A sabedoria deste mundo está em esconder as maquinações do coração, velar o sentido das palavras, mostrar como o verdadeiro é falso, demonstrar ser errado aquilo que é verdadeiro.
Pelo contrário, a sabedoria dos justos consiste em nada fingir por ostentação; declarar o sentido das palavras; amar as coisas verdadeiras como são; evitar as falsas; fazer o bem gratuitamente; preferir tolerar de bom grado o mal a fazê-lo; não procurar vingança contra a injúria; reputar lucro a afronta em bem da verdade.
Zomba-se, porém, desta simplicidade dos justos porque para os prudentes deste mundo a virtude da pureza de coração é tida por loucura. Tudo quanto se faz com inocência, eles reputam tolice e aquilo que a verdade aprova nas ações, soa falso à sabedoria humana.
-- Dos livros Moralia sobre Jó, de São Gregório Magno, papa (século VI)
A fé cristã é, essencialmente, a religião do Logos, pensamento, razão, palavra.O cristianismo é expressão da verdade mais profunda do ser e da existência; é bom e belo porque é verdadeiro, alicerça-se numa realidade efetiva e não num conjunto de crenças irracionais e míticas. (Dom Henrique Costa)
28 de mai. de 2010
A Caridade é múltipla
Paulo soube enumerar a multiplicidade desta lei ao dizer: A caridade é paciente, é benigna, não é invejosa, não se ensoberbece, não age mal; não é ambiciosa, não busca o que não é seu, não se irrita, não pensa mal, não se alegra com a iniquidade, mas se rejubila com a verdade.
É paciente a caridade, pois tolera com serenidade as afrontas recebidas. É benigna porque retribui os males com bens generosos. Não é invejosa porque, nada cobiçando neste mundo, não tem por onde invejar os êxitos terrenos. Não se ensoberbece; deseja ansiosamente a retribuição interior, por isso não se exalta com os bens exteriores. Não age mal, pois somente se dilata com o amor a Deus e ao próximo, por isto ignora tudo quanto se afasta da retidão.
Não é ambiciosa porque, cuidando ardentemente de si no íntimo; não cobiça fora, de modo algum, as coisas alheias. Não busca o que não é seu, pois tudo quanto possui aqui considera-o transitório e alheio, sabendo que nada lhe é próprio a não ser aquilo que permanece sempre com ela. Não se irrita, pois quando insultada, não se deixa levar por sentimentos de vingança, já que por grandes trabalhos espera prêmios ainda maiores. Não pensa mal, porque, firmando o espírito no amor da pureza, arranca pela raiz todo ódio e não admite na alma mancha alguma.
Não se alegra na iniquidade: o seu único anseio consiste no amor para com todos sem se alegrar com a perda dos adversários. Rejubila com a verdade porque, amando os outros como a si próprio, enche-se de gozo ao ver neles o que é reto como se tratasse do progresso próprio.
-- Dos livros Moralia sobre Jó, de São Gregório Magno, papa (século VI)
É paciente a caridade, pois tolera com serenidade as afrontas recebidas. É benigna porque retribui os males com bens generosos. Não é invejosa porque, nada cobiçando neste mundo, não tem por onde invejar os êxitos terrenos. Não se ensoberbece; deseja ansiosamente a retribuição interior, por isso não se exalta com os bens exteriores. Não age mal, pois somente se dilata com o amor a Deus e ao próximo, por isto ignora tudo quanto se afasta da retidão.Não é ambiciosa porque, cuidando ardentemente de si no íntimo; não cobiça fora, de modo algum, as coisas alheias. Não busca o que não é seu, pois tudo quanto possui aqui considera-o transitório e alheio, sabendo que nada lhe é próprio a não ser aquilo que permanece sempre com ela. Não se irrita, pois quando insultada, não se deixa levar por sentimentos de vingança, já que por grandes trabalhos espera prêmios ainda maiores. Não pensa mal, porque, firmando o espírito no amor da pureza, arranca pela raiz todo ódio e não admite na alma mancha alguma.
Não se alegra na iniquidade: o seu único anseio consiste no amor para com todos sem se alegrar com a perda dos adversários. Rejubila com a verdade porque, amando os outros como a si próprio, enche-se de gozo ao ver neles o que é reto como se tratasse do progresso próprio.
-- Dos livros Moralia sobre Jó, de São Gregório Magno, papa (século VI)
25 de mai. de 2010
Homem simples e reto
Há quem seja simples demais, a ponto de não saber o que é correto. Daí a exortação de São Paulo aos discípulos: Quero que sejais sábios no bem, simples no mal. E ainda, Não vos façais crianças pelo entendimento, mas sede pequeninos na malícia.
Daí o Espírito Santo manifestar-se pela figura da pomba e, também, pela do fogo. Pela figura da pomba mostrou a simplicidade; pela figura do fogo, o zelo. Manifesta-se pela pomba e pelo fogo, porque aqueles que dele estão cheios, guardam com a mansidão da simplicidade e , assim, não impedem que se acenda o zelo da retidão contra as culpas dos delinquentes. Simples e reto, temendo a Deus e afastando-se do mal. Quem deseja chegar à patria eterna, mantém-se, sem dúvida alguma, simples e reto: simples na obras e reto na fé.
Existem ainda alguns que não são simples no bem que praticam, buscando não uma retribuição interior, mas o apluso exterior. Deles, bem falou certo sábio: Ai do pecador que entra no país por dois caminhos. Entra por dois caminhos o pecador quando a obra que pratica é de Deus; a sua intenção, porém, é mundana.
-- dos Livros "Moralia" sobre Jó, de São Gregório Magno, papa (século VI)
Daí o Espírito Santo manifestar-se pela figura da pomba e, também, pela do fogo. Pela figura da pomba mostrou a simplicidade; pela figura do fogo, o zelo. Manifesta-se pela pomba e pelo fogo, porque aqueles que dele estão cheios, guardam com a mansidão da simplicidade e , assim, não impedem que se acenda o zelo da retidão contra as culpas dos delinquentes. Simples e reto, temendo a Deus e afastando-se do mal. Quem deseja chegar à patria eterna, mantém-se, sem dúvida alguma, simples e reto: simples na obras e reto na fé.
Existem ainda alguns que não são simples no bem que praticam, buscando não uma retribuição interior, mas o apluso exterior. Deles, bem falou certo sábio: Ai do pecador que entra no país por dois caminhos. Entra por dois caminhos o pecador quando a obra que pratica é de Deus; a sua intenção, porém, é mundana.
-- dos Livros "Moralia" sobre Jó, de São Gregório Magno, papa (século VI)
21 de mai. de 2010
O Dom do Pai - o Espírito Santo
Escutemos o que diz a palavra do Senhor sobre a ação do Espírito em nós: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreendê-las agora (Jo 16,12). É bom para vós que eu parta: se eu me for, vos mandarei o defensor (Jo 16,7).
Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro defensor, para que permaneça para sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14, 16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16, 13-14).
Estas palavras foram ditas para nos dar a conhecer a vontade daquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom. Por conseguinte, já que nossa natureza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Espírito Santo estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus. O Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender. Assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento.
-- do Tratado Sobre a Trindade, de Santo Hi;ário, bispo (século IV)
Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro defensor, para que permaneça para sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14, 16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16, 13-14).
Estas palavras foram ditas para nos dar a conhecer a vontade daquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom. Por conseguinte, já que nossa natureza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Espírito Santo estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus. O Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender. Assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento.
-- do Tratado Sobre a Trindade, de Santo Hi;ário, bispo (século IV)
20 de mai. de 2010
Se eu não for, o Espírito não virá a vós
O tempo mais oportuno para o envio do Espírito Santo e sua descida sobre nós foi o que se seguiu à ascenção de Cristo nosso Salvador. Cristo tinha cumprido a sua missão sobre a terra, e para nós havia chegado o momento de entrarmos em comunhão com a natureza divina do Verbo. Era preciso que a nossa vida anterior fosse transformada em outro diferente , começando um novo estilo de vida em santidade. Ora, isto só pode ser realizado pela participação do Espírito Santo.
De fato, enquanto Cristo vivia visivelmente entre seus fiéis, ele mesmo dispensava-lhes todos os bens. Mas quando chegou o momento de subir ao Pai celeste, era necessário que continuasse presente no meio de seus fiéis por meio do Espírito e habitasse pela fé em nossos corações, a fim de que, pudéssemos clamar com toda confiança: Abá, ó Pai! (Rm 8,15). E ainda nos tornássemos capazes de progredir sem demora no caminho de perfeição, superando com fortaleza invencível as ciladas do demônio e as perseguições dos homems, graças à assistência do Espírito todo-poderoso.
-- adaptado do Comentário sobre o Evangelho de João, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)
De fato, enquanto Cristo vivia visivelmente entre seus fiéis, ele mesmo dispensava-lhes todos os bens. Mas quando chegou o momento de subir ao Pai celeste, era necessário que continuasse presente no meio de seus fiéis por meio do Espírito e habitasse pela fé em nossos corações, a fim de que, pudéssemos clamar com toda confiança: Abá, ó Pai! (Rm 8,15). E ainda nos tornássemos capazes de progredir sem demora no caminho de perfeição, superando com fortaleza invencível as ciladas do demônio e as perseguições dos homems, graças à assistência do Espírito todo-poderoso.
-- adaptado do Comentário sobre o Evangelho de João, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)
19 de mai. de 2010
A missão do Espírito Santo na Igreja
Terminada na terra a obra que o Pai confiou ao Filho, o Espírito Santo foi enviado no dia de Pentecostes a fim de santificar continuamente a Igreja. Ele é o Espírito da vida, a fonte de água que jorra para a vida eterna. Por meio dos sacramentos e ministérios, o Espírito Santo não apenas santifica e conduz o povo de Deus e o adorna com virtudes, mas ainda distribui a cada um seus dons conforme quer (1Cor 12,11), e concede também graças especiais aos fiéis de todas as condições. Torna-os assim aptos e disponíveis para assumir obras ou funções, em vista de uma séria renovação e mais ampla edificação da Igreja, conforme foi dito: A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum (1Cor 12,5).
Estes carismas devem ser recebidos com ação de graças e consolação. Pois todos, desde os mais extraordinários aos mais simples e comuns, são perfeitamente apropriados e úteis às necessidades da Igreja.
18 de mai. de 2010
A ação do Espírito Santo
O Espírito Santo é fonte de santidade e luz de inteligência; é ele que dá uma certa iluminação à nossa razão natural para que encontre a verdade. Por ele, os corações são elevados ao alto, os fracos são conduzidos pela mão, os que progridem na virtude chegam à perfeição. Ele ilumina os que foram purificados de toda a mancha e torna-os espirituais pela comunhão consigo.
E como os corpos límpidos e transparentes, sob a ação da luz, se tornam também extraordinariamente brilhantes e irradiam um novo fulgor, da mesma forma também as almas que recebem o Espírito e são por ele iluminadas tornam-se espirituais e irradiam sobre os outros a graça que lhes foi dada.
Dele procede a previsão do futuro, a inteligência dos mistérios, a compreensão das coisas ocultas, a distribuição dos carismas, a participação na vida do céu, a companhia dos coros dos anjos. Dele nos vem a alegria sem fim, a união constante e a semelhança com Deus; dele procede o bem mais sublime que se pode desejar: o homem é divinizado.
-- Do Tratado Sobre o Espírito Santo, de São Basílio Magno, bispo (século IV)
E como os corpos límpidos e transparentes, sob a ação da luz, se tornam também extraordinariamente brilhantes e irradiam um novo fulgor, da mesma forma também as almas que recebem o Espírito e são por ele iluminadas tornam-se espirituais e irradiam sobre os outros a graça que lhes foi dada.
Dele procede a previsão do futuro, a inteligência dos mistérios, a compreensão das coisas ocultas, a distribuição dos carismas, a participação na vida do céu, a companhia dos coros dos anjos. Dele nos vem a alegria sem fim, a união constante e a semelhança com Deus; dele procede o bem mais sublime que se pode desejar: o homem é divinizado.
-- Do Tratado Sobre o Espírito Santo, de São Basílio Magno, bispo (século IV)
A água viva do Espírito Santo
A água que lhe der se tornará nele fonte de água viva, que jorra para a vida eterna (Jo 4,14). Água diferente, esta que vive e jorra; mas jorra apenas sobre os que são dignos dela. Por que motivo o Senhor dá o nome de "água" à graça do Espírito Santo? Certamente porque tudo tem necessidade de água; ela sustenta as ervas e os animais. A água das chuvas cai dos céus; e embora caia sempre do mesmo modo e na mesma forma, produz efeitos muitos variados.
Com o Espírito Santo acontece o mesmo. Sendo único, com uma única maneira de ser e indivisível, distribui a graça a cada um conforme lhe apraz. E assim como a árvore ressequida produz novos frutos ao receber água, assim também a alma pecadora produz frutos de justiça ao receber do Espírito Santo o dom do arrependimento. O Espírito tem um só e o mesmo modo de ser; mas, por vontade de Deus e pelos méritos de Cristo, produz efeitos diversos.
Serve-se da língua de uns para comunicar o dom da sabedoria; ilumina a inteligência de outros com o dom da profecia. A este dá o poder de interpretar as Sagradas Escrituras. a uns fortalece na temperança, a outros ensina a misericórdia; a estes inspira a prática do jejum e como suportar as austeridades da vida ascética; e àqueles o domínio das tendências carnais; a outros prepara para o martírio. Enfim, manifesta-se de modo diferente em cada um, mas permanece sempre igual a si mesmo, como está escrito: A cada um é dada a manisfestação do Espírito em vista do bem comum (1Cor 12,5).
-- Das catequeses de São Cirilo de Jerusálem, bispo (século IV)
Com o Espírito Santo acontece o mesmo. Sendo único, com uma única maneira de ser e indivisível, distribui a graça a cada um conforme lhe apraz. E assim como a árvore ressequida produz novos frutos ao receber água, assim também a alma pecadora produz frutos de justiça ao receber do Espírito Santo o dom do arrependimento. O Espírito tem um só e o mesmo modo de ser; mas, por vontade de Deus e pelos méritos de Cristo, produz efeitos diversos.
Serve-se da língua de uns para comunicar o dom da sabedoria; ilumina a inteligência de outros com o dom da profecia. A este dá o poder de interpretar as Sagradas Escrituras. a uns fortalece na temperança, a outros ensina a misericórdia; a estes inspira a prática do jejum e como suportar as austeridades da vida ascética; e àqueles o domínio das tendências carnais; a outros prepara para o martírio. Enfim, manifesta-se de modo diferente em cada um, mas permanece sempre igual a si mesmo, como está escrito: A cada um é dada a manisfestação do Espírito em vista do bem comum (1Cor 12,5).
-- Das catequeses de São Cirilo de Jerusálem, bispo (século IV)
15 de mai. de 2010
A Ascensão do Senhor aumenta a nossa fé
Os santos apóstolos, apesar dos milagres contemplados e dos ensinamentos recebidos, ainda se atemorizavam perante as atrocidades da paixão do Senhor e hesitavam ante a notícia da sua ressuirreição. Porém, com a Ascensão do Senhor progrediram tanto que tudo quanto antes era motivo de temor, se converteu em motivo de alegria. Toda a contemplação de seu espírito se concentrava na divindade daquele que estava sentado à direita do Pai; agora sem a presença visível do seu corpo, podiam compreender claramente, com os olhos do espírito, que aquele que ao descer à terra não tinha deixado o Pai, também não abandonou os discípulos ao subir para o céu.
A partir de então, caríssimos filhos, o Filho do homem deu-se a conhecer de modo mais sagrado e profundo como Filho de Deus. Ao ser acolhido na glória da majestade do Pai começou, de um modo novo e inefável, a estar mais presente no meio de nós pela divindade quando sua humanidade visível se ocultou de nós.
-- Dos Sermões de São Leão Magno, papa (século V)
A partir de então, caríssimos filhos, o Filho do homem deu-se a conhecer de modo mais sagrado e profundo como Filho de Deus. Ao ser acolhido na glória da majestade do Pai começou, de um modo novo e inefável, a estar mais presente no meio de nós pela divindade quando sua humanidade visível se ocultou de nós.
-- Dos Sermões de São Leão Magno, papa (século V)
As duas vidas
A Igreja conhece duas vidas, que lhe foram anunciadas por Deus; uma é vivida na fé; outra na visão. Uma no tempo da caminhada; outra, na mansão eterna. Uma, no trabalho; outra, no descanso. Uma, no exílio; outra, na pátria. Uma, no esforço da caridade; outra no prêmio da contemplação.
A primeira é representada pelo apóstolo Pedro; a segunda, pelo apóstolo João. Pedro, o primeiro apóstolo, recebeu as chaves do reino dos céus, com o poder de ligar e desligar os pecados, para que fosse timoneiro de todos os santos, unidos inseparavelmente ao corpo de Cristo, em meio às tempestades desta vida. E João, o evangelista, reclinou a cabeça sobre o peito de Cristo, para exemplo dos mesmos santos, a fim de lhes indicar o porto seguro daquela vida divinamente tranquila e feliz.
Todavia, não é somente Pedro, mas a Igreja universal, que liga e desliga os pecados. E não é só João que bebe da fonte do coração do Senhor, para ensinar com sua pregação que, no princípio, a Palavra era Deus junto de Deus, e outros ensinamentos profundos a respeito da divindade de Cristo, da Trindade e da Unidade de Deus. No reino dos céus, estas verdades serão por nós contempladas face a face, mas na terra nos limitamos a vê-las como num espelho e obscuramente, até que o Senhor venha. Não foi somente ele que descobriu estes tesouros do coração de Cristo, mas a todos foi aberta pelo mesmo Senhor a fonte do evangelho, a fim de que por toda a face da terra todos bebessem dele, cada um segundo sua capacidade.
-- Dos Tratados sobre o Evangelho de João, de Santo Agostinho, bispo (século V)
A primeira é representada pelo apóstolo Pedro; a segunda, pelo apóstolo João. Pedro, o primeiro apóstolo, recebeu as chaves do reino dos céus, com o poder de ligar e desligar os pecados, para que fosse timoneiro de todos os santos, unidos inseparavelmente ao corpo de Cristo, em meio às tempestades desta vida. E João, o evangelista, reclinou a cabeça sobre o peito de Cristo, para exemplo dos mesmos santos, a fim de lhes indicar o porto seguro daquela vida divinamente tranquila e feliz.
Todavia, não é somente Pedro, mas a Igreja universal, que liga e desliga os pecados. E não é só João que bebe da fonte do coração do Senhor, para ensinar com sua pregação que, no princípio, a Palavra era Deus junto de Deus, e outros ensinamentos profundos a respeito da divindade de Cristo, da Trindade e da Unidade de Deus. No reino dos céus, estas verdades serão por nós contempladas face a face, mas na terra nos limitamos a vê-las como num espelho e obscuramente, até que o Senhor venha. Não foi somente ele que descobriu estes tesouros do coração de Cristo, mas a todos foi aberta pelo mesmo Senhor a fonte do evangelho, a fim de que por toda a face da terra todos bebessem dele, cada um segundo sua capacidade.
-- Dos Tratados sobre o Evangelho de João, de Santo Agostinho, bispo (século V)
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