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28 de jan. de 2016

Na cruz não falta nenhum exemplo de virtude

28 de Janeiro, dia de São Tomás de Aquino
Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para ser remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos praticar.

Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males que nos sobrevêm por causa dos nossos pecados.

Mas não é menor a utilidade em relação ao exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada mais tema fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na cruz e desejar o que ele desejou. Na cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude.

Se procuras um exemplo de caridade: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Assim fez Cristo na cruz. E se ele deu sua vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por causa dele.

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente! Podemos reconhecer uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora, Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque atormentado, não ameaçava (1Pd 2,23); foi levado como ovelha ao matadouro e não abriu a boca (cf. Is 53,7; At 8,32).

É grande, portanto, a paciência de Cristo na cruz. Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia (cf. Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, contempla o crucificado: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.

Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até à morte: Como pela desobediência de um só homem, isto é, de Adão, a humanidade toda foi estabelecida numa condição de pecado, assim também pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça (Rm 5,19).

Se procuras um exemplo de desprezo pelas coisas da terra, segue aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2,3), e que na cruz está despojado de suas vestes, escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e, por fim, tendo vinagre e fel como bebida para matar a sede.

Não te preocupes com as vestes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes (Jo 19,24); nem com honras, porque fui ultrajado e flagelado; nem com a dignidade, porque tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em minha cabeça (cf. Mc 15,17); nem com os prazeres, porque em minha sede ofereceram-me vinagre (Sl 68,22).

-- Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero (séc. XIII)

30 de ago. de 2014

Oração para reformar a vida

Primeiramente, antes de entrar na oração, repouse um pouco o espírito, assentando-se ou passeando, como lhe parecer melhor.

Faça uma oração preparatória: como, por exemplo, pedir graça a Deus nosso Senhor para que possa conhecer no que faltei aos dez mandamentos; e também pedir graça e ajuda para doravante se emendar, pedindo perfeita inteligência, para melhor os guardar e para maior glória e louvor de sua divina Majestade.

Para o primeiro modo de orar, convém considerar e pensar, no primeiro mandamento, como o tenho guardado e em que tenho faltado; tendo como norma demorar nesta consideração o tempo de quem reza três pai nossos e três ave-marias. E, se neste tempo, acho faltas minhas, pedir vênia e perdão delas, e dizer um Pai-Nosso. E, desta forma maneira se faça em cada um de todos os dez Mandamentos.

Primeira nota: É de notar que, quando uma pessoa vier a pensar num mandamento no qual acha que não tem hábito de pecar, não é necessário que se detenha tanto tempo. Mas, conforme a pessoa acha que tropeça mais ou menos num mandamento, assim deve deter-se mais ou menos na consideração e exame dele.

Depois de terminar a reflexão, como já se disse, sobre todos os Mandamentos, acusando-se neles e pedindo graça para emendar no futuro, há de acabar-se com um diálogo a Deus Nosso Senhor.

No segundo dia, reflete-se sobre os pecados capitais. Faça-se a oração preparatória, pela maneira já indicada, depois segue-se examinando cada um dos sete pecados capitais que se hão de evitar. Guarda-se igualmente a ordem e a regra já indicadas e o diálogo final.

Para melhor conhecer as faltas cometidas nos pecados mortais, considerem-se os seus contrários. E assim, para melhor evitá-los, proponha e procure a pessoa, com santos exercícios, adquirir as sete virtudes a elas contrárias.

No terceiro dia, reflete-se sobre as potências da alma: inteligência, vontade e sensibilidade. Observe-se a mesma ordem e regra, fazendo a oração preparatória e o diálogo. 

No quarto dia, os cinco sentidos corporais, seguindo sempre a mesma ordem, apenas mudando-se o assunto. 

Quem quer imitar, no uso de seus sentidos, a Cristo Nosso Salvador, encomende-se na oração preparatória a sua divina majestade, e depois de ter considerado em cada sentido, diga-se um Pai Nosso. Quem quiser imitar a Nossa Senhora, na oração preparatória encomende-se a ela, para que lhe alcance graça de seu Filho e Senhor para isso e, depois de ter considerado em cada sentido, diga uma Ave Maria.

-- Dos Exercícios Espirituais, de Santo Inácio de Loyola (século XVI)

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