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14 de nov. de 2015

Porque Jesus Cristo é o Verbo de Deus?

Há na alma uma espécie de geração quando o homem conhece alguma coisa pela própria alma, que se chama conceito (ou idéia). Esse conceito, concebido, tem a sua origem na própria alma. Chama-se verbo (palavra) da inteligência ou do homem. Portanto a alma gera o seu verbo pelo conhecimento. 

O Filho de Deus também é o Verbo de Deus, não como se fosse uma palavra pronunciada exteriormente, porque assim seria transitório, mas como um verbo (conceito, idéia) concebido no interior. Eis porque o próprio verbo de Deus possui uma só natureza de Deus e é igual a Deus.

São João, quando falou de Deus, disse "No princípio era o Verbo, o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus"

Em nós o verbo é um acidente (isto é, algo transitório, que existe por um tempo e depois termina); mas em Deus o verbo identifica-se com o próprio Deus, pois nada há em Deus que não seja da essência (infinita) de Deus.

Ninguém pode afirmar que Deus não possui um verbo (idéias), porque se o fizesse estaria também afirmando que em Deus não há conhecimento. Como Deus sempre existiu, assim também seu Verbo sempre existiu.

Como o artista executa as suas obras de acordo com o modelo que prefigurou em sua inteligência, que é o seu verbo; assim também Deus fez todas as coisas pelo seu Verbo, que é o seu pensamento artístico. Assim lê-se em São João: Todas as coisas foram feitas por Ele (Jo 1,3).

-- São Tomás de Aquino, Sermão sobre o Credo (século XIII)

5 de nov. de 2015

As heresias contra Cristo e a Santíssima Trindade

Não é somente necessário crer que existe um só Deus, e que Ele é criador do céu, da terra e de todas as coisas, mas também que Deus é Pai e Jesus Cristo é seu verdadeiro Filho. O próprio Jesus Cristo muitas vezes chama a Deus como seu Pai e, também, denomina-se Filho de Deus. Os Apóstolos e os Santos Padres colocaram entre os artigos de fé que Jesus Cristo é Filho de Deus quando definiram o segundo artigo do Creio: "E em Jesus Cristo seu Filho", isto é, Filho de Deus.

Mas existiram alguns heréticos que acreditaram de um modo perverso nessa verdade de fé. Três deles são:

1. Fotino declarou que Cristo não é filho de Deus senão como os outros homens o são, os quais, por viverem bem, merecem ser chamados filhos de Deus por adoção, enquanto fazem a vontade de Deus. Do mesmo modo, segundo ele, Cristo, que viveu bem fazendo a vontade de Deus, mereceu ser chamado filho de Deus. Daí que Cristo não existiria antes da Virgem Maria, mas que só começou a existir quando foi concebido, como sucede com todos outros homens.

Cometeu Fotino dois erros: um, porque não disse que Ele era Filho de Deus segundo a natureza; outro porque disse que Ele começou a existir no certo momento, enquanto nossa fé afirma que Ele é por natureza Filho de Deus e eterno.

Contra o primeiro erro, declara a Escritura que Jesus Cristo não só é Filho de Deus, mas também Filho Unigênito: O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou (Jo 1,18). Contra o segundo, lê-se: Antes de Abraão existir, eu já existia (Jo 8, 58). Ora, é certo que Abraão existiu antes de Maria.

Por este motivo, os Santos Padres acrescentaram no Credo Niceno-Constantinopolitano contra o primeiro erro "Filho de Deus Unigênito"; e, contra o segundo, "gerado do Pai antes de todos os séculos".

2. Sabélio, embora tivesse dito que Cristo existiu antes da Virgem Maria, afirmou que a pessoa do Filho era também a figura do Pai e que o próprio Pai se encarnou. Isso é um erro porque destrói a idéia de Santíssima Trindade. Contra este erro, temos as palavras do próprio Cristo: Eu não sou Eu só, sou Eu e o Pai que me enviou (Jo 8, 16).

É evidente que ninguém pode ser enviado por si mesmo. Eis porque Sabélio errou. Acrescentou-se por isso, no Credo: "Deus de Deus, luz de luz", isto é  Deus Filho de Deus Pai; Filho que é luz, luz que procede do Pai, que também é luz. 

3. Ário, embora tivesse afirmado que Cristo existira antes da Virgem Maria e que era uma a Pessoa do Pai, outra a do Filho, cometeu três erros ao falar de Cristo: primeiro, que Cristo foi criatura; segundo, que Ele foi feito por Deus como a mais nobre das criaturas quando concebido, não existindo desde a eternidade; terceiro, que não havia uma só natureza de Deus Filho com Deus Pai e, por esse motivo, Cristo não era verdadeiro Deus. 

Lê-se no Evangelho de São João: Eu e o Pai somos um (Jo 10, 30), isto é, pela natureza.  Ora, como o Pai sempre existiu, do mesmo modo Cristo sempre existiu; como o Pai é verdadeiro Deus, o Filho também é verdadeiro Deus. 

Em oposição às afirmações de Ário, está acrescentado no Credo "gerado, não feito" e "consubstancial com o Pai".   

-- São Tomás de Aquino, Sermão sobre o Credo (século XIII)

31 de out. de 2015

Porque somos levados ao politeísmo

Os homens são levados ao politeísmo por quatro motivos:

1. A fraqueza da inteligência humana. Há homens cuja inteligência não lhes permite ir além das coisas corpóreas e, por isso, não acreditam na existência de alguma natureza superior aos seres corpóreos. Pensam então que os mais belos e dignos seres corpóreos devem presidir o mundo e prestam um culto divino a eles. Assim consideram os astros do céu, o sol, a lua e as estrelas. Sobre eles fala o Profeta Isaías (51, 6): Levantai os olhos para o céu, volvei vosso olhar à terra: os céus vão desvanecer-se como fumaça, como um vestido em farrapos ficará a terra, e seus habitantes morrerão como moscas. Mas minha salvação subsistirá sempre, e minha vitória não terá fim . 

Muitas vezes estas razões não se manifestam por palavras, mas pelos atos. Aqueles que acreditam que os astros podem modificar a vida dos homens, que para agir devem esperar certas épocas, estão aceitando que os astros dominam os homens. Contra isto adverte a Palavra: Não imiteis o procedimento dos pagãos; nem temais os sinais celestes, como os temem os pagãos, porquanto os deuses desses povos são apenas vaidade (Jr 10, 2).

2 - A adulação dos homens. Muitos desejando adular reis e senhores, tributaram-lhes a honra devida a Deus. Obedecem e se submetem a eles. Há quem os endeuse após a morte, outros até em vida. Deles fala a Escritura: A multidão, seduzida pelo encanto da obra, em breve tomou por deus aquele que tinham honrado como homem. E isto foi uma cilada para a humanidade: os homens, sujeitando-se à lei da desgraça e da tirania, deram à pedra e à madeira o nome incomunicável. (Sab 14,21).

Também aqueles que obedecem aos reis mais que a Deus, constituem a essas pessoas como deuses. Adverte-nos também a Escritura: Convém mais obedecer a Deus que os homens (At 5,29).

3- A afeição carnal aos filhos e parentes. Alguns, levados por excessivo amos aos parentes, levantam-lhes estátuas após a morte e, assim, são conduzidos a prestar culto divino àquelas estátuas.

Também os que amam os filhos mais que a Deus revelam pelos seus atos que acreditam em muitos deuses. São Paulo nos adverte: Quanto a questões tolas, genealogias, contendas e disputas relativas à lei, foge delas, porque são inúteis e vãs (Tt 3,9).

4- A malícia do demônio. Este, desde o início, quis ser igual a Deus: Escalarei os céus e erigirei meu trono acima das estrelas. Assentar-me-ei no monte da assembléia, no extremo norte. Subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei igual ao Altíssimo. (Is 14,13). Até hoje não revogou essa vontade e esforça-se para que os homens o adorem e lhe ofereçam sacrifícios. Não lhe satisfaz a oferta de animais, mas deleita-se quando lhe é prestado o culto devido a Deus. Ele mesmo falou a Cristo: Dar-te-ei toda terra se de joelhos me adorares (Mt 4,9). Para que sejam adorados como deuses, se disfarçam de ídolos, Sobre eles fala a Escritura: os deuses dos pagãos, sejam quais forem, não passam de ídolos. Mas foi o Senhor quem criou os céus (Sl 95,5); as coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. (1Cor 10,20). 

Os que praticam a feitiçaria e se entregam aos sortilégios acreditam nos demônios como se eles fossem deuses, porque pedem aos demônios o que só se pode pedir a Deus, como revelações e conhecimentos sobre coisas futuras.

Como tudo isto é falso, devemos acreditar que há somente um Deus.

-- São Tomás de Aquino, Sermão sobre o Credo. (século XIII)

26 de out. de 2015

Insensato é não acreditar em Deus

Entre todas as verdades, em primeiro lugar deve-se acreditar que Deus existe. 

Além disso, deve-se considerar o que significa este nome - Deus. Significa precisamente Aquele que governa e cuida de todas as coisas. Acredita na existência de Deus quem acredita que todas as coisas deste mundo são governadas e estão subordinadas à sua Providência. 

Quem pensa que todas as coisas originam-se do acaso, não acredita na existência de Deus. Seria insensato não crer que a natureza seja governada por alguém, vendo que tudo se processa a seu tempo, com ordem. Vemos o Sol, a Lua, as estrelas e muitos outros elementos da natureza obedecerem um determinado curso. Ora, isso não aconteceria se houvesse caos. Eis por que é insensato não acreditar na existência de Deus, como lembra o salmista: O insensato diz em seu coração: não há Deus (Sl 13,1).

Há alguns que acreditam que Deus governa e ordena coisas naturais, mas não acreditam que governe os atos humanos. Pensam assim porque vêem no mundo os bons sofrerem e os maus prosperarem, concluem que a Providência de Deus não atinge os homens. 

Afirmar tal coisa seria grande insensatez. Seria como pensar que se o médico dá a um doente um remédio e a outro doente outro remédio, tudo é por acaso e não por motivo ponderado. Seria pensar que o médico é insensato. 

Pois Deus também age como médico. Por motivo justo e pela sua Providência, dispõe Ele as coisas necessárias aos homens, quando aflige alguns bons e permite que os maus prosperem. Acreditar que isto é obra do acaso é, evidentemente, insensato. 

Assim pensa porque desconhece a maneira de Deus agir e razão pela qual dispõe de todas as coisas. Lê-se em Jó: Oxalá Ele te revele os segredos da sua sabedoria e a multiplicidade dos seus planos (Jó 11,6). E no Livro dos Salmos: Disseram os maus: Deus não vê. O Deus de Jacó não percebe as coisas. Compreendei agora, é néscios! Ó estultos, até quando sereis insensatos? Aquele que nos orelhas, não ouve? Aquele que nos deus olhos, não vê? O Senhor conhece o pensamento dos homens (Sl 103, 7-10).

Deus vê todas coisas, os pensamentos, segredos dos homens. Como diz São Paulo: Tudo está nu e descoberto aos seus olhos (Hb 4, 13). 

-- Santo Tomás de Aquino, Sermão sobre o Credo. (século XIII)

12 de jul. de 2013

Creio em Único Deus - Mozart

A Grande Missa em Dó Menor, de Mozart, é uma das obras mais geniais do compositor. Pouco se sabe sobre a criação da obra, em 1782/83, e foi apresentada pela primeira vez na Igreja de Saint Pierre, Salzburg, em 26 de Outubro de 1783. 

Esta missa foi a primeira obra composta por iniciativa de Mozart, sem ter sido encomendada. Isto explica por que demorou tanto na sua composição, pois foi escrita no seu tempo livre, enquanto atendia pedidos de seus clientes. Numa carta ao pai, Mozart explica que foi uma promessa pelo restabelecimento da esposa Constance. No entanto, para os padrões atuais, a missa está incompleta. Por exemplo, como o Credo não era recitado nas missa do Tempo Comum, Mozart musicou apenas a parte inicial da oração.

O vídeo abaixo mostra a apresentação em Cadogan Hall, Londres, em 7 de Julho de 2011. O maestro é Ivor Setterfield; as sopranos são Elizabeth Weisberg e Grace Davidson; acompanhadas pela Orquestra Sinfônica de Trafalgar e Coro Barts. O Coral segue a forma latina da oração.


Credo in unum Deum, Patrem omnipoténtem, factorem cæli et terræ, visibílium ómnium et invisibílium.

Et in unum Dóminum Iesum Christum, Fílium Dei unigénitum, et ex Patre natum, ante ómnia sæcula. Deum de Deo, lumen de lúmine, Deum verum de Deo vero, génitum, non factum, consubstantiálem Patri: per quem ómnia facta sunt. Qui propter nos hómines et propter nostram salútem descéndit de cælis. 
(aqui termina a obra de Mozart)

Et incarnátus est de Spíritu Sancto ex María Vírgine, et homo factus est. Crucifíxus étiam pro nobis sub Póntio Piláto; passus et sepúltus est, et resurréxit tértia die, secúndum Scriptúras, et ascéndit in cælum, sedet ad déxteram Patris. Et íterum ventúrus est cum glória, iudicáre vivos et mórtuos, cuius regni non erit finis.

Et in Spíritum Sanctum, Dóminum et vivificántem: qui ex Patre Filióque procédit. Qui cum Patre et Fílio simul adorátur, et conglorificátur: qui locútus est per Prophétas.
Et unam, sanctam, cathólicam et apostólicam Ecclésiam.
Confíteor unum baptísma in remissiónem peccatorum. Et expecto resurrectionem mortuorum, et vitam ventúri sæculi. Amen.

25 de mar. de 2013

Creio em Deus Pai Todo-Poderoso


A. Fé

A  Fé
Estátua que compõe o Monumento ao Papa
Inocêncio XI, Basílica de São Pedro, Vaticano 
A primeira coisa que um cristão necessita é fé, sem a qual nenhum homem pode se dizer Cristão. A fé confere quatro benefícios:

1. A fé une a alma a Deus, por que pela fé a alma é como que desposada pelo Senhor, conforme Os 2,22: "Desposar-te-ei com fidelidade, e conhecerás o Senhor". Por esta razão, no batismo confessamos nossa fé quando perguntados: "Acreditas em Deus Pai Todo-Poderoso?"; pois o batismo é o primeiro dos sacramentos da fé. Assim diz o Senhor: "Quem crer e for batizado será salvo" (Mc 16,16); sem fé o Batismo é inútil.

Devemos entender que sem fé nenhum homem é aceitável para Deus: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe" (Hb 11,6).  Comentando Rm 14,23 ("Tudo o que não procede da fé é pecado"), Santo Agostinho afirma: "Sem o reconhecimento da verdade eterna e imutável, toda virtude humana é mera impostura, até para o melhor dos homens"

2. A fé introduz a vida eterna em nós, pois a vida eterna não é nada mais que conhecer a Deus, pois assim diz Jesus: "a vida eterna consiste em que conheçam a um só Deus verdadeiro". Este conhecimento de Deus inicia pela fé e torna-se perfeito na vida eterna, quando O conheceremos como Ele é: "A fé é o fundamento da esperança" (Hb 11,1). Logo, nenhum homem pode alcançar a felicidade dos céus - que é o verdadeiro conhecimento de Deus - se não conhecê-lO pela fé, como Jesus disse a São Tomé: "Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!"(Jo 20,29)

3. A fé é nosso guia na vida presente, pois para viver uma vida correta o homem deve saber o que é necessário para ser um justo. Se o homem tiver que valer-se de seus esforços para descobrir o necessário, talvez nunca chegue a fazê-lo ou consiga apenas após muitíssimos anos. Mas a fé nos ensina tudo que é preciso para uma vida justa, pois aprendemos pela fé que há somente um Deus que recompensa os justos e pune os malfeitores; que há uma vida eterna após esta; e todas as verdades para distinguir entre o bem e o mal. "O justo deve viver na fé" (Hab 2,4). 

Isto fica claro quando observamos que antes da vinda de Jesus nenhum dos filósofos pode identificar, mesmo com grande esforço, a verdade sobre Deus ou como alcançar a vida eterna; e após a vinda de Cristo, qualquer pessoa, por mais simples e sem cultura que seja, é capaz de conhecer a Deus e alcançar a vida eterna. Como foi dito por Isaias (11,9): "a terra esta cheia de ciência do Senhor".

4. A fé nos ajuda a resistir às tentações, pois todas tentações são frutos do Demônio, do mundo ou da carne. Através da fé os santos foram capazes de conquistar o mundo.

  • O Demônio nos tenta a desobedecer a Deus e a não nos sujeitarmos a Deus. A tentação é removida pela fé, pois Deus é Senhor sobre todas as coisas, por isso devemos obedecer a Ele: "Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar" (1Pe 5,8-9). 
  • O mundo nos tenta atrair pela prosperidade ou medo da adversidade. Superamos estas tentações pela fé porque ela nos assegura a vida eterna e o desprezo das coisas do mundo, sem temores e aflições. Também superamos as tentações pois a fé nos ensina que há males muitos maiores no Inferno que os deste mundo.
  • A carne nos tenta através dos prazeres da vida. Mas a fé nos ensina que se procurarmos os prazeres do mundo perderemos a felicidade eterna: "Em todas as coisas colocamos o escudo da fé" (Ef 6,16). Então entendemos como é lucrativo deixar-se guiar pela fé. 


-- Catecismo de São Tomás de Aquino, capítulo I, parte 1.
-- Tradução própria



28 de jul. de 2012

Os três últimos artigos do Creio (Compêndio da Doutrina Católica)

Que nos ensina o décimo artigo do Credo: a remissão dos pecados?
- Que Deus deixou a sua Igreja o poder de perdoar todos os pecados por meio dos sacramentos.

Fora da Igreja pode-se esperar o perdão dos pecados?
- Certamente não; fora da Igreja  não há remissão dos pecados, nem esperança de salvação.

Que nos ensina o undécimo artigo: a ressurreição da carne?
- Que todos os homens, no fim do mundo, hão de ressuscitar por virtude de Deus Onipotente, recobrando cada um a sua alma e o corpo que dantes tivera.

Que nos ensina finalmente o último Artigo: a vida eterna?
- Que para os bons cristãos esta preparado no Céu um prêmio eterno.

E o que coisa se reserva para os infiéis e para os maus cristãos?
- A eles se dará uma pena no Inferno.

Que quer dizer esta voz, Amém, que no fim dos símbolo se ajunta?
- Quer dizer "assim é", que vem a ser o mesmo que "tudo quanto está dito é verdadeiro, é certo".

 -- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

Outros artigos do Creio:
  • Primeiro artigo: Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;
  • Segundo artigo: e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
  • Terceiro artigo: que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria;
  • Quarto artigo: padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
  • Quinto artigo: desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;
  • Sexto artigo: subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
  • Sétimo artigode onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
  • Oitavo artigo Creio no Espírito Santo
  • Nono artigo Creio na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos

13 de jul. de 2012

O nono artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Católica)


Que nos ensina o nono artigo: Creio na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos?
- Que é necessário crer na Santa Igreja Católica e reconhecer a união que há entre todos os membros da Igreja.

O que é Igreja Católica?
- Uma congregação de todos os fiéis que professam a fé e lei de Jesus Cristo, sob o governo dos legítimos pastores e obediência ao Pontífice Romano.

Esta congegação, quem tem por cabeça?
- Tem por sua cabeça invisível Jesus Cristo no céu e por sua cabeça visível na Terra o Romano Pontífice, Vigário de Jesus Cristo.

Porque chama-se "santa" esta Igreja?
- Porque a cabeça, Jesus Cristo, é santa; e tem muitos membros santos; tem a fé, a lei e os santos sacramentos.

O que quer dizer "católica"?
- Quer dizer universal.

E que quer dizer "universal"?
- Significa que a Igreja compreende os fiéis de todos os tempos, todos os lugares, de toda e qualquer idade e qualidade.

Porque logo depois do artigo sobre o Espírito Santo fala-se da Igreja?
- Para mostrar que toda santidade da Igreja provêm do Espírito Santo, que é autor de toda santidade.

O que quer dizer "comunhão dos santos"?
- Refere-se a participação nas orações e boas obras realizadas na mesma Igreja.

E participam deste bem espiritual os gentios, hebreus, hereges, cismáticos, apóstatas e excomungados?
- Não participam porque estão fora da Igreja.

Esta comunicação dos santos se estende também ao céu e ao purgatório?
- Sim, porque os santos rogam a Deus por nós e pelas almas do purgatório; e nós podemos aliviar as mesmas almas com orações, esmolas e outras boas obras.

 -- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)
Outros artigos do Creio:
  • Primeiro artigo: Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;
  • Segundo artigo: e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
  • Terceiro artigo: que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria;
  • Quarto artigo: padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
  • Quinto artigo: desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;
  • Sexto artigo: subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
  • Sétimo artigode onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
  • Oitavo artigo Creio no Espírito Santo


7 de jul. de 2012

O oitavo artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Católica)

Que nos ensina o oitavo artigo: Creio no Espírito Santo?

- Que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, que é Deus Eterno, Onipotente, Criador e Senhor de todas as coisas, como o Pai e o Filho.

De quem procede o Espírito Santo?

- Procede do Pai e do Filho por via de vontade e amor.

Se o Filho procede do Pai e do Filho, parece que o Pai existia antes do Filho, e os dois antes do Espírito Santo. Como pois se diz ser eternas todas as três pessoas?

- Porque desde a eternidade o Pai tem gerado o Filho, e o Pai e o Filho tem produzido o Espírito Santo; pelo que todos os três são eternos e tem sempre existido sem diferença de tempo.

Se tanto a primeira quanto a segunda Pessoas são puríssimas e santíssimas, porque só à terceira pessoa se atribui o nome de Espírito Santo?

- Porque a primeira pessoa tem o seu próprio nome: Pai; e a segunda é Filho e por isso se atribui à terceira o nome comum de Espírito Santo, para distingui-la das demais; nome que lhe é muito próprio, pois a ela se atribui a obra de santificação.

Pode-se dizer que os Anjos e Almas no céu são também "Espíritos Santos"?

- As criaturas são santas porque são santificadas pelo Espírito Santo, mas somente o Espírito Santo é santo por si mesmo e é ele que nos santifica, por esta razão chama-se Espírito Santo por excelência.

O Pai e o Filho nos santificam também?

- Todas as três pessoas nos santificam igualmente.

Se é assim, porque se atribui ao Espírito Santo papel especial na santificação das almas?

- Porque a santificação das almas é obra de amor; e as obras de amor se atribuem ao Espírito Santo.

 -- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

Outros artigos do Creio:
  • Primeiro artigo: Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;
  • Segundo artigo: e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
  • Terceiro artigo: que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria;
  • Quarto artigo: padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
  • Quinto artigo: desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;
  • Sexto artigo: subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
  • Sétimo artigode onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.


20 de jun. de 2012

O sexto artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Católica)


Que nos ensina o sexto artigo do Credo: subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso?

- Que Jesus Criso subiu aos céus à vista dos seus discípulos no quadragésimo dia depois da sua Ressurreição; e que sendo como Deus, igual ao Pai na glória, como homem foi exaltado sobre todos os anjos e Santos, constituído Senhor de todas as coisas.

Porque demorou por quarenta dias a sua subida aos céus?
- Para estabelecer com várias aparições o mistério da sua Ressurreição e para instruir sempre mais e confirmar os apóstolos nas verdades da fé.

Subiu Ele aos céus enquanto Deus ou enquanto homem?
- Subiu enquanto homem, porque enquanto Deus já está presente em todo lugar.

Porque se diz que Cristo subiu aos céus; e de sua mão santíssima, que foi assunta aos céus, isto é, levada?
- Porque Cristo, sendo Deus e homem, por virtude própria subiu aos céus, mas sua mãe, como criatura, ainda que entre todas a mais digna, subiu ao céu por virtude de Deus.

Que querem dizer aquelas palavras: está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso? Tem Deus por ventura mão direita ou esquerda?
- O Pai não tem mão direita, nem esquerda; mas assim se diz para que possamos compreender a Glória que Jesus Cristo enquanto homem recebeu sobre todas as criaturas; pois assim dizemos no mundo e entendemos que a pessoa ocupa o lugar mais honorífico. 

Porque se diz que Cristo está sentado? Por ventura esta ele realmente sentado no céu?
- Diz-se que está sentado para fazermos entender que ele está na posse pacífica da sua Glória, como soberano e absoluto Senhor de todas as coisas.

7 de jun. de 2012

O quinto artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Católica)


Que coisa nos ensina o quinto artigo: desceu à mansão dos mortos e essuscitou no terceiro dia?
- Que havendo Jesus Cristo expirado, passou logo a sua Alma ao Limbo dos Santos Padres, para libertá-los, e que ressuscitou ao terceiro dia.

E que faziam no Limbo aquelas almas?
- Estavam ali entretidas, como em repouso, com a esperança da vinda do verdadeiro Messias, Jesus Cristo.

Que esperavam do Messias aquelas almas?
- Serem libertadas, como foram, e introduzidas por Ele no Céu.

E porque não tinham já lá entrado?
- Porque pelo pecado de Adão estava fechado o Céu, e era muito justo que Jesus Cristo, que com sua morte lhes abriu as portas do Céu, fosse o primeiro a entrar lá.

E porque esperar até o terceiro dia para ressuscitar?
- Para mostrar com mais evidência que fora verdadeiramente morto.

A Ressurreição de Jesus Cristo foi como a ressurreição de outros homens?
- Não, porque Jesus Cristo ressurgiu por sua própria virtude, e os outros pelas virtudes de Jesus.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

6 de mai. de 2012

O segundo artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Cristão)


Que coisa nos ensina o segundo artigo: Creio em Jesus Cristo, seu único filho, Nosso Senhor?
- Que o Filho de Deus é a segunda pessoa da Santíssima Trindade; que Ele é Deus eterno, Onipotente, Nosso Criador e Senhor, como o Pai; que Ele se fez homem para salvar-nos; que o Filho de Deus feito homem se chama Jesus Cristo.

Porque se chamada Filho a segunda pessoa?
- Porque desde a eternidade é gerado pelo Pai por via de entendimento e conhecimento.

Porque se chama seu filho único?
- Porque só ele é filho de Deus Pai por natureza.

Porque se chama Jesus o filho de Deus feito homem?
- Chama-se Jesus, que quer dizer Salvador, que nos salvou da morte eterna merecida pelos nossos pecados.

Porque se chama também Cristo?
- Chama-se também Cristo, que significa Ungido, ou consagrado, porque antigamente se ungia os reis, sacerdotes e profetas. Jesus é o Rei dos Reis, Sumo Sacerdote e Sumo Profeta.

E na verdade foi ele também ungido, consagrado, como os outros, com uma unção corporal?
- Não, mas a unção de Jesus Cristo é a divindade que nele habita.

Porque se diz que Jesus Cristo é Nosso Senhor?
- Porque, como Deus, é Nosso Senhor absoluto, tanto como Pai; e enquanto homem, é também nosso supremo Senhor, porque nos resgatou com o seu Sangue da escravidão do demônio.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

30 de abr. de 2012

O primeiro artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Cristão)


Que ensina o primeiro artigo do Creio?
- Que há um só Deus em três pessoas realmente distintas, das quais a primeira é o Pai, o qual é onipresente e do nada criou o Céu, a Terra e todas as coisas que há no Céu e na Terra.

Porque se diz que Deus é Pai?
- Porque é pai de todos os homens que ele criou, conserva e governa. Porque por especial graça é pai dos cristãos, os quais são chamados filhos adotivos de Deus. Porque aqui se trata principalmetne da primeira pessoa da Santíssima Trindade, que é chamada Pai, porque é por natureza pai da segunda, isto é, o Filho.

Porque é o Pai a priemira pessoa da Santíssima Trindade?
- Porque Ele não procede de outra pessoa, mas é o princípio das outras duas pessoas, isto é, do Filho e do Espírito Santo.

O que quer dizer aquela palavra "onipotente" ou "todo-poderoso"?
- Que Deus pode fazer tudo aquilo que desejar.

Deus não pode pecar nem morrer; como se diz que Ele pode tudo?
- Diz-se que Deus tudo pode, posto que não pode pecar nem morrer, porque o pecar ou morrer não é efeito de grande poder ou valor, mas de fraqueza, a qual não pdoe achar-se em Deus que é perfeitíssimo.

Explicai com maior clareza o que quer dizer "Criador do Céu e da Terra".
- Criar quer dizer "tirar do nada" alguma coisa; portanto Deus se diz criador do céu e da terra porque os tirou do nada, assim como todas as cosias que no céu e na Terra se contêm.

O mundo foi criado somente pelo Pai?
- Foi criado igualmente por todas as três pessoas divinas, porque tudo quanto obra uma pessoa, o fazem também as outras duas pessoas.

Porque pois se atribui particularmente ao Pai a Criação?
- Porque sendo o Pai o princípio das outras duas pessoas, com propriedade se diz também princípio de todas as coisas criadas.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

23 de abr. de 2012

A Oração do Creio (Compêndio da Doutrina Cristã)


Qual a primeira parte da Doutrina Cristã?
- O Símbolo dos Apóstolos, vulgarmente chamado o Credo ou Creio.

Porque vós chamais o Credo de "Símbolo dos Apóstolos"?
- Chama-se Símbolo porque é uma divisa, com a qual se podem distinguir os cristãos dos fiéis. E chama-se Dos Apóstolos porque o compuseram os Santos Apóstolos, para dar a todos os cristãos uma e mesma regra do que devem crer, a qual contivesse os principais artigos da Fé.

Quantos são os artigos que estão no Credo?
- São doze.

Por favor, dizei os distintamente.
1: Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, criador do céu e da terra,
2: e em Jesus Cristo, seu único filho, Nosso Senhor,
3: concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria,
4: padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado,
5: desceu à mansão dos mortos, ressuscitou no terceiro dia,
6: subiu aos céus e está sentado a direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
7: de onde irá julgar os vivos e os mortos.
8: Creio no Espírito Santo,
9: na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos
10: na remissão dos pecados,
11: na ressurreição do corpo
12: e na vida eterna. Amém.

O que quer dizer aquela palavra que proferis no princípio do Símbolo, "Creio"?
- Quer dizer eu tenho por sumamente verdadeiro tudo o que nestes doze artigos se contem; e tudo isso Creio mais firmemente do que se o visse com os próprios olhos.

Porque credes tão firmemente nestes artigos e em todas os outras verdades que crê e ensina a Igreja Católica?
- Porque são todas verdades reveladas por Deus, o qual não pode enganar nem enganar-se.

Que coisa contem em suma estes artigos?
- Tudo o que principalmente se deve crer de Deus, de Jesus Cristo e da sua Igreja.

É de muito proveito rezar frequentemente o Creio?
- É coisa utilíssima para imprimir-se cada vez mais no coração os artigos da fé.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

17 de abr. de 2012

Porque os homens são levados ao politeísmo


Os homens são levados ao politeísmo por quatro motivos:
São Tomás de Aquino, doutor da Igreja.

O primeiro, é a fraqueza da inteligência humana. Há homens, cuja fraqueza de inteligência não lhes permitiu ir além das coisas corpóreas, e, por isso, não acreditaram na existência de alguma natureza superior aos seres corpóreos.

Pensaram então que, entre aqueles seres corpóreos, os mais belos e mais dignos deveriam presidir e dirigir o mundo, e prestaram a eles um culto divino. Consideraram como sendo os corpos mais sublimes, os astros do céu: o sol, a lua e as estrelas. Acontece com eles o que aconteceu com aquele homem que, desejando ver o rei, foi à corte e confundiu com o rei quem logo encontrou bem vestido ou exercendo alguma função de ministro. 

Refere-se a esses o Livro do Profeta Isaías: Levantai bem alto os olhos e vede a terra por baixo. Os céus evaporar-se-ão como a fumaça, a terra envelhecer-se-á como as vestes e os seus habitantes perecerão como ela. Mas a minha salvação será eterna, e a minha justiça não terá fim (51, 6).

O segundo motivo, é a adulação dos homens. Muitos desejando adular os reis e os senhores, tributaram-lhes a honra devida a Deus. Obedeceram e se submeteram a eles. Houve quem os endeusassem após a morte, e houve os que os endeusaram também em vida. Lê-se na Escritura: Todos saibam que Nabucodonosor é deus da terra, e além dele outro deus não há (Jud. 5, 29).

O terceiro motivo provém da afeição carnal para os filhos e parentes. Alguns, levados por excessivo amor pelos parentes, levantaram-lhes estátuas após a morte, e, assim foram conduzidos a prestar culto divino àquelas estátuas. É a eles que se refere a Escritura: Deram os homens às pedras e à madeira um nome incomunicável, porque submeteram-se demais a afeição aos reis (Sab. 14, 21).

A quarta razão, pela qual os homens são levados a acreditar na existência de muitos deuses, é a malícia do diabo. Este, desde o início, quis ser igual a Deus: Colocarei meu trono no Aquilão, subirei aos céus e serei semelhante ao Altíssimo (Is. 14, 13). Até hoje ele não revogou essa vontade. Por isso esforça-se o mais possível para que os homens o adorem e lhe ofereçam sacrifícios. Não lhe satisfaz o ofertório de um cão ou de um gato, mas deleita-se quando lhe é prestado o culto devido a Deus. Disse o demônio a Cristo: Dar-te-ei tudo isto se de joelho me adorares (Mat. 4,9). Para que fossem adorados como deuses, os demônios entraram nos ídolos e por meio destes davam respostas. Lê-se na Escritura: Todos os deuses dos povos são demônios (Sl. 95, 5). Quando os gentios oferecem sacrifícios, fazem-no aos demônios, não a Deus (I Cor. 10,20).

É muitíssimo desagradável a consideração dessas quatro causas do politeísmo, mas representam realmente as razões pelas quais os homens acreditam na existência de muitos deuses. Muitas vezes eles não manifestam pelas palavras ou pelo coração que acreditam em muitos deuses, mas pelo atos. Aqueles que acreditam que os astros podem modificar a vontade dos homens, que para agir esperam certas épocas, naturalmente consideram os astros como deuses que dominam os outros seres e que fazem prodígios. Por isso somos advertidos pela Escritura: Não temei os sinais dos astros que os gentios temem, porque as suas leis são vãs (Jer. 10, 2).

Também aqueles que obedecem aos reis, ou aos que não devem obedecer, mais que a Deus, constituem a essas pessoas como os seus deuses. Adverte-nos também a Escritura: Convém mais obedecer a Deus que aos homens (At. 5, 29). Assim também os que amam os filhos e os parentes mais que a Deus, revelam pelos atos que acreditam em muitos deuses. Ou mesmo aqueles que amam mais os alimentos que a Deus, aos quais se refere S. Paulo com estas palavras: Dos quais o ventre é deus (Tm 3, 19).

Os que praticam a feitiçaria e se entregam aos sortilégios acreditam nos demônios como se eles fossem deuses, porque pedem aos demônios o que só se pode pedir a Deus, como sejam revelações e conhecimentos de coisas secretas ou futuras. Como tudo isso é falso, devemos acima de tudo acreditar que há um só Deus.

-- Do Sermão sobre o Credo, de São Tomás de Aquino (século XIII)

16 de abr. de 2012

O que é a Doutrina Cristã? (Compêndio da Doutrina Cristã)


Sois vós cristão?
- Sou pela graça de Deus.

Por que dizeis pela graça de Deus?
- Porque o ser cristão é um dom de Deus, e o primeiro de todos os dons, o qual nós não podemos merecer.

Que entendeis por ser cristão?
- É cristão aquele que sendo batizado, crê e confessa a Doutrina Cristã.

Que coisa é a Doutrina Cristã?
- Entendo a doutrina que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou para mostrar-nos o caminho da salvação.

É necessário aprender a Doutrina ensinada por Jesus Cristo?
- É certamente necessário e não podem salvar-se os que por negligência deixarem de aprendê-la.

Quantas são as partes principais e mais necessárias desta Doutrina?
- São quatro: o Credo, o Pai Nosso, os Dez Mandamentos e os Sete Sacramentos.

Que coisa nos ensina o Credo?
- O Credo nos ensina os principais artigos da nossa santa fé.

Que coisa nos ensina o Pai Nosso?
- O Pai Nosso nos ensina tudo o que havemos de desejar, esperar e pedir a Deus.

Que coisa nos ensinam os Dez Mandamentos?
- Os Dez Mandamentos nos ensinam tudo o que devemos fazer para agradar a Deus, que tudo consiste em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Que coisa nos ensinam os Sete Sacramentos?
- Ensinam quais são os meios e isntrumentos com que o Senhor comunica suas graças e infunde, ou aumenta em nós, as virtudes da fé, esperança e caridade.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

17 de nov. de 2011

A Celebração do Batismo


1 Úteis vos são as cotidianas mistagogias e os novos ensinamentos que vos anunciam novas realidades, e isto tanto mais a vós que fostes renovados do passado para a novidade. Por isso é necessário que vos proponha o que se segue à instrução mistagógica de ontem, a fim de que compreendais a significação simbólica do que foi realizado por vós no interior do edifício.

2 Logo que entrastes, despistes a túnica. E isto era imagem do despojamento do velho homem com suas obras. Despidos, estáveis nus, imitando também nisso a Cristo nu sobre a cruz. Por sua nudez despojou os principados e as potestades e no lenho triunfou corajosamente sobre eles. As forças inimigas habitavam em vossos membros. Agora já não vos é permitido trazer aquela velha túnica, digo, não esta túnica visível, mas o homem velho corrompido pelas concupiscências falazes. Oxalá a alma, uma vez despojada dele, jamais torne a vesti-la, mas possa dizer com a esposa de Cristo, no Cântico dos Cânticos: «Tirei minha túnica, como irei revesti-la?». Ó maravilha, estáveis nus à vista de todos e não vos envergonhastes. Em verdade éreis imagem do primeiro homem Adão, que no paraíso andava nu e não se envergonhava.

3 Depois de despidos, fostes ungidos com óleo desde o alto da cabeça até os pés. Assim, vos tornastes participantes da oliveira cultivada, Jesus Cristo. Cortados da oliveira bravia, fostes enxertados na oliveira cultivada e vos tornastes participantes da abundância da verdadeira oliveira. O óleo era símbolo, pois, da participação da riqueza de Cristo. Afugenta toda presença das forças adversas. Como a insuflação dos santos e a invocação do nome de Deus, qual chama impetuosa, queima e expele os demônios, assim este óleo recebe, pela invocação de Deus e pela prece, uma tal força que, queimando, não só apaga os vestígios dos pecados, mas ainda põe em fuga as forças invisíveis do maligno.

4 Depois disto fostes conduzidos pela mão à santa piscina do divino batismo, como Cristo da cruz ao sepulcro que está à vossa frente. E cada qual foi perguntado se cria no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E fizestes a profissão de fé, e fostes imersos três vezes na água e em seguida emergistes, significando também com isto, simbolicamente, o sepultamento de três dias de Cristo. E assim como nosso Salvador passou três dias e três noites no coração da terra, do mesmo modo vós, com a primeira imersão, imitastes o primeiro dia de Cristo na terra, e com a imersão, a noite. Como aquele que está na noite nada enxerga e ao contrário o que está no dia tudo enxerga na luz, assim vós na imersão, como na noite, nada enxergastes; mas na emersão, de novo vos encontrastes no dia. E no mesmo momento morrestes e nascestes. Esta água salutar tanto foi vosso sepulcro como vossa mãe. E o que Salomão disse em outras circunstâncias, sem dúvida, pode ser adaptado a vós: Há tempo para nascer, e tempo para morrer (Ecle 3,2). Mas para vós foi o inverso: tempo para morrer, e tempo para nascer. Um só tempo produziu ambos os efeitos e o vosso nascimento ocorre com vossa morte.

5 Oh! fato estranho e paradoxal! Não morremos em verdade, não fomos sepultados em verdade, não fomos crucificados e ressuscitados em verdade. A imitação é uma imagem; a salvação, uma verdade. Cristo foi crucificado, sepultado e verdadeiramente ressuscitou. Todas estas coisas nos foram agraciadas a fim de que, participando, por imitação, de seus sofrimentos, em verdade logremos a salvação. Oh! amor sem medida! Cristo recebeu em suas mãos imaculadas os pregos e padeceu, e a mim, sem sofrimento e sem pena, concede graciosamente por esta participação a salvação.

6 Ninguém, pois, creia que o batismo só obtém a remissão dos pecados, como o batismo de João só conferia o perdão dos pecados. Também nos concede a graça da adoção de filhos. Mas nós sabemos, com precisão, que como é purificação dos pecados e prodigalizador do dom do Espírito Santo, é também figura da Paixão de Cristo. Por isso clama a propósito Paulo, dizendo: Ou ignorais que todos nós, que fomos batizados para Cristo Jesus, fomos batizados para [participar da] sua morte? Com ele fomos sepultados pelo batismo (Rm 6,3). Talvez dissesse estas coisas por causa de alguns, dispostos a ver o batismo como prodigalizador da remissão dos pecados e da adoção, mas não como participação, por imitação, dos verdadeiros sofrimentos de Cristo.

7 Para que aprendêssemos que tudo o que Cristo tomou sobre si foi por nós e pela nossa salvação, tudo sofrendo em verdade e não em aparência e para que nos tornássemos participantes dos seus sofrimentos, exclamava veementemente Paulo: Se fomos plantados com [Ele] pela semelhança de sua morte, também o seremos pela semelhança de sua ressurreição (Rm 6,5). Boa é a expressão «plantados com Ele». Logo que foi plantada a verdadeira vida, nós também pela participação do batismo da sua morte «fomos plantados». Fixa a mente com toda a atenção nas palavras do Apóstolo. Não disse: Fomos plantados com Ele pela morte, mas, pela semelhança da morte. Deveras, houve em Cristo uma morte real, pois a alma se separou do corpo. Houve verdadeiramente sepultamento, pois seu corpo sagrado foi envolvido em lençol limpo e foi verdadeiro tudo o que nele ocorreu. Para nós há a semelhança da morte e dos sofrimentos. Quando se trata da salvação, porém, não é semelhança e sim realidade.

8 Todas estas coisas foram ensinadas suficientemente: retende tudo em vossa memória, rogo-vos, para que eu, ainda que indigno, possa dizer-vos: "Amo-vos porque sempre vos lembrais de mim e conservais as tradições que vos transmiti". Ademais, poderoso é Deus que de mortos vos fez vivos, para conceder-vos que andeis em novidade de vida. A Ele a glória e o poder, agora e pelos séculos. Amém.

-- Segunda Catequese Mistagógica aos Recém-iluminados, de São Cirilo de Jerusalém (século IV)

Demais Catequeses:





16 de nov. de 2011

No Batismo renunciamos a Satanás


São Miguel combatendo a Satanás

1. Desde há muito tempo desejava falar-vos, filhos legítimos e muito amados da Igreja, sobre estes espirituais e celestes mistérios. Mas como sei bem que a vista é mais fiel que o ouvido, esperei a ocasião presente, para encontrar-vos, depois desta grande noite, mais preparados para compreender o que se vos fala e levar-vos pelas mãos ao prado luminoso e fragrante deste paraíso. Além disso, já estais melhor preparados para apreender os mistérios todo divinos que se referem ao divino e vivificante batismo. Uma vez, pois, que vos proporemos uma mesa com doutrinas de iniciação perfeita, é necessário ensinar-vos com precisão, para penetrardes o sentido do que se passou convosco nesta noite batismal.

2. Entrastes primeiro no batistério. Depois vos voltastes para o Ocidente e atentos escutastes. Recebestes então a ordem de estender a mão, e renunciastes a satanás como se estivesse ali presente. É preciso que saibais que na história antiga há uma figura deste gesto. Quando o faraó, o mais inumano e cruel tirano, oprimia o povo livre e nobre dos hebreus, Deus enviou Moisés a tirá-los desta penosa escravidão dos egípcios. Com sangue de cordeiro eram ungidas as ombreiras das portas, a fim de que o exterminador passasse pelas casas que ostentassem o sinal do sangue. Assim, o povo dos hebreus foi admiravelmente libertado. Quando, depois da libertação, faraó os perseguiu e viu o mar abrir-se maravilhosamente diante deles, avançou mesmo assim ao encalço deles e, submerso instantaneamente, foi engolido pelo Mar Vermelho.

3. Passai agora comigo das coisas antigas às novas, da figura à realidade. Lá Moisés foi enviado por Deus ao Egito; aqui Cristo, do seio do Pai, foi enviado ao mundo. Aquele para tirar o povo oprimido do Egito; Cristo para livrar os que no mundo são acabrunhados pelo pecado. Lá o sangue do cordeiro afastou o anjo exterminador; aqui o sangue do Cordeiro Imaculado, Jesus Cristo, constitui um refúgio contra os demônios. Aquele tirano perseguiu até o mar este povo antigo; e a ti, o demônio atrevido, impudente e príncipe do mal, te segue até as fontes mesmas da salvação. Aquele afogou-se no mar; este desaparece na água da salvação.

4. Entretanto, ouves, com a mão estendida, dizer como a um presente: «Eu renuncio a ti, satanás». Quero também falar-vos porque estais voltados para o Ocidente, pois é necessário. O Ocidente é o lugar das trevas visíveis e como aquele [satã] é trevas, tem o seu poder nas trevas. Por essa razão, simbolicamente olhais para o Ocidente e renunciais a este príncipe tenebroso e sombrio. O que então cada um de vós, de pé, dizia? Renuncio a ti, satanás, a ti mau e crudelíssimo tirano: já não temo, dizias, a tua força. Pois Cristo a destruiu, fazendo-me participe de seu sangue e de sua carne, a fim de abolir a morte pela morte e eu não estar eternamente sujeito à escravidão. Renuncio a ti, serpente astuta e capaz de todo mal. Renuncio a ti, que armas insídias e, simulando amizade, praticaste toda sorte de iniqüidade e sugeriste a nossos primeiros pais a apostas ia. Renuncio a ti, satanás, artífice e cúmplice de todo mal.

5. Em seguida, numa segunda fórmula, és ensinado a dizer: «E a todas as tuas obras». Obras de satanás são todos os pecados, aos quais é necessário renunciar, assim como quem foge de um tirano atira para longe de si todas as armas dele. Todo o gênero de pecado está, pois, incluído nas obras do diabo. Aliás, sabes que tudo quanto dizes naquela hora tremente está inscrito nos livros invisíveis de Deus. Se, pois, fores surpreendido fazendo algo contrário a estes, serás julgado como transgressor. Renuncias, portanto, às obras de satanás, isto é, a todas as ações e pensamentos contrários à promessa.

6. Depois dizes: «E a toda a sua pompa». Pompa do diabo é a mania do teatro, das corridas de cavalo, da caça e de toda vaidade desta espécie. Dela pede o santo ser livrado, dizendo a Deus: «Não permitais que meus olhos vejam a vaidade». Não te entregues desenfreadamente à mania do teatro, onde se encontram os espetáculos obscenos dos atores, executados com insolências e com toda sorte de indecências, e com danças furiosas de homens efeminados. Nem tampouco sejas daqueles que na caça se expõem a si mesmos às feras, para contentar o infeliz ventre, os quais, querendo regalar o estômago com petiscos, se tornam alimentos dos animais selvagens. Exprimindo-me melhor, por causa deste seu deus, o ventre, arriscam sua vida em combate singular. Foge também das corridas de cavalos, espetáculo insano que leva as almas à perdição. Porque tudo isto é pompa do diabo.

7. Mas ainda tudo o que é exposto nos templos dos ídolos e nas suas festas, quer sejam carnes ou pães ou coisas semelhantes, inquinados pela invocação dos demônios infames, são contados como pompa do diabo. Pois, assim como o pão e o vinho da eucaristia, antes da santa epiclese da adorável Trindade, eram simplesmente pão e vinho, mas depois da epiclese o pão se torna corpo de Cristo e o vinho sangue de Cristo, da mesma maneira estes alimentos que pertencem à pompa de satanás, por sua própria natureza simples, tornam-se, pela invocação dos demônios, impuros.

8. Depois disto tu dizes: «E a teu culto». Culto do diabo é a prece feita nos templos dos ídolos, tudo que se faz em honra dos simulacros inanimados: acender luzes ou queimar incenso perto de fontes e rios, como fazem alguns que, enganados por sonhos e demônios, chegam a isso, crendo que encontram a cura de doenças corporais. Não vás atrás destas coisas. Augúrios, adivinhação, agouros, amuletos, inscrições em lâminas, magias ou outras artes más são culto do diabo. Foge, portanto, de tudo isto. Se a eles sucumbes, depois de teres renunciado a satanás e aderido a Cristo, experimentarás um tirano mais cruel. Aquele que antes te tratou talvez como familiar e te libertou da dura escravidão, agora está fortemente irritado contra ti. De Cristo serás privado e experimentarás àquele [satanás]. Não ouviste o que a antiga história nos conta de Lot e suas filhas? Não se salvou ele com as filhas, tendo alcançado a montanha, enquanto sua mulher se transformou em estátua de sal para sempre, constituindo uma recordação de sua má vontade e de seu olhar curioso para trás? Cuida, pois, de ti mesmo e não te voltes novamente para trás, depois de teres posto a mão no arado, para a prática amarga desta vida. Foge antes para a montanha para junto de Jesus Cristo, a pedra talhada não por mãos e que encheu a terra.

9. Quando, então, renuncias a satanás, rompendo todo pacto com ele, quebras as velhas alianças com o inferno. Abre-se para ti o paraíso de Deus, que ele plantou para o lado do oriente, donde por sua transgressão foi expulso nosso primeiro pai. Disto é símbolo o te voltares do Ocidente para o Oriente, lugar da luz. Então te foi ordenado que dissesses: «Creio no Pai e no Filho e no Espírito Santo e no único batismo de penitência». Disto vos falamos extensamente, nas catequeses anteriores, como no-lo permitiu a graça de Deus.

10. Fortalecido por estas palavras, vigia. Pois nosso adversário o diabo, como foi lido, anda ao redor, buscando a quem devorar. Deveras, nos tempos anteriores a este, a morte devorava, poderosa. Depois do batismo sagrado da regeneração , Deus enxugou toda lágrima de todas as faces.Com efeito, já não choras por teres te despido do velho homem, mas estás em festa porque te revestiste com a vestimenta da salvação, Jesus Cristo.

11. Tudo isto se realizou no edifício exterior. Se aprouver a Deus, quando nas Catequeses Mistagógicas seguintes entrarmos no Santo dos Santos, conheceremos, então, os símbolos das coisas que lá se realizam.
A Deus glória, poder e magnificência, com o Filho e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

-- Primeira Catequese Mistagógica aos Recém-iluminados, de São Cirilo de Jerusalém (século IV).

Demais Catequeses:





31 de mai. de 2011

Explicação Catequética do Credo, por São Francisco Xavier

É seguro assumir que este texto representa a maneira como São Francisco Xavier explicava os artigos da oração do Creio aos habitantes das terras asiáticas que catequisou. O santo fundou, junto com amigos, a ordem dos jesuítas, reconhecida pelo Papa em 1541, alguns anos após o pedido ser apresentado. São Francisco Xavier desembarcou na Índia, na cidade de Goa, em 6 de Maio de 1542. Dali, até a sua morte, em 3 de Dezembro de 1552, dedicou-se a catequização da Ásia, tendo viajado pela Índia, Sudeste Asiático, Filipinas, China e até o Japão.

Este texto é uma tradução particular com base no livro Vida e Cartas de São Francisco Xavier, páginas 321 a 339, disponível no site The Internet Archive. O livro foi publicado em 1881, na Inglaterra. Como é um texto longo, publiquei em partes, na medida em que pude traduzi-lo: 

Artigo II e III: e em Jesus Cristo, seu único filho, Nosso Senhor, concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria,
* trecho adicional, não relacionado diretamente a um artigo: Vida de Jesus Cristo
Artigo IV: padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado,
Artigo V: desceu à mansão dos mortos, ressuscitou no terceiro dia,
Artigo VI: subiu aos céus e está sentado a direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
Artigo VII: de onde irá julgar os vivos e os mortos.
Artigo VIII: Creio no Espírito Santo,
Artigo IX: na Santa Igreja Católica,
Artigo X: na comunhão dos santos, na remissão dos pecados,
Artigo XI: na ressurreição do corpo
Artigo XII: e na vida eterna. Amém.

-- Explanação Catequética do Credo para os Habitantes das Ilhas Molucas, por São Francisco Xavier (século XVI)

30 de mai. de 2011

Explicação Catequética do Credo - artigo XII: Creio na Vida Eterna

Artigo XI: Creio na Ressurreição do Corpo

Na Terra os santos estão ressucitando, enquanto nos céus os
anjos honram a Deus, no centro da iamgem,
40. A nossa alma, criada a imagem e semelhança de Deus Todo-Poderoso, por ter uma natureza espiritual, é enriquecida com faculdades que representam a perfeição divina: vontade, inteligência e memória. A partir da criação é impelida por um certo desejo inato, inspirado pelo Criador, de unir-se a Ele, sua imagem. Não podemos crer que tão excelente criação de Deus, este instinto ativo dado pelo Criador, tenha sido em vão. Todos nós, cristãos, estamos convencidos do contrário e, sem dúvidas, achamos que a alma, exceto se lutar contra, buscará satisfazer este desejo e buscar aquele bem superior a tudo, a vida eterna. E, até mesmo antes da ressurreição do corpo, as almas que houverem morrido na graça de Deus e totalmente purificadas de todos pecados, estarão de posse desta vida eterna, sendo admitidas a partir deste momento à vista e alegrias de Deus.

41. Portanto, estas almas, uma vez unidas aos seus corpos, em um estado melhor e mais perfeito, irão aproveitar a felicidade que estamos descrevendo, ininterruptamente pela eternidade. Por todo este espaço de tempo, infinito, as almas dos santos regojizarão com Deus nos céus, junto aos coros de inumeráveis anjos, jubilantes e triunfantes Santos, entre todos homens, todos na presença amorosa e beatifica de Deus Criador e Senhor de tudo, que despejará suas bençãos celestiais em cada um  e sobre todos. A excelência destas bençãos é tão sublime, que por maior esforço façamos durante nossa vida mortal pensando ou imaginando, nunca formaremos uma idéia ou imagem que se aproxime, mesmo que a longa distância, da verdade. A magnificência de Deus supera de tal modo nossa forças que nem os Santos puderam imaginar quão grande é este amor de Deus. No entanto, o menos que consigamos imaginar ou compreender sobre esta inefável felicidade, é abundatemente suficiente para nos convencer que devemos desejá-la.

42. No céus os santos vivem em paz e descanso, numa gloriosa paz, sem reclamações ou ofensas contra qualquer um, todos em amor mútuo, honrando um ao outro, compartilhando todos bens. Eles não podem sentir nenhum impulso ao mal, serem atacados por outros, ou temerem qualquer coisa. Por outro lado, tão abundante são os bens que possuem, bens de todos tipos, que ultrapassam todos desejos e são suficientes para a eternidade. E todas bençãos são seguramente guardadas para eles, que não precisam temer, nem há risco, de serem retiradas ou diminuídas. Isto é o que São Matias compreendia quando disse: Creio na Vida Eterna

-- Explanação Catequética do Credo para os Habitantes das Ilhas Molucas, por São Francisco Xavier (século XVI)

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