidade-mãe, Sião; não temas. Celebra tuas festas (Na 2,1). Glorifica por sua misericórdia quem em ti vem para nós. Mas também tu, rejubila-te com entusiasmo, filha de Jerusalém, canta, dança de alegria. Resplandece, resplandece (assim aclamamos junto com Isaías, o clarim sagrado), porque chegou tua luz e nasceu sobre ti a glória do Senhor (Is 60,1).

Que luz é esta? Só pode ser aquela que ilumina a todo homem que vem ao mundo (cf. Jo 1,9). A luz eterna, luz que não conhece o tempo e revelada no tempo, luz manifestada pela carne e oculta por natureza, luz que envolveu os pastores e se fez para os magos guia do caminho. Luz que desde o princípio estava no mundo, por quem foi feito o mundo e o mundo não a conheceu. Luz que veio ao que era seu, e os seus não a receberam.

Glória do Senhor. Qual glória? Na verdade, a cruz em que Cristo foi glorificado. Ele, esplendor da glória do Pai, como ele próprio, estando próxima a paixão, disse: Agora é glorificado o Filho do homem e Deus é glorificado nele; e o glorificará sem demora (cf. Jo 13,31-32). Chama de glória neste passo sua exaltação na cruz. Porque a cruz de Cristo é glória e, realmente, sua exaltação. Por isto diz: Eu, quando for exaltado, atrairei todos a mim (Jo 12,32).

-- Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo (século VIII)

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