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19 de jun. de 2021

A Penitência é um sacramento?


 Há alguns parece que a Penitência não é um sacramento, embora a Igreja considere como um dos sete sacramentos.

Primeira objeção:
Segundo está nos primeiros decretos da Igreja, os sacramentos são o Batismo, Crisma e o Corpo e Sangue de Cristo. Eles se chamam sacramentos por que, através de sinais visíveis, Deus opera invisivelmente a salvação. Isto não ocorre com a Penitência, por que Deus realiza a salvação sem necessitar de sinais visíveis.

Resposta: É verdade que um sacramento consiste em uma cerimônia feita de tal modo que nela recebamos simbolicamente o que devemos receber santamente. Ora, na Penitência, o ato praticado tem um significado santo, tanto da parte do pecador penitente, pelo que faz e diz, mostra abandonar o pecado no seu coração; também o sacerdote, pelo que faz e diz, significa a obra de Deus, isto é, o perdão dos pecados.

Por sinais visíveis deve-se entender todos os gestos realizados por um homem, assim como derramar a água no Batismo ou ungir com óleo o crismando. Um sacramento dispensa graças excelentes, superiores a toda capacidade humana, assim, no Batismo, todos pecados são redimidos, na Crisma, se confere a plenitude do Espírito Santo, na extrema-unção, a perfeita saúde espiritual, proveniente da virtude de Cristo. Os atos humanos envolvidos em tais sacramentos não são sua essência, são apenas a maneira de realizá-los. 

Além disso, no caso da Penitência e do Casamento, são os próprios atos humanos daqueles que recebem o sacramento, que tornam visíveis seus efeitos.

Segunda objeção:
Os sacramentos da Igreja são realizados pelos ministros de Cristo, que dispensam os mistérios de Deus. A Penitência não é realizada pelo ministro, nem conta com a sua participação, mas é inspirada aos homens por Deus, segundo diz a Escritura: Depois que me converteste, fiz penitência (Jr 31,17).

Resposta: nos sacramentos que incluem matéria visível, como a água e o óleo, é necessário que sejam aplicados pelo ministro da Igreja, representante da pessoa de Cristo, um sinal de que o sacramento vem de Cristo mesmo. Como dissemos, na Penitência os atos humanos são realizados pelo pecador penitente, atos provenientes de uma inspiração interna. Assim, não há matéria aplicada pelo ministro, mas Deus que age interiormente; o ministro dá somente o complemento do sacramento, absolvendo o penitente.

Terceira objeção:
Nos sacramentos, como Batismo e Crisma, temos que distinguir os atos visíveis e sua realidade espiritual não visível. Nada disto ocorre na Penitência, assim a Penitência não seria um sacramento por não ter a mesma estrutura.

Resposta:
Também na Penitência podemos distinguir o que é só visível, os atos praticados tanto pelo pecador penitente quanto pelo padre, e o arrependimento interno do pecador.

-- São Tomás de Aquina, Suma Teológica, Questão 84, artigo I.

-- Este post é parte da série Suma Teológica Reescrita, na qual reorganizo e "traduzo" para uma linguagem mais moderna questões discutidas por São Tomás de Aquino na monumental e fundamental Suma Teológica.

9 de jan. de 2018

Perguntas sobre Eucaristia - Sacramento

A Igreja Católica têm sete sacramentos: Batismo, Crisma, Eucaristia, Penitência, Casamento, Ordem e Unção dos Enfermos, mas a Eucaristia é o principal deles.

1. O que é um sacramento?

Os sacramentos são ações do Espírito Santo que opera no seu corpo que é a Igreja, os sacramentos são "nas obras-primas de Deus", na nova e eterna Aliança. 

Os sacramentos são sinais eficazes da graça de Deus, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis, com os quais são celebrados os sacramentos, significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Eles dão fruto naqueles que os recebem de maneira adequada.

* segundo Catecismo da Igreja Católica (CIC), parágrafos 116 e 1131.

2. Por que é importante receber os sacramentos?

Os sacramentos conferem a graça que prometem e são eficazes, porque neles é o próprio Deus que realiza a promessa. O Pai atende sempre a oração da Igreja, que em cada sacramento, exprime a sua fé no poder do Espírito. Tal como o fogo transforma em si tudo quanto atinge, assim o Espírito Santo transforma em vida divina tudo quanto se submete ao seu poder.

Os sacramentos são necessários para a salvação. A cada sacramento corresponde uma graça específica dada por Cristo e ministrada pelo Espírito Santo que transforma aqueles que O recebem, conformando-os com o Filho de Deus. O fruto da vida sacramental é que o Espírito de adoção  que faz com que os fiéis unam-se vitalmente ao Filho único, o Salvador.

O sacramento não é realizado pela justiça do sacerdote que o dá ou que do fiel que recebe, mas pelo poder de Deus. Desde que um sacramento seja celebrado conforme a intenção da Igreja, o poder de Cristo e do seu Espírito age nele e por ele, independentemente da santidade pessoal do ministro. 

* CIC 1127-1129

3. Por que a Eucaristia é o principal sacramento da Igreja?

Na Eucaristia está presente, em Corpo e Sangue, o próprio Cristo, Filho de Deus e Supremo Sacerdote da sua Igreja. Os demais seis sacramentos são como estradas que conduzem à Eucaristia. A Eucaristia celebrada ao redor do mundo une toda Igreja à Cristo, garantindo a sua unidade. 

O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela "como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos" (São Tomás de Aquino, Suma Teológica). No Santíssimo Sacramento da Eucaristia estão contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo (Concílio de Trento). 

* CIC 1324, 1326 e 1374

4. Como Cristo está presente de modo real, em corpo e sangue, na Eucaristia?

São João Crisóstomo declara:
"Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem corpo e sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia estas palavras, mas a sua eficácia e a graça são de Deus.Isto é o Meu corpo, diz ele. Esta palavra transforma as coisas oferecidas" .
E Santo Ambrósio diz a respeito da mesma conversão:
"Estejamos bem convencidos de que isto não é o que a natureza formou, mas o que a bênção consagrou, e de que a força da bênção ultrapassa a da natureza, porque pela bênção a própria natureza é mudada. A Palavra de Cristo, que pôde fazer do nada o que não existia, não havia de poder mudar coisas existentes no que elas ainda não eram? Porque não é menos dar às coisas a sua natureza original do que mudá-la.

* CIC 1375 

5. Como a Eucaristia é um sinal dos tempos futuros?

Cada vez que se celebra a Eucaristia, realiza-se a obra da nossa redenção e nós "partimos o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas viver em Jesus Cristo para sempre" (Santo Agostinho). Como esperamos alcançar a redenção da vida eterna, a Eucaristia é um sinal deste futuro que nos aguarda.

Numa antiga oração, a Igreja aclama assim o mistério da Eucaristia: "Ó sagrado banquete, em que se recebe Cristo e se comemora a sua paixão, em que a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da futura glória". Ou seja, na Eucaristia, Cristo nos garante a futura glória.

* CIC 1402-1405

-- autoria própria

11 de nov. de 2014

Enquanto estamos aqui na terra, façamos penitência

Enquanto estamos aqui na terra, façamos penitência. Com efeito, somos argila na mão do artífice. Se o oleiro, tendo feito um vaso, e, em suas mãos, este se entorta ou quebra, de novo torna a fazê-lo. Se, porém,se decidiu a pô-lo no forno, nada mais há que fazer. Assim também nós, enquanto estamos no mundo e temos tempo, façamos, de coração, penitência pelos pecados cometidos, para sermos salvos pelo Senhor.

Porque depois de sairmos do mundo já não mais poderemos reconhecer os nossos pecados nem fazer penitência. Por este motivo, irmãos, se fizermos a vontade do Pai, mantivermos casto nosso corpo e guardarmos os preceitos do Senhor, alcançaremos a vida eterna. O Senhor disse no evangelho: Se não fordes fiéis no pouco, quem vos confiará o muito? Pois eu vos digo: quem é fiel no pouco também será fiel no muito (cf. Lc 16,10-11). Quis dizer: Guardai casto o corpo e imaculado o caráter, para que sejamos dignos de receber a vida.

E ninguém venha dizer que a carne não será julgada nem ressurgirá. Confessai: em que fostes salvos, em que recobrastes a vista, se não foi vivendo ainda nesta carne? Convém-nos, portanto, proteger a carne como templo de Deus. Tal qual fostes chamados no corpo, assim no corpo ireis. Cristo Senhor, que nos salvou, era antes só espírito e fez-se carne e assim nos chamou. Do mesmo modo também nós receberemos a recompensa neste corpo. 

Amemo-nos, pois, uns aos outros, para entrarmos todos no reino de Deus. Enquanto temos tempo de ser curados, entreguemo-nos a Deus médico, dando-lhe a paga. Que paga? A penitência brotada de um coração sincero. Com efeito, ele prevê todas as coisas e conhece o que se passa em nosso íntimo. Louvemo-lo, pois, não só de boca, mas de coração, para que nos receba como filhos. De fato o Senhor disse: Meus irmãos são aqueles que fazem a vontade de meu Pai (cf. Lc 8,21s).

-- Homília de um autor desconhecido, do século II

9 de ago. de 2014

Casamento, divórcio e nulidade

Casamentos são para toda vida. Esta idéia é fundamental na Igreja Católica e repetida muitíssimas vezes quando a Igreja se posiciona contrária ao divórcio. No entanto, é possível que a Igreja declare um casamento nulo, o que para a maioria parece ser uma espécie de "divórcio" católico.

Em realidade, nada mais diferente que divórcio e nulidade. Quando um casamento é declarado nulo, é uma afirmação que o casamento jamais existiu; enquanto o divórcio civil parte do pressuposto que o contrato de casamento foi contraído e agora está sendo rompido de maneira amigável ou não. 

O conceito fundamental na declaração de nulidade é a validade do sacramento. O termo validade questiona se um sacramento externamente administrado teve, realmente, efeitos espirituais. Validade sacramental requer as palavras corretas, alguém autorizado a ministrá-lo (diácono, padre ou bispo), e a intenção correta e clara de todos, ministro e fiéis recebendo o sacramento. Por exemplo, no Batismo, a fórmula correta é "Eu te batizo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo". Batizar apenas em nome de Deus ou acrescentar Nossa Senhora, por exemplo, invalidaria o Batismo. O Batismo deve ser feito com água. Se por alguma razão, o padre utilizar outro líquido, também invalidaria o Batismo. E, por fim, se o batizando ao mesmo tempo continuar participando em outra religião, digamos, é um "pai-de-santo", o Batismo também não é válido; embora tenha acontecido na frente de todos dentro da Igreja. Ou seja, a aparência externa é importante, mas não é tudo.

E quanto ao casamento? Primeiro, a imensa maioria dos católicos assume que o padre confere o sacramento. Mas, de fato, o sacramento é administrado pelos próprios esposos. O canon 1057 explica que o casamento é um ato voluntário de consentimento mútuo, legitimamanete manifestado por pessoas habilitadas. O padre apenas pergunta ao noivos se concordam em receber o outro como legítimo esposo, em todas circunstâncias da vida (na riqueza, neccessidade, riqueza, pobreza, doença, saúde, etc...) e de maneira indissolúvel (nenhum homem pode separar). Uma falha de consentimento, por um ou ambos noivos, pode tornar o sacramento inválido. 

Para expressar o consentimento, cada noivo deve entender plenamente a idéia de casamento, na concepção católica, e serem plenamente habilitados mental e emocionalmente a compreenderam seus atos. O canon 1055 desfine casamento como sendo "o pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si o consórcio íntimo de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, entre os batizados foi elevado por Cristo Nosso Senhor à dignidade de sacramento".

O termo é "pacto", que implica concordância, entre um homem e uma mulher, tendo como objetivo o bem do casal e seus filhos, de maneira natural. Os cursos pré-nupciais devem explicar, de todos modos possíveis, este conceito, para que os noivos entendam plenamente do que a Igreja está falando e possam concordar com algo que conhecem.

E quanto às capacidades, a mental é mais simples de ser observada: pessoas doentes mentais ou senis não possuem suficiente capacidade para compreender os seus atos de maneira plena, incluindo o casamento; se alguém estiver bêbado ou drogado durante a cerimônia, também não está apto a expressar seu consentimento (a rigor, o padre poderia não realizar o casamento); já a capacidade psíquica é mais difícil de ser identificada, pois traumas passados podem interferir seriamente nas decisões de uma pessoa, mas também é uma razão válida para nulidade sacramental.

Além das falhas de consentimento, há outros motivos mais claros para decretar nulidade, como a idade dos noivos, um deles já ter outra família constituída, falsidade ideológica - dizer que é uma pessoa, enquanto sabe ser outra, etc... Em geral, estes motivos são mais simples de demonstrar pois as provas materiais são muito mais evidentes e fácil de serem obtidas, enquanto falhas de consentimento podem ser imateriais e depender mais de julgamento. 

Se há algo que podemos fazer é rezar para que o padres reunidos no próximo Concílio para tratarem dos assuntos da família, que será realizado ainda neste ano, inspirados pelo Espírito Santo, possam encontrar maneiras práticas de explicitarem  de maneira mais simples e clara o conceito de casamento católico para os fiéis, casados ou não. 

11 de mai. de 2014

Ordenação, o casamento com a noiva Igreja

Vocês prepararam-se por muitos anos, muitos anos de oração. Vocês prepararam-se tão bem como a moça que está entrando em um casamento. Agora falemos da noiva com quem vocês estão casando-se hoje.

Ela é mais nova, ainda na sua primavera, mas ela conta sua idade em séculos. É uma noiva brilhantemente linda, mas também é deformada, desfigurada com muitas feridas, as cicatrizes do próprio Cristo. Está gasta pelos séculos, feia para aqueles que não a conhecem tão bem como vocês. 

Cardeal O'Connor, arcebispo de Nova Iorque entre
1984 e 2000. 
Ela será gentil, paciente e amável, mas também pode ser cabeça dura, discordar até irritar. Ela será fiel, mas, em certos momentos, parecerá que está dando as costas, até mesmo traindo-os. Será consoladora e reconfortante, mas também extraordinariamente exigente. Ela entregará sua vida a vocês, mas exigirá em troca a vida de vocês.

A noiva com que vocês estão unindo-se hoje não é a Igreja triunfante. Esta é a Igreja deste mundo, a Igreja do Povo de Deus. Povo de Deus que é forte e santo, fraco e pecador. Povo de Deus que é bom e generoso. Povo de Deus que é egoísta e exigente. Povo de Deus que irá amá-los além de qualquer amor imaginado, mas, às vezes, parecerá que os odeia, é ressentido, até mesmo os desprezará. Povo de Deus, sua noiva, vos dará incríveis alegrias e imensas dores, grandes alegrias e profundas tristezas. Este é o Povo de Deus, ainda não totalmente maduro, ainda imperfeito. E estas são as pessoas que tomas por esposa hoje, como padres.

Como seu bispo, vos dou um mandato: amem sua Igreja, amem o Povo de Deus. Amem ambos nos bons momentos, nos piores, na riqueza, na pobreza, na doença e na saúde. Amem até a morte, após a qual vocês e eles serão transfigurados em glória.

Vocês se tornaram íntimos do seu povo, mas as intimidades ocorrerão quando estiverem administrando os Santos Sacramentos. Vocês poderão curar, reconciliar, dar o seu amor. Irão batizar, visitar os doentes, enterrar os mortos e, acima de tudo, entrar na maior das intimidades com sua esposa no Santo Sacrifício Eucarístico. Nas missas devem colocar de lado a sua vida e erguer a de Cristo. Seus corpos estarão quebrados, mas Seu Corpo foi quebrado. Seu sangue pode ser derramado, assim como o Sangue de Cristo foi derramado. Maior amor que este não há, e, verdadeiramente, entregarás a tua vida para a noiva, a Igreja, e o Povo de Deus. E nunca, nunca, encontrarás Deus recusando a sua generosidade e sacrifício.

Amem o Povo de Deus, sejam gentis e amáveis com eles. Peçam que sejam o que Deus pede para serem  mas perdoem as faltas quando acontecerem, assim como a noiva, a Igreja, perdoa os vossos pecados e fraquezas. E, se amares a sua esposa, se entregares a tua vida a Ela diariamente, então entenderás que o amor fica mais forte e profundo com o passar dos anos, como é dito na festa de casamento em Caná, a noiva reservou o melhor vinho para o final. Os anos de prata e ouro do sacerdote, apesar dos sofrimentos pelos quais podem passar, as tentações que experimentarem, as pressões, os conflitos, solidão, daqueles dias em que te perguntares "é isto o que realmente Deus quer de mim?", apesar de tudo isto, entenderás que o amor do Povo de Deus é  cada dia mais rico e mais doce que hoje, no dia da ordenação.

Minha palavra final aos meus irmãos padres: sempre preguem a verdade. O Povo de Deus não merece nada menos. Há ouvidos procurando por novos ensinamentos, como São Paulo nos lembrou, mas nós temos os ensinamentos de Cristo, o Evangelho, nosso Santo Papa, os santos. Preguem e ensinem corajosamente. Sirvam o Povo de Deus como seus servos, nunca como mestres. Acima de tudo, amem a Igreja que hoje estás tomando como esposa.

--   Homília do Cardeal John O'Connor, arcebispo de Nova Iorque, durante uma ordenação em 1980.


21 de fev. de 2014

Uma breve história do casamento cristão - parte final

No século XVI vários grupos que aderiram à Reforma Protestante negaram em diferentes graus a natureza sacramental de vários sacramentos, inclusive do casamento. Em resposta, o Concílio de Trento confirmou a lista de sete sacramentos, reafirmando o casamento. O documento da 24a. sessão dedica-se ao matrimônio e inicia citando as Escrituras, lembrando passagens como "quando um homem e mulher unem-se, devem abandonar a casa dos seus pais e viver conjuntamente" e "agora são uma só carne"; também que Deus explicou à Adão, "o que o Deus uniu, homem nenhum pode separar"

Nas clausulas canônicas, negar o matrimônio como sacramento, autorizar um homem a ter várias mulheres, que casar com parentes consangüinos, entre outros motivos, é explicitamente citado como anátema, possível motivo para excomunhão. Além disso, clérigos e monjes continuam proibidos de contrair matrimônio e a virgindade é considerada em igual condição às pessoas casadas.

Casamentos clandestinos continuaram proibidos, mas caso tenham ocorrido na presença de um padre, são válidos. Preferencialmente, a cerimônia deve ocorrer na paróquia de um dos noivos e casamentos de pessoas sem endereço conhecido deveria ser realizado com cautela. Por fim, estabeleceu que casamentos podem ser realizados em qualquer tempo exceto Quaresma, Oitava de Páscoa e Advento. Além disso, as paróquias deveriam registrar os casamentos de forma escrita para resolver eventuais dúvidas.

A questão dos casamentos mistos, com pessoas não católicas, tornou-se importante na Europa. Inicialmente eles foram proibidos pelo Concílio, mas apenas em países que publicassem o decreto chamado Tametsi. Casamentos celebrados por um pastor tornavam-se inválidos, por que atendiam às normas canônicas, isto é, ser celebrado por um padre e em frente a duas testemunhas. Mas, na prática, implantar o decreto em toda potencialidade não foi possível, em especial nos países em que outras igrejas predominavam. Progressivamente os papas decretaram dispensas e regras especiais para estas áreas, iniciando por Holanda e Bélgica em 1741, depois Irlanda, Alemanha e Austria. Isto funcionou até que o código canônico fosse atualizado, incluindo a necessidade de solicitar ao bispo local autorização para casar com pessoas de outra fé. 

Na forma atual, um casamento é definido como  a união de um homem e mulher que livremente expressam seu consentimento não estando sobre nenhuma coerção legal ou de qualquer outra natureza e não estando impedidos por nenhuma lei eclesial. O consentimento é um ato humano e livre, em que os noivos declaram escolher o conjuge como esposo/esposa de maneira indissolúvel. Não há nenhuma possibilidade de substituir os noivos neste ato. Eventualmente a Igreja pode examinar os fatos e decidir que o casamento nunca existiu. Unidade, indissolubilidade e abertura à vida são essenciais ao casamento, divórcios não são autorizados e a família é o lugar ideal onde as crianças devem receber os primeiros ensinamentos e exemplos de fé.



17 de fev. de 2014

Uma breve história do casamento cristão - parte III

Durante a Idade Média, a Igreja continuou a reconhecer o matrimônio como um sacramento, termo já utilizado por Santo Agostinho, como dito anteriormente. Apesar da separação com a Igreja Oriental, nunca houve discussões acerca deste ponto. Apenas naquela época a Igreja não considerava todos sacramentos como tendo igual importância, pois os principais eram os de formação cristã: Batismo, Eucaristia e Crisma. 

Com o desenvolvimento da teologia sacramental, o matrimônio foi incluído numa lista estrita de sete sacramentos, ainda utilizada hoje em dia. A classificação explícita veio na forma de uma condenação ao ensinamentos contrários da heresia catarista (ou neo-maniqueístas), para quem casamentos e procriação era maus pois perpetuavam o sofrimento neste mundo material. A primeira declaração oficial veio no Concílio de Verona, em 1184.  Em 1208, Papa Inocente III requereu que membros de outro grupo herético, os Waldesianos, reconhecessem o sacramento do matrimônio como uma das condições necessárias para sua reconciliação com a Igreja. O Quarto Concílio Laterano, em 1215, afirmou que não apenas virgens mas também pessoas casadas podem receber as graças de Deus pelas suas boas ações e merecerem a vida eterna. 

Além disso, estabeleceu algumas normas práticas: sacerdotes poderiam manter seu casamento mas deveriam ser santos e castos; sacerdotes não poderaim casar após a ordenação; e proibir casamentos entre parentes de segundo e terceiro graus, bem como entre meio-irmãos; proibir casamentos clandestinos, isto é, os pedidos de matrimônio deveriam ser anunciados publica e previamente; e em caso de dúvidas quanto a legalidade, não ser realizados.

Estas normas práticas procuravam resolver problemas importantes: quanto aos casamentos clandestinos, era dificil, provar a sua realização devido à ausência de testemunhas confiáveis, facilitando a bigamia para alguns espertos. Também havia o problema dos filhos já prometidos pelos pais, alguns quando ainda eram crianças, que casavam escondidos - algo no estilo Romeu e Julieta - sem o consentimento dos pais.

O Concílio de Florença (1431-1445)  reiterou: o sétimo sacramento é o matrimônio, que é um sinal da união de Cristo com a Igreja, de acordo com as palavras do apóstolo. A causa eficiente do matrimônio é o consentimento mútuo expresso em palavras utilizadas no tempo presente ("eu aceito" ou "eu caso"; não "eu casarei"). Três benefícios advém deste sacramento: o primeiro é o nascimento de crianças para prestarem culto ao Senhor; o segundo é a mútua fidelidade dos esposos; o terceiro é a indissolubilidade, sinal visível da união eterna de Cristo com a Igreja. Embora a separação seja aceitável em casos de adultério, não é aceitável contrair novo matrimônio, pois os laços contraídos são perpétuos. Em outro trecho, reitera-se que segundo, terceiro e outros tantos casamentos são aceitáveis se não houver nenhum impedimento eclesial, embora seja mais meritório permanecer na castidade, em especial numa viuvez casta.

Outra questão discutida durante este período foi a diferença entre matrimônio consentido (o "sim" na Igreja) e consumado através do primeiro ato sexual. A solução encontrada resume-se nesta frase: O matrimônio inicia com o consentimento e aperfeiçoa-se no ato sexual." e foi publicada por um decreto cerca de 1140. Na prática, o consentimento cria o vínculo, mas apenas com a consumação torna-se indissolúvel. A não-consumação é, ainda hoje, uma causa legítima de anulação. 

No próximo texto, temos o Lutero e outros protestantes que explicitamente desqualificaram o casamento como um sacramento e reaçãoo católica, cujas decisões ainda são válidas na sua maioria.

-- Autoria própria

13 de fev. de 2014

Uma breve história do casamento cristão - parte II

Continuando este breve apanhado histórico, vou abordar os ensinamentos dos primeiros padres da Igreja. Por muito tempo na história da Igreja não houve um ritual específico para celebrar casamentos. Na Didaqué, documento que descreve a vida nas primeiras comunidades, não há nenhuma referência a esta celebração e casais podiam dar-se em casamento em qualquer local. No entanto, Santo Inácio de Antioquia, ao escrever para o Bispo Policarpo de Esmirna, em torno de 110, comentou: "Quando um homem e uma mulher se unem, é importante que estejam em acordo com o bispo, que seu casamento seja agradável a Deus e não apenas para satisfazer seus desejos." 

Tertuliano (c.160-c.255) fala de cristãos pedindo "permissão" para casar aos seus padres e escreveu nestes termos: Como poderia descrever adequadamente a felicidade do casamento em comunhão com a Igreja, no qual sacrifício se fortalece, a benção acrescenta um selo ao casal, os anjos estão presentes como testemunhas e o Pai dá seu consentimento? Pois nem mesmo na Terra os filhos podem casar-se legalmente sem  o consentimento de seus pais. Quão belo então, o casamento de dois cristãos, dois unidos em uma mesma esperança, um desejo, um caminho na direção da vida que seguirão, um só na prática da religião. São como irmão e irmã, servos do mesmo Mestre. Nada pode dividi-los, nem a carne nem o espírito. Os noivos são, em verdade, dois em uma só carne e também um só espírito. Podem rezar juntos, culturar a Deus juntos, jejuar juntos, instruirem um ao outro, encorajar um ao outro. Lado a lado podem visitar a Igreja e participar do banquete de Deus, lado a lado enfrentam as dificuldades e perseguições, compartilham a consolação de Deus. Não devem ter segredos um para o outro, não evitam a companhia do outro nem querem mal ao seu companheiro. Podem visitar os doentes e assistir aos necessitados, dar esmolas tranquilamente, realizar exercícios de piedade diariamente. Não precisam fazer o sinal da Cruz furtivamente, nem temer o companheiro, nem silenciar sobre as bençãos de Deus. Salmos e hinos podem cantar juntos, dedicando-se para ver quem canta melhor para agradar a Deus. Vendo tal casal, Cristo rejubila de alegria e a eles concede Sua paz. Onde estiverem dois ou mais presentes, ali também está Jesus, e onde está Jesus, o mal não prevalecerá.

São Cipriano, Bispo de Cártago, recomenda que cristãos não devem casar com pagãos para mais livremente poderem exercer sua fé. Dirigindo-se às virgens consagradas, exorta-as a evitarem vestimentas extravagantes, atividades como festas excessivas e ir aos banhos públicos acompanhada de homens. Assim escreveu: O primeiro desejo de Deus foi de crescer e multiplicar-vos, o segundo é controlar seus desejos. Enquanto o mundo era ainda inabitado, era importante sermos fertéis afim de habitarmos a terra. Agora que o mundo já está ocupado, podemos aceitar a virgindade, viver à maneira dos eunucos, desde que eunucos em favor do reino de Deus. O Senhor não apenas ordena isto, como também exorta, mas também não impõe como uma ordem, um peso, pois concede liberdade para escolhermos.  

Argumentando contra a heresia maniqueísta, que condenava o casamento, São Jerônimo argumentou: Não concordamos com as opiniões de Maniqueu e seguidores, que são contrários ao casamento, nem nos deixamos levar pelo erro de Taciano, que pensa que todo intercurso é um ato impuro; eles condenam e rejeitam não apenas o casamento mas também todo alimento que Deus criou para uso dos homens. Sabemos que em uma grande casa há não apenas vasos de ouro e prata, mas também há os de madeira e barro. Enquanto honramos o casamento, preferimos a virgindade, que é um fruto do casamento sadio. Ou por acaso a prata deixará de ser prata apenas por que o ouro é mais valioso? E também escreveu: Alguém pode dizer: "Como podes condenar o casamento que é abençoado por Deus? Não é necessário condenar o casamento apenas por que a virgindade é preferível. Não trata-se aqui de igualar o mal ao bem. A glória de Deus está reservada também às mulheres casadas, pois o Senhor ordenou: crescei e multiplicai-vos. O lugar dos que seguem a Deus é o céu.

São Jerônimo argumentou ainda que o casamento poderia distrair a pessoa da oração e que, neste aspecto, a virgindade é preferível: Se pretendermos rezar todo tempo, nunca poderemos dar a atenção devida ao conjuge, pois neste tempo não estariamos rezando. Referindo-se aos clérigos, disse: Um padre deve oferecer sacrifícios permanentemente em favor do povo, portanto deve permanecer em oração. E se deve permanecer em oração, não pode atender às obrigações do casamento.

Santo Agostinho (354-430) desenvolveu uma teologia sacramental do casamento, em especial no livro Sobre os Dons do Matrimônio. Para ele, três valores são fundamentais no matrimônio: fidelidade, como sendo algo mais profundo que o mero aspecto sexual; filhos, que devem ser aceitos com amor, nutridos com afeto e ensinados sobre os preceitos da religião Cristã; e o sacramento, cuja indissolubilidade é um sinal de abençoada união eterna de Deus. Quanto à virgindade, comentou: Eu sei o que dizem por aí: "Suponha que todos decidissem pela virgindade, como poderia a raça humana sobreviver? Desejaria apenas que tivessem uma preocupação sincera com a caridade, um coração puro e boa consciência, pois aí, então, a Cidade de Deus (a Igreja) espalharia-se mais rapidamente e o fim dos tempos adviria gloriosamente. Tendo sido seguidor do Maniqueísmo em sua juventude, conhecia bem os ensinamentos desta seita, e sobre virgindade/casamento afirmou: Casamento e fornicação não são dois males, pois tem naturezas diferentes; casamento e virgindade são duas bençãos, embora a segunda seja melhor.  

Como vimos, vários santos e doutores da Igreja defenderam o casamento como algo abençoado por Deus, ordenado deste o princípio como sendo entre um homem e uma mulher. E dentro de um casamento, ambos podem ajudar-se e crescer na fé. A virgindade era considerada como superior, e de acordo com São Jerônimo, necessária para os sacerdotes. Santo Agostinho fala em fidelidade, prole e sacramento indissolúvel, e seu pensamento irá influenciar a Idade Média, como veremos na próxima parte. 

-- Autoria própria

15 de mai. de 2013

Ordenações, primeiras-missas e bençãos sacerdotais


* Como estou me preparando para participar de uma ordenação e primeira missa de um sacerdote (futuro Pe. William Clemence, Arquidiocese de Denver), andei pesquisando um pouquinho e achei um post escrito pelo Dr Edward Peters, advogado canonista e professor no Seminário Maior Sagrado Coração de Detroit. 

Questões relacionadas à ordenações, primeiras-missas e benção clericais sempre aparecem nesta época do ano. Podemos revisar alguns pontos? (Deixem-me citar o mais comum "Manual de Indulgências" (Enchiridion Indulgentiarum), publicado em 1999 embora o texto de 2004 seja mais atual.  

1. A prática de receber a "primeira benção" imediatamente após a ordenação sacerdotal é um costume elogiável, mas não há nenhuma indulgência específica associada a tal benção ou, para este fim, em assistir à Missa de Ordenação.

2. Há uma indulgência plenária específica associada ao participar da primeira missa pública, seja ela denominada de Ação de Graças, como é costume, ou não; e somente à primeira missa (Enchiridion 1999, conc. 27). Esta celebração não é a Missa de Ordenação.

3. Todos diáconos estão autorizados a dar benção como listado no Manual e algumas delas são apropriadas para o momento após a Missa de Ordenação, segundo o Código Canônico de 1983 art. 1169 parágrafo 3 e apêndice "Bençãos e Orações sobre o Povo" do Enchiridion.

4. Bispos diocesanos podem proibir certas bençãos (CDC 1169.2) e os padres devem seguir estas proibições, mas são livres para discuti-las com as autoridades adequadas. Por exemplo, questões sobre a adequação de diáconos darem bençãos certamente podem ser debatidas.

5. Está na autoridade do arce/bispo enriquecer as "primeiras bençãos" de um padre com indulgências parciais (Enchiridion 1999, norma 7.1), após requerimento e aprovação de Roma. Isto pode fazer esta idéia impraticável para este ano. 

-- Tradução própria

25 de set. de 2012

Sobre os primeiros mandamentos


Relíquia contendo o sangue de
São Lourenço. Em 10 de Agosto de
cada ano e em algumas festas cristãs,
o sangue se liquefaz.
Porque diz no princípio: Eu sou o teu Senhor e Deus?
- Para que conheçamos que Deusm sendo o nosso criador e Senhor, pode mandar-nos o que quer; e nós criaturas suas somos obrigados a obedecer-lhe.

Que nos ordena com aquelas palavras do Primeiro mandamento: Não terás outro Deus diante de mim?
- Ordena que reconheçamos, adoremos e sirvamos a ele somente, como nosso supremo Senhor.

Como se satisfaz este mandamento?
- Exercitando os atos de fé, esperança, caridade e religião.

E que coisa nos proíbe?
- A idolatria e toda espécie de superstição.

Proíbe também o honrar os santos?
- Isto não é proibido, antes devemos fazê-lo, porque não veneramos os Santos, como a Deus, mas como amigos de Deus.

É proibido dar a honra às imagens de Jesus Cristo e dos santos?
- Não, porque se refere a Jesus Cristo ou aos santos, é em honra a eles que se faz as imagens.

E as relíquias dos santos?
- Com semelhante honra se venera as relíquias, porque os seus corpos foram membros vivos de Jesus Cristo e templo do Espírito Santo e hão de ressuscitar gloriosos à vida eterna.

Que nos proíbe o segundo Mandamento: não uses do nome de Deus em vão?
- Proibe-nos todo desacato que se faça em nome de Deus com palavras, como o nomeá-lo sem respeito e sem devoção. Proíbe-nos de juramentos falsos ou não necessários, ou de qualquer modo ilícitos; e proíbe as blasfêmias contra Deus e os santos.

E que coisa nos ordena?
- Que demos honra ao seu Santo Nome e cumpramos os votos e juramentos.

Que nos determina o terceiro mandamento: lembra-te de santificar as festas?
- Determina-nos honrar a Deus com obras de piedade cristã nos dias de festa dedicados ao seu culto.

Quais são as obras de piedade cristã que se deve fazer em tais dias?
- São essas: assistir com sincera devoção ao Santo Sacrifício da Missa, como expressamento nos manda a Igreja; receber frequentemente os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, instituídos para a nossa salvação; concorrer a ouvir a doutrina cristã, os sermões e ofícios divinos; exercitar-se na oração e nas obras de caridade para com o próximo.


Não basta pois para santificar a festa participar da Missa?
- Certo que não basta para santificá-la completamente e não livra da culpa contra a exata observância deste preceito quem sem causa legítima não faz mais no dia de Festa que ouvir a Missa.

E que coisa nos proíbe?
- O fazer qualquer obra servil.

Que dizeis vós por "obras servis"?
- Os trabalhos corporais que são próprios dos servos, dos oficiais mecânicos e dos jornaleiros.

Não há obra servil alguma que nesses dias seja permitida?
- São permitidas aquelas que são necessárias para a vida humana ou para o serviço de Deus, ou que se fazem por algum grave e urgente motivo, com licença, se pode haver-se, de legítimos superiores.

Que obras devemos, sobretudo, evitar nos dias de festas?
- Sobretudo devemos evitar o pecado e tudo que conduz ao pecado, como as tavernas, bailes e outras coisas semelhantes perigosas.

-- Do Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino, bispo (século XVI)



28 de jul. de 2012

Os três últimos artigos do Creio (Compêndio da Doutrina Católica)

Que nos ensina o décimo artigo do Credo: a remissão dos pecados?
- Que Deus deixou a sua Igreja o poder de perdoar todos os pecados por meio dos sacramentos.

Fora da Igreja pode-se esperar o perdão dos pecados?
- Certamente não; fora da Igreja  não há remissão dos pecados, nem esperança de salvação.

Que nos ensina o undécimo artigo: a ressurreição da carne?
- Que todos os homens, no fim do mundo, hão de ressuscitar por virtude de Deus Onipotente, recobrando cada um a sua alma e o corpo que dantes tivera.

Que nos ensina finalmente o último Artigo: a vida eterna?
- Que para os bons cristãos esta preparado no Céu um prêmio eterno.

E o que coisa se reserva para os infiéis e para os maus cristãos?
- A eles se dará uma pena no Inferno.

Que quer dizer esta voz, Amém, que no fim dos símbolo se ajunta?
- Quer dizer "assim é", que vem a ser o mesmo que "tudo quanto está dito é verdadeiro, é certo".

 -- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

Outros artigos do Creio:
  • Primeiro artigo: Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;
  • Segundo artigo: e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
  • Terceiro artigo: que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria;
  • Quarto artigo: padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
  • Quinto artigo: desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;
  • Sexto artigo: subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
  • Sétimo artigode onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
  • Oitavo artigo Creio no Espírito Santo
  • Nono artigo Creio na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos

16 de abr. de 2012

O que é a Doutrina Cristã? (Compêndio da Doutrina Cristã)


Sois vós cristão?
- Sou pela graça de Deus.

Por que dizeis pela graça de Deus?
- Porque o ser cristão é um dom de Deus, e o primeiro de todos os dons, o qual nós não podemos merecer.

Que entendeis por ser cristão?
- É cristão aquele que sendo batizado, crê e confessa a Doutrina Cristã.

Que coisa é a Doutrina Cristã?
- Entendo a doutrina que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou para mostrar-nos o caminho da salvação.

É necessário aprender a Doutrina ensinada por Jesus Cristo?
- É certamente necessário e não podem salvar-se os que por negligência deixarem de aprendê-la.

Quantas são as partes principais e mais necessárias desta Doutrina?
- São quatro: o Credo, o Pai Nosso, os Dez Mandamentos e os Sete Sacramentos.

Que coisa nos ensina o Credo?
- O Credo nos ensina os principais artigos da nossa santa fé.

Que coisa nos ensina o Pai Nosso?
- O Pai Nosso nos ensina tudo o que havemos de desejar, esperar e pedir a Deus.

Que coisa nos ensinam os Dez Mandamentos?
- Os Dez Mandamentos nos ensinam tudo o que devemos fazer para agradar a Deus, que tudo consiste em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Que coisa nos ensinam os Sete Sacramentos?
- Ensinam quais são os meios e isntrumentos com que o Senhor comunica suas graças e infunde, ou aumenta em nós, as virtudes da fé, esperança e caridade.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

6 de jul. de 2011

A Eucaristia

A Instituição da Eucaristia, Joss Van Wassenhove, 1475
Dai graças assim, primeiro sobre o cálice: “Nós te damos graças, Pai nosso, pela santa videira de Davi, teu servo, que nos deste a conhecer por Jesus, teu servo; a ti a glória pelos séculos”.

Em seguida, sobre o pão partido: “Nós te damos graças, ó Pai nosso, pela vida e ciência que nos deste a conhecer por Jesus, teu servo; a ti a glória pelos séculos. Do mesmo modo como este pão estava espalhado pelos montes e, colhido, tornou-se uma só coisa, assim, desde os confins da terra, se reúne tua Igreja em teu reino; porque te pertencem a glória e o poder, por Jesus Cristo, nos séculos”.

Ninguém coma ou beba da vossa eucaristia que não tenha sido batizado em nome do Senhor. De fato, sobre isto disse ele: Não jogueis aos cães as coisas santas.

Refeitos, dai graças assim: “Nós te damos graças, Pai santo, por teu santo nome, cujo trono puseste em nossos corações, e pela ciência, pela fé e imortalidade, que nos manifestaste por Jesus, teu servo; a ti a glória pelos séculos”.

Senhor onipotente, tu criaste tudo por causa de teu nome, deste aos homens o alimento e a bebida, a fim de te agradecerem; a nós, porém, concedeste o alimento e a bebida espirituais e a vida eterna, por teu servo. Antes de tudo te damos graças por seres poderoso; a ti a glória pelos séculos.

Lembra-te, Senhor, de tua Igreja para defendê-la de todo mal e torná-la perfeita em tua caridade; reúne-a, santificada, dos quatro ventos em teu reino que lhe preparaste; porque teu é o poder e a glória pelos séculos.

Venha a graça e passe este mundo! Hosana ao Deus de Davi! Quem é santo, aproxime-se; se não o for, faça penitência; Maranatha, amém.

Congregados no dia do Senhor, parti o pão e dai graças, depois de terdes confessado vossos pecados, a fim de ser puro vosso sacrifício. Todo aquele, porém, que tiver uma desavença com seu companheiro, não se junte a vós antes de se terem reconciliado, para que não seja profanado vosso sacrifício. Pois foi o Senhor que disse: Em todo lugar e em todo tempo oferecer-me-eis um sacrifício puro, porque sou o grande rei, diz o Senhor, e é admirável o meu nome entre as nações.

-- Do antigo opúsculo "Doutrina dos doze apóstolos", século II

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