7 de mai. de 2012

Meio-Pentecostes

Meio-Pentecostes (ou Meso-Pentecostes) é um dia de festa celebrado nas Igrejas Ortodoxas e Católicas que seguem o rito Bizantino. A festa ocorre na exata metade entre a Páscoa e Pentecostes, na quarta-feira da quarta semana do tempo pascal. Este ano ocorre em 9/Maio, isto porque a Páscoa é celebrada pela Igreja Ortodoxa uma semana após da Católica.

Ao longo de oito dias, a começar do dia de Meio-Pentecostes, hinos específicos são cantados. Em alguns lugares, celebra-se uma vigília noturna completa (toda noite). O tema da festa é Cristo, o Mestre, baseado nas palavras do Evangelho de João: Lá pelo meio da festa, Jesus subiu ao templo e pôs-se a ensinar. Os judeus se admiravam e diziam: Este homem não fez estudos. Donde lhe vem, pois, este conhecimento das Escrituras? Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou (Jo 7, 14-16). 

Embora o Evangelho refira-se a Festa de Sukkot, o ícone ortodoxo de Meio-Pentecostes mostra o menino Jesus ensinado aos anciãos (Lc 2,46-47), o primeiro momento de Jesus como mestre. Em geral, a figura de Cristo é maior que os anciãos, mostrando assim a sua superiodade. A oração refere-se também ao Evangelho segundo São João (Jo 7,37):

Ó Senhor satisfaça minha alma ressequida com as águas da santidade, como nos ensinaste: 
Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Ó Cristo Deus, fonte da nossa vida, 
glórias sejam dadas a Ti.

Uma das orações das Vésperas fala sobre o dom do Espírito Santo recebido no Batismo limpando as culpas daqueles que mataram Jesus, lembrando-nos que todos nós necessitamos deste Batismo pois somos também capazes de matar Jesus Cristo. 




6 de mai. de 2012

O segundo artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Cristão)


Que coisa nos ensina o segundo artigo: Creio em Jesus Cristo, seu único filho, Nosso Senhor?
- Que o Filho de Deus é a segunda pessoa da Santíssima Trindade; que Ele é Deus eterno, Onipotente, Nosso Criador e Senhor, como o Pai; que Ele se fez homem para salvar-nos; que o Filho de Deus feito homem se chama Jesus Cristo.

Porque se chamada Filho a segunda pessoa?
- Porque desde a eternidade é gerado pelo Pai por via de entendimento e conhecimento.

Porque se chama seu filho único?
- Porque só ele é filho de Deus Pai por natureza.

Porque se chama Jesus o filho de Deus feito homem?
- Chama-se Jesus, que quer dizer Salvador, que nos salvou da morte eterna merecida pelos nossos pecados.

Porque se chama também Cristo?
- Chama-se também Cristo, que significa Ungido, ou consagrado, porque antigamente se ungia os reis, sacerdotes e profetas. Jesus é o Rei dos Reis, Sumo Sacerdote e Sumo Profeta.

E na verdade foi ele também ungido, consagrado, como os outros, com uma unção corporal?
- Não, mas a unção de Jesus Cristo é a divindade que nele habita.

Porque se diz que Jesus Cristo é Nosso Senhor?
- Porque, como Deus, é Nosso Senhor absoluto, tanto como Pai; e enquanto homem, é também nosso supremo Senhor, porque nos resgatou com o seu Sangue da escravidão do demônio.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

5 de mai. de 2012

Cristo é o dia


A ressurreição de Cristo abre a mansão dos mortos, os neófitos da Igreja renovam a terra e o Espírito Santo abre as portas do céu. A mansão dos mortos aberta devolve seus habitantes, a terra renovada germina os ressuscitados, o céu reaberto recebe os que para ele sobem.

O ladrão sobe ao paraíso, os corpos dos santos entram na cidade santa, os mortos retornam à região dos vivos. E de certo modo, pela ressurreição de Cristo, todos os elementos são elevados a uma dignidade mais alta.

A habitação dos mortos restitui ao paraíso os que nela estavam detidos,a terra envia ao céu os que foram nela sepultados, o céu apresenta ao Senhor os que recebe em suas moradas. E por um único e mesmo ato, a paixão do Salvador retira o ser humano das profundezas, eleva-o da terra e o coloca no alto dos céus.

A ressurreição de Cristo é vida para os mortos, perdão para os pecadores, glória para os santos. Por isso, o santo profeta convida todas as criaturas para a festa da ressurreição de Cristo, exultando e se alegrando neste dia que o Senhor fez.

A luz de Cristo é um dia sem noite, um dia sem fim. O Apóstolo nos ensina que este dia é o próprio Cristo, quando afirma: A noite já vai adiantada, o dia vem chegando (Rm 13,12). Ele diz que a noite já vai adiantada e não que ela ainda virá, a fim de compreendermos que a chegada da luz de Cristo afasta as trevas do demônio e dissipa a escuridão do pecado; com seu esplendor eterno ela vence as sombras tenebrosas do passado e impede toda a infiltração dos estímulos pecaminosos.

Este dia é o próprio Cristo. Sobre ele, o Pai, que é o dia sem princípio, faz resplandecer o sol da sua divindade. Ele mesmo é o dia que assim fala pela boca de Salomão: Fiz brilhar no céu uma luz que não se apaga (Eclo 24,6 Vulg.).

Assim como a noite não pode absolutamente suceder ao dia celeste, também as trevas dos pecados não podem suceder à justiça de Cristo. O dia celeste brilha eternamente, e nenhuma obscuridade pode ofuscar o fulgor da sua luz. Do mesmo modo, a luz de Cristo resplandece e irradia a sua claridade, e sombra alguma de pecado poderá ofuscá-la, como diz o evangelista João: E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la (Jo 1,5).

Portanto, irmãos, todos nós devemos alegrar-nos neste santo dia. Ninguém se exclua desta alegria universal, apesar da consciência de seus pecados; ninguém se afaste das orações comuns, embora sinta o peso de suas culpas. Por mais pecador que seja, ninguém deve neste dia desesperar do perdão. Temos a nosso favor um valioso testemunho: se o ladrão arrependido alcançou o paraíso, por que não alcançaria o cristão a graça de ser perdoado?

-- Dos Sermões de São Máximo de Turim, bispo (século V)

3 de mai. de 2012

Muitas veredas, um só caminho


Este é o caminho, caríssimos, onde encontramos nossa salvação: Jesus Cristo, o pontífice de nossas oferendas, nosso defensor e arrimo nas fraquezas.

Por ele nossos olhos se voltam para as alturas dos céus; por ele contemplamos, como num espelho, o rosto puríssimo e sublime de Deus; por ele abrem-se os olhos de nosso coração; por ele a nossa inteligência, insensata e obscurecida, desabrocha para a luz; por ele quis o Senhor fazer-nos saborear a ciência imortal, pois sendo ele o esplendor da glória de Deus, foi colocado tão acima dos anjos quanto o nome que herdou supera o nome deles (cf. Hb 1,3.4).

Combatamos, portanto, irmãos, com todas as forças, sob as suas ordens irrepreensíveis.

Consideremos os soldados, que combatem sob as ordens dos nossos comandantes. Quanta disciplina, quanta obediência, quanta submissão em executar o que se ordena! Nem todos são chefes supremos, ou comandantes de mil, cem ou cinqüenta soldados, e assim por diante; mas cada um, em sua ordem e posto, cumpre as ordens do imperador e dos comandantes. Os grandes não podem passar sem os pequenos, nem os pequenos sem os grandes. A eficiência depende da colaboração recíproca.

Sirva de exemplo o nosso corpo. A cabeça nada vale sem os pés, nem os pés sem a cabeça. Os membros do corpo, por menores que sejam, são necessários e úteis ao corpo inteiro; mais ainda, todos se harmonizam e se subordinam para salvar todo o corpo.

Asseguremos, portanto, a salvação de todo o corpo que formamos em Cristo Jesus, e cada um se submeta ao seu próximo conforme o dom da graça que lhe foi concedido.

O forte proteja o fraco e o fraco respeite o forte; o rico seja generoso para com o pobre e o pobre agradeça a Deus por ter dado alguém que o ajude na pobreza. O sábio manifeste sua sabedoria não por palavras, mas por boas obras; o humilde não dê testemunho de si mesmo, mas deixe que outro o faça. Quem é casto de corpo não se vanglorie, sabendo que é Deus quem lhe dá o dom da continência.

Consideremos, então, irmãos, de que matéria somos feitos, quem éramos e em que condições entramos no mundo, de que túmulo e trevas nos fez sair aquele que nos plasmou e criou, para nos introduzir no mundo que lhe pertence, onde nos tinha preparado tantos benefícios antes mesmo de termos nascido.

Sabendo, pois, que recebemos todas estas coisas de Deus, por tudo lhe demos graças. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

-- Da Carta aos Coríntios, de São Clemente I, papa (século I)

30 de abr. de 2012

O primeiro artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Cristão)


Que ensina o primeiro artigo do Creio?
- Que há um só Deus em três pessoas realmente distintas, das quais a primeira é o Pai, o qual é onipresente e do nada criou o Céu, a Terra e todas as coisas que há no Céu e na Terra.

Porque se diz que Deus é Pai?
- Porque é pai de todos os homens que ele criou, conserva e governa. Porque por especial graça é pai dos cristãos, os quais são chamados filhos adotivos de Deus. Porque aqui se trata principalmetne da primeira pessoa da Santíssima Trindade, que é chamada Pai, porque é por natureza pai da segunda, isto é, o Filho.

Porque é o Pai a priemira pessoa da Santíssima Trindade?
- Porque Ele não procede de outra pessoa, mas é o princípio das outras duas pessoas, isto é, do Filho e do Espírito Santo.

O que quer dizer aquela palavra "onipotente" ou "todo-poderoso"?
- Que Deus pode fazer tudo aquilo que desejar.

Deus não pode pecar nem morrer; como se diz que Ele pode tudo?
- Diz-se que Deus tudo pode, posto que não pode pecar nem morrer, porque o pecar ou morrer não é efeito de grande poder ou valor, mas de fraqueza, a qual não pdoe achar-se em Deus que é perfeitíssimo.

Explicai com maior clareza o que quer dizer "Criador do Céu e da Terra".
- Criar quer dizer "tirar do nada" alguma coisa; portanto Deus se diz criador do céu e da terra porque os tirou do nada, assim como todas as cosias que no céu e na Terra se contêm.

O mundo foi criado somente pelo Pai?
- Foi criado igualmente por todas as três pessoas divinas, porque tudo quanto obra uma pessoa, o fazem também as outras duas pessoas.

Porque pois se atribui particularmente ao Pai a Criação?
- Porque sendo o Pai o princípio das outras duas pessoas, com propriedade se diz também princípio de todas as coisas criadas.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

29 de abr. de 2012

O Espírito vivifica


O Senhor que nos concede a vida, estabeleceu conosco a aliança do batismo, como símbolo da morte e da vida. A água é imagem da morte e o Espírito nos dá o penhor da vida. Assim, torna-se evidente o que antes perguntávamos: por que a água está unida ao Espírito? É dupla, com efeito, a finalidade do batismo: destruir o corpo do pecado para que nunca mais produza frutos de morte, e vivificá-lo pelo Espírito, para que dê frutos de santidade. A água é a imagem da morte porque recebe o corpo como num sepulcro; e o Espírito, por sua vez, comunica a força vivificante que renova nossas almas, libertando-as da morte do pecado e restituindo-lhes a vida. Nisto consiste o novo nascimento da água e do Espírito:na água realiza-se a nossa morte, enquanto o Espírito nos traz a vida.
Pia Batismal, no Batistério em frente a Catedral de Florença

O grande mistério do batismo realiza-se em três imersões e três invocações, para que não somente fique bem expressa a imagem da morte, mas também a alma dos batizados seja iluminada pelo dom da ciência divina. Por isso, se a água tem o dom da graça, não é por sua própria natureza mas pela presença do Espírito. O batismo, de fato, não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso de uma consciência pura perante Deus. Eis por que o Senhor, a fim de nos preparar para a vida que brota da ressurreição, propõe-nos todo o programa de uma vida evangélica, prescrevendo que não nos entreguemos à cólera, sejamos pacientes nas contrariedades e livres da aflição dos prazeres e do amor ao dinheiro. Isto nos manda o Senhor, para nos induzir a praticar, desde agora, aquelas virtudes que na vida futura se possuem como condição natural da nova existência.

O Espírito Santo restitui o paraíso, concede-nos entrar no reino dos céus e voltar à adoção de filhos. Dá-nos a confiança de chamar a Deus nosso Pai, de participar da graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna, numa palavra, de receber a plenitude de todas as bênçãos tanto na vida presente quanto na futura. Dá-nos ainda contemplar, como num espelho, a graça daqueles bens que nos foram prometidos e que pela fé esperamos usufruir como se já estivessem presentes. Ora, se é assim o penhor, qual não será a plena realidade? E, se tão grandes são as primícias, como não será a consumação de tudo?

-- Do Livro Sobre o Espírito Santo, de São Basílio, bispo (século IV)

25 de abr. de 2012

A pregação da verdade


Santo Irineu, bispo
A Igreja, espalhada pelo mundo inteiro até os confins da terra, recebeu dos apóstolos e de seus discípulos a fé em um só Deus, Pai todo-poderoso, que criou o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe (cf. At 4,24); em um só Jesus Cristo Filho de Deus, que se fez homem para nossa salvação; e no Espírito Santo, que, pela boca dos profetas, anunciou antecipadamente os desígnios de Deus: a vinda de Jesus Cristo, nosso amado Senhor, o seu nascimento de uma Virgem, a sua paixão e ressurreição de entre os mortos, a ascensão corporal aos céus, a sua futura vinda do céu na glória do Pai. Então ele virá para recapitular o universo inteiro (cf. Ef 1,10) e ressuscitar todos os homens, a fim de que, segundo a vontade do Pai invisível, diante de Cristo Jesus nosso Senhor, Deus, Salvador e Rei, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua o proclame (cf. Fl 2,10-11), e ele julgue todos os  homens com justiça.

A Igreja recebeu, como dissemos, e guarda com todo cuidado esta pregação e esta fé; apesar de espalhada pelo mundo inteiro, guarda-a como se morasse em uma só casa. Acredita nela como quem possui uma só alma e um só coração; e a proclama, ensina e transmite, como se tivesse uma só boca. Porque, embora através do  mundo haja línguas muito diferentes, a força da Tradição é uma só e a mesma para todos.

25 de Abril, dia de São Marcos
As Igrejas fundadas na Germânia, as que se encontram na Ibéria e nas terras celtas, as do Oriente, do Egito e Líbia, ou as do centro do mundo, não crêem nem ensinam de modo diferente. Assim como o sol, criatura de Deus, é um só e o mesmo para todo o universo, igualmente a pregação da verdade brilha em toda parte e ilumina todos os homens que querem chegar ao conhecimento da verdade.

E dos que presidem às Igrejas, nem mesmo o mais eloqüente, dirá coisas diferentes das que afirmamos, pois ninguém está acima do divino Mestre; nem o orador menos hábil enfraquecerá a Tradição. Sendo uma só e mesma a fé, nem aquele que muito diz sobre ela a aumenta, nem aquele que diz menos a diminui.

-- Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo

24 de abr. de 2012

Nós sofremos com a agitação das ondas, mas é o Senhor que nos transporta

Em tudo aquilo que faz, o Senhor nos ensina como viver aqui na terra. Não há ninguém neste mundo que não seja viajante, ainda que nem todos desejem voltar à pátria. Sofremos com as ondas e as tempestades que decorrem da viagem. Mas, pelo menos, permaneçamos na barca. Pois, se há perigo até dentro da barca, fora da barca a morte é inevitável!  Aquele que nada em alto mar pode ter braços muito possantes; contudo, cedo ou tarde, vencido pela imensidão das águas, é por elas tragado, e desaparece. Assim, é necessário permanecer na barca, isto é, ser transportado pelo lenho, para poder atravessar o mar. 


Esse lenho que transporta a nossa fraqueza é a cruz do Senhor, da qual trazemos o sinal, e que nos impede de ser tragado pelo mundo. Nós sofremos com a agitação das ondas, mas é o Senhor que nos transporta.A barca que transporta os discípulos, isto é, a Igreja atravessa as águas, e as tempestades das provações assaltam-na. O vento contrário, ou seja, o demônio que faz oposição à Igreja, não se acalma. Ele se esforça por impedi-la de chegar ao repouso. Mas grande é aquele que intercede por nós. 


Com efeito, na tumultuosa navegação em que pelejamos, ele transmite confiança, vem ao nosso encontro e nos reconforta, de medo que, abalados pela barca, nós nos deixemos abater e nos atiremos ao mar. Pois, mesmo se a barca é sacudida, é ainda assim, uma barca: só ela transporta os discípulos e recebe Cristo. Ela está em grande perigo sobre o mar, mas fora dela, logo pereceremos. Mantém-te firme na barca, e ora ao Senhor. Todos os conselhos podem faltar; o leme torna-se insuficiente; as velas estendidas, mais perigosas que úteis. Quando todos os socorros e as forças humanas falharem, só resta aos marinheiros o propósito de orar e erguer os corações para Deus. Por acaso, aquele que conduz os navegantes até o porto, irá abandonar a Igreja e não a conduzirá ao repouso?

-- Sermão 75, Santo Agostinho, bispo (século V)

23 de abr. de 2012

A Oração do Creio (Compêndio da Doutrina Cristã)


Qual a primeira parte da Doutrina Cristã?
- O Símbolo dos Apóstolos, vulgarmente chamado o Credo ou Creio.

Porque vós chamais o Credo de "Símbolo dos Apóstolos"?
- Chama-se Símbolo porque é uma divisa, com a qual se podem distinguir os cristãos dos fiéis. E chama-se Dos Apóstolos porque o compuseram os Santos Apóstolos, para dar a todos os cristãos uma e mesma regra do que devem crer, a qual contivesse os principais artigos da Fé.

Quantos são os artigos que estão no Credo?
- São doze.

Por favor, dizei os distintamente.
1: Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, criador do céu e da terra,
2: e em Jesus Cristo, seu único filho, Nosso Senhor,
3: concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria,
4: padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado,
5: desceu à mansão dos mortos, ressuscitou no terceiro dia,
6: subiu aos céus e está sentado a direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
7: de onde irá julgar os vivos e os mortos.
8: Creio no Espírito Santo,
9: na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos
10: na remissão dos pecados,
11: na ressurreição do corpo
12: e na vida eterna. Amém.

O que quer dizer aquela palavra que proferis no princípio do Símbolo, "Creio"?
- Quer dizer eu tenho por sumamente verdadeiro tudo o que nestes doze artigos se contem; e tudo isso Creio mais firmemente do que se o visse com os próprios olhos.

Porque credes tão firmemente nestes artigos e em todas os outras verdades que crê e ensina a Igreja Católica?
- Porque são todas verdades reveladas por Deus, o qual não pode enganar nem enganar-se.

Que coisa contem em suma estes artigos?
- Tudo o que principalmente se deve crer de Deus, de Jesus Cristo e da sua Igreja.

É de muito proveito rezar frequentemente o Creio?
- É coisa utilíssima para imprimir-se cada vez mais no coração os artigos da fé.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

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