29 de set de 2014

A nova catedral da Diocese de Orange, na Califórnia

A diocese de Orange, na Califórnia, separou-se da Arquidiocese de Los Angeles em 1976 e utilizava a Igreja da Sagrada Família como Catedral, mas o tamanho não era satisfatório para uma diocese com 1.2 milhões de católicos na sua área. Já havia comprado um terreno para construir uma nova catedral quando surgiu uma oportunidade única.

A Catedral de Cristal, como é conhecida por que as paredes são basicamente de vidro, foi construída pelo Pastor Robert Schuller para suas pregações sobre pensamento positivo e anjos. Mas quando o Pastor envelheceu e seus filhos assumiram a congregação, as dívidas se avolumaram e foram judicialmente obrigados a colocar o prédio a venda. 

Como disse o Bispo Ted Brown, nosso Deus é um Deus de suspresas. A Diocese aproveitou a possibilidade e adquirou a catedral em 2012. O desafio inicial era escolher um nome católico, mas o maior é adequar a igreja para tornar-se católica, sem perder o conceito arquitetônico que torna a obra única. 

Há poucos dias foi revelado o novo projeto. No exterior, além de algumas melhorias, as mudanças são poucas. Mas, no interior, muda tudo:

- no centro da Catedral estará o altar, colocado acima de uma plataforma elevada, de forma que será visível de todos os bancos. Acima um baldaquim metálico e uma cruz suspensa sobre o altar. 

- a cátedra, a cadeira do Bispo, estará no lado norte; o ambão para proclamação solene da Palavra de Deus no lado sul.

- o mezanino será adaptado e adaptável para diversas formações musicais, de pequenos grupos até grandes coros e orquestra.

- o Batistério terá uma piscina batismal.

- no nível abaixo do santuário, estará a Capela de Santo Calisto, cripta e columbário, sacristia e outras salas de apoio

- três portas passam terão funções especiais: uma terá o batistério, a entrada na Igreja; outra será a entrada dos peregrinos; e a terceira, específica do Bispo.

Para mais explicações, há um excelente vídeo, mas está em inglês. Para mais imagens, vale a pena ver acessar o site da Diocese.


25 de set de 2014

26o Domingo Comum - 28/9/2014

Evangelho (Mt 21,28-32)
Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi.
30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”.
Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.
Comentário:
Este trecho do Evangelho compõe uma trilogia de parábolas (Mt 21,23-32; Mt 21, 33-46; Mt 22, 1-14) que giram em torno da idéia da rejeição de Jesus Cristo por parte daqueles que deveriam aceitá-lo. É verdade que nem todo aquele que diz "Senhor, Senhor entrará no Reino dos céus" (Mt 7,21), pois cada um tem uma responsabilidade individual (Ez 18,25-28). A salvação de uma pessoa não depende dos seus antepassados (Ez 18,5-18), mas de suas obras, São Paulo exorta os cristãos a combater os inimigos da caridade: o orgulho e o egoísmo (1Cor 1,10; Rm 12,10), para tanto o único caminho é seguir o exemplo de Cristo, o caminho de Deus (Sl 24), que foi ao encontro dos pecadores (Fl 2,1-11).
 Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos
Livros Sapienciais e Proféticos
  • Salmos 24
  • Ezequiel 18, 5-28
Evangelhos
  • Mateus 7, 21-27
  • Mateus 21,23-32
  • Mateus  21, 33-46
  • Mateus 22, 1-14
  • Lucas 18, 9-14
Livros Apostólicos
  • Romanos 12,9-13
  • 1 Coríntios 1, 10-16
  • Filipenses 2,1-11

23 de set de 2014

O poder de Deus Criador

O conteúdo do Salmo 92, sobre o qual  hoje  nos  detemos,  é  sugestivamente  expresso  por  alguns  versículos do  Hino  que  a  Liturgia  das  Horas propõe para as vésperas da segunda-feira:  Ó imenso criador, / que ao ímpeto das correntes marcastes o percurso e o limite / na harmonia da criação / tu que à áspera solidão / da terra sequiosa /deste o refrigério / das correntes e dos mares.

Antes de entrar no coração do Salmo, dominado pela imagem das águas, desejamos captar a sua tonalidade de fundo, o género literário que o domina. De fato, este Salmo, como os Salmos 95-98, é definido pelos estudiosos da Bíblia como "o cântico do Senhor rei". Exalta aquele Reino de Deus, fonte de paz, de verdade e de amor, que nós invocamos no "Pai-Nosso" quando imploramos:  "Venha a nós o Vosso Reino!".

Com efeito, o Salmo 92 começa precisamente com uma exclamação de júbilo que diz assim:  "Reina o Senhor" (v. 1). O Salmista celebra a realeza de Deus, isto é, a sua acção eficaz e salvífica, criadora do mundo e redentora do homem. O Senhor não é um imperador impassível, confinado no seu céu distante, mas está presente no meio do seu povo como Salvador poderoso e grande no amor.

Na primeira parte do hino de louvor prevalece o Senhor rei. Como um soberano Ele senta-se num trono de glória, um trono inabalável e eterno (cf. v. 2). O seu manto é o esplendor da transcendência, o cinto das suas vestes é a omnipotência (cf. v. 1). Precisamente a soberania omnipotente de Deus revela-se no centro do Salmo, caracterizado por uma imagem impressionante, a das águas caudalosas.
O Salmista menciona de modo mais particular a "voz" dos rios, ou seja, o bramido das suas águas. Efetivamente, o fragor de grandes cataratas produz, sobre aqueles que estão ensurdecidos e com todo o seu corpo tomado pelo estremecimento, uma sensação de grande força. O Salmo 41 recorda esta sensação quando diz:  "O abismo chama outro abismo no fragor das vossas cataratas. Todas as vossas vagas e torrentes passaram sobre mim" (v. 8). Face a esta força da natureza o ser humano sente-se pequeno. Mas o Salmista usa-a como trampolim para exaltar o poder, muito maior, do Senhor. À tripla repetição da expressão "as correntes elevam" (cf. Sl 92, 3) a sua voz, corresponde a tripla afirmação do poder superior de Deus.

Os Padres da Igreja gostam de comentar este Salmo aplicando-o a Cristo Senhor e Salvador. Orígenes, traduzido por São Jerónimo em latim, afirma:  "O Senhor reinou, revestiu-se de beleza. Isto é:  aquele que anteriormente tinha tremido na miséria da carne, resplandece agora na majestade da divindade". Para Orígenes, os rios e as águas que elevam as suas vozes representam as "figuras eminentes dos profetas e dos apóstolos", que "proclamam o louvor e a glória do Senhor, anunciam os seus juízos para todo o mundo".

Santo Agostinho desenvolve de modo ainda mais amplo o símbolo das correntes e dos mares. Como rios repletos de águas fluentes, isto é, cheios do Espírito Santo e fortificados, os Apóstolos já não têm receio e finalmente levantam a sua voz. Mas "quando Cristo começou a ser anunciado por tantas vozes, o mar começou a agitar-se". Na agitação do mar do mundo escreve Agostinho parece que a barca da Igreja flutua receosa, contrariada por ameaças e perseguições, mas "no alto, o Senhor é admirável":  ele "caminhou sobre as águas do mar e acalmou o seu fragor".

Mas o Deus soberano de todas as coisas, omnipotente e invencível, está sempre próximo do seu povo, ao qual dá os seus ensinamentos. Eis a ideia que o Salmo 92 oferece no seu último versículo:  ao trono altíssimo do céu sucede o trono da arca do templo de Jerusalém, o poder da sua voz cósmica é substituído pela doçura da sua palavra santa e inefável:  "São dignos de fé os Vossos testemunhos, da Vossa casa é própria a santidade, ó Senhor, por toda a extensão dos dias" (v. 5).

Encerra-se desta maneira um hino breve mas de grande intensidade. É uma oração que gera confiança e esperança nos fiéis que muitas vezes se sentem agitados, receosos de serem arrastados pela tempestade da história e atingidos por ameaçadoras forças obscuras.

Podemos reconhecer um eco deste Salmo no Apocalipse de João, quando o Autor inspirado, ao descrever a grande assembleia celeste celebra a derrocada da Babilónia opressiva, e afirma: "Ouvi, então, como que a voz de uma grande multidão, como o ruído de muitas águas e como o ribombar de grandes trovões que dizia:  "Aleluia! Eis que o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso, tomou posse do Seu Reino"" (19, 6).

Concluimos a nossa reflexão sobre o Salmo 92 dando a palavra a São Gregório de Nazianzo, o teólogo por excelência entre os Padres. Fazemo-lo com um seu bonito cântico no qual o louvor a Deus, soberano e criador, assume um aspecto trinitário:  "Tu [Pai], criaste o universo, a cada coisa atribuíste o lugar que lhe compete e tudo mantiveste em virtude da tua providência... é Deus-Filho o teu Verbo:  de fato, é consubstancial ao Pai, e igual a Ele na honra. Ele conciliou harmoniosamente o universo, para reinar sobre tudo. E, abraçando tudo, o Espírito Santo, Deus, de tudo cuida e tudo defende. A Ti proclamarei, Trindade viva, como único e só monarca... força inabalável que rege os céus, cuja visão não é acessível aos olhos mas que contempla todo o universo e conhece qualquer profundidade secreta da terra até aos abismos. Ó Pai, sê benigno comigo:  ... que eu possa encontrar misericórdia e graça, porque a ti são dadas glória e graças até ao fim dos tempos" .

-- Santo João Paulo II, na audiência de 3 de Julho de 2002 (papa)

21 de set de 2014

Alterações no processo de anulação de casamentos

Monsenhor Pio Vito Pinto foi nomeado para a
Rota Romana em 25 de Março de 1995.
Isto é importante. O Serviço de Imprensa do Vaticano anunciou neste sábado que o Papa Francisco criou uma Comissão Especial presidida pelo Monsenhor Pio Vito Pinto, decano do Tribunal da Rota Romana. O trabalho tem por objetivo preparar uma proposta de reforma dos processos de anulação matrimonial com o objetivo de simplificar os procedimentos e salvaguardar os princípios de indissolubilidade do matrimônio. 

A comissão iniciará seus trabalhos próximo ao início do Concílio Extraordinário para discutir diversos assuntos ligados à família, que ocorrerá em Outubro. Em várias manifestações de Bispos nos últimos meses, simplificar a anulação de casamentos tem sido um tema recorrente e um dos poucos que não interfere em questões de fé, como a comunhão de casais em segunda união. 

Sempre lembrando que a anulação do casamento não é uma espécie de "divórcio católico", pelo contrário, é o reconhecimento que, por algum justo motivo, os laços matrimoniais não foram criados. O processo nos tribunais canônicos analisa se os motivos alegados são verdadeiros e podem ser comprovados, justificando a anulação do casamento. 

20 de set de 2014

Oferece a atadura do conforto

Diz a Escritura: Deus castiga todo aquele que reconhece como filho (Hb 12,6). E tu dizes: “Quem sabe ficarás de fora?” Se ficares fora do sofrimento dos castigos, ficarás de fora do número dos filhos. “Quer dizer então, perguntas, que castiga todo filho?”

Castiga sem exceção todo filho, como também o Único. O Unigênito, nascido da substância do Pai, igual ao Pai na forma de Deus, o Verbo por quem tudo foi feito, este não tinha por onde ser castigado. Para isto revestiu-se de carne, de modo a não ficar sem castigo. Aquele, pois, que castiga o Único sem pecado, irá poupar o adotado pecador? Fomos chamados para a adoção, assegura o Apóstolo. Recebemos a adoção de filhos, para sermos co-herdeiros do Único, sermos também sua herança: Pede-me e eu te darei as nações por herança (Sl 2,8). Deu-nos o exemplo em seus sofrimentos.

Todavia para que o fraco não desanime totalmente ante as provações futuras, nem se iluda com falsa esperança nem se deixe abater pelo medo, diz-lhe: Prepara tua alma para a tentação (Eclo 2,1). Talvez comece a escorregar, a tremer, a não querer aproximar-se. Lês em outro lugar: Fiel é Deus que não permitirá serdes tentados além do que podeis suportar (1Cor 10,13). Afirmar e anunciar futuros sofrimentos é fortalecer o enfermo. Se prometes a misericórdia de Deus a quem está por demais acovardado, e por isso aterrorizado, não porque faltarão provações, mas porque Deus não permite alguém ser tentado acima de suas forças, estás com isto medicando a fratura.

Há alguns que, ouvindo falar de futuras tribulações, se armam ainda mais e têm sede delas como de bebida. Julgam fraco o remédio dos fiéis e buscam a glória dos mártires. Há outros, porém, que com o anúncio das futuras e necessárias provações, que precisamente devem vir ao cristão e não atingem senão ao que quiser ser sinceramente cristão, na iminência delas, ficam alquebrados e vacilam.

Oferece-lhe a atadura da consolação, pensa o que está fraturado. Dize: “Não tenhas medo. Não te abandonará nas provações aquele em quem acreditaste”. Fiel é Deus que não permitirá seres tentado acima doque podes suportar. Não sou eu que digo isto, mas o Apóstolo: Quereis conhecer por experiência que Cristo fala em mim? (cf. 2Cor 13,3). Portanto, ouvindo estas palavras, ouves a Cristo, ouves aquele pastor que apascenta Israel. A ele disseram: Tu nos darás a beber lágrimas, com medida (Sl 79,6). O apóstolo diz: Não permitirá serdes tentados além do que podeis suportar. É a mesma coisa que dissera o Profeta: Com medida. Somente não despeças aquele que corrige e exorta, amedronta e consola, fere e cura.

-- Do Sermão sobre os pastores, de Santo Agostinho, bispo (século V)

17 de set de 2014

25o Domingo Comum - 21/09/2014

Evangelho (Mt 20,1-16a)

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
1O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha.
3Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. 5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três da tarde, e fez a mesma coisa.
6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’ 7Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’.
8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!’
9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata.
11Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’.
13Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata?14Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’
16aAssim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.
Comentário
O problema fundamental que o Evangelho desta semana nos mostra é o seguinte: Que devo fazer para buscar a vida eterna? Antes de mais nada, ter em mente Is 55,8: Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e vossos caminhso não são os meus caminhos. Quem então poderá salvar-se? Isto é impossível ao homem, mas para Deus tudo é possível. A salvação é obra de Deus, que chama todos os homens na situação em que se encontram e na hora em que se deixam encontrar. Mas os homens murmuram, como o irmão do filho pródigo (Lc 15,25-32), como Jonatas em frente à salvação dos ninivitas (Jn 3,14-4,1), acabam por se colocar em último, quando foram chamados primeiros. 
A conversão é um processo positivo (Os 5,6; Am 5,4), procurar conhecer o Senhor e fazer a sua vontade, fazer o bem, não o mal (Am 5,13-16) e renunciar ao pecado (Zc 1,3; Lc 15,20). A existência terrena do cristão é marcada pela união com Cristo (Rm 6,3-5; 1Cor 12,12-13; Gl 2,20) e não é pertubada nem pela morte (Fl 1,20-27; 2Cor 4,17-18; 2Cor 5,6-8).


Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos
Livros Sapienciais e Proféticos
  • Salmos 144
  • Isaías 55,6-9
  • Oseias 5,6
  • Amos 5,4-16
  • Jonas 3,14-4,1
  • Zacarias 12, 9-14
Evangelhos
  • Mateus 20,1-16
  • Lucas 15,25-32
  • João 19,31-37
Livros Apostólicos
  • Romanos 6,3-5
  • 1 Coríntios 12,12-13
  • 2 Coríntios 4,17-18
  • 2 Coríntios 5,6-8
  • Galatas 2,20
  • Filipenses 1,20-27

13 de set de 2014

Festa da Exaltação da Santa Cruz - 14/9/2014

Evangelho (Jo 3,13-17) 
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13“Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.
16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.
Comentário:
Na narrativa de São João para a Paixão de Cristo, ele afirma: "Contemplarão aquele que traspassaram" (Zc 12,10; Jo 19,37). No deserto, para demonstrar o poder de Deus, os hebreus picados por uma cobra deveriam contemplar uma serpente de bronze (Nm 21,4-9). Apenas  contemplar, já não eram necessários sacrifícios aos deuses, era necessário acreditar no poder de Deus. Pois no Evangelho temos esta mesma questão de fé explicada por Cristo (Jo 3,13-17): era necessário colocá-lo no alto, para que todos pudessem contemplá-lo e salvaram-se (Rm 5,8; Rm 8,32), mesmo que diante desta revelação os homens se dividam (Lc 12,51-53). Ainda hoje, a Cruz no altar lembra Cristo, a quem devemos dobra os joelhos e proclamar "Jesus Cristo é o Senhor" (Fp 2, 6-11).
Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos
  • Números 21,4-9
  • Êxodo 22,17-27
Livros Sapienciais e Proféticos
  • Salmos 77
  • Zacarias 12, 9-14
Evangelhos
  • João 3,13-21
  • Lucas 12,51-53
  • João 19,31-37
Livros Apostólicos
  • Romanos 8, 31-39
  • Romanos 5,1-11
  • Felipenses 2,6-11

4 de set de 2014

23o Domingo Comum - 07/09/2014

Evangelho (Mt 18,15-20)
Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 15“Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. 16Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas.
17Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como um pagão ou um pecador público.
18Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
19De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. 20Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”.
Comentário
O Evangelho deste domingo é parte do chamado "Discurso comunitário" (Mt 18) e determina características do cristão no seguimento de Cristo. O trecho do Evangelho é um convite à moderaçãoo no uso da disciplina comunitária; a condenação do irmão só é possível quando ele persevera no mal e recusa qualquer correção e perdão. Neste caso, Deus ratifica o que sua Igreja decide. A correção fraterna deve se realizar na união e oração que asseguram à comunidade a presença do Ressuscitado. 
O profeta Ezequiel recebe a responsabilidade de corrigir o pecador (Ez 33, 7-9). como um sentinela, como um vigia da fidelidade do povo; se não corrigir o pecador, terá que prestar contas de sua omissão. Se é verdade que na Igreja todos somos profetas, este trecho responsabiliza cada um de nós por seu próximo. 
E o que devemos corrigir? São Paulo cita à comunidade de Roma (Rm 13,8-10) os deveres do cristão, basicamente os mesmos dez mandamentos da Lei de Moisés, que, na verdade, se resumem a amar o próximo (Mt 22, 15-22; 1Cor 13, 4-7).
Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos
  • Levítico 19, 17-18
  • Deuteronômio 19, 15-20
Livros Sapienciais e Proféticos
  • Salmos 94
  • Ezequiel 33, 7-9
Evangelhos
  • Mateus 18, 15-20
  • Mateus 22, 15-22
  • Lucas 17,3-4
Livros Apostólicos
  • Romanos 13, 8-10
  • Romanos 16, 17-18
  • 1 Coríntios 13, 4-7

3 de set de 2014

Por amor de Cristo, me consagro totalmente à sua palavra

Memória de São Gregório Magno, 3 de Setembro
Filho do homem, eu te coloquei como sentinela da casa de Israel (Ez 3,16). É de se notar que o Senhor chama de sentinela aquele a quem envia a pregar. A sentinela, de fato, está sempre no alto para enxergar de longe quem vem. E quem quer que seja sentinela do povo deve manter-se no alto por sua vida, para ser útil por sua providência. 

Como é duro para mim isto que digo! Ao falar, firo-me a mim mesmo, pois minha língua não mantém, como seria justo, a pregação e, mesmo que consiga mantê-la, a vida não concorda com a língua.  

Eu não nego ser culpado, conheço minha inércia e negligência. Talvez haja diante do juiz bondoso um pedido de perdão no reconhecimento da culpa. Na verdade, quando no mosteiro podia não só reter a língua de palavras ociosas, mas quase continuamente manter o espírito atento à oração. Mas depois que pus aos ombros do coração o cargo pastoral, meu espírito não consegue recolher-se sempre, porque está dividido entre muitas coisas. 

Sou obrigado a decidir ora questões das Igrejas, ora dos mosteiros; com frequência ponderar a vida e as ações de outrem; ora auxiliar em certos negócios dos cidadãos, ora gemer sob as espadas dos bárbaros invasores e temer os lobos que rondam o rebanho sob minha guarda. Por vezes, devo encarregar-me da administração, para que não venha a faltar o necessário aos submetidos à disciplina da regra. Às vezes devo tolerar com igualdade de ânimo certos ladrões, ora opor-me a eles pelo desejo de conservar a caridade. Estando assim dispersa e dilacerada a mente, quando voltará a recolher-se toda na pregação, e não se afastar do ministério da proclamação da Palavra? Por obrigação do cargo, muitas vezes tenho de encontrar-me com seculares; por isso sempre relaxo a guarda da língua. Pois se constantemente me mantenho sob o rigor de minha censura, sei que sou evitado pelos mais fracos e nunca os atraio para onde desejo. Por esta razão, muitas vezes tenho de ouvi-los pacientemente em questões ociosas. Mas, sendo eu mesmo fraco, arrastado aos poucos pelas palavras vãs, começo a dizer sem dificuldade aquilo que a princípio tinha ouvido com má vontade; e ali onde me aborrecia cair, agrada-me permanecer. 

Que, pois, ou que espécie de sentinela sou eu, que não estou de pé no monte da ação, mas ainda deitado no vale da fraqueza? Poderoso é, porém, o criador e redentor do gênero humano para conceder-me, a mim, indigno, a elevação da vida e a eficácia da palavra. Por seu amor, me consagro totalmente à sua palavra.

-- Das Homilias sobre Ezequiel, de São Gregório Magno, papa  (Séc.VI)

2 de set de 2014

A verdade do Senhor permanece para sempre

Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador. 
Trovejas sobre mim, Senhor, teus juízos; sacodes com temor e tremor meus ossos todos e minha alma se apavora.

Paro atônito e considero que até os céus não são puros diante de teus olhos (cf. Jó 15,15; 4,18).

Se nos anjos encontraste maldade e não os poupaste, que será de mim?

Caíram as estrelas do céu (cf. Ap 6,13), e eu, pó, a que me atrevo?

Aqueles, cujas obras pareciam excelentes, tombaram profundamente, e os que comiam o pão dos anjos passaram a se deleitar com as vagens dos porcos.

Não há santidade, Senhor, se retiras tua mão; nenhuma sabedoria será proveitosa, se desistires da tua orientação; força alguma conta, sem a tua conservação.

Pois abandonados, afundamos e perecemos; mas visitados, nos erguemos e vivemos.

Somos instáveis, por ti nos firmamos. Tíbios, por ti nos afervoramos.

Foi absorvida toda vanglória na profundeza de teus juízos sobre mim.

Que é a carne diante de ti? Acaso se gloriará o barro contra quem o plasma? (cf. Is 29,16).

Como poderá erguer-se com jactância o coração daquele que é submisso a Deus de verdade?

O mundo inteiro não consegue ensoberbecer aquele que a verdade conseguiu submeter; nem os lábios elogiosos de todos poderão abalar quem toda sua esperança pôde em Deus firmar.

Pois aqueles que falam, nada dizem; passarão com o som das palavras; porém a verdade do Senhor permanece para sempre (Sl 116,2).

-- Do livro Imitação de Cristo (século XV)

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