8 de set. de 2015

A unidade indivisível da comunhão conjugal

A primeira comunhão é a que se instaura e desenvolve entre os cônjuges: em virtude do pacto de amor conjugal, o homem e a mulher já não são dois, mas uma só carne (Mt 19,6; Gn 2,24) e são chamados a crescer continuamente nesta comunhão através da fidelidade quotidiana à promessa matrimonial do recíproco dom total.

Esta comunhão conjugal radica-se na complementariedade natural que existe entre o homem e a mulher e alimenta-se mediante a vontade pessoal dos esposos de dividir, num projeto de vida integral, o que têm e o que são: por isso, tal comunhão é fruto e sinal de uma exigência profundamente humana. Porém, em Cristo, Deus assume esta exigência humana, confirma-a, purifica-a e eleva-a, conduzindo-a à perfeição com o sacramento do matrimônio: o Espírito Santo infuso na celebração sacramental oferece aos esposos cristãos o dom de uma comunidade nova, de amor, que é a imagem viva e real daquela unidade singularíssima, que torna a Igreja o indivisível Corpo Místico do Senhor.

O dom do Espírito é um mandamento de vida para os esposos cristãos e, ao mesmo tempo, impulso estimulante a que progridam continuamente numa união cada vez mais rica a todos os níveis - dos corpos, dos corações, das inteligências e das vontades, das almas - revelando deste modo à Igreja e ao mundo a nova comunhão de amor, doada pela graça de Cristo.

A poligamia contradiz radicalmente uma tal comunhão. Nega de fato, diretamente o plano de Deus como nos foi revelado nas origens, porque contrária à igual dignidade pessoal entre o homem e a mulher, que no matrimônio se doam com um amor total e por isso mesmo único e exclusivo. Como escreve o Concílio Vaticano II: A unidade do matrimónio, confirmado pelo Senhor, manifesta-se também claramente na igual dignidade pessoal da mulher e do homem que se deve reconhecer no mútuo e pleno amor.

A comunhão conjugal caracteriza-se não só pela unidade mas também pela sua indissolubilidade: Esta união íntima, já que é dom recíproco de duas pessoas, exige, do mesmo modo que o bem dos filhos, a inteira fidelidade dos cônjuges e a indissolubilidade da sua união.

É dever fundamental da Igreja reafirmar vigorosamente - como fizeram os Padres do Sínodo - a doutrina da indissolubilidade do matrimônio: a quantos, nos nossos dias, consideram difícil ou mesmo impossível ligar-se a uma pessoa por toda a vida e a quantos, subvertidos por uma cultura que rejeita a indissolubilidade matrimonial e que ridiculariza abertamente o empenho de fidelidade dos esposos, é necessário reafirmar o alegre anúncio da forma definitiva daquele amor conjugal, que tem em Jesus Cristo o fundamento e o vigor (Ef 5,25).

Radicada na doação pessoal e total dos cônjuges e exigida pelo bem dos filhos, a indissolubilidade do matrimônio encontra a sua verdade no desígnio que Deus manifestou na Revelação: Ele quer e concede a indissolubilidade matrimonial como fruto, sinal e exigência do amor absolutamente fiel que Deus Pai manifesta pelo homem e que Cristo vive para com a Igreja.

Cristo renova o desígnio primitivo que o Criador inscreveu no coração do homem e da mulher, e, na celebração do sacramento do matrimônio, oferece um coração novo: assim os cônjuges podem não só superar a dureza do coração (Mt 19,8), mas também e sobretudo compartir o amor pleno e definitivo de Cristo, nova e eterna Aliança feita carne. Assim como o Senhor Jesus é a testemunha fiel (Ap 3,14), é o sim das promessas de Deus (2Cor 1,20) e, portanto, a realização suprema da fidelidade incondicional com que Deus ama o seu povo, da mesma forma os cônjuges cristãos são chamados a uma participação real na indissolubilidade irrevogável, que liga Cristo à Igreja, sua esposa, por Ele amada até ao fim (Jo 13,1).

O dom do sacramento é, ao mesmo tempo, vocação e dever dos esposos cristãos, para que permaneçam fiéis um ao outro para sempre, para além de todas as provas e dificuldades, em generosa obediência à santa vontade do Senhor: O que Deus uniu, não o separe o homem (Mt 19,6).

Testemunhar o valor inestimável da indissolubilidade e da fidelidade matrimonial é uma das tarefas mais preciosas e mais urgentes dos casais cristãos do nosso tempo. Por isso, juntamente com todos os Irmãos que participaram no Sínodo dos Bispos, louvo e encorajo os numerosos casais que, embora encontrando não pequenas dificuldades, conservam e desenvolvem o dom da indissolubilidade: cumprem desta maneira, de um modo humilde e corajoso, o dever que lhes foi confiado de ser no mundo um sinal - pequeno e precioso sinal, submetido também às vezes à tentação, mas sempre renovado - da fidelidade infatigável com que Deus e Jesus Cristo amam todos os homens e cada homem. Mas é também imperioso reconhecer o valor do testemunho daqueles cônjuges que, embora tendo sido abandonados pelo consorte, com a força da fé e da esperança cristãs, não contraíram uma nova união. Estes cônjuges dão também um autêntico testemunho de fidelidade, de que tanto necessita o mundo de hoje. Por isto mesmo devem ser encorajados e ajudados pelos pastores e pelos fiéis da Igreja.

A comunhão conjugal constitui o fundamento sobre o qual se continua a edificar a mais ampla comunhão da família: dos pais e dos filhos, dos irmãos e das irmãs entre si, dos parentes e de outros familiares.

Tal comunhão radica-se nos laços naturais da carne e do sangue, e desenvolve-se encontrando o seu aperfeiçoamento propriamente humano na instauração e maturação dos laços ainda mais profundos e ricos do espírito: o amor, que anima as relações interpessoais dos diversos membros da família, constitui a força interior que plasma e vivifica a comunhão e a comunidade familiar.

A família cristã é, portanto, chamada a fazer a experiência de uma comunhão nova e original, que confirma e aperfeiçoa a comunhão natural e humana. Na realidade, a graça de Jesus Cristo, o Primogénito entre muitos irmãos (Rm 8,29), é por sua natureza e dinamismo interior uma graça de fraternidade como a chama Santo Tomás de Aquino. O Espírito Santo, que se infunde na celebração dos sacramentos, é a raiz viva e o alimento inexaurível da comunhão sobrenatural que estreita e vincula os crentes com Cristo, na unidade da Igreja de Deus. Uma revelação e atuação específica da comunhão eclesial é constituída pela família cristã que também, por isto, se pode e deve chamar Igreja doméstica .

Todos os membros da família, cada um segundo o dom que lhe é peculiar, possuem a graça e a responsabilidade de construir, dia após dia, a comunhão de pessoas, fazendo da família uma escola de humanismo mais completo e mais rico: é o que vemos surgir com o cuidado e o amor para com os mais pequenos, os doentes e os anciãos; com o serviço recíproco de todos os dias; com a co-participação nos bens, nas alegrias e nos sofrimentos.

Um momento fundamental para construir uma comunhão semelhante é constituído pelo intercâmbio educativo entre pais e filhos (Ef 6,1-4; Cl 3,20), no qual cada um deles dá e recebe. Mediante o amor, o respeito, a obediência aos pais, os filhos dão o seu contributo específico e insubstituível para a edificação de uma família autenticamente humana e cristã. Isso ser-lhe-á facilitado, se os pais exercerem a sua autoridade irrenunciável como um ministério verdadeiro e pessoal, ou seja, como um serviço ordenado ao bem humano e cristão dos filhos, ordenado particularmente a proporcionar-lhes uma liberdade verdadeiramente responsável; e se os pais mantiverem viva a consciência do dom que recebem continuamente dos filhos.

A comunhão familiar só pode ser conservada e aperfeiçoada com grande espírito de sacrifício. Exige, de fato, de todos e de cada um, pronta e generosa disponibilidade à compreensão, à tolerância, ao perdão, à reconciliação. Nenhuma família ignora como o egoísmo, o desacordo, as tensões, os conflitos agridem, de forma violenta e às vezes mortal, a comunhão: daqui as múltiplas e variadas formas de divisão da vida familiar. Mas, ao mesmo tempo, cada família é sempre chamada pelo Deus da paz a fazer a experiência alegre e renovadora da reconciliação, ou seja, da comunhão restabelecida, da unidade reencontrada. Em particular a participação no sacramento da reconciliação e no banquete do único Corpo de Cristo oferece à família cristã a graça e a responsabilidade de superar todas as divisões e de caminhar para a plena verdade querida por Deus, respondendo assim ao vivíssimo desejo do Senhor: que todos sejam um (Jo 17,21).

-- Seções 19, 20 e 21 da Exortação Apóstólica Familiaris Consortium, de São João Paulo II (1981)

5 de set. de 2015

23º Domingo do Tempo Comum - 06/09/2015

Mc 7,31-37
Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole.
32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão.33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!”
35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam.
37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.
Comentário:
Este trecho do Evangelho é parte de uma sequência de milagres realizados por Cristo. Note-se que o surdo é conduzido até Jesus pela fé de outros, como se não acreditasse muito na possibilidade da cura. Cristo então diz "abre-te", não apenas uma ordem aos ouvidos, mas muito mais ao coração, para que veja a maravilha que Deus está a mostrar para os homens. 
Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos
Livros Sapienciais e Proféticos
  • Isaias -35, 4-7
Evangelhos
  • Mateus 11,2-6
  • Marcos 5, 1-20
  • Marcos 8, 22-26
  • Lucas 7, 18-23
Cartas
  • Atos 3, 1,9
  • Romanos 2, 1-11
  • 1 Timóteo 4, 1-16

2 de set. de 2015

Os filhos, dom preciosíssimo do matrimônio

Segundo o desígnio de Deus, o matrimônio é o fundamento da mais ampla comunidade da família, pois que o próprio instituto do matrimônio e o amor conjugal se ordenam à procriação e educação da prole, na qual encontram a sua coroação.

Na sua realidade mais profunda, o amor é essencialmente dom e o amor conjugal, enquanto conduz os esposos ao conhecimento recíproco que os torna uma só carne (Gn 2, 24), não se esgota no interior do próprio casal, já que os habilita para a máxima doação possível, pela qual se tornam cooperadores com Deus no dom da vida a uma nova pessoa humana. Deste modo os cônjuges, enquanto se doam entre si, doam para além de si mesmo a realidade do filho, reflexo vivo do seu amor, sinal permanente da unidade conjugal e síntese viva e indissociável do ser pai e mãe.

Tornando-se pais, os esposos recebem de Deus o dom de uma nova responsabilidade. O seu amor paternal é chamado a tornar-se para os filhos o sinal visível do próprio amor de Deus, do qual deriva toda a paternidade no céu e na terra (Ef 3,15).

Não deve todavia esquecer-se que, mesmo quando a procriação não é possível, nem por isso a vida conjugal perde o seu valor. A esterilidade física, de fato, pode ser para os esposos ocasião de outros serviços importantes à vida da pessoa humana, como por exemplo a adoção, as várias formas de obras educativas, a ajuda a outras famílias, às crianças pobres ou deficientes.

No matrimônio e na família constitui-se um complexo de relações interpessoais - vida conjugal, paternidade-maternidade, filiação, fraternidade - mediante as quais cada pessoa humana é introduzida na família humana e na família de Deus, que é a Igreja.

O matrimônio e a família dos cristãos edificam a Igreja: na família, de fato, a pessoa humana não só é gerada e progressivamente introduzida, mediante a educação, na comunidade humana, mas mediante a regeneração do batismo e a educação na fé, é introduzida também na família de Deus, que é a Igreja.

A família humana, desagregada pelo pecado, é reconstituída na sua unidade pela força redentora da morte e ressurreição de Cristo. O matrimônio cristão, partícipe da eficácia salvífica deste acontecimento, constitui o lugar natural onde se cumpre a inserção da pessoa humana na grande família da Igreja.

O mandato de crescer e de multiplicar-se, dirigido desde o princípio ao homem e à mulher, atinge desta maneira a sua plena verdade e a sua integral realização. A Igreja encontra assim na família, nascida do sacramento, o seu berço e o lugar onde pode actuar a própria inserção nas gerações humanas, e estas, reciprocamente, na Igreja.

-- Seções 14 e 15 da Exortação Apóstólica Familiaris Consortium, de São João Paulo II (1981)

31 de ago. de 2015

O matrimônio é um sinal do Amor de Deus

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1,26): chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor. Deus é amor (1 Jo 4,8) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano.

Enquanto espírito encarnado, isto é, alma que se exprime no corpo informado por um espírito imortal, o homem é chamado ao amor nesta sua totalidade unificada. O amor abraça também o corpo humano e o corpo torna-se participante do amor espiritual.

A Revelação cristã conhece dois modos específicos de realizar a vocação da pessoa humana na sua totalidade ao amor: o Matrimônio e a Virgindade. Quer um quer outro, na sua respectiva forma própria, são uma concretização da verdade mais profunda do homem, do seu ser à imagem de Deus.

Por consequência a sexualidade, mediante a qual o homem e a mulher se doam um ao outro com os atos próprios e exclusivos dos esposos, não é em absoluto algo puramente biológico, mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana como tal. Esta realiza-se de maneira verdadeiramente humana, somente se é parte integral do amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para com o outro até à morte. A doação física total seria falsa se não fosse sinal e fruto da doação pessoal total, na qual toda a pessoa, mesmo na sua dimensão temporal, está presente: se a pessoa se reservasse alguma coisa ou a possibilidade de decidir de modo diferente para o futuro, só por isto já não se doaria totalmente.

Esta totalidade, pedida pelo amor conjugal, corresponde também às exigências de uma fecundidade responsável, que, orientada como está para a geração de um ser humano, supera, por sua própria natureza, a ordem puramente biológica, e abarca um conjunto de valores pessoais, para cujo crescimento harmonioso é necessário o estável e concorde contributo dos pais.

O lugar único, que torna possível esta doação segundo a sua verdade total, é o matrimônio, ou seja o pacto de amor conjugal ou escolha consciente e livre, com a qual o homem e a mulher recebem a comunidade íntima de vida e de amor, querida pelo próprio Deus que só a esta luz manifesta o seu verdadeiro significado. A instituição matrimonial não é uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, nem a imposição extrínseca de uma forma, mas uma exigência interior do pacto de amor conjugal que publicamente se afirma como único e exclusivo, para que seja vivida assim a plena fidelidade ao desígnio de Deus Criador. Longe de mortificar a liberdade da pessoa, esta fidelidade põe-na em segurança em relação ao subjetivismo e relativismo, fá-la participante da Sabedoria Criadora.

A comunhão de amor entre Deus e os homens, conteúdo fundamental da Revelação e da experiência de fé de Israel, encontra uma sua significativa expressão na aliança nupcial, que se instaura entre o homem e a mulher.

É por isto que a palavra central da Revelação, Deus ama o seu povo, é também pronunciada através das palavras vivas e concretas com que o homem e a mulher se declaram o seu amor conjugal. O seu vínculo de amor torna-se a imagem e o símbolo da Aliança que une Deus e o seu povo (Jr 3, 6-13; Is 54). E o mesmo pecado, que pode ferir o pacto conjugal, torna-se imagem da infidelidade do povo para com o seu Deus: a idolatria é prostituição (Ez 16, 25), a infidelidade é adultério, a desobediência à lei é abandono do amor nupcial para com o Senhor. Mas a infidelidade de Israel não destrói a fidelidade eterna do Senhor e, portanto, o amor sempre fiel de Deus põe-se como exemplo das relações do amor fiel que devem existir entre os esposos (Os 3).

-- Seções 11 e 12 da Exortação Apóstólica Familiaris Consortium, de São João Paulo II (1981)

30 de ago. de 2015

22º Domingo do Tempo Comum - 30/08/2015

Mc 7,1-8.14-15.21-23

Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus.2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado.3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”
6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.
14Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai, todos, e compreendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.
Comentário:
Este trecho do Evangelho guarda dois sentidos: o primeiro é com relação fariseus e suas tradições, qualificadas como humanas, não divinas, pois não ajudam a observar os mandamentos, mas servem para disfarçar a maldade dos fariseus, que assim afastavam as pessoas da religião. 
O segundo é relação aos seus discípulos e seguidores: conseguiriam eles ver que se tratava do Filho de Deus vivo, a quem deveriam escutar, ou estavam com os ouvidos fechados e coração endurecido a ponto de nào reconhecer as maravilhas que testemunhavam.
Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos
  • Êxodo 22, 21-23
  • Deuteronômio 4,1-8
Livros Sapienciais e Proféticos
  • Eclesiástico 15, 11-20
Evangelhos
  • Mateus 7, 24-27
  • João 1, 12-13
Cartas
  • Romanos 2, 13
  • 1 Coríntios 10, 13
  • Tiago 1, 17-27
  • 1 Pedro 1,12-13

27 de ago. de 2015

Roteiro da visita do Papa Francisco aos Estados Unidos - 22-27 de Setembro

22 de Setembro (Terça)
16:00 - Chegada na Base Aérea de Andrews, Washington

23 de Setembro (Quarta)
9:15 - Cerimônia na Casa Branca
11:30 - Encontro com os bispos na Catedral São Mateus Apóstolo
16:15 - Missa de canonização do Beato Junípero Serra na Basílica Nacional da Imaculada Conceição

24 de Setembro (Quinta)
9:20 - Visita ao Congresso Nacional
11:15 - Visita à Igreja de São Patrício e encontro com sem-teto
16:00 - Saída de Washington
17:00 - Chega à Nova Iorque
18:45 - Celebração das Vésperas com padres, monges e monjas na Catedral de São Patrício

25 de Setembro (Sexta)
8:30 - Visita às Nações Unidas
11:30 - Encontro interreligioso no Memorial 9/11
16:00 - Visita à Escola Nossa Sra Rainha dos Anjos no Harlem e encontro com crianças e famílias imigrantes
18:00 - Missa no Madison Square Garden

26 de Setembro (Sábado)
9:30 - Chegada à Filadélfia
10:30 - Missa com bispos, padres e religiososna Catedral de São Pedro e São Paulo
16:45 - Encontro com a comunidade hispânica no Independece Mall
19:30 - Festival das Famílias e vigília de oração

27 de Setembro (Domingo)
9:15 - Encontro com os bispos no Seminário São Carlos Borromeu
11:00 - Visita aos prisioneiros no Presídio de Curran-Fromhold
16:00 - Missa de encerramento do Encontro das Famílias
19:00 - Encontro com os organizadores e voluntários
19:45 - Partida para Roma

* Portanto a única missa em local aberto, com capacidade para milhões, será no Domingo às 16:00 na Filadélfia.

23 de ago. de 2015

21º Domingo do Tempo Comum - 23/08/2015

Jo 6,60-69
Naquele tempo, 60muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?”
61Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64Mas entre vós há alguns que não creem”.
Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo.
65E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”.66A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?”
68Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.
Comentário:
Neste Evangelho Jesus pede aos seus discípulos para tomarem uma decisão: estariam eles dispostos a seguirem-no? Só podem segui-lo àqueles que recebem o dom da fé, que vem do Pai e por isso são capazes de julgar de acordo com o Espírito Santo. A mesma escolha já havia sido proposta ao povo judeu no Antigo Testamento, quando escolheram a Deus (Dt, 81-8; Js 24, 1-18), mas agora muitos fraquejaram. Já a Igreja (Pedro) faz a sua confissão de fé em Cristo, filho de Deus (At 3,14).
Leituras Relacionadas
Antigo Testamento
Livros Históricos
  • Deuteronômio 8, 1-6
  • Josué 24, 1-18
Livros Sapienciais e Proféticos
  • Salmos 33 (32)
Evangelhos
  • Mateus 8, 18-21
  • Mateus 16, 13-20
Cartas
  • Atos 3, 11-16
  • 1 Coríntios 15, 45-48
  • 2 Coríntios 3, 1-6

20 de ago. de 2015

Magnificat: conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre

Os homens falam muito e são extremamente hábeis em prometer muitas coisas; mas suas palavras e promessas não são, no mais das vezes, senão mentira e embustes. Deus fala pouco; Ele tem uma só palavra, mas, com esta só palavra, governa todas as coisas e cumpre verdadeira e fielmente todas as suas promessas. São as promessas que fez a Adão, a Abraão e aos outros Pais e Patriarcas, as mencionadas pela Bem-aventurada Virgem nessas últimas palavras de seu divino Cântico: Conforme tinha dito a nossos pais, a Abraão e à sua posteridade para sempre; promessas que cumpriu ao encarnar-Se em seu bendito seio. Foi o que Ele declarou aos judeus quando lhes disse: "Abraão desejou ardentemente ver o meu dia", isto é, o dia da minha Encarnação, de meu nascimento e permanência na terra, do qual esperava a sua salvação e a salvação do mundo.

Vemos assim como Deus é verdadeiro em suas palavras e em suas promessas, o que deve causar­nos uma grande consolação. Pois essa fidelíssima realização das promessas de Deus nos dá uma certeza infalível de que se cumprirão perfeitissimamente todas as outras promessas que nos fez.

Ora, o nosso adorável Salvador não é o único a quem se chama o Fiel e o Verdadeiro; pois a santa Igreja atribui também essa qualidade à sua divina Mãe, a Virgem fiel. Escutemo-­la nas palavras do Espírito Santo: "Vinde todos a mim". Todos, não só alguns; todos, homens e mulheres, grandes e pe­quenos, ricos e pobres, jovens e velhos, saudáveis e enfermos, justos e pecadores, fiéis e infiéis, sábios e ignorantes; pois desejo aliviar-vos em todas as necessidades e alcançar a salvação de todos. Vinde a mim com grande confiança; pois Deus me concedeu todo o poder no céu e na terra, e tenho mais amor e ternura por vós do que é possível existir nos corações de todas as mães, passadas, presentes e futuras. Vinde a mim, pois, assim como dei a vida à vossa adorável cabeça que é o meu Filho Jesus, posso dá-la também a seus membros; estarei convosco para conduzir-vos sempre e por toda a parte, em todas as coisas. Eu vos consolarei nas aflições; protegerei entre todos os perigos dessa vida; defenderei de todos os inimigos visíveis e invisíveis; iluminarei as trevas; fortalecerei nas fraquezas; darei amparo nas tentações. Assistir-vos-ei na hora da morte; receberei vossas almas na saída do corpo para apresentá-las a meu Filho. Enfim, dar-vos-ei lugar em meu regaço e em meu Coração maternal; ter-vos-ei sempre presentes diante de meus olhos e mostrar-vos-eis que tenho um verdadeiro coração de Mãe.

E, terminando, eis o que me resta dizer-vos: lançai os olhares sobre a vida que leveis na terra e sobre todas as virtudes que então pratiquei pela graça de Deus: são outras tantas vozes que vos fa­lam e vos dizem: Bem-aventurados os que seguem o caminho que Eu segui, isto é, os que seguem o caminho da fé, da esperança, da caridade, da humildade, da obediência, da pureza, da paciência e das outras virtudes que na terra pratiquei. Abraçai pois todas essas virtudes, de todo o vosso coração. E meu Filho Jesus abençoar-vos-á, Se O amardes e guardardes fielmente todos os seus mandamentos.

-- Da Explicação do Magnificat, de São João Eudes (século XVII)

18 de ago. de 2015

Magnificat: acolheu a Israel, seu servo, lembrando da sua misericórdia

O Deus onipotente fez duas criaturas no princípio do mundo, o anjo e o homem: o anjo no céu, o homem na terra. Ambos foram tão ingratos que se revoltaram contra o seu Criador: o anjo pela soberba, e o homem, pela desobediência ao mandamento de seu Deus. O pecado do anjo, sendo um pecado de soberba, foi tão grande diante de Deus que sua divina justiça O obrigou a expulsá-lo do paraíso e lançá-lo no inferno.

Mas a sua misericórdia, vendo que o homem caíra no pecado pela tentação e sedução de Satanás, teve compaixão dele e tomou a resolução de retirá-lo do estado miserável a que se achava reduzido, e até se comprometeu a isso pela promessa que lhe fez. E todos os gravíssimos e inúmeros pecados cometidos depois dessa promessa, pelos judeus, pelos gentios e por todos os homens, não foram capazes de impedir-lhe a execução; mas retardaram-na de muitos séculos, durante os quais toda a raça de Adão, condenada e reprovada por Deus, achava-se mergulhada em um abismo de trevas e redemoinho de males infinitos e inexplicáveis, sendo-lhe impossível sair por si mesma.

Mas, finalmente, o Filho de Deus se lembrou de suas misericórdias: "recordou-se de Sua misericórdia e da promessa que fizera a Adão, a Abraão", a Davi e a outros Profetas de retirar o gênero humano desse abismo de males. Ele mesmo desce do céu ao seio virginal da divina Maria, onde une à sua divina Pessoa a natureza tão miserável que abandonara, faz-Se homem para salvar todos os homens que quiserem pertencer ao número dos verdadeiros israelitas, isto é, que quiserem crer nEle e ama-Lo.

Eis o que a Bem-aventurada Virgem nos anuncia pelas palavras: acolheu a Israel, seu servo, lembrando da sua misericórdia. É a conclusão de seu divino Cântico; uma recapitulação dos inefáveis mistérios nele encerrados; é o fim da Lei e dos Profetas; a realização das sombras; a consumação das figuras. É o mesmo se Ela dissesse: Eis o efeito da predição dos Profetas; eis o que as sombras assinalaram; eis o que os Patriarcas esperaram; eis o que me faz cantar do mais profundo de meu coração: proclama a minha alma a grandeza do Senhor. Eis o grande motivo de minhas alegrias e de meus sofrimentos: exulta meu espírito em Deus meu Salvador. Eis o que fará com que todas as nações me proclamem Bem-aventurada. Eis o que exaltará os humildes e confundirá os soberbos: acolheu a Israel seu servo.

-- Da Explicação do Magnificat, de São João Eudes (século XVII)

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