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14 de fev. de 2014

Fazei crescer a vossa Igreja e a todos reuni na unidade

São Cirilo monge, e São Metódio Bispo
14 de fevereiro
Constantino Cirilo, fatigado por muitos trabalhos, caiu doente; e quando já havia muitos dias que suportava a enfermidade, teve uma visão de Deus e começou a cantar: “O meu espírito alegrou-se e o meu coração exultou, quando me disseram: Vamos para a casa do Senhor”.

Depois de ter revestido as vestes de cerimônia, assim permaneceu todo aquele dia, cheio de alegria e dizendo: “A partir de agora, já não sou servo nem do imperador nem de homem algum na terra, mas unicamente do Deus todo-poderoso. Eu não existia, mas agora existo e existirei para sempre. Amém”. No dia seguinte, vestiu o santo hábito monástico e, acrescentando luz à luz, impôs-se o nome de Cirilo. E assim permaneceu durante cinquenta dias.

Chegada a hora de encontrar repouso e de emigrar para as moradas eternas, erguendo as mãos para Deus, orava com lágrimas: “Senhor meu Deus, que criastes todos os anjos e os espíritos incorpóreos, estendestes o céu, fixastes a terra e formastes do nada todas as coisas que existem; vós que sempre ouvis aqueles que fazem vossa vontade, vos temem e observam vossos preceitos, atendei a minha oração e conservai na fidelidade o vosso rebanho, a cuja frente me colocastes, apesar de incompetente e indigno servo.

Livrai-o da malícia ímpia e pagã dos que blasfemam contra vós; fazei crescer a vossa Igreja e a todos reuni na unidade. Tornai o povo perfeito, concorde na verdadeira fé e no reto testemunho; inspirai aos seus corações a palavra da vossa doutrina; porque é dom que vem de vós ter-nos escolhido para pregar o Evangelho de vosso Cristo, encorajando-nos a praticar as boas obras e a fazer o que é de vosso agrado. Aqueles que me destes, a vós entrego, porque são vossos; governai-os com vossa mão poderosa e protegei-os à sombra de vossas asas, para que todos louvem e glorifiquem o vosso nome, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém”.

Depois de ter beijado a todos com o ósculo santo, disse: “Bendito seja Deus que não nos entregou como presa aos dentes de nossos invisíveis adversários, mas rompeu suas armadilhas e nos libertou do mal que tramavam contra nós”. E assim adormeceu no Senhor, com quarenta e dois anos de idade.

O Sumo Pontífice ordenou que todos os gregos que estavam em Roma, juntamente com os romanos, se reunissem junto de seu corpo com velas acesas e cantando; e que suas exéquias fossem celebradas do mesmo modo como se celebram as do próprio Papa. E assim foi feito.

-- Da Vida eslava de Constantino

SÃO CIRILO, MONGE, E SÃO METÓDIO, BISPO

Memória

Cirilo, natural de Tessalônica, recebeu uma excelente formação em Constantinopla. Juntamente com seu irmão, Metódio, dirigiu-se para a Morávia, a fim de pregar a fé católica. Ambos compuseram os textos litúrgicos em língua eslava, escritos em letras que depois se chamaram “cirílicas”. Chamados a Roma, ali morreu Cirilo, a 14 de fevereiro de 869. Metódio foi então ordenado bispo e partiu para a Panônia, onde exerceu intensa atividade evangelizadora. Muito sofreu por causa de pessoas invejosas, mas sempre contou com o apoio dos Pontífices Romanos. Morreu no dia 6 de abril de 885 em Velehrad (República Tcheca). O Papa João Paulo II proclamou-os patronos da Europa junto com São Bento.

29 de jul. de 2010

A Igreja Católica

Igreja "Católica" é o nome próprio desta santa Mãe de todos nós. Instruídos com os preceitos e o modo de viver nesta Santa Igreja Católica, possuiremos o reino dos céus e receberemos por herança a vida eterna. Por este motivo, agüentamos absolutamente tudo para a alcançarmos de Deus. Nossa meta proposta não é nada insignificante: a posse da vida eterna, esta é a nossa luta. Por isso, na profissão de fé, após termos dito: Na ressurreição da carne, isto é, dos mortos, já explicada, aprendamos a crer: E na vida eterna, que é a nossa batalha de cristãos.

-- Das catequeses de São Cirilo de Jerusálem, bispo (século IV)

28 de jul. de 2010

Igreja ou convocação do povo de Deus

Católica ou universal chama-se a Igreja, porque se espalhou de um extremo a outro de todo o orbe da terra. Igreja, isto é, convocação*: nome bem apropriado porque convoca a todos e os reúne, como o Senhor diz no Levítico: Convoca toda a congregação diante da porta do tabernáculo do testemunho. É de notar a palavra convocar, usada aqui pela primeira vez nas Escrituras, na ocasião em que o Senhor estabeleceu Aarão como sumo sacerdote. No Deuteronômio Deus diz a Moisés: convoca para junto de mim o povo para que me escutem e aprendam a temer-me. Há outra menção da Eclésia (= convocação), quando se fala das tábuas da Lei: Nelas estavam escritas todas as palavras que o Senhor vos falou no monte, do meio do fogo, no dia da Eclésia, isto é, convocação; como se dissesse mais claramente: No dia em que, chamados pelo Senhor, vos congregastes. O Salmista também diz: Eu te confessarei, Senhor, na grande "Eclésia", no meio do povo numeroso te louvarei.

-- Das Catequeses de São Cirilo de Jerusálem , bispo (século IV)

* A palavra Eclesia significa assembléia, assembléia do povo. Assim, a Igreja é a assembléia do povo. Também é utilizada em outro contexto, por exemplo, na democracia grega havia uma "eclesia" para discutir as questões de governo. O autor sabia também que nesta palavra está contido o termo grego "clesis", que quer dizer convocação.

3 de jul. de 2010

Tempo de Confissão

O tempo agora é tempo de confissão. Confessa o que cometeste por palavra ou ação, de dia n o tempo ou de noite. Confessa no tempo propícioe recebe no dia da salvação o tesouro celeste. Limpa tua jarra para conter graça mais abundante pois a remissão dos pecados é dada igualmente a todos, mas a comunicação do Espírito Santo é concedida a cada um segundo a fé. Se trabalhares pouco, receberás pouco; se fizeres muito, grande será a recompensa. Corre em teu próprio proveito.

Se tens algo contra outro, perdoa. Tu te aproximas para receber o perdão dos pecados; é necessário perdoar a quem te ofendeu.

-- Das Catequeses de São Cirilo, bispo de Jerusalém (século IV)

20 de mai. de 2010

Se eu não for, o Espírito não virá a vós

O tempo mais oportuno para o envio do Espírito Santo e sua descida sobre nós foi o que se seguiu à ascenção de Cristo nosso Salvador. Cristo tinha cumprido a sua missão sobre a terra, e para nós havia chegado o momento de entrarmos em comunhão com a natureza divina do Verbo. Era preciso que a nossa vida anterior fosse transformada em outro diferente , começando um novo estilo de vida em santidade. Ora, isto só pode ser realizado pela participação do Espírito Santo.

De fato, enquanto Cristo vivia visivelmente entre seus fiéis, ele mesmo dispensava-lhes todos os bens. Mas quando chegou o momento de subir ao Pai celeste, era necessário que continuasse presente no meio de seus fiéis por meio do Espírito e habitasse pela fé em nossos corações, a fim de que, pudéssemos clamar com toda confiança: Abá, ó Pai! (Rm 8,15). E ainda nos tornássemos capazes de progredir sem demora no caminho de perfeição, superando com fortaleza invencível as ciladas do demônio e as perseguições dos homems, graças à assistência do Espírito todo-poderoso.

-- adaptado do Comentário sobre o Evangelho de João, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)

18 de mai. de 2010

A água viva do Espírito Santo

A água que lhe der se tornará nele fonte de água viva, que jorra para a vida eterna (Jo 4,14). Água diferente, esta que vive e jorra; mas jorra apenas sobre os que são dignos dela. Por que motivo o Senhor dá o nome de "água" à graça do Espírito Santo? Certamente porque tudo tem necessidade de água; ela sustenta as ervas e os animais. A água das chuvas cai dos céus; e embora caia sempre do mesmo modo e na mesma forma, produz efeitos muitos variados.

Com o Espírito Santo acontece o mesmo. Sendo único, com uma única maneira de ser e indivisível, distribui a graça a cada um conforme lhe apraz. E assim como a árvore ressequida produz novos frutos ao receber água, assim também a alma pecadora produz frutos de justiça ao receber do Espírito Santo o dom do arrependimento. O Espírito tem um só e o mesmo modo de ser; mas, por vontade de Deus e pelos méritos de Cristo, produz efeitos diversos.

Serve-se da língua de uns para comunicar o dom da sabedoria; ilumina a inteligência de outros com o dom da profecia. A este dá o poder de interpretar as Sagradas Escrituras. a uns fortalece na temperança, a outros ensina a misericórdia; a estes inspira a prática do jejum e como suportar as austeridades da vida ascética; e àqueles o domínio das tendências carnais; a outros prepara para o martírio. Enfim, manifesta-se de modo diferente em cada um, mas permanece sempre igual a si mesmo, como está escrito: A cada um é dada a manisfestação do Espírito em vista do bem comum (1Cor 12,5).

-- Das catequeses de São Cirilo de Jerusálem, bispo (século IV)

4 de mai. de 2010

Eu sou a videira, vós os ramos

Querendo mostrar a necessidade de estarmos unidos a Deus pelo amor, o Senhor afirma que é a videira. Os ramos são os que já se tornaram participantes da sua natureza pela comunicação do Espírito Santo. De fato, é o Espírito de Cristo que nos une a ele.

A adesão a esta videira nasce da boa vontade; a união da videira conosco procede do seu afeto e natureza. Foi pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante a fé; mas participamos da sua antureza por termos recebido dele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (1 Cor 6, 17).

Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Filho de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade.

-- do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)

3 de mai. de 2010

Igreja - Corpo Espiritual

Sendo muitos, nós formamos um só corpo e somos membros uns dos outros; e é Cristo quem nos une pelo vínculo da caridade. Convém, portanto, que tenhamos os mesmos sentimentos uns para com os outros; se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um membro é honrado, os demais se alegram com ele.

Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para a Glória de Deus (Rm 15, 7). Para pôr em prática este acolhimento recíproco, devemos ter os mesmos sentimentos, carregando os fardos uns dos outros e guardando a unidade do espírito pelo vínculo da paz (Ef 4, 3). Foi assim que Deus também nos acolheu em Cristo. Falou a verdade quem disse: Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Unigênito (Jo 3,16). Efetivamente o mundo inteiro foi salvo pela misericórdia de Deus.

-- adaptado da Carta aos Romanos, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V).

1 de dez. de 2009

As duas vindas de Cristo

Anunciamos a vinda de Cristo, não apenas a primeira, mas também a segunda, muito mais gloriosa. A primeira teve um aspecto de sofrimento, mas a segunda mostrará a realeza divina.
Na primeira vinda, ele foi envolto em faixas e reclinado num presépio; na segunda, será revestido num manto de luz. Na primeira, ele suportou a cruz, sem recusar a sua ignomínia; na segunda, virá cheio de glória, cercado de uma multidão de anjos.

Não falamos somente da primeira vinda, mas esperamos, ansiosamente, a segunda. E assim como dissemos na primera: Bendito o que vem em nome do Senhor (Mt 21, 9), aclamaremos de novo, na segunda vinda, quando formos com os anjos ao seu encontro: Bendito o que vem em nome do Senhor.

Na carta a Tito, São Paulo escreveu: “A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2, 11-13)

No símbolo da fé, a oração do Creio, dizemos crer naquele que “subiu aos céus, onde está sentado a direita de Deus Pai, donde há de vir, em glória, par ajulgar os vivos e os mortos”.
Portanto, Nosso Senhor Jesus Cristo virá, no último dia, glorioso, e este mundo será inteiramente renovado.

-- adaptado das catequeses de São Cirilo de Jerusálem (século IV)

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