13 de mai. de 2010

Ascensão de Cristo

Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu aos céus; suba também com ele nosso coração. Ouçamos as palavras do Apóstolo: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres (Cl 3,1-2). E assim como ele subiu sem se afastar de nós, também nós subimos com ele, embora não se tenha ainda realizado em nosso corpo o que está prometido.

O Senhor Jesus Cristo não deixou o céu quando de lá desceu até nós; também não se afastou de nós quando subiu novamente ao céu. Ele mesmo afirma que se encontrava no céu quando vivia na terra, ao dizer: Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu (Jo 3,13).

Desceu do céu por sua misericórdia e ninguém mais subiu senão ele; mas nele, pela graça, também nós subimos. Portanto, ninguém mais desceu senão Cristo e ninguém mais subiu além de Cristo.

-- trechos Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo (Século V)

12 de mai. de 2010

Os dias entre a ressurreição e a ascensão do Senhor

Durante todo esse tempo, caríssimos filhos, passado entre a ressurreição e a ascensão do Senhor, a providência de Deus esforçou-se por ensinar e insinuar não apenas aos olhos, mas também aos corações dos seus que a ressurreição do Senhor Jesus era tão real como seu nascimento, paixão e morte.

Os santos apóstolos e todos os discípulos ficaram muito pertubados com a tragédia da cruz e hesitavam em acreditar na ressurreição. De tal modo eles foram fortalecidos pela evidência da verdade que, quando o Senhor subiu aos céus, não experimentaram tristeza alguma, mas, pelo contrário, encheram-se de grande alegria.

Na verdade, era grande e indizível o motivo de sua alegria: diante daquela santa multidão, contemplavam a natureza humana que subia a uma dignidade superior à de todas as criaturas celestes, ultrapassando até mesmo as hierarquias dos anjos e a altura sublime dos arcanjos. Deste modo, foi recebida junto do Eterno Pai, que a associou ao trono da sua glória, depois de tê-la unido na pessoa do Filho à sua própria natureza divina.

-- Dos Sermões de São Leão Magno, papa (século V)

11 de mai. de 2010

Renovação pelo Batismo

Os homens são concebidos duas vezes: uma corporalmente, a outra pelo Divino Espírito Santo. Acerca de um e outro nascimento, escreveram muito bem os autores sagrados. João diz: A todos que o receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam no seu nome, pois estes não nasceram da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,12-13).

Todos os que acreditaram em Cristo, afirma ele, receberam a capacidade de se tornarem filhos de Deus, quer dizer, do Espírito Santo, e participantes da natureza divina. E para ficar bem claro que o Deus que gera é o Espírito Santo, acrescenta estas palavras de Cristo: Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus (Jo 3,5).

Como um vaso de barro, o homem precisa primeiro ser purificado pela água; em seguida, fortalecido e aperfeiçoado pelo fogo espiritual. Deus, com efeito, é um fogo devorador. Precisamos do Espírito Santo para nossa perfeição e renovação. Pois o fogo espiritual sabe também regar, e a água batismal é também capaz de queimar como o fogo.

-- Do Tratado sobre a Trindade, de Didimo de Alexandria (século IV)

8 de mai. de 2010

Aleluia Pascal

Podemos considerar duas fases da nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois na segurança e alegria eterna. Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do tempo antes da Páscoa e a do tempo depois da Páscoa.

O tempo antes da Páscoa representa as tribulações que passamos nesta vida. O que celebramos agora, depois da Páscoa, significa a felicidade que alcançamos na vida futura. Portanto, antes da Páscoa celebramos o que estamos vivendo; depois da Páscoa celebramos o que ainda não possuímos. Eis porque passamos o primeiro tempo em jejuns e orações; no segundo, porém, que estamos celebrando, deixamos os jejuns, nos dedicamos ao louvor de Deus.

É este o significado do Aleluia que cantamos. Agora, pois, irmãos, vos exortamos a louvar a Deus A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia. Louvai o Senhor com todas as vossas forças, não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações.

-- adaptado Dos Comentários sobre os salmos, de Santo Agostinho, bispo (século V).

7 de mai. de 2010

Batismo e o Corpo de Cristo

Pelo Espírito Santo, Jesus nasceu da Virgem Maria; pelo mesmo Espírito, nós também renascemos na fonte batismal como filhos de Deus e membros do corpo de Cristo. E assim como ele nasceu livre de todo pecado, também nós renascemos pela remissão de nossos pecados.

Assim como na cruz ele tomou sobre seu corpo de carne os pecados de todos nós (que formamos seu corpo espiritual), do mesmo modo, pela graça da regeneração, concedeu ao seu corpo espiritual que não lhe fosse atribuído nenhum pecado, como está escrito: Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de pecado (Sl 31,2). Este homem feliz é, sem a menor dúvida, Cristo: enquanto cabeça do Cristo místico é Deus e perdoa os pecados; enquanto cabeça do corpo, é o filho do homem, nada tendo que se lhe perdoar.

Ele é justo em si mesmo e justifica-se a si mesmo. Ele próprio é Redentor e redimido. Tomou sobre seu corpo, na cruz, os pecados daquele corpo que ele purifica por meio da água do batismo, e continua salvando pela cruz e pela água. Ele é o Cordeiro de Deus que tira, que carrega o pecado do mundo (Jo 1,29). Ele é Deus que, oferecendo-se a si mesmo, reconciliou-se consigo próprio, com o Pai e com o Espírito Santo.

-- adaptado Dos Sermões do Bem-aventurado Isaac, abade do mosteiro de Stella (século XII)

6 de mai. de 2010

A Eucaristia - corpo e sangue

Um só morreu por todos. É ele mesmo que em todas as igrejas do mundo, pelo mistério do pão e do vinho nos alimenta, vivifica e santifica. Esta é a carne e este é o sangue do Cordeiro. O pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo (Jo 6,51). Também o seu sangue está expresso sob a espécie do vinho. Jesus mesmo afirma: Eu sou a videira verdadeira (Jo 15,1), manifestando com toda clareza que é seu sangue todo vinho oferecido como sacramento da paixão. O grande patriarca Jacó já profetizara acerca de Cristo, ao dizer: Lavará no vinho a sua túnica e no sangue da uva o seu manto (Gn 49,11).

O Criador e Senhor da natureza, que produz o pão da terra, também transforma o pão no seu próprio Corpo (porque pode fazê-lo e assim havia prometido). Do mesmo modo, aquele que transformou a água em vinho, transforma o vinho no seu sangue.

O que recebes é o corpo daquele pão do céu, e o sangue é daquela videira sagrada. Porque, ao dar o pão e vinho consagrados a seus discípulos, disse-lhes: Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue (Mt 26, 26.28). Acreditemos portanto, naquele em quem pusemos nossa confiança: a Verdade não sabe mentir.

-- Dos Tratados de São Gaudêncio de Bréscia, bispo (Século IV)

5 de mai. de 2010

Os cristãos no mundo

Os cristãos não se diferenciam dos outros homems nem pela pátria, nem pela língua, nem por um gênero de vida especial. De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e sua vida nada tem de extraordinário. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apóia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras.

Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as cinrcunstâncias de cada pessoa; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer nos outros usos. Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira.

Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível é guardada num corpo invisível; todos vêem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis. A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e bebida; os cristãos, constantemente mortificados, vêem seu número crescer dia a dia.

-- adaptado Da Carta a Diogneto (século II). Aqui, para o texto completo em espanhol

4 de mai. de 2010

Eu sou a videira, vós os ramos

Querendo mostrar a necessidade de estarmos unidos a Deus pelo amor, o Senhor afirma que é a videira. Os ramos são os que já se tornaram participantes da sua natureza pela comunicação do Espírito Santo. De fato, é o Espírito de Cristo que nos une a ele.

A adesão a esta videira nasce da boa vontade; a união da videira conosco procede do seu afeto e natureza. Foi pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante a fé; mas participamos da sua antureza por termos recebido dele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (1 Cor 6, 17).

Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Filho de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade.

-- do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V)

3 de mai. de 2010

A nova criação

Apareceu um novo nascimento, uma nova vida, um novo modo de viver; a própria natureza foi transformada. Que nascimento é este? É o daqueles que não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,13).

Tu perguntas: como isto pode acontecer? Escuta-me, vou te explicar em poucas palavras. Este novo ser é concebido pela fé; é dado à luz pela regeneração do batismo; tem por mãe a Igreja que o amamenta com sua doutrina e tradições. Seu alimento é o pão celeste; sua idade adulta é a santidade; seu matrimônio é a familiaridade com a sabedoria; seus filhos são a esperança; sua casa é o reino; sua herança e riqueza são as delicias do paraíso; seu fim não é a morte, mas aquela vida feliz e eterna que está preparada para o que dela são dignos.

-- dos Sermões de São Gregório de Nissa, bispo (século IV)

Igreja - Corpo Espiritual

Sendo muitos, nós formamos um só corpo e somos membros uns dos outros; e é Cristo quem nos une pelo vínculo da caridade. Convém, portanto, que tenhamos os mesmos sentimentos uns para com os outros; se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um membro é honrado, os demais se alegram com ele.

Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para a Glória de Deus (Rm 15, 7). Para pôr em prática este acolhimento recíproco, devemos ter os mesmos sentimentos, carregando os fardos uns dos outros e guardando a unidade do espírito pelo vínculo da paz (Ef 4, 3). Foi assim que Deus também nos acolheu em Cristo. Falou a verdade quem disse: Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Unigênito (Jo 3,16). Efetivamente o mundo inteiro foi salvo pela misericórdia de Deus.

-- adaptado da Carta aos Romanos, de São Cirilo de Alexandria, bispo (século V).

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