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17 de nov. de 2018

Os doutores da Igreja

Doutor da Igreja é um título dado pela Igreja Católica a alguns poucos santos reconhecidos pela sua significativa contribuição para a Teologia ou doutrina através de seus escritos. Duas condições são necessárias para se tornar um doutor da Igreja: grande qualidade doutrinária, refletida em escritos que influenciaram a Igreja; e alto grau de santidade na vida pessoal. 

Os quatro doutores da Igreja Ocidental, quadro de Pier Francesco
Sachi. Começando da esquerda, temos Agostinho,
Gregório Magno, Jerônimo e Ambrósio.  
A forma dos escritos pode variar bastante, como as cartas de Santa Catarina de Sena, as poesias de Santa Hildegarde de Bingen, a auto-biografia de Santa Teresinha do Menino Jesuus e os livros de Santo Agostinho. As funções que exerceram na Igreja também são bastante variadas: Santo Éfrem era diácono, Santa Teresa de Ávila era irmã carmelita, São João da Cruz foi monge, São Roberto Belarmino foi bispo, São Leão Magno chegou a ser Papa. 

Formalmente, um decreto da Congregação para Causas dos Santos deve proclamar o santo como doutor da Igreja, o que implicará em alterações na liturgia, como utilizar Mateus 5, 13-19 ("Tu és o sal da terra") como Evangelho do Dia e Eclesiástico 15, 5 ("No meio da assembléia abriste tua boca e Deus a encheu de sabedoria") na Oração da Manhã. Mártires não são proclamados doutores da Igreja, pois seu testemunho é de outra ordem, embora alguns mártires também tenham escritos que foram fundamentais na Igreja, como Santo Inácio de Antioquia, Santo Irineu de Lion e São Cipriano de Cártigo. 

Na Igreja Ocidental, quatro santos eram tradicionalmente reconhecidos como doutores, o que foi formalizado em 1298 alterando a liturgia para explicitamente mencionar o título. Eles eram São Gregório Magno, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Jerônimo. Distinção semelhante, mas não título, era dada pela Igreja oriental para três outros: São João Crisóstomo, São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno, que foram reconhecidos como doutores pelo Papa Pio V em 1568.

A lista atual de doutores da Igreja é composta por 36 nomes. ao lado de cada nome está data de nascimento e morte, principal função na Igreja e o ano da proclamação do título de doutor:

  1. Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão, proclamado doutor em 1298.
  2. Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona, 1298.
  3. São Jerônimo (347-420), monge, 1298.
  4. São Gregório Magno (540-604), papa, 1298.
  5. São Tomás de Aquino (1225-1274), padre e fundador dos jesuítas, 1567.
  6. Santo Atanásio (298-373), bispo de Alexandria, 1568.
  7. São Gregório Nazianzeno (329-389), arcebispo de Coonstantinopla, 1568.
  8. São João Crisóstomo (347-407), arcebispo de Constantinopla, 1568.
  9. São Basílio Magno (330-379), bispo da Cesaréia, 1568.
  10. São Boaventura (1221-1274), bispo de Albano, 1588.
  11. Santo Anselmo (1033-1109), arcebispo de Canterbury, 1720.
  12. Santo Inácio de Sevilha (560-636), bispo de Sevilha, 1722.
  13. São Pedro Crisólogo (406-450), bispo de Ravena, 1729.
  14. São Leão Magno (400-461), papa, 1754.
  15. São Pedro Damião (1007-1072), cardeal de Óstia, 1828.
  16. São Bernardo (1090-1153), monge cisterciense, 1830.
  17. Santo Hilário de Poitiers (300-367), bispo de Poitiers, 1851
  18. Santo Alfonso Ligório (1696-1787), bispo de Santa Ágata e fundador da Ordem dos Redendoristas, 1871
  19. São Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genova, 1877.
  20. São Cirilo de Alexandria (376-444), bispo de Alexandria, 1883.
  21. São Cirilo de Jerusalem (315-386), arcebispo de Jerusalém, 1883.
  22. São João Damasceno (676-749), monge, 1890.
  23. São Beda Venerável (672-735), monge, 1899.
  24. Santo Éfrem (306-373), diácono, 1920.
  25. São Pedro Canísio (1521-1597), padre, 1925.
  26. São João da Cruz (1542-1591), monge, 1926.
  27. São Roberto Belarmino (1542-1621), Arcebispo de Cápua, 1931.
  28. São Alberto Magno (1193-1280), bispo de Regensburg, 1931.
  29. Santo Antônio de Pádua (1195-1231), padre, 1946.
  30. São Lourenço de Brindisi (1559-1619), padre, 1959.
  31. Santa Teresa de Ávila (1515-1582), monja carmelita, 1970.
  32. Santa Catarina de Sena (1347-1380), irmã domenicana, 1970.
  33. Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), monja carmelita, 1997.
  34. São João de Ávila (1500-1569), padre, 2012.
  35. Santa Hildegarde de Bingen (1098-1179), abadessa beneditina, 2012.
  36. São Gregório de Narek (951-1003), monge, 2015.

Os santos que viveram antes do cisma em 1054 também são reconhecidos pelas Igrejas Ortodoxas orientais. A Igreja Anglicana utiliza o termo "Professores da fé", mas a lista é bastante idêntica à Católica. Há alguns, como o Beato Ramon Llul que é popularmente conhecido como "Doutor Iluminado", mas este é apenas um título popular; até mesmo o Papa Bento XVI chamou, de maneira informal, São Máximo Confessor de "grande doutor da Igreja Grega".

Para nós, é certo que ler os textos dos doutores da Igreja é estar seguro de que os ensinamentos são inspirados pelo Espírito Santo e de grande proveito espiritual. Com todo respeito aos padres atuais, esta é uma lista de apenas 36 santos em 2000 anos de história, portanto são textos muito especiais que merecem a nossa leitura atenta. 

-- autoria própria

14 de mai. de 2013

Luminosa Doutrina da Igreja, oposta ao comunismo

E antes de mais nada importa observar que acima de todas as demais realidades, está o sumo, único e supremo Espírito, Deus, Criador onipotente de todo o universo, Juiz sapientíssimo e justíssimo de todos os homens. Este Ser supremo, que é Deus, é a refutação e condenação mais absoluta das impudentes e mentirosas falsidades do comunismo. E na verdade, não é porque os homens crêem em Deus, que Deus existe; mas porque Deus existe realmente, por isso crêem nele e lhe dirigem as suas súplicas todos quantos não cerram pertinazmente os olhos do espírito à luz da verdade.


O homem tem uma alma espiritual e imortal; e, assim como é uma pessoa, dotada pelo supremo Criador de admiráveis dons de corpo e de espírito assim se pode chamar, como diziam os antigos, um verdadeiro “microcosmo”, isto é, um pequeno mundo, por isso que de muito longe transcende e supera a imensidade dos seres do mundo inanimado. Não somente nesta vida mortal, mas também na que há de permanecer eternamente, o seu fim supremo é unicamente Deus; e, tendo sido elevado pela graça santificante à dignidade de filho de Deus, é incorporado no Reino de Deus, no corpo místico de Jesus Cristo. Conseqüentemente, dotou-o Deus de múltiplas e variadas prerrogativas, tais como: direito à vida, à integridade do corpo, aos meios necessários à existência; direito de tender ao seu último fim, pelo caminho traçado por Deus; direito enfim de associação, de propriedade particular, e de usar dessa propriedade.

Além disso, assim como o matrimônio e o direito ao seu uso natural são de origem divina, assim também a constituição e as prerrogativas fundamentais da família derivam, não do arbítrio humano, nem de fatores econômicos, senão do próprio Criador supremo de todas as coisas.


Mas Deus destinou igualmente o homem para a sociedade civil, que a sua mesma natureza reclama. É que, no plano do Criador, a sociedade é um meio natural, de que todo o cidadão pode e deve servir-se para a consecução do fim que lhe é proposto, pois a sociedade civil existe para o homem e não o homem para a sociedade. Isto, porém, não se deve entender no sentido do liberalismo individualista, que subordina a sociedade à utilidade egoísta do indivíduo, mas sim no sentido que, mediante a união orgânica com a sociedade, todos possam, pela mútua colaboração, alcançar a verdadeira felicidade terrestre; e que, por meio da sociedade, floresçam e prosperem todas as aptidões individuais e sociais, dadas ao homem pela natureza, aptidões que transcendem o imediato interesse do momento, e refletem na sociedade a perfeição divina: o que no homem isolado de modo nenhum se pode verificar. Mas até este último objetivo da sociedade é, em última análise, ordenado ao homem, para que reconheça este reflexo da perfeição divina, e o desenvolva assim em louvor e adoração ao Criador. É que só o homem, e não qualquer sociedade humana por si, é dotado de razão e de vontade moralmente livre.

Portanto, assim como o homem não pode furtar-se aos deveres que por vontade de Deus o ligam à sociedade civil, e é por isso que os representantes da autoridade têm direito de o forçar ao cumprimento do próprio dever, caso ele se recusasse ilegitimamente; assim também não pode a sociedade privar o cidadão dos direitos pessoais que o Criador lhe concedeu (os mais importantes apontamo-los acima sumariamente) nem tornar-lhe impossível o seu uso. É, pois, conforme à razão e às suas exigências naturais, que todas as coisas terrenas sejam para serviço e utilidade do homem, e assim, por meio dele, voltem ao Criador. Aqui se aplica perfeitamente o que o Apóstolo das Gentes escreve aos coríntios sobre a economia da salvação cristã: “Tudo... é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1 Cor 3, 23). E assim, enquanto a doutrina comunista de tal maneira diminui a pessoa humana, que inverte os termos das relações entre o homem e a sociedade, a razão, pelo contrário, e a revelação divina elevam-na a tão sublimes alturas.

-- Carta Encíclica Divinis Redemptoris, Papa Pio XI, publicada no dia 19 de Março de 1937

19 de ago. de 2012

A oração do Pai Nosso


* Seguimos publicando a Doutrina Cristã segundo São roberto Belarmino. a primeira parte abrangia a oração do Creio. Nesta segunda parte, ele nos fala de várias outras orações cristãs, começando pelo Pai Nosso.

Qual é a segunda parte da Doutrina Cristã?
- A oração dominical, chamada vulgarmente Pai Nosso.

Que coisa nos ensina o Pai Nosso?
- Ensina-nos tudo que devemos desejar, esperar e pedir a Deus.

Porque se chama "oração dominical"?
- Chama-se assim porque Jesus Cristo nos a ensinou, Nosso Senhor de sua própria boca: e "oração dominical" é o mesmo que "Oração do Senhor".

NR: A palavra latina para Deus é "Dominus". Domingo é o dia do Senhor, o "Dies Dominus". São Roberto utiliza uma expressão não usual em português para se referir ao Pai Nosso, como a oração do Senhor.

O que é dito nesta oração?
Pai Nosso que estás no céu,
Santificado seja o vosso nome
Venha a nós o vosso Reino,
Seja feita a vossa vontade,
assim na Terra como no Céu.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje
e perdoai as nossas ofensas,
assim como perdoamos a quem nos tem ofendido,
e não nos deixei cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Amém.

Com esta oração invocamos a Deus,  nosso Pai, para excitar-nos a confiarmos nele. Desejamos que seja conhecido, servido e amado por todos; que seja exaltada a Igreja, que é o seu Reino; que ele reine nos nossos corações e nos faça reinar consigo na sua glória. Que em tudo se faça segundo a sua vontade, particularmente na observância dos seus santos preceitos, como a executam os anjos e bem-aventurados no céu. Pedimos-lhe que nos dê o necessário a cada dia para a alma e o corpo. Que perdoe nossos pecados, assim como nos oferecemos para perdoar os delitos dos que nos tem ofendido. Que nos livre das tentações, não permitindo que sejamos tentados ou dando-nos graça para não sermos vencidos. E, finalmente, que nos livre de todo mal e, especialmente, do maior, que é o pecado e a condenação eterna. 

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino, bispo (século XVI)

27 de mar. de 2012

O conhecimento de Deus e nosso fim (Compêndio da Doutrina Cristã)


Quem é, o que vos criou?
- Deus é o que me criou.

Para que fim vos criou?
- Deus me criou para O conhecer, amar e servir, guardando a sua santíssima lei.

Como Deus premia aqueles que O ama e servem?
- Com a glória do Céu.

Que coisa se goza no céu?
- A vista de Deus e todos os bens eternamente, sem espécie alguma de mal.

Como castiga Deus aqueles que nesta vida não O amam nem servem?
- Com o Inferno.

Que se padece no Inferno?
- A privação da vista de Deus, o fogo eterno, e todos os males, sem espécie alguma de bem.

Quem é Deus?
- Deus é um espírito perfeitíssimo, que tem todas as virtudes e perfeições, e que é  Criador, Senhor do Céu e da Terra.

Quem fez ou criou Deus?
- Deus por ninguém foi feito ou produzido.

Onde está Deus?
- Deus está no Céu, na Terra e em todo lugar.

Deus vê todas as coisas?
- Deus tudo vê, até nossos pensamentos.

Deus também vê as coisas futuras?
- Deus vê tudo juntamente, o passado, presente e futuro.

A quanto tempo há Deus?
- Deus sempre existiu.

E quanto tempo durará?
- Deus sempre existiu e para sempre existirá.

Deus tem olhos e mãos, ou por dizer mais breve, tem corpo como nós?
- Deus não tem corpo, porque é um espírito puríssimo.

Se Deus não tem olhos, como vê as coisas?
- Deus vê as coisas com sua infinita sabedoria.

E se Deus não tem mãos, como pode fazer o mundo?
- Deus fez o mundo com a sua vontade onipotente.

De que coisa fabricou o mundo?
- Do nada o criou.

E poderia fazer outro mundo?
- Sim, poderia fazr outros mundos por que é onipotente.

-- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)


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