Mostrando postagens com marcador peregrinação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador peregrinação. Mostrar todas as postagens

14 de abr. de 2018

Os salmos de subida - Que alegria é estar com o Senhor

Os Salmos de Subida formam um conjunto de 15 salmos (120-134). Sem dúvida eram salmos cantados pelos judeus peregrinos que iam à Jerusalém em uma das três grandes festas anuais. São chamados "de subida" exatamente por que Jerusalém está nas montanhas, enquanto a maioria da população preferia morar nos vales mais férteis, ou seja, ir a Jerusalém, ainda hoje, é subir a montanha para encontrar o Senhor no alto. 
Image result for jerusalem in christ's time
Jerusalém no tempo de Cristo, no alto das montanhas e cercada por muralhas.
Para proteção suas portas eram estreitas e sempre guardadas. 
No Livro do Deuteronômio (16, 16), assim está ordenado: "Três vezes ao ano, todo homem deverá comparecer diante de Yahweh teu Deus, no lugar que Ele houver escolhido: na festa dos Ázimos, na festa das Semanas e na festa das Tendas". Se hoje, de carro e por auto-estradas, esta subida pode levar uma hora ou mais, nos tempos bíblicos eram necessários dias. É em uma destas visitas a Jerusalém que o menino Jesus perdeu-se dos pais, e é ao final de uma destas subidas que Jesus é festivamente saudado pelo povo no Domingo de Ramos.

Se cada salmo já é uma benção de Deus, vê-los em conjunto nos ajuda a entender melhor a experiência de um judeu peregrino que ia a Jerusalém, deixando seu trabalho e bens por alguns dias, arriscando um pouco da sua vida, saindo do seu conforto diário.

Salmo 120: é o primeiro dos salmos de subida, o personagem deste salmo ainda está na planície, cercado por inimigos, por um povo que quer guerra, mas, no coração, este judeu já é um peregrino, pronto para partir. Esta acampado em Cedar, atual Síria, muito longe de Jerusalém, mas grita a Deus e pede seu auxílio.

Salmo 121: Ao pé da montanha, pronto para iniciar a subida, o peregrino diz: "Ergo os olhos para os montes, de onde virá meu socorro? Não deixará meu pé tropeçar, o teu guarda jamais dormirá". A subida pelas montanhas era dificil, era necessário dormir ao ar livre, onde animais poderiam atacar, por isto era importante que os guardas não dormissem. Também havia o risco de ladrões em busca do dinheiro que seria usado para pagar o dízimo no templo. O Sol durante o dia e o frio à noite são desafios, é necessário confiar em Deus durante a subida e em todos momentos da vida.

Salmo 122: Mas se o caminho é difícil, a esperança de chegar a Jerusalém, de chegar à presença de Deus, enche o coração de alegria. O peregrino canta: "Que alegria quando me disseram: vamos a casa do Senhor!". Para lá se dirijem todas tribos de Israel, que Deus guarde Jerusalém de seus inimigos, pelos séculos dos séculos.

Salmo 123: Já chegando a Jerusalém, o peregrino se pergunta: será que sou digno de entrar em teus palácios, ó Senhor? Reconhece seus erros, seus pecados, e suplica "Piedade, Senhor! Tenha Piedade!".

Salmo 124: E vendo que o caminho estava completo, que passara por perigos, mas Deus o protegera, o peregrino pode dizer: "Não estivesse Iahweh ao nosso lado quando os homens nos assaltaram,ter-nos-iam tragados vivos". "Bendito seja Iahweh, não nos entregou como presas aos seus dentes, mas fugimos vivos". "Nosso socorro é o Senhor, que fez o céu e a terra!". 

Salmo 125: Quase o mesmo tema do salmo anterior, Deus protege seus filhos, eles podem confiar que chegarão ao monte Sião, onde está Jerusalém, que também indica os céus. Na certeza da ressurreição, podemos confiar que estaremos ao lado de Deus. Os justos, de bom coração, não temem a Deus, mas o que preferem outros caminhos serão expulsos da Jerusalém celeste.

Salmo 126: Já em frente à Jerusalém, uma cidade esplendorosa, muito acima da sua experiência diária no pequeno vilarejo em que morava, o peregrino pode olhar a sua vida, ver como Deus agiu lhe salvando muitas vezes, e dizer que Deus fez grandes coisas por ele. Esta experiência de Deus vai mudar sua vida, por que chegou a Jerusalém chorando seus pecados, sem saber se merecia estar ali, mas sairá renovado, alegre e cantando. São os frutos que colherá, "por que ao ir, se vai chorando, levando as sementes, mas ao voltar, se volta cantando, trazendo os feixos".  

Salmo 127: Embora a cidade seja grandiosa, é necessário dizer que se o Senhor não constrói a casa, o trabalho dos homens é inútil, se o Senhor não guarda a cidade, os guardas vigiam a cidade em vão. A própria história de Israel é um exemplo, pois quando o povo substituiu o Senhor por outros deuses, mesmo a invencível Jerusalém foi derrotada, o povo tornou-se escravo na Babilônia e o templo vandalizado. Coloca tuas forças em Deus e nunca precisarás temer o inimigo.
Interior do templo em Jerusalém, imenso e riquíssimo. Imagine a experiência
de um camponês simples, vivendo em uma terra desértica, ao entrar neste prédio
Salmo 128: Esta é  benção para o fiel: terá uma boa esposa, bons filhos, uma casa e saúde para trabalhar. Poderá peregrinar a Jerusalém, encontrar-se com o Senhor todos anos.

Salmo 129: Ainda que o fiel seja ameaçado, atacado pelos inimigos, poderá contar com o Senhor e dizer: "Os inimigos lavram minhas costas, mas o Senhor é justo, cortou os chicotes dos ímpios".  Estes inimigos ainda irão se envergonhar dos seus pecados, reconhecer sua fraqueza, reconhecer a Deus e dizer aos que fiéis que no passado atacaram: "Que o Senhor vos abençoe".

Salmo 130: Ao chegar em Jerusalém, o peregrino está aflito, do profundo do seu peito sai um grito e pede que os ouvidos do Senhor lhe ouçam. Não é digno,de fato  ninguém é digno de estar ali, mas com esperança de ser ouvido, pede que Deus perdoe seus pecados, e não apenas os dele, mas os de todo Israel, pois a graça de Deus é abundante.

Salmo 131: O peregrino é como uma criança que coloca seus pedidos no colo do Pai, pois sabe que sua esperança não será em vão, pois o Pai lhe ama muitíssimo.

Salmo 132: As promessas feitas por Deus de que construiria um templo, um lugar permanente para a Arca da Aliança, foram cumpridas. Disto o peregrino é testemunha, pois está ali no Templo, vendo os sacerdotes, as procissões, os cantos e todo povo reunido ao redor de Deus. Iahweh prometeu a Davi e cumpriu. Que Deus continue abençoando o povo, seus filhos e colheitas, pois esta é a segurança de Israel.

Salmo 133: Estar ali no Templo é bom, é agradável estar juntos com os irmãos na fé. É como o orvalho, a umidade que cai sobre o deserto, é uma benção para a vida, já uma antevisão da vida eterna. 

Salmo 134: Por fim, basta apenas pedir a benção de Deus sobre todo povo de Israel. Os sacerdotes conduzem a liturgia e o povo responde reconhecendo que o Senhor fez o céu e a terra. Dali o peregrino sairá feliz, tendo visto o Senhor e experimentado um pouquinho do céu ainda na terra. Estes são os frutos que colheu ao peregrinar até a cidade no alto, até Jerusalém.

Nós, cristãos em 2018, somos chamados à esta mesma experiência: peregrinar, abandonar um pouco seu trabalho e bens, e se arriscar em busca do Senhor. Fisicamente, podemos ir a Jerusalém, Roma ou aos grandes santuários marianos, mas não com espírito de turismo, mas para entrar em oração, vendo nossas fraquezas, pedindo ao Pai ajuda e louvando por tudo que tem realizado em nossas vidas.

-- autoria própria

16 de jan. de 2016

Beato Gonçalo de Amarante

Gonçalo nasceu de uma família de nobres portugueses em 1187, tendo efetuado os primeiros estudos com um sacerdote, como era costume à época. Reconhecendo seu valor, o arcebispo de Braga admitiu-o na escola-catedral da arquidiocese, onde cursou as discipinas de Teologia e Filosofia, vindo a ser ordenado sacerdote e nomeado pároco da freguesia de São Paio de Vizela, onde tinha uma vida confortável.
Desejoso de visitar os túmulos dos apóstolos São Pedro e São Paulo e os Lugares Santos em Israel, obteve licença do bispo e deixou a paróquia aos cuidados de um sobrinho sacerdote, partindo em peregrinação, primeiro a Roma e, depois, até Jerusalém. Neste período, acostumou-se a uma vida mais simples e pobre.
Após 14 anoos, regressou a Portugal para retomar as atividades na paróquia, mas seu sobrinho escandalizou-se com as práticas ascéticas de Gonçalo, não aceitando viver na pobreza. Acabou por escorraçá-lo da paróquia, dizem até que teria soltado os cachorros contra o tio. É certo que mediante documentos falsos, convenceu o novo bispo que o verdadeiro Gonçalo falecera e este seria um impostor, obtendo assim a nomeação como pároco da freguesia.
Gonçalo, resignado com os fatos, deixou São Paio de Vizela e, pregando o Evangelho, chegou às margens do Rio Tâmega, onde ergueu uma pequena ermida. Ali viveu como eremita, consagrando o tempo à oração e à penitência, e saindo esporadicamente a pregar nos arredores.
Sentindo necessidade de encontrar um caminho mais seguro de modo a alcançar a glória eterna, Gonçalo decidiu passar os quarenta dias da Quaresma apenas a pão e água. Sentindo-se fraco, suplicou fervorosamente a Nossa Senhora que lhe alcançasse essa graça. Conta-se que teve uma visão da Virgem Maria, que recomendou procurar a Ordem dos Dominicanos, pois iniciavam o seu Ofício das Horas com a Ave-Maria.
Gonçalo dirigiu-se então ao Convento de Guimarães, recentemente fundado. Ali fez seu noviciado e foi admitido à ordem. Após algum tempo recebeu licença para, com outro religioso, voltar à sua ermida em Amarante.
Durante este período, Gonçalo realizou muitas conversões, conduzindo o povo à prática de uma autêntica vida cristã, também ajudando os pobres a melhorar suas condições de vida. Nesse particular sobressai a construção de uma ponte em granito sobre o Rio Tâmega, angariando pessoalmente donativos em terras próximas e levando os moradores mais abastados a darem vultosas ajudas para s obra. 
O povo atribui-lhe muitos milagres ligados a esta construção. Em certa ocasião, não tendo mais dinheiro para pagar os construtores que ameaçavam abandonar a obra, foi até uma pedra, bateu com seu cajado, e dali jorrou um vinho da melhor qualidade, que pode ser vendido. Em outra vez que faltava alimento para os trabalhadores; foi até a margem do rio e pediu ajuda para Deus. Os peixes teriam saltado para as margens implorando a honra de ajudá-lo. 
Outro milagre atribuído a ele ocorreu durante uma catequese. Para demonstrar os efeitos de uma sentença da Igreja; ele "excomungou" uma cesta de pães e frutas; que teriam imediatamente apodrecidas. Então, para mostrar o poder do perdão de Deus, retirou a "excomunhão", e as frutas e os pães reavivaram, podendo ser consumidos por todos.
Diz-se que Nossa Senhora lhe revelou o dia da sua morte, 10 de Janeiro de 1262, para a qual se preparou com a recepção dos Sacramentos da Igreja. O seu corpo, após a celebração das exéquias por sua alma, foi sepultado na ermida. Muitos milagres de cura são, ainda hoje, atribuídos à sua intercessão. Foi beatificado em 16 de Setembro de 1561, pelo Papa Pio IV.
Mais tarde a primitiva ermida foi substituída por uma igreja. Sobre esta, em  1540, o Rei João III determinou erguer a igreja e convento que ainda hoje existe.
Embora tenha falecido em 10 de Janeiro, os dominicanos pediram que sua festa litúrgica fosse transferida para 17 de Janeiro, evitando a coincidência com o Batismo de Cristo, que por certo teria prioridade. Embora oficialmente beato, é comum ser chamado de São Gonçalo.

-- autoria própria

30 de jul. de 2015

A Peregrinação de Santo Inácio de Loyola à Jerusalém

Tiveram vento tão violento de popa, que chegaram de Barcelona a Gaeta em cinco dias com as suas noites, ainda que com muito medo de todos, pela muita tempestade. Por toda aquela terra se temia a peste, mas ele, logo que desembarcou, começou a caminhar para Roma. Dos que vinham na nave, juntaram-se em sua compa-nhia, uma mãe, com uma filha que vestia roupas de rapaz, e um outro moço. Estes seguiam-no porque também mendigavam.

Chegados a uma herdade, encontraram uma grande fogueira e muitos soldados à volta dela, os quais lhes deram de comer e lhes davam muito vinho, convidando-os, de maneira que parecia quererem embebedá-los. Depois separaram-nos, pondo a mãe e a filha em cima, num quarto, e o peregrino com o moço, no estábulo. Mas quando chegou a meia noite, ouviu que lá em cima se davam grandes gritos: e levantando-se para ver o que era, encontrou a mãe e a filha em baixo, no pátio, muito chorosas, queixando-se que as queriam forçar. A ele [peregrino] veio-lhe, por causa disso, um ímpeto tão grande que se pôs a gritar: – Isto se há-de sofrer? – e queixas semelhantes, as quais dizia com tanta eficácia, que todos os da casa ficaram admirados, sem que nenhum lhe fizesse qualquer mal. O moço já tinha fugido, e os três começaram a caminhar assim de noite.

E chegados a uma cidade que estava perto, e não podendo entrar, os três passaram aquela noite, de muita chuva, numa igreja que ali havia. De manhã não quiseram abrir-lhes a cidade e por fora não encontravam esmola, nem sequer num castelo que parecia perto dali, no qual o peregrino se sentiu fraco4, tanto pela viagem por mar, como por tudo o mais, etc. E não podendo caminhar mais, ficou por ali e a mãe e a filha continuaram para Roma.

Aquele dia saiu muita gente da cidade, e sabendo que vinha ali a senhora da terra, pôs-se diante dela, dizendo-lhe que estava doente de pura fraqueza, e pedia-lhe que o deixasse entrar na cidade para buscar algum remédio. Ela concedeu-lho facilmente. E começando a mendigar pela cidade, encontrou muitos quatrins, e refazendo-se ali dois dias, voltou a prosseguir o seu caminho, e chegou a Roma no Domingo de Ramos.

Aqui, todos os que falavam com ele, sabendo que não levava dinheiro para ir a Jerusalém, começaram a dissuadi-lo da ida, afir-mando-lhe com muitas razões que era impossível arranjar passagem sem dinheiro. Mas ele tinha uma grande certeza na sua alma, de tal modo que não podia duvidar de que havia de encontrar modo de ir a Jerusalém.

E tendo recebido a bênção do papa Adriano VI, partiu para Ve-neza, oito ou nove dias depois da Páscoa da Ressurreição. Levava ainda seis ou sete ducados que lhe tinham dado para a passagem de Veneza a Jerusalém e que ele recebera, vencido um pouco pelos temores que lhe incutiam de não poder passar de outra maneira. Mas dois dias depois de ter saído de Roma, começou a ver que aquilo tinha sido desconfiança que tinha tido, e pesou-lhe muito ter aceite os ducados, e pensava se seria bom deixá-los. Mas por fim determinou-se a gastá-los generosamente com aqueles que lhe apareciam, que ordinariamente eram pobres. E fê-lo de tal maneira, que quando depois chegou a Veneza, não levava mais que alguns quatrins, que naquela noite lhe foram necessários.

Todavia, por este caminho até Veneza, por causa dos vigias contra a peste, dormia pelos pórticos. E aconteceu-lhe uma vez, ao levantar-se de manhã, topar com um homem, que ao vê-lo se pôs a correr cheio de medo, porque parece que o viu muito pálido.

Caminhando chegou a Choza e, com alguns companheiros que se lhe tinham juntado, soube que não os deixariam entrar em Veneza. Os companheiros determinaram ir a Pádua, para ali tomar a cédula de saúde, e assim partiu com eles; mas não pôde caminhar tanto, porque caminhavam muito depressa, e deixaram-no, quase de noite, num descampado, onde lhe apareceu Cristo da maneira que lhe costumava aparecer, como dissemos atrás, e confortou-o muito. E com esta consolação, no outro dia de manhã, sem apresentar cédula, como (creio) tinham feito os seus companheiros, chegou à porta de Pádua, e entrou sem que os guardas lhe pedissem nada, e o mesmo lhe aconteceu à saída. Disso se espantaram muito os seus companheiros que acabavam de tomar cédula para ir a Veneza, com a qual ele não se preocupou.

E chegados a Veneza, vieram os guardas ao barco para examinar, um por um, a todos os que ali estavam, e só a ele deixaram. Mantinha-se mendigando, e dormia na praça de São Marcos, e nunca quis ir a casa do embaixador do imperador, nem fazia diligência especial para buscar dinheiro para a passagem. Tinha uma grande certeza na sua alma de que Deus lhe havia de dar modo de ir a Jerusalém e esta certeza o confirmava tanto, que nenhumas razões e medos que lhe punham o faziam duvidar.

Um dia encontrou-o um homem rico, espanhol, e este pergun-tou-lhe o que fazia e onde queria ir, e sabendo da sua intenção, le-vou-o a comer em sua casa, e depois hospedou-o alguns dias até se preparar a partida. Tinha o peregrino este costume, já desde Manresa, que quando comia com outros, nunca falava à mesa, só respondendo brevemente; mas escutava o que se dizia, e retendo algumas coisas, das quais tomasse ocasião de falar de Deus, fazia-o no fim da refeição.

E foi esta causa pela qual o homem de bem, com toda a sua casa, tanto se afeiçoaram a ele, que o quiseram reter e obrigar a ficar em sua casa. E o mesmo hospedeiro levou-o ao duque de Veneza, para que lhe falasse, isto é, alcançou-lhe a entrada e a audiência. O duque, logo que ouviu o peregrino, mandou que lhe dessem embarcação no navio dos governadores que ia para Chipre.

Ainda que naquele ano tinham vindo muitos peregrinos [para ir] a Jerusalém, a maior parte deles tinham voltado para as suas terras, pelo novo caso sucedido da tomada de Rodes.Todavia havia treze na nau peregrina, que partiu primeiro, e oito ou nove ficaram para a dos governadores. Estando esta para partir, veio-lhe ao nosso peregrino uma doença de febres, que depois de o terem incomoda-do alguns dias o deixaram e a nave partia no dia em que ele tinha tomado uma purga. Os da casa perguntaram ao médico se podia embarcar para Jerusalém e o médico disse que para ser sepultado lá, podia embarcar. Mas ele embarcou e partiu aquele dia; e vomitou tanto que ficou aliviado e começou a sarar completamente. Nesta nau cometiam-se algumas indecências e torpezas manifestas, que ele repreendia com severidade.

Os espanhóis que ali iam avisavam-no que não fizesse aquilo, porque os da nau tratavam de o deixar nalguma ilha. Mas quis Deus Nosso Senhor que chegassem depressa a Chipre, onde deixada aquela nave, foram por terra a outro porto que se chama Las Salinas, que estava a dez léguas dali, e entraram na nau peregrina, na qual também não meteu mais para seu mantimento, que a esperança que levava em Deus, como tinha feito na outra. Em todo este tempo aparecia-lhe muitas vezes Nosso Senhor, que lhe dava muita conso-lação e ânimo; mas parecia-lhe que via uma coisa redonda e grande, como se fosse de ouro, que se lhe representava. Depois de partidos de Chipre, chegaram a Jafa.

E caminhando para Jerusalém nos seus burrinhos, como é costume, duas milhas antes de chegar a Jerusalém, um espanhol, nobre, segundo parecia, chamado Diego Manes, disse, com muita devoção, a todos os peregrinos que já que dali a pouco haviam de chegar ao lugar donde se podia ver a cidade santa, seria bom que todos se pre-parassem em suas consciências, e que fossem em silêncio.

E parecendo bem a todos, começou cada um a recolher-se; e um pouco antes de chegar ao lugar donde se via [a cidade], apearam-se, porque viram os frades, com a cruz, que os estavam esperando. E vendo a cidade, teve o peregrino grande consolação; e segundo os outros diziam, foi universal em todos, com uma alegria que não parecia natural; e a mesma devoção sentiu sempre nas visitas dos lugares santos.

-- Da Autobiografia de Santo Inácio de Loyola

24 de fev. de 2013

Basílica da Imaculada Conceição, Washington/DC

A Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição em Washington, capital dos EUA, é a maior igreja Católica Romana na América do Norte e uma das dez maiores do mundo. é dedicada a padroeira dos Estados Unidos, a Virgem Maria sob o título de Imaculada Conceição.

Em 1847, atendendo a um pedido dos bispos americanos, o Papa Pio IX nomeou a Virgem como padroeira do país. Em 1910, o então reitor da Universidade Católica, sugeriu a construção de um santuário em honra a Maria que fosse comparável aos grandes santuários europeus, plano aprovado pelo Papa Pio X em 1913. 

A pedra fundamental foi colocada em 23 de Setembro de 1920. O nível da cripta foi completado em 1931. Coma Grande Deressão e a II guerra Mundial, a construção foi paralisada por longo tempo. No ano mariano de 1954, reiniciou-se os esforços para retomar a obra, realizando arrecadações de fundos por todo país. Em 20 de Novembro de 1960, O Arcebispo de Nova Iorque Francis Spellman celebrou a primeira missa no altar principal, quado solenemente recitou o ato de dedicação à consagração do país à Bendita Ave Maria. 

A basílica não é uma catedral, pois o Bispo de Washington assenta-se em outra igreja, nem uma paróquia. Por definição, um santuário é uma igreja onde os fiéis são convidados a peregrinarem em razão de uma devoção especial. Deve promover a celebração da Eucaristia e Penitência, além de cultivar outras formas de piedade popular. Sacramentos comunitários, como batismos e casamentos, não são administrados, pois não há exatamente um comunidade para testenunhá-los. 
Mosaico da Imaculada Conceição utiliza a coloração natural
de 35.00 pedras,  obra do Estudio de Mosaicos no Vaticano,
reproduz uma pintura de Esteban Murillo que está no
Museu do Prado (Madri).

Em 12 de Outubro de 1990, o Papa João Paulo II elevou o Santuário Nacional ao status de Basílica, devido a sua importância, diginidade e significado para a igreja. Entre os privilégios de uma Basílica estão a indulgência plenária para quem assitir uma Eucaristia e rezar nas intenções do Papa em dias específicos. No caso da Basílica em Washington, os dias são: 20 de Novembro, aniversário da dedicação da Basílica; 8 de Dezembro, solenidade da Imaculada Conceição; 29 de Junho, solenidade de São Paulo e São Pedro; e 12 de Outubro, aniversário da atribuição do título de Basílica. Como a Basílica tem altares menores dedicados a vários santos, também é possível obter um indulgência menor rezando em frente ao altar no dia dedicado ao respectivo santo. 

Agora duas observações pessoais: 

(1) já havia ido à Washington outras vezes e toda divulgação turística é centrada nos museus, monumentos históricos, Capitólio e Casa Branca. Eventualmente há referências à Catedral Nacional (sem referências, em geral trata-se da Episcopal, onde o Pres. Obama já compareceu algumas vezes), mas nada é dito sobre a Basílica do Santuário. Ela está localizada em um bairro um pouco afastado das atrações principais, mas é lindíssima, comparável às mais bonitas igrejas européias, inclusive às vaticanas. 

(2) já havia perguntado para padres, seminaristas e católicos por um local para uma peregrinação aqui nos EUA e, até agora, ninguém havia citado esta Basílica. É necessário divulgar melhor. Para quem estiver vindo para o Encontro com as Famílias em 2015, que será realizado na Filadélfia, Washington é apenas 2 horas da Filadélfia. Por favor, incluam nos roteiros como um local mariano privilegiado para peregrinações - o equivalente a Aparecida no Brasil.









LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...