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30 de out. de 2021

Bem-Aventurada Chiara Luce

 
 
Chiara Badano nasceu em 29 de outubro de 1971, filha de Ruggero e Maria Teresa Badano, na pequena aldeia de Sassello, Itália. O casal esperou e rezou onze anos para ter Chiara. Eles a consideravam sua maior bênção. Enquanto Ruggero trabalhava como caminhoneiro, Maria Teresa ficou em casa para criar a filha. Badano cresceu com uma relação forte e saudável com os pais, mas nem sempre os obedecia.

Um dia, Badano tirou uma maçã de uma árvore no pomar de um vizinho; sua mãe mais tarde relatou o evento:

Uma tarde, Chiara voltou para casa com uma linda maçã vermelha. Eu perguntei a ela de onde veio. Ela respondeu que o havia tirado do pomar do nosso vizinho sem pedir sua permissão. Expliquei a ela que ela sempre tinha que pedir antes de pegar qualquer coisa e que ela tinha que pegar de volta e pedir desculpas ao nosso vizinho. Ela estava relutante em fazer isso porque estava muito envergonhada. Eu disse a ela que era muito mais importante confessar do que comer uma maçã. Então Chiara levou a maçã para a nossa vizinha e explicou tudo para ela. Naquela noite, a mulher trouxe uma caixa inteira de maçãs dizendo que naquele dia Chiara havia aprendido algo muito importante.

Movimento dos Focolares

Badano participou de seu primeiro encontro do Movimento dos Focolares em setembro de 1980; ela tinha apenas 9 anos. Este grupo, especialmente sua fundadora Chiara Lubich, teve um impacto profundo na vida de Badano. O grupo focou na imagem de Cristo abandonado como forma de superar os tempos difíceis. Badano escreveu mais tarde: “Descobri que Jesus abandonado é a chave para a unidade com Deus e quero escolhê-lo como meu único esposo. Quero estar pronto para recebê-lo quando ele vier. Para preferi-lo acima de tudo.”

Embora Badano fosse uma estudante responsável, ela teve dificuldades na escola e até foi reprovada no primeiro ano do ensino médio. Era frequentemente provocada na escola por suas fortes crenças e recebeu o apelido de “irmã”.  Gostava dos passatempos normais da adolescência, como ouvir música pop, dançar e cantar, também jogava tênis e gostava de caminhadas e natação.

No verão de 1988, quando tinha 16 anos, Badano viveu uma experiência transformadora em Roma com o Movimento dos Focolares. Ela escreveu aos pais: “Este é um momento muito importante para mim: é um encontro com Jesus Abandonado. Não foi fácil abraçar este sofrimento, mas esta manhã Chiara Lubich explicou a nós que temos que ser esposas de Jesus Abandonado.” Depois dessa viagem, começou a corresponder-se regularmente com Lubich. Ela então perguntou por seu novo nome, pois isso seria o início de uma nova vida para ela. Lubich deu a ela o nome de Chiara Luce, em italiano, "Luz Clara". 

Doença

No verão de 1988, Luce sentiu uma pontada de dor no ombro enquanto jogava tênis. A princípio ela não pensou nada a respeito, mas quando a dor continuou presente, foi submetida a uma série de testes. Os médicos então descobriram que ela tinha uma forma rara e dolorosa de câncer ósseo, o osteossarcoma. Em resposta, Badano declarou simplesmente: “É para você, Jesus; se você quiser, eu também quero”.

Durante todo o processo de tratamento, Chiara recusou-se a tomar morfina para que pudesse ficar acordada e consciente. Ela sentiu que era importante conhecer sua doença e dor para que pudesse oferecer seus sofrimentos. Ela disse: “Isso reduz minha lucidez e só há uma coisa que posso fazer agora: oferecer meu sofrimento a Jesus porque quero compartilhar o máximo possível em seus sofrimentos na cruz.” 

Durante sua estadia no hospital, caminhava com outro paciente que estava sofrendo de depressão. Essas caminhadas foram benéficas para o outro paciente, mas causavam grande dor a Chiara Luce. Seus pais muitas vezes a incentivavam a ficar e descansar, mas ela simplesmente respondia: “Vou conseguir dormir mais tarde.”

Um de seus médicos, Antonio Delogu, disse: “Por meio de seu sorriso e de seus olhos brilhantes, ela nos mostrou que a morte não existe; só a vida existe”. Uma amiga do Movimento dos Focolares disse: “No início pensamos em visitá-la para mantê-la animada, mas logo percebemos que, de fato, éramos nós que precisávamos dela. Sua vida era como um ímã que nos atraía para ela.”

Quando uma mecha de seu cabelo caía devido à quimioterapia, Chiara simplesmente a oferecia a Deus, dizendo: “Por você, Jesus”. Ela também doou todas as suas economias para uma amiga que estava realizando o trabalho missionário na África. Ela escreveu a ele: “Não preciso mais desse dinheiro. Eu tenho tudo.”

Durante um doloroso procedimento médico, Chiara foi visitada por uma senhora: “Quando os médicos começaram a realizar este pequeno, mas bastante exigente procedimento, apareceu uma senhora com um sorriso muito bonito e luminoso. Ela veio até mim e me pegou pela mão, e seu toque me encheu de coragem. Da mesma forma que ela chegou, ela desapareceu, e eu não podia mais vê-la. Mas meu coração se encheu de uma alegria imensa e todo o medo me deixou. Naquele momento entendi que se estamos sempre prontos para tudo, Deus nos envia muitos sinais de seu amor.”

A fé e o espírito de Chiara nunca diminuíram, mesmo depois que o câncer a deixou incapaz de andar e uma tomografia computadorizada mostrou que qualquer esperança de remissão se foi. Em resposta, ela simplesmente disse: “Se eu tivesse que escolher entre andar novamente e ir para o céu, não hesitaria. Eu escolheria o céu.” Em 19 de julho de 1989, Chiara quase morreu de hemorragia. Sua fé não vacilou quando disse: “Não derrame nenhuma lágrima por mim. Eu estou indo para Jesus. No meu funeral, não quero que as pessoas chorem, mas cantem de todo o coração.”

Antes de morrer, ela disse à mãe: “Oh, mamãe, jovens ... jovens ... eles são o futuro. Veja, não posso correr mais, mas gostaria de passar a tocha para eles, como nas Olimpíadas! Os jovens têm apenas uma vida e vale a pena vivê-la bem.”

Quando Chiara percebeu que não iria melhorar, ela começou a planejar seu “casamento” (seu funeral) com sua mãe. Ela escolheu a música, canções, flores e as leituras para a missa. Ela queria ser enterrada com seu “vestido de noiva”, um vestido branco com cintura rosa, porque sua morte permitiria que ela se tornasse a noiva de Cristo. Ela disse à mãe: “Quando você estiver me preparando, mãe, você precisa ficar dizendo para si mesma: ‘Chiara Luce agora está vendo Jesus’”

Morte

Durante suas horas finais, Chiara fez sua confissão final e recebeu a Eucaristia. Ela pediu à família e aos amigos que orassem com ela: “Venha, Espírito Santo”. Chiara Luce morreu às 4 horas da madrugada de 7 de outubro de 1990, com os pais ao lado de sua cama. Suas palavras finais foram: “Tchau, mãe, seja feliz, porque eu sou. 

 

17 de mar. de 2014

Salmo 94: Oxalá hoje escuteis a sua voz

O salmo, do qual tomamos esta palavra de vida, nos recorda que somos o povo de Deus, que Ele quer nos guiar, como faz um pastor com seu rebanho, para introduzir-nos na terra prometida. Ele, que nos tem pensado desde sempre, sabe como devemos caminhar para viver em plenitude, para alcançar nosso verdadeiro ser. Em seu amor nos sugere o que fazer, o que não fazer e nos assinala um caminho a seguir.



Deus nos fala como a amigos, porque quer nos introduzir na comunhão com Ele. Se alguém escuta sua voz, diz o salmo em sua conclusão - entrará no repouso de Deus, na terra prometida, na alegria do Paraíso (cf Hb 3,7-4,1).

Jesus se compara também a um pastor que nos conduz, cada um de nós, a plenitude da vida. Ele fala e seus discípulos, que o conhecem, escutam a sua voz e o seguem. A eles promete a vida eterna (cf Jo 10, 28).

Deus faz cada um de nós ouvir sua palavra. Como nos recorda o Concílio Vaticano II: No fundo da própria consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer; essa voz, que sempre o está a chamar ao amor do bem e fuga do mal, soa no momento oportuno, na intimidade do seu coração: faze isto, evita aquilo. O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus; a sua dignidade está em obedecer-lhe, e por ela é que será julgado (Gaudium et Spes, 16).

O que devemos fazer quando Deus nos fala ao coração? Simplesmente temos que nos colocar a escuta de sua Palavra sabendo que, em linguagem bíblica, escutar significa aderir inteiramente, obedecer, adequar-se ao que é dito. É como deixar-se tomar pela mão e ser guiado por Deus. Podemos confiar em Deus como uma criança que se abandona aos braços de sua mãe e deixa levar por ela. O cristão é pessoa guiada pelo Espírito Santo.

Oxalá hoje escuteis a sua voz!

Após estas palavras, o salmo continua: Não endureceis o coração! Também Jesus falou muitas vezes sobre a dureza do coração. Se pode resistir a Deus, uma pessoa pode fechar-se a Ele e negar-se a escutar a sua voz. Um coração duro não deixa se moldar por Deus.

As vezes não se trata nem de má vontade. É que custa reconhecer "essa voz" em meio a muitas outras vozes que ressoam pelo mundo. Muitas vezes o coração está contaminado por demasiados ruídos ensurdecedores; são inclinações desordenadas que nos conduzem ao pecado, a mentalidade deste mundo que se opõe ao projeto de Deus, as modas, os slogans publicitários. Sabemos quão fácil é confundir as próprias opiniões, os próprios desejos com a voz do Espírito Santo, e, em consequencia, cair em caprichos e na subjetividade.

Nunca posso esquecer que a realidade está dentro de mim. Tenho que fazer calar tudo em mim para descobrir a voz de Deus. E tenho que extrair esta voz como se fosse um diamante do barro, limpá-la até reluzir e, então, deixar-se guiar por ela (cf Sl 72, 23-24). Então também poderei guiar outros, porque esta voz sutil de Deus empurra e ilumina, é uma seiva que sobe do fundo da alma, é uma sabedoria, é amor; e amor se deve dar.

Antes de mais nada, é necessário reevangelizar-se constantemente ouvindo a Palavra de Deus, lendo, meditando, vivendo o Evangelho para ir adquirindo, cada vez mais, uma mentalidade evangélica. Assim aprenderemos a reconhecer a voz de Deus dentro de nós, a medida em que aprendamos a conhecê-la dos 
lábio de Jesus, Palavra de Deus feita homem. E isto se pode pedir com a oração.

Devemos deixar viver o Ressuscitado dentro de nós, renegando a nós mesmos, fazendo guerra ao egoísmo, ao "homem velho" que está sempre rondando. Isto requer dizer "não" a tudo que está contra a vontade de Deus imediatamente e dizer "sim" a tudo que Deus deseja; "não" em todos os momentos de tentação, cortando de imediato insinuações de pecado; "sim" às tarefas que Ele nos tem confiado, "sim" ao amor para com o próximo, "sim" as provas e dificuldades que encontramos.

Podemos, enfim, identificar a voz de Deus mais facilmente se tivermos Cristo Ressuscitado em nosso meio, quer dizer, se nos amarmos reciprocamente, criando em todas partes um oásis de comunhão e fraternidade. Jesus em meio a nós é como um auto-falante que amplifica a voz de Deus dentro de cada um, fazendo-a ser escutada mais claramente. Também o apóstolo Pedro ensina que o amor cristão, vivido em comunidade, se enriquece sempre mais em conhecimento e discernimento, ajudando-nos a reconhecer sempre o melhor (cf Fp 1,9).

Então nossa vida está entre dois fogos: Deus dentro de nós e Deus entre nós. Neste forno divino nos formamos, escutamos e seguimos a Jesus. Uma vida guiada em tudo que é possível pelo Espírito Santo resulta bela: tem sabor, tem vigor, é autêntica e luminosa. 

- Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares.
-- tradução própria, a partir de um texto em espanhol 

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