30 de ago de 2014

Oração para reformar a vida

Primeiramente, antes de entrar na oração, repouse um pouco o espírito, assentando-se ou passeando, como lhe parecer melhor.

Faça uma oração preparatória: como, por exemplo, pedir graça a Deus nosso Senhor para que possa conhecer no que faltei aos dez mandamentos; e também pedir graça e ajuda para doravante se emendar, pedindo perfeita inteligência, para melhor os guardar e para maior glória e louvor de sua divina Majestade.

Para o primeiro modo de orar, convém considerar e pensar, no primeiro mandamento, como o tenho guardado e em que tenho faltado; tendo como norma demorar nesta consideração o tempo de quem reza três pai nossos e três ave-marias. E, se neste tempo, acho faltas minhas, pedir vênia e perdão delas, e dizer um Pai-Nosso. E, desta forma maneira se faça em cada um de todos os dez Mandamentos.

Primeira nota: É de notar que, quando uma pessoa vier a pensar num mandamento no qual acha que não tem hábito de pecar, não é necessário que se detenha tanto tempo. Mas, conforme a pessoa acha que tropeça mais ou menos num mandamento, assim deve deter-se mais ou menos na consideração e exame dele.

Depois de terminar a reflexão, como já se disse, sobre todos os Mandamentos, acusando-se neles e pedindo graça para emendar no futuro, há de acabar-se com um diálogo a Deus Nosso Senhor.

No segundo dia, reflete-se sobre os pecados capitais. Faça-se a oração preparatória, pela maneira já indicada, depois segue-se examinando cada um dos sete pecados capitais que se hão de evitar. Guarda-se igualmente a ordem e a regra já indicadas e o diálogo final.

Para melhor conhecer as faltas cometidas nos pecados mortais, considerem-se os seus contrários. E assim, para melhor evitá-los, proponha e procure a pessoa, com santos exercícios, adquirir as sete virtudes a elas contrárias.

No terceiro dia, reflete-se sobre as potências da alma: inteligência, vontade e sensibilidade. Observe-se a mesma ordem e regra, fazendo a oração preparatória e o diálogo. 

No quarto dia, os cinco sentidos corporais, seguindo sempre a mesma ordem, apenas mudando-se o assunto. 

Quem quer imitar, no uso de seus sentidos, a Cristo Nosso Salvador, encomende-se na oração preparatória a sua divina majestade, e depois de ter considerado em cada sentido, diga-se um Pai Nosso. Quem quiser imitar a Nossa Senhora, na oração preparatória encomende-se a ela, para que lhe alcance graça de seu Filho e Senhor para isso e, depois de ter considerado em cada sentido, diga uma Ave Maria.

-- Dos Exercícios Espirituais, de Santo Inácio de Loyola (século XVI)

27 de ago de 2014

22o Domingo do Tempo Comum - 31/08/2014

Evangelho (Mt 16, 21-27)
Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.
22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”
23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”
24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.25Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.
26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.
Comentário
A confissão de Jesus Messias, feita por Pedro no trecho anterior do Evangelho (Mt 16, 13-16), leva Cristo a explicar o sentido desta messianidade: Cristo é o servo sofredor; esta é a sua missão que os apóstolos não devem impedir: perder a vida para dar a vida. O mesmo paradoxo é visto por Jeremias em suas "confissões" (Jr 11,18-20; 15,10-18; 17,14-18; 18,18-23). O profeta se sente enganado por Deus, que através de sua missão, colocou-o à margem da sociedade; a palavra de Deus é para ele motivo de sofrimento; desejaria abafá-la; mas percebe a força de Deus chamando-o para cumprir sua missão mesmo no sofrimento. Este é o sacrifício vivo (Rm 12, 1-2) que nos torma participantes do sacrifício de Cristo (Rm 6,3-5). De fato, o cristão não age segundo a carne, isto é, como o mundo sugere, mas se deixa transformar pelo Espírito (Rm 8, 5-8.14-16) seguindo a vontade de Deus.. 
Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos
Livros Sapienciais e Proféticos
  • Salmos 63 (62)
  • Jeremias 11,18-23
  • Jeremias 15,10-21
  • Jeremias 17,14-18
  • Jeremias 18,18-23
  • Jeremias 20, 7-9
Evangelhos
  • Mateus 16, 13-16
  • Marcos 8, 31-33
  • Lucas 9, 22-27
Livros Apostólicos
  • Romanos 6, 1-14
  • Romanos 8, 5-16
  • Romanos 12, 1-2

Quem tem sede, venha a mim e beba

São Columbano, cripta da Abadia de
Bobbio.  Viveu de 543 a 615, tendo fundado
vários monastérios na Europa.
Irmãos caríssimos, prestai ouvidos ao que vamos dizer como a algo de necessário. Contentai a sede de vossas almas nas águas da fonte divina, sobre a qual desejamos falar, mas não a extingais; bebei, mas não vos sacieis. Chama-nos a si a fonte viva, a fonte da vida e diz: Quem tem sede venha a mim e beba (Jo 7,37).

Entendei o que bebeis. Diga-vos Jeremias, diga-vos a própria fonte: Abandonaram-me a mim, fonte de água viva, diz o Senhor (Jr 2,13). O próprio Senhor, nosso Deus, Jesus Cristo, é a fonte da vida; por isso nos convida a irmos a ele, fonte, para o bebermos. Bebe-o quem ama; bebe quem se sacia com a palavra de Deus; quem muito ama, muito deseja; bebe quem arde de amor pela sabedoria.

Vede donde mana esta fonte: do mesmo lugar donde desceu o pão. Pão e fonte são o mesmo, o filho único, nosso Deus, o Cristo Senhor, de quem devemos ter sempre fome. Comemo-lo, amando; devoramo-lo desejando e, no entanto, famintos, desejemo-lo ainda. Da mesma forma, qual água de uma fonte; bebamo-lo sempre pela plenitude do desejo e deleitemo-nos com a suavidade de sua particular doçura.

Pois é doce e suave o Senhor; por mais que o comamos e bebamos, estamos sempre sedentos e famintos, porque nosso alimento e bebida nunca se podem tomar e beber totalmente; tomando, não se consome, bebido não acaba, pois nosso pão é eterno, nossa fonte é perene, nossa fonte é doce. Eis a razão por que diz o Profeta: Vós que tendes sede, ide à fonte (Is 55,1). É fonte dos sedentos, não dos saciados. Por isto chama a si sedentos, que em outro lugar declara felizes, aqueles que nunca bebem bastante, mas quanto mais sorvem, tanto mais têm sede.

 Irmãos, é justo que a fonte da sabedoria, o Verbo de Deus nas alturas (Eclo 1,5 Vulg.), sempre seja desejada, buscada, amada por nós; estão escondidos, segundo as palavras do Apóstolo, todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2,3), e chama quem tem sede a deles tomar. 

Se tens sede, bebe da fonte da vida; se tens fome, come o pão da vida. Felizes os que têm fome deste pão e sede desta fonte. Sempre comendo e sempre bebendo, ainda desejam comer e beber. Porque é imensamente doce aquilo que sempre se saboreia e sempre se deseja mais. O rei profeta já dizia: Saboreai e vede quão doce, quão suave é o Senhor (Sl 33,9).

-- Das Instruções de São Columbano, abade (século VII)

25 de ago de 2014

Catedrais - estilos românico e gótico

Ao que lembre, nunca escrevi nada sobre arquitetura porque não é minha área. Mas esta apresentação é bastante visual e simples de entender as diferenças entre catedrais românicas e góticas. Vale a pena dar uma olhada.

21 de ago de 2014

21o Domingo do Tempo Comum - 24/08/2014

Evangelho (Mt 16,13-20)
Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e aí perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
20Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.
Comentário
Confiar as chaves a um funcionário é torná-lo detentor de plenos poderes. Isaias (22,19-23) parte de um fato histórico, a substituição de Sobna por Eliacim no cargo de adminstrador do palácio do Rei Ezequias e explica como um castigo de Deus por causa de sua megalomania. Este trecho é relido com um caráter messiânico neste Evangelho e em Apocalipse 3,7. 
O Evangelho compõe-se de duas partes: a confissão de Pedro e a promessa do primado. Croonologicamente parece que foram dois fatos que ocorreram em dias distintos, mas São Mateus os uniu em uma sequência para ressaltar como um fato explica o outro. Com a declaração de Pedro, a ruptura com a tradição rabínica é definitiva (Mt 15,13-14); uma nova Igreja é fundada tendo Pedro como líider. 
Diante deste modo de agir divino, o homem só pode elevar um hino de louvor a Deus, como faz São Paulo em Rm 1, 33-36, a exemplo de vários outros trechos bíblicos (Sl 138, 6-18; Is 40; Jó 41, 3; Rm 8, 31-39; 1Cor 8, 6; Cl 1, 16-17).
Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos

Livros Sapienciais e Salmos
  • Jó 41, 1-3
  • Salmos 85
  • Salmos 137
  • Salmos 138, 6-18
  • Isaías 22, 19-23

Evangelhos
  • Mateus 15, 13-14
  • Mateus 16, 13-20

Livros Apostólicos
  • Romanos 8, 31-39
  • 1 Coríntios 8, 5-6
  • Colossenses 1, 16-23
  • Apocalipse 3, 7-13

20 de ago de 2014

Ave São Bernardo!

São Bernardo, cuja festa é celebrada em 20 de Agosto, foi abade de Claraval e um dos pilares da Igreja no século XII. Sua mãe o colocou sob a proteção de Maria, e ela realmente mostrou sua misericórdia em muitas ocasiões. Quando ainda jovem, Bernardo teve uma visão da Rainha dos Céus, que lhe falou sobre a Incarnação de Jesus Cristo, um ensinamento que guardou para a vida. Entre outros favores, certa feita caiu muito doente, os médicos já haviam perdido as esperanças de recuperação. Após orar, Maria concedeu-lhe a graça da total e imediata
recuperação. 

Costumava dizer: "Maria não precisa de nossos favores para nos ajudar, pois já é a Mãe de Deus; não precisa de nossa boa vontade, pois é a Mãe da Misericórdia e nossa Mãe também". 

Assim São Bernardo escreveu: "Maria é a estrela brilhante de Jacó, cujos raios iluminam o mundo inteiro, cujo esplendor brilha nos céus e penetra o inferno. Ela está presente no mundo e seu calor aquece não o corpo, mas a alma, enfraquecendo o vício e amadurecendo a virtude. Se os ventos da tentação te fizerem balançar; se a rocha da tribulação de alcançar; olhe para esta estrela; chame por Maria! Se um mar de 
orgulho ou ambição te afogar, ou inveja e detratatores te cercam; olhe para esta estrela; chame por Maria! Se a ira, avareza ou concupicência agitarem tua mente; olhe para esta estrela, chame por Maria! Se estás horrorizado pela enormidade dos teus crimes e pecados; acusado pela tua consciência; amedontrado pelo julgamento que está por vir; olhe para esta estrela, chame Maria! Em todos perigos e dificuldades, chame
por Maria!"

Era costume de São Bernardo sempre que passava em frente a uma imagem de Maria, fazer uma profunda reverência com a cabeça e saudá-la com uma Ave Maria.  Certa feita, quando visitava a Abadia de Affligen, Holanda, para demonstrar como estava agradecida pela dedicação de seu filho Bernardo,  Nossa Senhora lhe respondeu: "Ave Bernardo!".

-- autoria própria

19 de ago de 2014

Maria: Preparada pelo Altíssimo, prometida pelos Patriarcas

A Deus competia nascer de uma virgem unicamente; e era claro que do parto da Virgem somente viesse Deus à luz. Por este motivo, o Criador dos homens, para se fazer homem nascido de ser humano, devia dentre todas escolher, ou melhor, criar para si a mãe tal, como sabia convir a si e ser-lhe agradável em tudo.

Quis então que fosse uma virgem. Da imaculada nascendo o imaculado, aquele que purificaria as máculas de todos.

Ele a quis também humilde, donde proviesse o manso e humilde de coração, que iria mostrar a todos o necessário e salubérrimo exemplo destas virtudes. Concedeu, pois, à Virgem a fecundidade, a ela a quem já antes inspirara o voto de virgindade e lhe antecipara o mérito da humildade.

A não ser assim, como poderia o anjo dizê-la cheia de graça, se algo, por mínimo que fosse, faltasse à graça? Assim, aquela que iria conceber e dar à luz o Santo dos santos, recebeu o dom da virgindade para que fosse santa no corpo, e, para ser santa no espírito, recebeu o dom da humildade.

Esta Virgem régia, ornada com as jóias das virtudes, refulgente pela dupla majestade da alma e do corpo, por sua beleza e formosura conhecida nos céus, atraiu sobre si o olhar dos anjos. Até atraiu sobre si a atenção do Rei,que a desejou e arrebatou das alturas até si o mensageiro celeste.

O anjo foi enviado à Virgem (Lc 1,26-27). Virgem na alma, virgem na carne, virgem pelo propósito, virgem enfim tal como a descreve o Apóstolo, santa de espírito e de corpo. Não pouco antes, nem por acaso encontrada, mas eleita desde o princípio dos séculos, conhecida pelo Altíssimo e preparada para ele, guardada pelos anjos, prefigurada pelos patriarcas, prometida pelos profetas.

-- Das Homilias em louvor da Virgem-Mãe, de São Bernardo, abade (século XI)

16 de ago de 2014

Como pecamos com as palavras

Não jurar, nem pelo Criador nem pela criatura, a não ser com verdade, necessidade e reverência. Necessidade entendo, não quando se afirma com juramento qualquer verdade, mas quando é de alguma importância para o proveito da alma ou do corpo ou de bens temporais. Reverência entendo, quando ao pronunciar o nome do seu Criador e Senhor, com consideração, se lhe tributa a honra e reverência devidas.

É de advertir que, ainda que no juramento em vão, pecamos mais jurando pelo Criador que pela criatura, é mais difícil jurar devidamente, com verdade, necessidade e reverência, pela criatura que pelo Criador, pelas razões seguintes:

Primeira: Quando queremos jurar por alguma criatura, o fato de querer nomear a criatura não nos faz estar tão atentos nem advertidos para dizer a verdade ou para afirmá-la com necessidade, como ao querermos nomear o Senhor e Criador de todas as coisas.

Segunda: É que, ao jurar pela criatura, não é tão fácil prestar reverência e acatamento ao Criador, como quando se jura pelo mesmo Criador e Senhor e se profere o seu nome; porque o fato de querer nomear a Deus nosso Senhor, traz consigo mais acatamento e reverência que o querer nomear uma coisa criada. Portanto, concede-se mais aos perfeitos que aos imperfeitos jurar pela criatura; porque os perfeitos, pela assídua contemplação e iluminação do entendimento,consideram, meditam e contemplam mais estar Deus nosso Senhor em cada criatura, segundo a sua própria essência, presença e potência; e, assim, ao jurarem pela criatura, estão mais aptos e dispostos para prestar acatamento e reverência a seu Criador e Senhor do que os imperfeitos.

Terceira: É que na frequência do jurar pela criatura, se há-de temer mais a idolatria nos imperfeitos que nos perfeitos.

Não dizer palavra ociosa. Por palavra ociosa entendo a que não me aproveita a mim nem a outrem, nem se ordenaa tal intenção. De sorte que falar de tudo o que é proveitoso ou com intenção de aproveitar à alma própria ou alheia, ao corpo ou a bens temporais, nunca é ocioso; nem o falar alguém de coisas que estão fora do seu estado, como se um religioso falasse de guerras e comércio. Mas, em tudo o que se disse, há mérito quando as palavras se ordenam a bom fim, e pecado quando se dirigem a mau fim ou se fala inutilmente.

Não dizer palavras para difamar ou murmurar, porque se descubro um pecado mortal que não seja público, peco mortalmente; e, se um pecado venial, venialmente; e, se um defeito, mostro o meu próprio defeito. Mas sendo reta aintenção, de duas maneiras se pode falar do pecado ou falta de outrem.

Primeira: quando o pecado é público, como, por exemplo, de uma meretriz pública, de uma sentença dada em juízo, ou de um erro público que infecciona as almas com quem conversa.

Segunda: quando o pecado oculto se descobre a alguma pessoa para que ajude a levantar a que está em pecado; tendo, contudo, algumas conjecturas ou razões prováveis de que a poderá ajudar.

-- Dos Exercícios Espirituais, de Santo Inácio de Loyola (século XVI)

14 de ago de 2014

Assunção de Nossa Senhora - Domingo 17/08/2014

A Assunção de Nossa Senhora é celebrada sempre em 15 de Agosto e é o que chamamos de "dia de preceito", isto é, todos os católicos são convidados a participar da Missa. A CNBB costuma transferir para um Domingo próximo, neste ano 17 de Agosto, mas a USCCB (Conferência do Bispos Católicos nos Estados Unidos) mantém no dia 15, mesmo sendo sexta-feira. Aqui vou seguir o calendário liturgico da maioria dos leitores, o brasileiro. Leitores de Portugal, Moçambique, Angola e outros países, por favor vejam a liturgia local.

Ainda há dois conjuntos de leituras, um para a Vigília na noite de Véspera, outro para Missa do Dia. Novamente vou seguir o critério da maioria e utilizar as leituras da Missa do Dia.

Evangelho (Lc 1,39-56)
Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia.40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
46Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada,49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.
Comentário
O dogma da Assunção de Maria foi definido no ano de 1950 durante o pontificado de Pio XII e é considerado a festa principal de Maria. A Igreja celebra neste dia a realização do Mistério Pascal em Maria.  A mulher adornada em todo o seu esplendor, pelo Sol, Lua e as doze estrelas (Ap 11,19-12,10), simboliza o Povo de Deus, as 12 tribos de Israel, que também sofrem as perseguições do dragão, isto é, Satanás. O menino que nasce é evidentemente Jesus Cristo, que se manisfestará como o primeiro ressuscitado, abrindo o caminho para a nossa salvação (1Cor 15, 20-27; Col 1,18) e vencendo a morte (Ap 2,14). Só quando todos participarem da Ressurreição (Rm 6,5; 8,11-26), ele terá cumprido perfeitamente sua obra (Ef 4,6; Col 3,11). Maria liga dois nascimentos (São João Batista e Cristo) anunciados por anjos, ela é a bem-aventurada que fala o Magnificat, um grande resumo da história da salvação, desde Abraão até seu cumprimento definitivo pela presença do Espírito Santo (At 2, 17-21; Jl 3, 1-5; At 13, 52; Gl 5,22).
Leituras Relacionadas:
Antigo Testamento: 
Livros Históricos
Livros Proféticos e Salmos:
  • Joel 3, 1-5
  • Salmos 44
  • Salmos 131
Novo Testamento:
Evangelhos:
  • Lucas 11, 27-28
Escritos apostólicos:
  • Atos 2, 17-21
  • Atos 13, 52
  • Romanos 6,5
  • Romanos 8, 11-26
  • 1Coríntios 15, 20-27
  • 1Coríntios 15, 54-57
  • Colossenses 1, 18
  • Colossenses 3, 11
  • Efésios 4, 6
  • Gálatas 5,2
  • Apocalipse 2, 14
  • Apocalipse 11,19-12,10
  • Apocalipse 20, 14

Ainda pode-se ler:
Assunção de Nossa Senhora, trecho da declaração do dogma
Homília do Santo Papa João Paulo II, por ocasião da Festa da Assunção em 1993


12 de ago de 2014

Salmo 8: A grandeza do Senhor e a dignidade do homem

Queridos irmãos e irmãs,

"O homem..., no centro deste empreendimento, revela-se um gigante. Revela-se divino, não em si, mas no seu princípio e no seu destino. Por conseguinte, seja honrado o homem, a sua dignidade, o seu espírito, a sua vida". Com estas palavras, em Julho de 1969 Paulo VI confiava aos astronautas americanos que partiam para a lua o texto do Salmo 8, que agora aqui se ouviu, para que entrasse nos espaços cósmicos.

De fato, este hino é uma celebração do homem, uma criatura que, se for comparada com a grandeza do universo, é insignificante, é uma "cana" frágil, para usar uma imagem do grande filósofo Blaise Pascal (Pensamentos, n. 264). Contudo, é uma "cana pensante" que pode compreender a criação, porque é senhor da criação, "coroado" pelo próprio Deus (cf. Sl 8, 6). Como acontece com frequência nos hinos que exaltam o Criador, o Salmo 8 começa e acaba com uma solene antífona dirigida ao Senhor, cuja magnificência está espalhada no universo:  "Ó Senhor, nosso Deus, como é grande o vosso nome em toda a terra" (vv. 2.10).

O verdadeiro e próprio conteúdo do cântico deixa imaginar uma atmosfera noturna, com a lua e as estrelas que se acendem no céu. A primeira estrofe do hino (cf. vv. 2-5) é dominada por um confronto entre Deus, o homem e o universo. Na cena sobressai antes de tudo o Senhor, cuja glória é cantada pelos céus, mas também pelos lábios da humanidade. O louvor que surge espontâneo nos lábios das crianças silencia e confunde as conversas arrogantes dos que negam Deus (cf. v. 3). Eles são definidos como "insensatos, corruptos e abomináveis", porque se iludem que podem desafiar e opor-se ao Criador com a sua razão e acção (cf. Sl 13, 1).

Logo a seguir, eis que se abre um sugestivo cenário de uma noite estrelada. Face a este horizonte infinito surge a eterna pergunta:  "Que é o homem?" (Sl 8, 5). A primeira e imediata resposta fala de nulidade, quer em relação à grandeza dos céus, quer sobretudo a respeito da majestade do Criador. Com efeito, o céu, diz o Salmista, é "teu", a lua e as estrelas "por ti foram fixadas" e são "obra dos teus dedos" (cf. v. 4). É bonita esta última expressão, mais do que a mais comum "obra das tuas mãos" (v. 7):  Deus criou estas realidades colossais com a facilidade e o esmero de um bordado ou um trabalho de cinzel, com o toque leve de quem faz deslizar os seus dedos pelas cordas da arpa.

Por conseguinte, a primeira reação é de assombro:  como pode Deus "recordar-se" e "ocupar-se" desta criatura tão frágil e delicada (cf. v. 5)? Mas eis a grande surpresa:  ao homem, criatura  frágil,  Deus  concedeu  uma  dignidade  maravilhosa:   fez  com  que  ele fosse  pouco  inferior  aos  anjos  ou, como também pode ser traduzido o original hebraico, pouco inferior a um Deus (cf. v. 6).

Entramos, desta forma, na segunda estrofe do Salmo (cf. vv. 6-10). O homem é visto como o lugar-tenente real do próprio Criador. De fato, Deus "coroou-o" como um vice-rei, destinando-o a um senhorio universal:  "Tudo submetestes debaixo dos seus pés" e o adjetivo "tudo" ressoa enquanto desfilam as várias criaturas (cf. vv. 7-9). Mas este domínio não é conquistado pela capacidade do homem, realidade frágil e limitada, nem é obtido com uma vitória sobre Deus, como queria o mito grego de Prometeu. É um domínio proporcionado por Deus:  às mãos frágeis e por vezes egoístas do homem está confiado todo o horizonte das criaturas, para que ele conserve a sua harmonia e beleza, o use mas não abuse, faça emergir os seus segredos e desenvolva as suas potencialidades.

Como  declara  a  Constituição  pastoral  Gaudium  et  spes  do  Concílio  Vaticano II, "o homem foi criado à "imagem de Deus", capaz de reconhecer e amar o seu Criador, que o constitui senhor de todas as criaturas terrenas, para as governar e usar, glorificando a Deus" (n. 12).

Infelizmente, o governo do homem, afirmado no Salmo 8, pode ser mal compreendido e deformado pelo homem egoísta, que muitas vezes se revelou mais um tirano insensato do que um governador sábio e inteligente. O Livro da Sabedoria adverte-nos contra os desvios deste género, quando esclarece que Deus formou "o homem... para dominar sobre as criaturas..., e governar o mundo com santidade e justiça" (9, 2-3). Mesmo num contexto diferente, também  Jó  faz  apelo  ao  nosso  Salmo para recordar sobretudo a debilidade humana, que não mereceria tanta atenção por parte de Deus:  "Que é o homem,  para  que  faças  caso  dele  e ponhas nele a tua atenção, para que o visites todas as manhãs e o proves a cada instante?" (7, 17-18). A história documenta o mal que a liberdade humana semeia no mundo com as devastações ambientais e com as injustiças sociais mais clamorosas.

Ao contrário dos seres humanos, que humilham os próprios semelhantes e a criação, Cristo apresenta-se como o homem perfeito, "coroado de glória e de honra... em virtude de ter padecido a morte, a fim de que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos" (Heb 2, 9). Ele reina sobre o universo com aquele domínio de paz e de amor que prepara o novo mundo, os novos céus e a nova terra (cf. 2 Pd 3, 13), Aliás, a sua autoridade real como sugere o autor da Carta aos Hebreus aplicando-lhe o Salmo 8 é exercida através da entrega suprema de si na morte "em benefício de todos".

Cristo não é um soberano que se deixa servir, mas que serve e se consagra ao próximo:  "Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos" (Mc 10, 45). Desta forma, Ele recapitula em si "todas as coisas que há no Céu e na Terra"(Ef 1, 10). Nesta luz cristológica, o Salmo 8 revela toda a força da sua mensagem e da sua esperança, convidando-nos a exercer a nossa soberania sobre a criação, não dominando-a, mas amando-a.

-- São João Paulo II, na audiência de 26 de Junho de 2002

9 de ago de 2014

Casamento, divórcio e nulidade

Casamentos são para toda vida. Esta idéia é fundamental na Igreja Católica e repetida muitíssimas vezes quando a Igreja se posiciona contrária ao divórcio. No entanto, é possível que a Igreja declare um casamento nulo, o que para a maioria parece ser uma espécie de "divórcio" católico.

Em realidade, nada mais diferente que divórcio e nulidade. Quando um casamento é declarado nulo, é uma afirmação que o casamento jamais existiu; enquanto o divórcio civil parte do pressuposto que o contrato de casamento foi contraído e agora está sendo rompido de maneira amigável ou não. 

O conceito fundamental na declaração de nulidade é a validade do sacramento. O termo validade questiona se um sacramento externamente administrado teve, realmente, efeitos espirituais. Validade sacramental requer as palavras corretas, alguém autorizado a ministrá-lo (diácono, padre ou bispo), e a intenção correta e clara de todos, ministro e fiéis recebendo o sacramento. Por exemplo, no Batismo, a fórmula correta é "Eu te batizo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo". Batizar apenas em nome de Deus ou acrescentar Nossa Senhora, por exemplo, invalidaria o Batismo. O Batismo deve ser feito com água. Se por alguma razão, o padre utilizar outro líquido, também invalidaria o Batismo. E, por fim, se o batizando ao mesmo tempo continuar participando em outra religião, digamos, é um "pai-de-santo", o Batismo também não é válido; embora tenha acontecido na frente de todos dentro da Igreja. Ou seja, a aparência externa é importante, mas não é tudo.

E quanto ao casamento? Primeiro, a imensa maioria dos católicos assume que o padre confere o sacramento. Mas, de fato, o sacramento é administrado pelos próprios esposos. O canon 1057 explica que o casamento é um ato voluntário de consentimento mútuo, legitimamanete manifestado por pessoas habilitadas. O padre apenas pergunta ao noivos se concordam em receber o outro como legítimo esposo, em todas circunstâncias da vida (na riqueza, neccessidade, riqueza, pobreza, doença, saúde, etc...) e de maneira indissolúvel (nenhum homem pode separar). Uma falha de consentimento, por um ou ambos noivos, pode tornar o sacramento inválido. 

Para expressar o consentimento, cada noivo deve entender plenamente a idéia de casamento, na concepção católica, e serem plenamente habilitados mental e emocionalmente a compreenderam seus atos. O canon 1055 desfine casamento como sendo "o pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si o consórcio íntimo de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, entre os batizados foi elevado por Cristo Nosso Senhor à dignidade de sacramento".

O termo é "pacto", que implica concordância, entre um homem e uma mulher, tendo como objetivo o bem do casal e seus filhos, de maneira natural. Os cursos pré-nupciais devem explicar, de todos modos possíveis, este conceito, para que os noivos entendam plenamente do que a Igreja está falando e possam concordar com algo que conhecem.

E quanto às capacidades, a mental é mais simples de ser observada: pessoas doentes mentais ou senis não possuem suficiente capacidade para compreender os seus atos de maneira plena, incluindo o casamento; se alguém estiver bêbado ou drogado durante a cerimônia, também não está apto a expressar seu consentimento (a rigor, o padre poderia não realizar o casamento); já a capacidade psíquica é mais difícil de ser identificada, pois traumas passados podem interferir seriamente nas decisões de uma pessoa, mas também é uma razão válida para nulidade sacramental.

Além das falhas de consentimento, há outros motivos mais claros para decretar nulidade, como a idade dos noivos, um deles já ter outra família constituída, falsidade ideológica - dizer que é uma pessoa, enquanto sabe ser outra, etc... Em geral, estes motivos são mais simples de demonstrar pois as provas materiais são muito mais evidentes e fácil de serem obtidas, enquanto falhas de consentimento podem ser imateriais e depender mais de julgamento. 

Se há algo que podemos fazer é rezar para que o padres reunidos no próximo Concílio para tratarem dos assuntos da família, que será realizado ainda neste ano, inspirados pelo Espírito Santo, possam encontrar maneiras práticas de explicitarem  de maneira mais simples e clara o conceito de casamento católico para os fiéis, casados ou não. 

8 de ago de 2014

19o Domingo do Tempo Comum - 10/08/2014

Evangelho (Mt 14,22-33)
  
Depois da multiplicação dos pães, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho.
24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.
25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo.
27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”
32Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. 33Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”
Comentário
O Evangelho apresenta uma cena de teofania, isto é, Deus se manifesta todo-poderoso andando sobre as águas e acalmando o vento. A  narração é paralela a (Mc 6, 45-52) e lembra o milagre da tempestade (Mt 8, 18-27). Os apóstolos tem, assim, uma experiência semelhante à de Elias (1Rs 19, 9-13) e Moisés (Ex 3, 6; Ex 33, 22; Ex 34, 6-8).Este Deus que transforma a natureza, pode também transformar o homem (Sl 73, 19-23; Sl 84), nele o homem pode confiar (Sl 129, 5) pois jamais falta às suas promessas (Rm 9, 1-31).  
Leituras Relacionadas:
Antigo Testamento: 
Livros Históricos
  • Êxodo 3, 6
  • Êxoodo 33, 22
  • Êxodo 34, 6-8
  • 1 Reis 19, 9-13
Livros Proféticos e Salmos:
  • Salmos 73, 19-23
  • Salmos 84
  • Salmos 129, 5
Novo Testamento:
Evangelhos:
  • Mateus 8, 18-27
  • Marcos 6, 45-52
Escritos apostólicos:
  • Romanos 9, 1-31

4 de ago de 2014

Sobre o abraço da Paz



Cardeal D. Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos sacramentos, remeteu uma carta ao Presidente da Conferência Episcopal Espanhola sobre o momento do abraço da Paz que pode ser muito útil a todos nós. Ainda não vi uma tradução no site do Vaticano, mas a publicada pelo site Apologistas Católicos é correta. 

Em primeiro lugar, esclarece que o abraço da Paz deve permanecer entre o Pai Nosso e o Cordeiro de Deus, quando os fiéis melhor expressam comunhão e mútua caridade de maneira sacramental. 

Esclarecido este ponto principal, a carta é complementada, com algumas sugestões práticas:

  • não deve haver "Canto da Paz", pois é um momento breve que não deve ser alongado pelos dois ou três minutos de canto.
  • não há necessidade de deslocamento, nem de fiéis, muito menos dos padres. E, por óbvio, seus auxiliares, como acólitos e coroinhas.
  • que em celebrações especiais, como casamentos, Batismos ou Exequias, não é momento de felicitações ou condolências.
  • as conferências episcopais (CNBB, no Brasil; USCCB, nos Estados Unidos) são convidadas a preparar catequeses explicando o significado litúrgico do abraço da Paz.

Bem, a carta é relativamente recente, parte da imprensa "descobriu" o assunto apenas na sexta passada, e daí para as redes sociais. Então não critiquem o padre por que houve canto da Paz neste Domingo e aguardemos um pouco por comentários da CNBB.

A Carta trata apenas do Rito Romano, não há nenhuma referência a outros ritos ou exceções já aprovadas pela Santa Sé, donde se conclui que continuam perfeitamente válidas. 

1 de ago de 2014

Exercícios espirituais: como tomar consciência do seus pecados

O homem é criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus nosso Senhor e, mediante isto, salvar a sua alma; e as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, para que o ajudem a conseguir o fim para que é criado. Donde se segue que o homem tanto há-de usar delas quanto o ajudam para o seu fim, e tanto deve deixar-se delas, quanto disso o impedem. 

Pelo que, é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é concedido à liberdade do nosso livre arbítrio, e não lhe está proibido; de tal maneira que, da nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida curta, e consequentemente em tudo o mais; mas somente desejemos e escolhamos o que mais nos conduz para o fim para que somos criados.

[Nota: a pessoa deve ter um caderninho, onde cada página reppresenta um dia]

Primeiro tempo: Pela manhã, logo ao levantar, deve propor guardar-se, com diligência, daquele pecado particular ou defeito que se quer corrigir e emendar.

Segundo tempo: Depois da refeição do meio-dia, pedir a Deus nosso Senhor o que se quer, a saber, graça para se recordar de quantas vezes caiu naquele pecado particular ou defeito e para se emendar no futuro. Em seguida, faça o primeiro exame, pedindo conta à sua alma daquele ponto particular proposto de que se quer corrigir e emendar, percorrendo hora por hora ou tempo por tempo, começando desde a hora em que se levantou até à hora e momento do presente exame; e faça, na primeira linha da página tantos pontos quantas forem as vezes que tenha incorrido naquele pecado particular ou defeito; e depois, proponha, de novo, emendar-se até ao segundo exame que fará.

Terceiro tempo: Depois da refeição da noite, fará o segundo exame, também de hora em hora, começando desde o primeiro exame até ao segundo, e fará, na segunda linha da mesma página tantos pontos quantas as vezes que tenha incorrido naquele pecado particular ou defeito.

Seguem-se quatro adições para mais depressa tirar aquele pecado ou defeito particular:

Primeira adição: Cada vez que a pessoa cair naquele pecado ou defeito particular, ponha a mão no peito, doendo-se deter caído; o que se pode fazer mesmo diante de muitas pessoas, sem que notem o que faz.

Segunda adição: Como a primeira linha da página significa o primeiro exame e a segunda linha o segundo, veja, à noite, se há emenda, da primeira linha para a segunda, a saber: do primeiro exame para o segundo.

Terceira adição: Conferir o segundo dia com o primeiro, a saber: os dois exames do dia presente com os outros dois exames do dia passado, e verificar se, de um dia para o outro, se emendou.

Quarta adição: Conferir uma semana com a outra, e verificar se se emendou, na semana presente, em comparaçãocom a semana passada.

-- Do Livro Exercícios Espirituais, de Santo Inácio de Loyola (século XVI)

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