Um só morreu por todos. É ele mesmo que em todas as igrejas do mundo, pelo mistério do pão e do vinho nos alimenta, vivifica e santifica. Esta é a carne e este é o sangue do Cordeiro. O pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo (Jo 6,51). Também o seu sangue está expresso sob a espécie do vinho. Jesus mesmo afirma: Eu sou a videira verdadeira (Jo 15,1), manifestando com toda clareza que é seu sangue todo vinho oferecido como sacramento da paixão. O grande patriarca Jacó já profetizara acerca de Cristo, ao dizer: Lavará no vinho a sua túnica e no sangue da uva o seu manto (Gn 49,11).
O Criador e Senhor da natureza, que produz o pão da terra, também transforma o pão no seu próprio Corpo (porque pode fazê-lo e assim havia prometido). Do mesmo modo, aquele que transformou a água em vinho, transforma o vinho no seu sangue.
O que recebes é o corpo daquele pão do céu, e o sangue é daquela videira sagrada. Porque, ao dar o pão e vinho consagrados a seus discípulos, disse-lhes: Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue (Mt 26, 26.28). Acreditemos portanto, naquele em quem pusemos nossa confiança: a Verdade não sabe mentir.
-- Dos Tratados de São Gaudêncio de Bréscia, bispo (Século IV)
A fé cristã é, essencialmente, a religião do Logos, pensamento, razão, palavra.O cristianismo é expressão da verdade mais profunda do ser e da existência; é bom e belo porque é verdadeiro, alicerça-se numa realidade efetiva e não num conjunto de crenças irracionais e míticas. (Dom Henrique Costa)
6 de mai. de 2010
5 de mai. de 2010
Os cristãos no mundo
Os cristãos não se diferenciam dos outros homems nem pela pátria, nem pela língua, nem por um gênero de vida especial. De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e sua vida nada tem de extraordinário. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apóia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras.
Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as cinrcunstâncias de cada pessoa; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer nos outros usos. Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira.
Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível é guardada num corpo invisível; todos vêem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis. A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e bebida; os cristãos, constantemente mortificados, vêem seu número crescer dia a dia.
-- adaptado Da Carta a Diogneto (século II). Aqui, para o texto completo em espanhol
Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as cinrcunstâncias de cada pessoa; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer nos outros usos. Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira.
Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível é guardada num corpo invisível; todos vêem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis. A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e bebida; os cristãos, constantemente mortificados, vêem seu número crescer dia a dia.
-- adaptado Da Carta a Diogneto (século II). Aqui, para o texto completo em espanhol
4 de mai. de 2010
Eu sou a videira, vós os ramos
Querendo mostrar a necessidade de estarmos unidos a Deus pelo amor, o Senhor afirma que é a videira. Os ramos são os que já se tornaram participantes da sua natureza pela comunicação do Espírito Santo. De fato, é o Espírito de Cristo que nos une a ele.
A adesão a esta videira nasce da boa vontade; a união da videira conosco procede do seu afeto e natureza. Foi pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante a fé; mas participamos da sua antureza por termos recebido dele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (1 Cor 6, 17).
Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Filho de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade.
-- do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)
A adesão a esta videira nasce da boa vontade; a união da videira conosco procede do seu afeto e natureza. Foi pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante a fé; mas participamos da sua antureza por termos recebido dele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (1 Cor 6, 17).
Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Filho de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade.
-- do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)
3 de mai. de 2010
A nova criação
Apareceu um novo nascimento, uma nova vida, um novo modo de viver; a própria natureza foi transformada. Que nascimento é este? É o daqueles que não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,13).
Tu perguntas: como isto pode acontecer? Escuta-me, vou te explicar em poucas palavras. Este novo ser é concebido pela fé; é dado à luz pela regeneração do batismo; tem por mãe a Igreja que o amamenta com sua doutrina e tradições. Seu alimento é o pão celeste; sua idade adulta é a santidade; seu matrimônio é a familiaridade com a sabedoria; seus filhos são a esperança; sua casa é o reino; sua herança e riqueza são as delicias do paraíso; seu fim não é a morte, mas aquela vida feliz e eterna que está preparada para o que dela são dignos.
-- dos Sermões de São Gregório de Nissa, bispo (século IV)
Tu perguntas: como isto pode acontecer? Escuta-me, vou te explicar em poucas palavras. Este novo ser é concebido pela fé; é dado à luz pela regeneração do batismo; tem por mãe a Igreja que o amamenta com sua doutrina e tradições. Seu alimento é o pão celeste; sua idade adulta é a santidade; seu matrimônio é a familiaridade com a sabedoria; seus filhos são a esperança; sua casa é o reino; sua herança e riqueza são as delicias do paraíso; seu fim não é a morte, mas aquela vida feliz e eterna que está preparada para o que dela são dignos.
-- dos Sermões de São Gregório de Nissa, bispo (século IV)
Igreja - Corpo Espiritual
Sendo muitos, nós formamos um só corpo e somos membros uns dos outros; e é Cristo quem nos une pelo vínculo da caridade. Convém, portanto, que tenhamos os mesmos sentimentos uns para com os outros; se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um membro é honrado, os demais se alegram com ele.
Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para a Glória de Deus (Rm 15, 7). Para pôr em prática este acolhimento recíproco, devemos ter os mesmos sentimentos, carregando os fardos uns dos outros e guardando a unidade do espírito pelo vínculo da paz (Ef 4, 3). Foi assim que Deus também nos acolheu em Cristo. Falou a verdade quem disse: Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Unigênito (Jo 3,16). Efetivamente o mundo inteiro foi salvo pela misericórdia de Deus.
-- adaptado da Carta aos Romanos, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V).
Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para a Glória de Deus (Rm 15, 7). Para pôr em prática este acolhimento recíproco, devemos ter os mesmos sentimentos, carregando os fardos uns dos outros e guardando a unidade do espírito pelo vínculo da paz (Ef 4, 3). Foi assim que Deus também nos acolheu em Cristo. Falou a verdade quem disse: Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Unigênito (Jo 3,16). Efetivamente o mundo inteiro foi salvo pela misericórdia de Deus.
-- adaptado da Carta aos Romanos, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V).
30 de abr. de 2010
O Corpo de Deus
Este é o caminho onde encontramos nossa salvação: Jesus Cristo, nosso defensor e arrimo de nossas fraquezas. Combatamos, irmãos, com todas as nossas forças, sob as suas ordens irrepreensíveis. Asseguremos a salvação de todo corpo que formamos em Cristo Jesus.
O forte proteja o fraco e o fraco respeite o forte; o rico seja generoso para com o pobre e o pobre agradeça a Deus por ter dado alguém que o ajude na pobreza. O sábio manifeste sua sabedoria não por palavras, mas por boas obras; o humilde não dê testemunho de si mesmo, mas deixe que outro o faça. Quem é casto de corpo não se vanglorie, sabendo que é Deus quem lhe dá o dom da continência.
Consideremos irmãos de que matéria somos feitos, quem éramos e em que condições entramos no mundo, onde Deus nos tinha preparado tantos benefícios antes mesmo de termos nascido. Por tudo lhe demos graças sabendo que recebemos todas estas coisas de Deus. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
-- adaptado da Carta aos Coríntios, de Sào Clemente I, papa (século I)
O forte proteja o fraco e o fraco respeite o forte; o rico seja generoso para com o pobre e o pobre agradeça a Deus por ter dado alguém que o ajude na pobreza. O sábio manifeste sua sabedoria não por palavras, mas por boas obras; o humilde não dê testemunho de si mesmo, mas deixe que outro o faça. Quem é casto de corpo não se vanglorie, sabendo que é Deus quem lhe dá o dom da continência.
Consideremos irmãos de que matéria somos feitos, quem éramos e em que condições entramos no mundo, onde Deus nos tinha preparado tantos benefícios antes mesmo de termos nascido. Por tudo lhe demos graças sabendo que recebemos todas estas coisas de Deus. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
-- adaptado da Carta aos Coríntios, de Sào Clemente I, papa (século I)
29 de abr. de 2010
O Novo Mandamento
O Senhor Jesus afirma que dá um novo mandamento a seus discípulos: Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros (Jo 13, 34). Mas já não estava escrito na antiga lei de Deus: Amarás o teu próximo como a ti mesmo? (Lv 19, 18). Por que então o Senhor chama de novo o que é evidemente tão antigo? Na verdade, ele renova o homem que ouve; não se trata de um amor puramente humano, mas daquele que o Senhor quis distinguir, acrescentando: Como eu vos amei (Jo 13, 34).
É este amor que nos renova, transformando-nos em homens novos, herdeiros da nova Aliança. Não é como se amam aqueles que vivem na corrupção da carne; mas como se amam aqueles que são irmãos de Jesus Cristo, amando-se uns aos outros com aquele mesmo amor com que ele nos amou, e por ele serão conduzidos à plenitude final, onde seus desejos serão completamente saciados de bens. Então nada faltará à sua felicidade, quando Deus for tudo em todos.
-- adaptado Dos Tratados sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho, bispo (século V)
É este amor que nos renova, transformando-nos em homens novos, herdeiros da nova Aliança. Não é como se amam aqueles que vivem na corrupção da carne; mas como se amam aqueles que são irmãos de Jesus Cristo, amando-se uns aos outros com aquele mesmo amor com que ele nos amou, e por ele serão conduzidos à plenitude final, onde seus desejos serão completamente saciados de bens. Então nada faltará à sua felicidade, quando Deus for tudo em todos.
-- adaptado Dos Tratados sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho, bispo (século V)
28 de abr. de 2010
A união natural dos fiéis em Deus
Proclamamos como uma verdade que a Palavra de Deus se fez carne (Jo 1, 14) e que na ceia do Senhor nós recebemos esta mesma Palavra que se fez carne. Então como se pode negar que permaneça naturalmente em nós aquele que assumiu a natureza da nossa carne ao nascer como homem e também uniu sua natureza humana à natureza divina no sacramento da comunhão? Deste modo todos somos um só, porque o Pai está em Cristo e Cristo está em nós.
Até que ponto esta unidade é natural em nós, o mesmo Senhor o declara: Quem come da minha carne e bebe do meu sangue, permanece em mim e eu nele (Jo 6, 56). Realmente, ninguém poderá estar em Cristo se Cristo não estiver nele. Cristo somente assume em si a carne daquele que recebe a sua.
O Senhor já havia ensinado assim esta perfeita unidade, dizendo: Assim como o Pai que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim (Jo 6, 57). Vive, portanto, pelo Pai; e do mesmo modo que vive pelo Pai, também nós vivemos pela sua carne.
-- adaptado do Tratado sobre a Trindade, de Santo Hilário, bispo.
Até que ponto esta unidade é natural em nós, o mesmo Senhor o declara: Quem come da minha carne e bebe do meu sangue, permanece em mim e eu nele (Jo 6, 56). Realmente, ninguém poderá estar em Cristo se Cristo não estiver nele. Cristo somente assume em si a carne daquele que recebe a sua.
O Senhor já havia ensinado assim esta perfeita unidade, dizendo: Assim como o Pai que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim (Jo 6, 57). Vive, portanto, pelo Pai; e do mesmo modo que vive pelo Pai, também nós vivemos pela sua carne.
-- adaptado do Tratado sobre a Trindade, de Santo Hilário, bispo.
27 de abr. de 2010
O Sacrifício de Deus
Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos (Rm 12, 1). Paulo exorta, ou melhor, é Deus que por intermédio de Paulo nos exorta. Ouve como o Senhor nos exorta.
Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos causados por vós. Não tenhais medo. Esta cruz não me feriu a mim, mas feriu a morte. Estes cravos não me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós. Estas chagas não me fazer soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em meu coração. O meu corpo, ao ser estirado na cruz, não aumenta meu sofrimento, mas dilata os espaços do meu coração para vos acolher. Meu sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate.
Vinde, pois, convertei-vos e pelo menos assim experimetareis a bondade do Pai, que paga os males com o bem, as injúrias com amor, tão grandes chagas com tamanha caridade.
-- trecho Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo (século V)
26 de abr. de 2010
As graças do Batismo
O Batismo, de fato, não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso de uma consciência pura perante Deus. Eis por que o Senhor, a fim de nos preparar para a vida que brota da ressurreição, propõe-nos todo um programa de vida, prescrevendo que não nos entreguemos à cólera, sejamos pacientes nas contrariedades e livres na aflição dos prazeres e do amor ao dinheiro. Isto nos manda o Senhor, para nos induzir a praticar, desde agora, aquelas virtudes que na vida futura se possuem como condição natural da nova existência.
O Senhor que nos concede a vida, estabeleceu conosco a aliança do batismo, como símbolo da morte e da vida. A água é imagem da morte e o Espírito Santo nos dá o penhor da vida, restitui o paraíso, concede-nos entrar no reino dos céus e voltar à adoção de filhos. Dá-nos confiança de chamar a Deus de nosso Pai, de participar da graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna. Numa palavra, de receber a plenitude de todas as bençãos, tanto na vida presente quanto na futura.
-- adaptado Do Livro Sobre o Espírito Santo, de São Basílio, bispo (século IV)
O Senhor que nos concede a vida, estabeleceu conosco a aliança do batismo, como símbolo da morte e da vida. A água é imagem da morte e o Espírito Santo nos dá o penhor da vida, restitui o paraíso, concede-nos entrar no reino dos céus e voltar à adoção de filhos. Dá-nos confiança de chamar a Deus de nosso Pai, de participar da graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna. Numa palavra, de receber a plenitude de todas as bençãos, tanto na vida presente quanto na futura.
-- adaptado Do Livro Sobre o Espírito Santo, de São Basílio, bispo (século IV)
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