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22 de set. de 2012

Os cristãos enfermos


Ao enfermo, diz o Senhor, não fortificastes (Ez 34,4). Diz aos maus pastores, aos pastores falsos, que buscam seu interesse, não o de Jesus Cristo. Aos que se alegram com as dádivas do leite e da lã, mas descuram totalmente as ovelhas e não cuidam das doentes. Parece-me haver diferença entre enfermo e doente – pois costuma-se chamar de enfermos os doentes; enfermo quer dizer não firme, e doente o que se sente mal.

Na verdade, irmãos, esforçamo-nos de algum modo por distinguir estas coisas, mas talvez com maior aplicação poderíamos nós ou outro mais entendido e com o coração mais cheio de luz discernir melhor. À espera disto, para que não sejais privados em relação às palavras da Escritura, falo o que penso. É de se temer sobrevenha uma tentação ao enfermo que o debilite. O doente, ao contrário, já adoeceu por alguma ambição e por esta ambição se vê impedido de entrar no caminho de Deus, de submeter-se ao jugo de Cristo.

Observai esses homens que desejam viver bem, já decididos a viver bem. São, no entanto, menos capazes de suportar os males do que fazer o bem. Pertence à firmeza do cristão não apenas fazer o bem, mas também tolerar os males. Aqueles, pois, que parecem ardentes nas boas obras, mas não querem ou não podem suportar as provações iminentes, estes são enfermos. Por outro lado, aqueles que amam o mundo e por qualquer desejo mau se afastam até das obras boas, jazem gravemente doentes, visto que pela doença, sem forças, nada de bom podem realizar.

O paralítico era um destes, na alma. Os que o carregavam, não podendo levá-lo até junto do Senhor, descobriram o teto e fizeram-no descer. É isto que terias de fazer: descobrir o teto e colocar junto do Senhor a alma paralítica, com todos os membros frouxos, e vazia de obras boas, curvada sob o peso dos pecados e doente com o mal de sua cobiça. Portanto, se todos os seus membros estão frouxos e há paralisia interior para levá-la ao médico – talvez o médico esteja escondido no teu interior: seria este um sentido oculto nas Escrituras– se queres descobrir-lhe o que está oculto, descobre o teto e faze descer diante dele o paralítico.

A quem assim não procede e desdenha fazê-lo, ouvistes o que lhe dizem: Aos doentes não fortalecestes, ao fraturado não pensastes (Ez 34,4); já explicamos esta passagem. Estava alquebrado pelo terror das provações. Mas surge algo que restaura a fratura, estas palavras de consolo: Fiel é Deus que não permitirá serdes tentados além do que podeis suportar, mas com a tentação vos dará o meio de sair dela para que a possais suportar (1Cor 10,13).

-- Do Sermão sobre os pastores, de Santo Agostinho, bispo (século V)

9 de mai. de 2012

Saltério de Bençãos


Santo Arsênio da Capadócia, um dos monges mais famosos da antigüidade, nascido no século IV, era tão estimado por seus ditados, bênçãos e orações que as pessoas viajavam semanas e até meses para estar com ele e ouvir seus conselhos. Quando não conhecia uma oração específica para amenizar o problema de quem o consultava, o santo costumava utilizar os salmos. Aqui encontra-se a correspondência entre os salmos e diversas ocasiões, conforme listado por Paisios.  

Sem levar em conta qualquer consideração religiosa, este "Livro de Necessidades" é um retrato fascinante da vida da população de Anatolia no início do século quarto. Com certeza, não há aqui uma idealização de condições rurais: particularmente, vale a pena observar a extrema preocupação de se aliviar dores físicas e psicológicas.

Para nós, pelo menos, a justificação exata para a escolha de um salmo para uma determinada necessidade não é sempre óbvia; e talvez isto seja intencional, para fazer com que se reflita profundamente sobre as palavras. Um documento como este não é um endosso à superstição ou religiosidade natural, mas um canal pelo qual o Amor de Deus pode entrar em todos os aspectos de nossa sociedade.

O primeiro número é o salmo na "Bíblia dos Setenta". O segundo número é o salmo encontrado no texto da maioria das Bíblias em português.

  • 1 (1) Uma árvore ou uma vinha é plantada, para que ela possa dar fruto.
  • 2 (2) Para que Deus ilumine aqueles que vão a reuniões e a concílios.
  • 3 (3) Para que o mal possa se afastar das pessoas, para que elas não atormentem injustamente seus companheiros.
  • 4 (4) Para que Deus cure as pessoas sensíveis que ficam doentes com depressão por causa do comportamento das pessoas de coração duro.
  • 5 (5) Para que Deus cure os olhos feridos.
  • 6 (6) Para que Deus liberte a pessoa que esteja enfeitiçada.
  • 7 (7) Para aqueles que se prejudicam com o medo, terrores e com as intimidações de pessoas más.
  • 8 (8) Para aqueles que são feridos por demônios ou por pessoas perversas.
  • 9 (9 & 10) Para que os demônios deixem de lhe atormentar durante o sono ou com ilusões durante o dia.
  • 10 (11) Para casais de coração duro que discutem e se separam (quando o homem ou mulher de coração duro atormenta seu companheiro sensível).
  • 11 (12) Para pessoas com doenças mentais que possuem maldade e ferem outros.
  • 12 (13) Para aqueles que sofrem do fígado.
  • 13 (14) Para um demônio terrível, três vezes contínuas por três dias.
  • 14 (15) Para que os assaltantes e ladrões mudem e voltem a deixar de praticar o mal, e se arrependam.
  • 15 (16) Para que a chave seja encontrada quando for perdida.
  • 16 (17) Por uma acusação grave e injusta, três vezes por dia por três dias.
  • 17 (18) Quando houver um terremoto ou outro desastre natural, ou tempestade com raios e trovões.
  • 18 (19) Para que mulheres dêem à luz sem problemas.
  • 19 (20) Para os casais que por razões médicas não podem ter filhos, para que Deus os cure e que eles não se separe.
  • 20 (21) Para que Deus amacie os corações dos ricos e que eles dêem esmolas aos pobres.
  • 21 (22) Para que Deus contenha o fogo, e que nenhum mal pior ocorra.
  • 22 (23) Para que Deus suavize as crianças muito problemáticas que deixam tristes seus pais.
  • 23 (24) Para que a porta se abra quando a chave é perdida.
  • 24 (25) Para pessoas que têm problemas pela tentação e problemas em suas vidas por ela, fazendo-as perder sua paz e queixarem-se.
  • 25 (26) Quando alguém pede alguma coisa boa a Deus para que Ele a dê sem que a pessoa se prejudique.
  • 26 (27) Para que Deus proteja os camponeses do exército inimigo, para que eles não machuque as pessoas ou destrua seus campos.
  • 27 (28) Para que Deus cure aqueles que sofrem de doenças de origem nervosa ou mental.
  • 28 (29) Para aqueles que têm enjôo no mar e que têm medo de mar violento.
  • 29 (30) Para aqueles que estão em perigo em terras distantes, no território de pessoas incrédulas e cruéis, para que Deus as guarde e ilumine as pessoas que lá estão para que tenham paz e venham a conhecer a Deus.
  • 30 (31) Para que Deus dê semente e fruta suficiente quando o tempo não estiver bom para agricultura.
  • 31 (32) Para que os viajantes encontrem seu caminho quando estiverem perdidos e sofrendo com isto.
  • 32 (33) Para que Deus revele a verdade para aqueles que foram presos injustamente, e para que eles sejam libertados.
  • 33 (34) Para aqueles no limiar da morte, quando estão atormentados por demônios. Ou pelo exército inimigo quando ele traz perigo e invade a fronteira com intenções execráveis.
  • 34 (35) Para que Deus liberte as pessoas justas de armadilhas dos ímpios , que querem levar vantagem sobre o povo de Deus.
  • 35 (36) Para que o ressentimento desapareça completamente após discussões e desentendimentos.
  • 36 (37) Para as pessoas feridas gravemente por criminosos.
  • 37 (38) Quando os dentes causarem dores advindas de dentes podres.
  • 38 (39) Para que as pessoas abandonadas e deprimidas encontrem trabalho, para que elas deixem de estar tristes.
  • 39 (40) Para que o amor entre patrão e empregado volte quando houver uma troca de palavras ásperas.
  • 40 (41) Para que mulheres dêem à luz sem problemas quando a criança vier prematuramente ao mundo.
  • 41 (42) Para jovens quando ficam doentes ao se apaixonarem, e uma pessoa fica sentido e triste.
  • 42 (43) Para que as pessoas se libertem de prisões de uma nação inimiga.
  • 43 (44) Para que Deus revele a verdade a casais quando houver um mau entendimento, para que eles alcancem a paz e amor mútuo novamente.
  • 44 (45) Para aqueles que sofrem do coração ou dos rins.
  • 45 (46) Para as pessoas jovens que por causa da inveja possuem inimigos os impedindo de ter uma família (isto é, de se casarem).
  • 46 (47) Para que o empregador e empregado encontre paz, quando o empregado é ofendido pelo empregador, e para que o empregado encontre trabalho.
  • 47 (48) Quando gangues de criminosos roubam e desastres graves ocorram: para se lido continuamente por 40 dias.
  • 48 (49) Para aqueles que possuem um trabalho perigoso.
  • 49 (50) Para que as pessoas que estejam afastadas de Deus se arrependam e retornem para Deus e sejam salvas.
  • 50 (51) Quando, por causa de nossos pecados e fim de nos corrigir, a punição de Deus nos atinge (doenças epidêmicas e mortes de pessoas ou animais).
  • 51 (52) Para que os mestres de coração duro se arrependam e tenham compaixão e não atormentem as pessoas.
  • 52 (53) Para que Deus abençôe as redes e que elas fiquem cheias de peixes.
  • 53 (54) Para que Deus ilumine os ricos que compraram escravos para que eles os liberte.
  • 54 (55) Para que o nome de uma família que tenha sido acusada injustamente seja restaurado.
  • 55 (56) Para pessoas fracas, cujas almas foram feridas por seus companheiros.
  • 56 (57) Para aquelas pessoas que sofrem de dores de cabeça por grande tristeza.
  • 57 (58) Para que as coisas cheguem de forma útil para aqueles que trabalham com boa intenção, para que Deus impeça ações perversas de demônios ou pessoas desonestas.
  • 58 (59) Para aqueles que não podem falar, que Deus dê a eles a habilidade de falar.
  • 59 (60) Para que Deus revele a verdade quando um grupo inteiro de pessoas for injustamente acusado.
  • 60 (61) Para aqueles que têm problemas em seu trabalho seja por causa de preguiça ou por medo.
  • 61 (62) Para que Deus alivie os problemas da pessoa fraca, para que ele não seja dominado pelo desejo de queixar-se.
  • 62 (63) Para que os campos e as árvores dêem fruto quando a água for pouca.
  • 63 (64) Quando uma pessoa é mordida por um cachorro ou lobo raivoso. 
  • 64 (65) Para que os mercadores prosperem, para que eles não falem muito e levem vantagem de pessoas simples.
  • 65 (66) Para que o mal não crie obstáculos nas residências e faça com que famílias fiquem tristes.
  • 66 (67) Para que os locais onde as galinhas foram criadas sejam abençoados.
  • 67 (68) Para que as mulheres com problemas durante a gravidez consigam passar por esta fase e ficar saudáveis.
  • 68 (69) Quando houver chuva forte e rios transbordarem, levando com eles pessoas e casas.
  • 69 (70) Para pessoas sensíveis que ficam tristes por pequenas coisas e entram em desespero, que Deus dê a elas a força.
  • 70 (71) Para pessoas isoladas que se tornam entediadas de outras por causa da inveja do demônio e entram em desespero, que eles tenham misericórdia e cura de Deus.
  • 71 (72) Para que Deus abençoe as colheitas da nova produção de agricultura que os camponeses trazem para casa.
  • 72 (73) Para que os criminosos se arrependam.
  • 73 (74) Para que Deus proteja os camponeses que trabalham nos seus campos quando o inimigo tiver rodeado a vila.
  • 74 (75) Para que o empregador desumano se torne calmo e não atormente seus seres humanos companheiros, os empregados.
  • 75 (76) Para uma mãe que está amedrontada durante o nascimento de seu filho, para que Deus a dê coragem e a proteja.
  • 76 (77) Quando não houver entendimento mútuo entre pais e crianças, que Deus os ilumine, para que as crianças ouçam seus pais e os pais mostrem amor.
  • 77 (78) Para que Deus ilumine aqueles que emprestam para que eles não pressionem seus companheiros pelos seus debtos, e para que eles tenham compaixão.
  • 78 (79) Para que Deus proteja as vilas de roubo de um exército inimigo.
  • 79 (80) Para que Deus cure uma pessoa cuja face fica inchada e toda sua cabeça está doendo.
  • 80 (81) Para que Deus tome conta dos pobres necessitados, tristes e em depressão por causa da pobreza.
  • 81 (82) Para que as pessoas comprem produtos dos camponeses, para que os camponeses não fiquem tristes nem em depressão.
  • 82 (83) Para que Deus impeça as pessoas más que pensam em assassinar.
  • 83 (84) Para que Deus preserve tudo que é mantido na casa, e os animais e os produtos dos produtores.
  • 84 (85) Para que Deus ajude aqueles que foram feridos por ladroes e além do mais ficaram psicologicamente afetados pelo terror.
  • 85 (86) Para que Deus salve o mundo quando pragas vierem e pessoas morrerem.
  • 86 (87) Para que aumente as vidas dos membros de família que ainda são necessários pelo resto da família.
  • 87 (88) Para que Deus proteja todos aqueles que não possuem protetor e estão sofrendo por causa de companheiros de coração duro.
  • 88 (89) Para que Deus dê força àqueles que ficam doentes com facilidade e são fisicamente fracos, para que eles possam trabalhar sem ficar cansados e deprimidos.
  • 89 (90) Para que Deus traga chuva onde houver seca, ou que os poços dêem água novamente se eles deixaram de dar.
  • 90 (91) Para que o demônio desapareça quando ele aparecer em frente a uma pessoa e trouxer terror.
  • 91 (92) Para que Deus dê prudência a pessoas para que elas progridam espiritualmente.
  • 92 (93) Para que Deus proteja a embarcação quando ela estiver em grande perigo no mar. (Ele havia também para atirar água abençoada nos quatro cantos do navio).
  • 93 (94) Para que Deus ilumine as pessoas desordeiras que causam problemas para a nação e trazem comoção às pessoas, causando problemas pela desordem e divisões.
  • 94 (95) Para que nenhum feitiço faça que casais comecem a encontrar razoes para discussões e brigas.
  • 95 (96) Para que Deus dê às pessoas surdas a habilidade de ouvir.
  • 96 (97) Para que os encantamentos se afastem das pessoas.
  • 97 (98) Para que Deus dê conforto aqueles que estão tristes para que eles deixem de ficar deprimidos.
  • 98 (99) Para que Deus abencôe e dê graças às pessoas jovens que desejam deixar tudo e seguir a Deus. [Eu não sei quão correta está minha tradução aqui (diz o tradutor do grego para inglês). Para mim, a frase exata que é usada me faria pensar de pessoas que seguem a vida monástica, mas não tenho certeza. --Trans.]
  • 99 (100) Para que Deus abencôe e realize os desejos das pessoas que agem de acordo com Seu desejo.
  • 100 (101) Para que Deus dê graças e talentos para as pessoas bons e simples.
  • 101 (102) Para que Deus abencôe as pessoas que são poderosas para que elas ajudem as pessoas com doçura e inteligência.
  • 102 (103) Para que o fluxo mensal de sangue venha à mulher quando estiver atrasado.
  • 103 (104) Para que Deus abencôe as posses das pessoas que não são tristes e deprimidas, mas que glorificam a Deus.
  • 104 (105) Para que as pessoas se arrependam e confessem seus pecados.
  • 105 (106) Para que Deus ilumine as pessoas para que elas não se afastem do caminho da salvação.
  • 106 (107) Para que Deus dê à mulher que não pode dar à luz a habilidade de fazê-lo.
  • 107 (108) Para que Deus enfraqueça os inimigos, para que eles mudem suas intenções más.
  • 108 (109) Para que Deus cure os epiléticos. Ou, para que Deus tenha piedade daqueles que acusam injustamente e se arrependam.
  • 109 (110) Para que os mais jovens respeitem os mais velhos.
  • 110 (111) Para que os juízes injustos se arrependam e julguem as pessoas de Deus com justiça.
  • 111 (112) Para que Deus proteja os soldados quando eles forem para a guerra.
  • 112 (113) Para que Deus dê bênçãos à viúva pobre, para que ela pague seus débitos evitando de ir para a prisão.
  • 113 (114 & 115) Para que Deus cure as crianças retardadas mentalmente.
  • 114 (116:1-9) Para que Deus abencôe e conforte as crianças pequenas tristes e pobres, para que elas não sejam humilhadas pelas crianças ricas e conseqüentemente fiquem deprimidas.
  • 115 (116:10-19) Para que Deus cure da terrível inclinação à mentira.
  • 116 (117) Para que famílias sejam mantidas unidas e amem e glorifiquem a Deus.
  • 117 (118) Para que Deus enfraqueça os bárbaros quando eles rodearem uma vila e levarem medo, e que Ele inverta suas intenções más.
  • 118 (119) Para que Deus despedace os bárbaros e enfraqueça suas ações quando eles assassinarem crianças e mulheres inocentes.
  • 119 (120) Para que Deus dê paciência e tolerâncias às pessoas que vivem juntas com pessoas más e injustas.
  • 120 (121) Para que Deus proteja os escravos das mãos do inimigo para que eles não sejam mutilados antes de serem liberados.
  • 121 (122) Para que Deus cure todos que sofrem de "mau-olhado".
  • 122 (123) Para que Deus dê visão a cegos e cure os olhos dos que estão com dores.
  • 123 (124) Para que Deus proteja as pessoas de cobras, para que elas não as morda.
  • 124 (125) Para que Deus proteja os campos das pessoas justas das pessoas más.
  • 125 (126) Para que Deus cure as pessoas que sofrem de dores de cabeça contínua.
  • 126 (127) Para que Deus traga paz à família quando houver discussões.
  • 127 (128) Para que a maldade dos inimigos nunca se aproxime dos lares, e para que haja paz e bênçãos de Deus na família.
  • 128 (129) Para que Deus cure as pessoas que sofrem de enxaquecas, ou, para que Deus tenha piedade das pessoas grossas e insensíveis que trazem tristezas às sensíveis.
  • 129 (130) Para que Deus dê coragem e esperança àqueles que começam um novo trabalho e não o conhecem bem, para que eles não encontrem dificuldade extrema no seu trabalho.
  • 130 (131) Para que Deus leve conforto e arrependimento com esperança às pessoas para que elas sejam salvas.
  • 131 (132) Para que Deus mostre piedade ao mundo quando, por causa de nossos pecados, ocorrem guerras contínuas.
  • 132 (133) Para que Deus ilumine as nações e elas se tornem amigas e os povos encontrem a paz.
  • 133 (134) Para que Deus proteja as pessoas de todo o perigo.
  • 134 (135) Para que as pessoas se concentrem no momento da oração e que suas mentes estejam unidas com Deus.
  • 135 (136) Para que Deus proteja os imigrantes quando eles abandonam seus lares e para para que eles sejam salvos de bárbaros.
  • 136 (137) Para que Deus traga firmeza à pessoa de caráter instável.
  • 137 (138) Para que Deus ilumine os senhores de um local para que os pedidos das pessoas sejam tratados com inteligência.
  • 138 (139) Para que Deus corte a tentação de pessoas sensíveis que tenham pensamentos blasfemadores.
  • 139 (140) Para que Deus dê paz ao líder da família que possui um caráter difícil e traz sofrimentos a toda a família.
  • 140 (141) Para que Deus torne calmo os maus que controlam um local que atormentam seus companheiros.
  • 141 (142) Para que Deus acalme o rebelde que está praticando o mal; e mesmo que ele seja curdo, que ele se torne um cordeiro. [Santo Arsênio estava vivendo na Asia Menor. Curdos, que eram quase sempre soldados, tinham uma reputação entre outros grupos étnicos de serem lutadores brutais. ]
  • 142 (143) Para que Deus proteja a mãe em sua gravidez para que ela não perca o seu filho.
  • 143 (144) Para que Deus dê paz às pessoas quando elas estão agitadas para que não ocorra guerra civil.
  • 144 (145) Para que Deus abençôe o trabalho das pessoas para que ele seja bem aceito por Deus.
  • 145 (146) Para que Deus interrompa o fluxo de sangue das pessoas que sofrem disso.
  • 146 (147:1-11) Para que Deus cure as pessoas que foram mordidas e feridas por dentes de pessoas más.
  • 147 (147:12-20) Para que Deus traga paz aos animais selvagens para que eles não incomodem pessoas ou tragam prejuízos a produções das fazendas.
  • 148 (148) Para que Deus torne o tempo apropriado para que as pessoas tenham abundância e glorifiquem a Deus.
[Estas foram de Santo Arsênios. As seguintes são de Pai Paisios da Montanha Sagrada.]
  • 149 (149) Da gratidão e reconhecimento a Deus por Sua muita bondade e pela plenitude de Seu amor, que não conhece limite e nos tolera.
  • 150 (150) Para que Deus felicidade e conforto a nossos irmãos e irmãs tristes que estão em locais distantes, e para aqueles dentre nossos irmãos e irmãs que estão dormindo ainda mais longe. 


-- O SALTÉRIO COMO UM LIVRO DE NECESSIDADES, de acordo com o uso de Santo Arsênio de Capadocia, como transmitido pelo ancião Paisios do Monte Athos.

8 de fev. de 2012

São Peregrino - o patrono dos que sofrem com câncer

São Peregrino (Pellegrino) nasceu em  Forli/Itália em 1260 e morreu em 1o. de Maio de 1345, filho de uma família rica. A cidade onde foi criado era contrária a Igreja. São Peregrino vivia em festas, desfrutando os prazeres do mundo.

Certo dia, o Papa enviou uma missão para pregar na cidade lidera por São Felipe Benizi. Os missionários foram até a praça principal da cidade e começaram a catequisar o povo. Tudo corria relativamente bem e o povo estava escutando-os, até chegar São Pelegrino e seu bando. 

No auge da bagunça, ele subiu no púlpito e deu um tapa no rosto de São Felipe Benizi. Este levantou-se e ofereceu a outra face, já dizendo que lhe perdoava. São Peregrino, então, pecebeu o erro e pedu desculpas. Com remorsos, começou a abandonar a vida anterior e ir à Igreja para rezar. 

Em uma destas ocasiões teve uma visão da Virgem Maria que lhe recomendou ir a Sena. Uma vez lá, soube da Ordem dos Servos de Maria (os Servitas) e procurou o superior para pedir por sua admissão. O superior era justamente São Felipe Benizi. 

A partir deste momento iniciou uma vida de penitências por seus pecados anteriores. Em especial, decidiu-se por não mais sentar-se, exceto se fosse por obediência. Diz-se que ficou trinta anos sem sentar-se. Devido ao esforço constante, teve doenças nas pernas e, por fim, um câncer. Os médicos decidiram que era necessária amputar a perna. Nanoite anterior à operação, postou ajoelhado ao pé de uma cruz começou a orar. Após muitas horas caiu adormecido e teve uma visão de Jesus Cristo que lhe tocava  a perna. Ao amanhecer, a perna estava completamente curada. 

Sua vida fervorosa e qualidades de confessor ajudaram muitas pessoas a se converterem. Morreu doente em 1345. Durante seu funeral, um cego ao prestar-lhe homenagem retomou a visão. E uam mulher endemoniada, conhecida na região por brigar e bater em qualquer homem da cidade, foi levada até a Igreja. O demônio, frente ao caixão do santo, abandonou a mulher. 

Devido a cura do câncer na perna, São Peregrino é considerado o patrono daqueles que sofrem com câncer. Seu corpo permanece incorrupto na Catedral de Forli. Foi beatificado pelo Papa Paulo V em 15 de Abril de 1609 e canonizado pelo Papa Bento XIII em 27 de Dezembro de 1726. Sua festa é celebrada em 1o. de Maio. 


Oração de São Peregrino (Oração contra o Câncer) 

Glorioso São Pelegrino, que obedecendo à voz da graça, renunciastes, generosamente, às vaidades do mundo para dedicar-vos ao serviço de Deus, de Maria Santíssima e da salvação das almas. Fazei que nós também, desprezando os falsos prazeres da terra, imitemos o vosso espírito de penitência e mortificação. São Pelegrino afastai de nós a terrível enfermidade, preservai-nos a todos nós deste mal, com vossa valiosa proteção. São Pelegrino, livrai-nos do câncer do corpo e ajudai-nos a vencer o pecado, que é o câncer da alma. Amém.



22 de out. de 2011

São João Batista de Rossi

Em uma observação rápida, a vida de São João Batista de Rossi foi bastante comum. Um simples padre que durante quarenta anos trabalho nas paróquias de Roma. Mas, sua vida espiritual serviu de exemplo para milhares de necessitados - doentes, mendigos, prostitutas, trabalhadores braçais - que viviam em condições precárias. Durante o dia, ele cuidava de doentes em hospitais, a noite em abrigos para o povo da rua.

Trabalhadores da área da saúde podem ter São João Batista de Rossi como modelo. Antes de anunciar a um doente terminal a salvação da alma, procurava de todas as maneiras aliviar seus sofrimentos físicos. Não poupava-se de nenhuma situação, fosse qual fosse o estado de deterioração do doente e repugnantes fossem sua feridas. E este desprendimento conquistava as pessoas. Certa vez, um jovem que estava a morrer de sífilis chamou a atenção do padre, que o tratou com muitos cuidados. Tocado pela sua humildade, o jovem convenceu-se dos erros que havia cometido em vida, fez uma confissão geral muito proveitosa e, logo após receber a absolvição, faleceu.

Outros padres e muitos penitentes admiravam-se da sua capacidade par ajudar as pessoas durante confissões. Com poucas palavras, era capaz de iluminar e modificar suas vidas de maneira permanente. Em uma ocasião, procurou-o um jovem que vivia sozinho e mantinha relações sexuais quase diariamente com uma mulher casada, que o visitava a pretexto de ajudá-lo a manter as roupas limpas. São João Batista de Rossi mostrou-lhe a gravidade do pecado e poucos minutos convenceu-o a abandonar este vício. Como sinal de conversão, no dia seguinte o jovem lhe trouxe uma pilha de suas melhores roupas, justamente as que serviam de pretexto para seus pecados. 

A todos instigava para que seguissem seu exemplo no cuidado das almas. Eis aqui trecho de um dos seus sermões:

A ignorância é a lepra da alma. Quantos leprosos existem na igreja de Roma hoje em diante. onde muitas pessoas não sabem o que é necessário para a salvação de suas armas? É nossa tarefa nos esforçarmos para curar esta doença.

Assim como o menino Jesus, temos que nos ocupar dos negócios de nosso Pai - a salavação das almas de nossos irmãos e irmãs. As almas de nossos vizinhos estão em nossas mãos, e quantas são perdidas por nosso desleixo? Os doentes morrem sem uma preparação adequada porque nós não dispendamos tempo nem esforços para prepará-los adequadamente, cuidar cuidadosamente de cada um deles em particular. Se tivermos um pouco mais de paciência, um pouco mais de perseverança, um pouco mais de amor, poderemos guiar estas pobres almas aos céus. 

Muitos de nós evitamos ir aos hospitais por medo de infecções ou da visão e odor daqueles que estão a esperar por nós. Coragem! Não estamos neste mundo para seguirmos nosso próprio prazer, mas para imitar o Senhor. Se experitamos certa repugnância em nosso trabalho, seja pela sua natureza, seja por certo desprezo aos pobres, lembremos o exemplo de São Franscisco de Sales. Ele não recusava qualquer trabalho, não se importava coma fadiga, e foi recompesado com o retorno de milhares de almas à Igreja. Quando reprovado por ter encurtado sua vida devido a todas estas atividades, respondeu: "Não é ncessário que eu viva, mas é fundamental que almas sejam salvas". Este deve ser nosso moto.

Em uma pregação para outros padres, disse:

Os pobres vem a Igreja cansados e distraídos por seus muitos problemas diários. Se fizeres um longo sermão, não conseguem acompanhar. Dê-lhes uma idéia simples que possam levar para casa, não meia dúzia delas, pois a segunda vai deslocar a primeira, e nenhuma será lembrada ao final.

São João Batista de Rossi, ele mesmo sofreu as consequencias de seu serviço incansável, teve um infarto em 1763 e morreu um ano após.Foi canonizado pelo Papa Pio IX, em 13 de Maio de 1860. O processo havia sido iniciado logo após sua morte, mas devido à guerras e revoluções que de certa forma envolveram a Igreja, não foi devidamente considerado por cerca de 90 anos. O Papa Leão XIII o canonizou em 8 de Dezembro de 1881. Uma igreja em sua honra também teve sua construção atrasada por muitos anos, devido às guerras mundiais. A Igreja foi consagrada em 22 de Maio de 1965 e suas relíquias foram para lá transferidas no dia seguinte.

-- Texto traduzido  do livro Voices of the Saints, de Bert Ghezzi.

20 de out. de 2011

Não sabemos pedir o que convém


Santo Agostinho (354-430)

Talvez ainda indagues por que o Apóstolo disse: Não sabemos pedir o que nos convém (Rm 8,26) . Pois de modo algum se pode crer que ele ou aqueles a quem dizia isto ignorassem a oração dominical.

O Apóstolo não se excluiu desta ignorância. Talvez não tivesse conhecido como convinha orar, quando pela grandeza das revelações lhe foi dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para esbofeteá-lo. Por este motivo rogou por três vezes ao Senhor que o livrasse e, na verdade, não sabia orar o que convinha.Por fim ouviu a resposta de Deus por que não atendia ao que lhe pedia tão grande homem e por que não lhe era conveniente: Basta-te a minha graça, porque a força se perfaz na fraqueza (2Cor 12,9).

Portanto, nas tribulações que tanto podem ser proveitosas quanto prejudiciais, não sabemos o que pedir como convém. No entanto, por serem duras, desagradáveis, contrárias ao modo de sentir de nossa fraqueza, pelo anseio humano universal, rogamos que sejam afastadas de nós. Contudo temos de ter confiança no Senhor, nosso Deus, e, se não as retira, não pensemos logo que nos abandona, mas antes que, por suportar generosamente os males, podemos esperar maiores bens. Assim a força se perfaz na fraqueza.

Estas coisas foram escritas para que não aconteça que alguém se tenha em alta conta, se for atendido quando pede com impaciência algo que lhe seria mais proveitoso não alcançar. Ou desanime e desespere da divina misericórdia, se não for atendido, quando talvez peça aquilo que lhe será causa de mais atrozes aflições ou o corromperá pela prosperidade e o fará perder-se inteiramente. Em todas estas coisas não sabemos orar como convém.

Por este motivo, se nos acontece o contrário do que pedimos, não há que duvidar ser muito melhor suportar com paciência e, dando graças por tudo, porque foi a vontade de Deus que se fez e não a nossa. Pois o próprio Mediador nos deu exemplo ao dizer: Pai, se for possível, afaste-se de mim este cálice, mas logo, mudando em si a vontade humana assumida pela encarnação, acrescentou: Porém não o que eu quero, mas o que tu queres, Pai (Mt 26,39). Por isto, com toda a razão, pela obediência de um, muitos foram constituídos justos (cf. Rm 5,19).

-- Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo (século IV)

8 de out. de 2011

Santo Damião de Molokai (ou São Damião "Leproso")

Santo Damião de Veuster nasceu na Bélgica
em 3/Jan/1840 e morreu em Molokai, Hawaii,
em 15/Abr/1889.
Em 1873, padre Damien de Veuster se voluntariou para servir numa colônia de leprosos em Molokai, Hawaii. Oito anos antes da chegada do missionário, um surto de lepra ocorreu nas ilhas e as vítimas haviam sido isoladas num local que ainda hoje o único acesso é por uma longa e dificil caminhada. Mesmo tendo uma premonição que poderia morrer de lepra, aceitou a missão com alegria, tendo declarado: Eu quero ir para lá. Eu já conheço muitas destas almas desafortunadas e peço somente compartilhar seus sofrimentos e abandono.

Logo ao chegar a Molokai, padre Damien compreendeu que tratava-se de uma prisão, onde degradação, sofrimentos e mortes eram constante. Embora desesperançado, não deixou-se abater. Imediatamente tratou de encontrar formas de melhorar a o ambiente. Não os tratava como doentes, mas como seres humanos. Ele os organizou em grupos de trabalho para construir clínicas, dormitórios e estradas. Criou a paróquia de Santa Filomena. Estabeleceu um cemitério e fazia caixões. A dignidade na morte melhorou a vida dos doentes. Para os amantes de esportes havaianos, organizou pequenas competições, da qual participavam mesmo alguns que já haviam perdido um pé. Formou um coro e uma banda. Dois doentes que ainda tinham os dez dedos tornaram-se organistas, tendo aprendido algumas músicas apropriadas para funerais. 

Padre Damien não tomava precauções ao cuidar do seu povo. Dirariamente os ajudava, tratava as feridas, fazia curativos, dava banhos. Disse um visitante: eu vi padre Damien os tratar como faço com as mais belas flores do meu jardim. Quando não estava cuidando dos doentes, pressionava as autoridades por mais dinheiro e recursos médicos. 

Em Dezembro de 1884, enquanto preparava-se para tomar banho, colocou seu pé em água fervente, queimando-o a ponto de criar bolhas. Mas ele não sentiu nenhuma dor, percebendo que contraíra a doença.  Não apenas continuou com seu trabalho, mas intensificou a construção de casas e outras obras de auxílio. 

Padre Damião com as crianças e jovens leprosos que ele cuidava.
Em 1889 sabia claramente que a morte aproximava-se. A doença atingira completamente um braço e uma perna,  e já afetava outro pé. Em 23 de Março já não conseguiu levantar-se da cama. Em 30 de Março fez uma confissão geal e renovou seus votos. Em 2 de Abril recebeu a extrema-unção.  Morreu as 8:00 de 15 de Abril de 1889, aos 49 anos. Foi sepultado no mesmo cemitério que havia construído, junto com outros leprosos. Em uma carta para seu irmão declarou: tornei-me um leproso junto aos leprosos, para os conduzir a Jesus Cristo.

Foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 4 de Junho de 1995 e canonizado pelo Papa Bento XVI em 11 de Outubro de 2009. Na homília da missa de canonização, o Papa assim o descreveu:

Jozef  De Veuster, que na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria recebeu o nome de Damiaan, quando tinha 23 anos, em 1863, deixou a sua terra natal, a Flandres, para anunciar o Evangelho do outro lado do mundo, nas Ilhas Hawaii. A sua atividade missionária, que lhe deu tanta alegria, alcança o seu ápice na caridade. Não sem receio e repugnância, fez a escolha de ir para a Ilha de Molokai ao serviço dos leprosos que ali se encontravam, abandonados por todos; assim expôs-se à doença da qual eles sofriam. Com eles sentia-se em casa. O servidor da Palavra tornou-se assim um servidor sofredor, leproso com os leprosos, durante os últimos anos da sua vida.

Para seguir Cristo, o Padre Damiaan não só deixou a sua pátria, mas também pôs em perigo a sua saúde: por isso ele – como diz a palavra de Jesus que nos foi anunciada no Evangelho de hoje recebeu a vida eterna (cf. Mc 10, 30). Neste vigésimo aniversário da canonização de outro santo belga, o Irmão Mutien-Marie, a Igreja na Bélgica está unida mais uma vez para dar graças a Deus por um dos seus filhos reconhecidos como autentico servo de Deus. Recordemo-nos diante desta nobre figura que é a caridade que faz a unidade: ela cria-a e torna-a desejável. No seguimento de São Paulo, São Damiaan convida-nos a escolher o bom combate (cf. 1 Tm 1, 18), não os que levam à divisão, mas os que unem. Ele convida-nos a abrir os olhos sobre as lepras que desfiguram a humanidade dos nossos irmãos e interpelam ainda hoje, mais do que a nossa generosidade, a caridade da nossa presença servidora.


Antes de falecer, escreveu como uma regra de vida:

A memória das infidelidades passadas deve mover a cada um de nós a realizar atos de humildade e contrição no tempo presente, renovando nossos votos para o futuro. Seja severo consigo, indulgente com os demais. Seja absolutamente escrupuloso com tudo a respeito de Deus, na oração, meditação, celebração da missa e sacramentos.

Una seu coração ao de Deus. E, quando no meio das tentações, proteste incessantemente que prefere morrer neste momento que consentir com um pecado, mesmo que um simples pecado venial. Que a paixão te leve a constantemente murmurar estas palavras: "Desejo desaparecer e ser com Cristo". Para manter-se longe dos pecados, lembre-se do julgamento invisível de Deus, que olha e conhece todas nossas ações. 

Seja bom, seja vigilante. Lembre-se sempre dos três votos pelos quais estas morto para o mundo. Tudo que possuíres é para teu uso pessoal, nada é tua propriedade. Morra para os prazeres da carne, a pureza te fará como um anjo. A impureza faz o diabo com um padre. Sem sensualidades, nada de olhares fáceis. Faça todos os caprichos da tua vontade morrerem. E quanto ao teu corpo, deixe teus superiores dispor dele como bem entenderem. 

Lembre-se sempre da imutabilidade de Deus e imite a sua paciência quando enfrentares todas situações. Lembre-se que Deus é eterno. Trabalhe corajosamente para um dia reunir-se a Ele. 

-- A regra de vida foi traduzida do livro Voices of the Saints, de Bert Ghezzi, assim como muitas informações a respeito da vida do Santo.  

17 de set. de 2011

São João de Deus


Dois anos antes da partida de Vasco da Gama para a Índia, nascia em Montemor-o-Novo, Alentejo, um outro grande herói de seu nome João. Este nasceu no dia 8 de Março de 1495, na Rua Verde, numa habitação modesta, de gente humilde e honrada.

Aos oito anos, João ouviu, de um padre em visita, sobre as aventuras que o poderiam esperar, nesse ano de 1503, na descoberta de novos mundos. Nessa mesma noite fugiu de casa para viajar com o padre e nunca mais viu os seus pais. Foram vivendo da ajuda popular de aldeia em aldeia até que João adoeceu.

O homem que tratou dele, regente de uma grande propriedade, adoptou-o posteriormente. João trabalhou como pastor nas montanhas até aos vinte e sete anos. Sentindo-se pressionado para casar com a filha do regente, a qual amava como irmã, João foi-se embora e alistou-se no exército espanhol na guerra contra França. Como soldado, era tudo menos modelo de santidade, participando no jogo, na bebida e nas pilhagens que os seus camaradas apreciavam. Um dia, caiu de um cavalo roubado perto das linhas francesas. Com medo de ser capturado ou morto, reviu toda a sua vida e fez um voto impulsivo de mudança.

Quando regressou, mantendo o estímulo do voto feito, confessou-se, e imediatamente mudou a sua vida. Os seus camaradas não se importavam muito com o seu arrependimento mas detestavam que ele quisesse que eles também deixassem os seus prazeres. Usavam, então, da sua natureza impulsiva para o enganarem, e ele deixar o seu posto, com o pretexto de ajudar alguém em necessidade. Foi salvo da forca, no último minuto, e corrido do exército, depois de espancado e despido. Mendigou no caminho de volta para a casa onde tinha trabalhado como pastor, até que ouviu falar de uma nova guerra com os Muçulmanos a invadirem a Europa. Partiu de novo, mas no final da guerra, decidiu tentar encontrar os seus pais. Para sua tristeza, descobriu que ambos tinham morrido na sua ausência.

Como pastor teve imenso tempo para meditar sobre o que Deus quereria da sua vida. Quando decidiu, aos trinta e oito anos, que deveria ir para África para resgatar cristãos cativos, deixou tudo para trás e dirigiu-se ao porto de Gibraltar. Estando na doca à espera do seu navio, encontrou uma família visivelmente triste e desgostosa. Tendo descoberto que eram uma família nobre que partia para o exílio em África devido a intrigas políticas, abandonou o seu plano original e voluntariou-se como seu servo. A família adoeceu, quando chegou ao exílio, e João manteve-os, não só cuidando da sua doença, mas também ganhando dinheiro para a sua alimentação. O seu trabalho na construção de fortificações era castigador e desumano, sendo os trabalhadores espancados e maltratados por pessoas que se auto-intitulavam de católicos. Vendo cristãos a agir desta forma tão inquietante, João viu a sua fé abalada. Um padre aconselhou-o a não acusar a Igreja pelos seus actos e a partir para Espanha imediatamente. João regressou – mas apenas após ter a certeza de que a sua família de adopção recebera o perdão.Em Espanha passou os seus dias carregando navios e as suas noites visitando igrejas e lendo livros espirituais. A leitura deu-lhe tamanho prazer, que decidiu dever partilhar essa alegria com os outros. Deixou o seu trabalho e tornou-se vendedor ambulante de livros, viajando de vila em vila vendendo livros e postais religiosos. Teve uma visão, aos quarenta e um anos, que o levou a Granada onde vendeu livros numa pequena loja. (Por isso é o santo padroeiro dos livreiros e tipógrafos

Depois de escutar um sermão pelo famoso João de Ávila sobre arrependimento, ficou tão perturbado pelo pensamento nos seus pecados, que toda a vila foi levada a pensar que o pequeno livreiro tinha passado de simples excentricidade à loucura. Após o sermão, João dirigiu-se imediatamente para a sua livraria, rasgou todos os livros de conteúdo secular, deu todos os seus livros religiosos e todo o seu dinheiro. De roupas rasgadas e em pranto, era alvo de insultos, de piadas, e até de pedradas e lama arremessadas pela população da vila, incluindo as suas crianças.

Amigos levaram o enlouquecido João para o Hospital Real, onde foi internado com os lunáticos. João recebeu o tratamento normal daquela época – ser amarrado e açoitado diariamente. João de Ávila veio visitá-lo, dizendo-lhe que a sua penitência já durava há tempo suficiente – quarenta dias, o mesmo período que o Senhor sofreu no deserto – e fez com que João fosse levado para uma zona melhor do hospital.

João de Deus não conseguia ver sofrimento sem que não tentasse algo para o ajudar. E agora que estava livre de movimentos, embora ainda como paciente, imediatamente se levantou e começou a ajudar os outros doentes à sua volta. O hospital ficou radiante por ter a sua ajuda gratuita nos cuidados, não ficando contente por o deixar sair posteriormente, quando um dia se apresentou para anunciar que iria fundar o seu próprio hospital.

João bem estava certo de que Deus queria que ele fundasse um hospital para os pobres, que recebiam fraco tratamento, ou mesmo nenhum, dos outros hospitais, mas toda a gente ainda o olhava como um homem louco. Não foi grande sucesso, a sua decisão de financiar o seu plano com a venda de lenha na praça. À noite, pegando no pouco dinheiro que ganhava, trazia comida e conforto aos pobres que viviam em edifícios abandonados e sob as pontes. De facto, o seu primeiro hospital foram as ruas de Granada.

Uma hora após ter visto uma placa numa janela dizendo "Aluga-se casa para alojamento de pobres", alugou a casa para poder prestar cuidados debaixo de tecto. Claro que fez o aluguer sem dinheiro para acessórios, medicamentos ou ajuda. Depois de ter pedido dinheiro para camas, voltou às ruas e trouxe os seus pacientes aos ombros, que já tinham carregado pedras, lenha e livros. Uma vez dentro de casa, lavou-os, fez-lhes curativos, e remendou-lhes as roupas à noite, enquanto rezava. Usou da sua antiga experiência como vendedor ambulante para pedir esmola, apregoando pelas ruas na sua voz de vendedor, "Façam bem a vós próprios! Por amor de Deus, Irmãos, façam o bem!" Em vez de vender mercadorias, antes aceitava tudo o que lhe pudessem dar – sobras, roupas, moedas.Ao longo da sua vida foi criticado pelas pessoas que não gostavam do facto do seu amor impulsivo se estender a todos os necessitados, sem perguntar por credenciais ou referências pessoais. Quando lhe foi possível mudar o seu hospital para um antigo mosteiro Carmelita, abriu um abrigo para os sem-casa no hall do mosteiro. Imediatamente, os seus críticos tentaram demovê-lo com o argumento de que estaria a saciar arruaceiros. A sua resposta a estas críticas foi sempre de que apenas conhecia um mau carácter no hospital, ele próprio. A sua solicitude para agir imediatamente quando via necessidades, levou-o a estar em apuros várias vezes. Uma vez, tendo encontrado um grupo de pessoas famintas, correu para uma casa, roubou uma panela com comida e deu-lhes. Quase que foi preso por este acto de caridade! De outra vez, tendo visto um grupo de crianças esfarrapadas, entrou numa loja de roupas e comprou roupas novas a todas. Como não tinha dinheiro, pagou a crédito!
São João salvando os doentes durante
o incêndio no hospital.

No entanto, o seu desejo impulsivo de ajudar salvou muita gente numa certa emergência. Soou o alarme de que o Hospital Real estava a arder. Tendo largado tudo para se dirigir ao local, constatou que a multidão apenas estava a assistir ao hospital – e seus doentes – a serem consumidos pelas chamas. Correu para o edifício em chamas e carregou ou ajudou os doentes a sair. Quando todos os doentes estavam a salvo, começou a atirar cobertores, lençóis e colchões pelas janelas – quão bem sabia, pelo seu difícil trabalho, como eram importantes estes objectos. Nesse momento, foi trazido um canhão para destruir a parte em chamas do edifício de modo a salvar o resto. João pediu-lhes que parassem, subiu ao telhado, tendo separado com um machado a parte em chamas. Conseguiu, mas acabou por cair do telhado em chamas. Todos pensaram que teriam perdido o seu herói, até que João de Deus apareceu miraculosamente de entre o fumo. (Por esta razão, João de Deus é o Santo Padroeiro dos bombeiros).

João estava doente quando ouviu que uma cheia estava arrastando madeira para perto da vila. Saltou da cama para recolher essa madeira do rio em fúria. Tendo um dos seus companheiros caído ao rio, João sem pensar na sua doença e segurança atirou-se ao rio para o salvar. Não conseguiu salvar o rapaz e apanhou uma pneumonia. 

Morreu no dia 8 de Março de 1550, no aniversário dos seus cinquenta e cinco anos, do amor impulsivo que o guiou toda a vida. Foi beatificado pelo Papa Urbano VIII, em 21 de Setembro de 1630 e canonizado pelo Papa Alexandre VIII em 16 de Outubro de 1690. Sua festa ocorre no dia 8 de Março.

15 de jul. de 2010

A Vida de São Camilo

Começarei pela santa caridade, raiz de todas as virtudes e dom familiar a Camilo mais que qualquer outro. Ele vivia sempre imflamado pelo fogo desta santa virtude, não só para Deus, mas também para com o próximo, especialmente os doentes. Bastava vê-los para que se enchesse de ternura e se comovesse no mais íntimo do coração, a tal ponto que esquecia completametne todas as delícias, prazeres e afetos terrenos. Quando tratava de algum doente, parecia doar-se com tanto amor e compaixão que, de bom grado, tomaria sobre si toda doença, para aliviar-lhe as dores e curar as enfermidades.

Contemplava nos doentes, com tão sentida emoção, a pessoa de Cristo que, muitas vezes, quando lhes dava de comer, pensando serem outros cristos, chegava a pedir-lhes a graça e o perdão dos pecados. Mantinha-se diante deles com tanto respeito, como se estivesse realmente na presença do Senhor. De nada falava com mais frequencia e com mais fervor do que da santa caridade. O seu desejo era imprimi-la no coração de todos os homens.

Para incutir em seus irmãos religiosos esta santa virtude, costumava recordar-lhes aquelas dulcíssimas palavras de Jesus Cristo: Eu estava doente e cuidaste de mim (Mt 25,36). Parecia que ele tinha estas palavras gravadas em seu coração, tal era a frequencia com que as dizia e repetia.

Camilo era um homem de tão grande caridade, que tinha piedade e compaixão não somente dos doentes e moribundos, mas também, de modo geral, de todos os outros pobres e miseráveis. Seu coração era tão cheio de bondade para com os indigentes, que costumava dizer: "Ainda que não se encontrassem pobres no mundo, os homens deveriam andar a procurá-los e desenterrá-los, para lhe fazerem o bem e praticar a misericórdia para com eles".

-- Da Vida de São Camilo, escrita por um companheiro seu (século XVII)

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