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22 de ago. de 2020

Rainha do mundo e da paz

 

Considera com que justa disposição refulgiu, já antes da assunção, o admirável nome de Maria por toda a terra. Sua fama extraordinária por toda a parte se espalhou antes que sua magnificência fosse elevada acima dos céus. Pois convinha que a Virgem Mãe, em honra de seu Filho, primeiro reinasse na terra, em seguida,fosse recebida gloriosa nos céus. Fosse amplamente conhecida na terra, antes de entrar na santa plenitude. Levada de virtude em virtude, fosse assim exaltada de claridade em claridade pelo Espírito do Senhor. 

Presente na carne, Maria antegozava as primícias do reino futuro, ora subindo até Deus com inefável sublimidade, ora descendo até os irmãos com inenarrável caridade. Lá recebia os obséquios dos anjos, aqui era venerada pela submissão dos homens. Servia-lhe Gabriel com os anjos; ao lado dos apóstolos servia-lhe João, feliz por lhe ter sido confiada a Virgem Mãe a ele, virgem. Alegravam-se aqueles por vê-la rainha; estes por sabê-la senhora. Todos a obedeciam de coração.

E ela, assentada no mais alto cume das virtudes, repleta do oceano dos carismas divinos, do abismo das graças, ultrapassando a todos, derramava largas torrentes ao povo fiel e sedento. Concedia a saúde aos corpos e às almas, podendo ressuscitar da morte da carne e da alma. Quem jamais partiu de junto dela doente ou triste ou ignorante dos mistérios celestes? Quem não voltou para casa contente e jubiloso, tendo impetrado de Maria, a Mãe do Senhor, o que queria?

Ela é esposa repleta de tão grandes bens, mãe do único esposo, suave e preciosa nas delícias. Ela é como fonte dos jardins inteligíveis, poço de águas vivas e vivificantes, que correm impetuosas do Líbano divino, fazendo descer do monte Sião até às nações estrangeiras vizinhas rios de paz e mananciais de graças vindas do céu. E assim, ao ser elevada a Virgem das Virgens por Deus e seu Filho, o rei dos reis, no meio da exultação dos anjos, da alegria dos arcanjos e das aclamações de todo o céu, cumpriu-se a profecia do Salmista que diz ao Senhor: Está à tua destra a rainha recoberta de bordados a ouro, em vestes variadas (Sl 44,10).

 -- Santo Amadeu, bispo (século XII)

23 de mar. de 2019

Santa Cunegundes, imperatriz e irmã de clausura

Santa Cunegundes nasceu em 975, era uma dos onze filhos de Siefried I de Luxemburgo e Edviges de Nordgau e descendente direta do Imperador Carlos Magno. Ela desejava tornar-se uma irmã de clausura desde jovem, mas por motivos políticos, seus pais arranjaram um casamento com o Príncipe Henrique, que viria se ser imperador do Santo Império Romano e canonizado pela Igreja. Em comum acordo, decidiram preservar a castidade, mesmo dentro do casamento e, por óbvio, não tiveram filhos.

São Henrique e Santa Cunegundes.
O marido foi coroado Imperador em 9 de Julho de 1002 e ela, imperatriz, em 10 de Agosto, ambos na cidade de Mainz, atual Alemenha. Como era tradição, depois foram coroados imperador e imperatriz pelo Papa, dentro da Basílica de São Pedro pelo Papa Bento VIII. Segundo relatos, era muito ativa politicamente, atuando como principal conselheira do marido e tomando parte dos Conselhos Imperiais. 

Durante o reinado, ela caiu gravemente doente e prometeu que caso fosse curado, doaria as terras e construiria um monastério para irmãs de clausura em Kassel, promessa que cumpriu prontamente após restaurar sua saúde. 

Diz-se que certa noite adormeceu, deixando uma vela acesa sobre sua cama, que em certo momento pegou fogo. Ao acordar, fez um Sinal da Cruz e o fogo imediatamente apagou. Em outro episódio, este bem mais público, seus inimigos políticos começaram a espalhar mentiras sobre sua fidelidade ao marido, dizendo que quebrara o voto de castidade com outros homens. Inspirada por Deus, mandou organizar como uma passarela de brasas ardentes e andou sobre elas, sem sofrer queimaduras, o que foi entendido como sinal de pureza. 

Em 1024 seu marido faleceu e ela assumiu o posto de regente do Império. Por não ter filhos, organizou um Conselho Imperial que elegeu o futuro rei, Conrado, que era príncipe de Worms e Speyer. 

Como viúva, Cunegundes rapidamente desfez-se dos bens materiais, doando o dinheiro para os pobres e a Igreja. Em 1025, no exato dia em que completou um ano da morte do marido, ela se retirou para a Abadia de Kaufungen, para tornar-se um irmã beneditina. Neste dia doou seu último bem material, uma relíquia da Santa Cruz, desfez-se de suas vestes imperiais e assumiu o hábito de irmã. 

No mesmo convento estava sua sobrinha Judite, que preferia passar o tempo em fofocas com outras irmãs em vez de orar, jejuar e ajudar nos trabalhso do convento. Após tentar corrigi-la muitas vezes, teria perdido a paciência e dado um tapa no rosto da sobrinha, mas a marca permaneceu no rosto por toda a vida, como uma lembrança dos votosde castidade e obediência que todas haviam feito.

Viveu por quinze anos dedicando à oração e aos trabalhos de caridade do convento até falecer em 3 de Março de 1040.  A santa foi canonizada pelo papa Inocêncio III em 29 de março de 1200 e é a patronessa de três países: Luxemburgo, Lituânia e Polônia. 
  

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