A fé cristã é, essencialmente, a religião do Logos, pensamento, razão, palavra.O cristianismo é expressão da verdade mais profunda do ser e da existência; é bom e belo porque é verdadeiro, alicerça-se numa realidade efetiva e não num conjunto de crenças irracionais e míticas. (Dom Henrique Costa)
Nesta época especial do ano é importante lembrarmos que o Natal é o nascimento de Cristo, não mera troca de presentes.
Para ajudar a entrar no clima, uma boa idéia é seguir a sequência de textos, todos escritos por santos, sobre o nascimento de Jesus, como proposta pela Igreja na Liturgia das Horas.
6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio dar testemunho da luz. 19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?”
20João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”.
21Eles perguntaram: “Quem és então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És profeta?” Ele respondeu: “Não”.
22Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” 23João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” —conforme disse o profeta Isaías.
24Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”
26João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.
28Isto aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
Comentário:
Comparando com a figura de João, este trecho do Evangelho responde uma simples pergunta: Quem é Jesus?. João não é a luz (1,4; 3,19-21; 8,12; 11,9-10; 12,35-36). João não é o Cristo, nem Elias, nem o profeta; Jesus é o Cristo, Filho de Deus. Os judeus, baseando-se em Dt 18,15-18, esperavam o Messias como novo Moisés, como o profeta por excelência, que renovaria os prodígios do êxodo (3,14; 6,30-31; At 3,22-23; 7,20-44). João batiza com água; Jesus batiza no Espírito. Essa expressão define a obra primordial do Messias: regenerar a humanidade (Ez 36,27; Jo 3,5; 7,39).
É tempo de Natal e Papai Noel está por todos os lados. Ao longo dos séculos, a figura de um bispo do século IV celebrado com devoção pelas Igrejas Católica e Ortodoxa se transformou no moderno Papai Noel da Coca-Cola. Mas quem foi o "real" santo? Antes de mais nada é bom ter claro que não há muitos registros históricos o Bispo de Mira chamado Nicolau e com absoluta certeza, apenas este fato pode ser confirmado: sim, ele foi bispo de Mira. Mas é certo que várias fontes, ainda que tardias, relatam acontecimentos da sua vida de maneira semelhante, o que garante alguma veracidade as histórias.
A mais conhecida é sobre sua generosidade: tendo herdado grande fortuna dos seus pais, Nicolau decidiu dar todos os seus bens aos pobres. Ele salvou três moças, ainda virgens, de serem vendidas como escravas para prostituição atirando sacos de dinheiro pela janela, secretamemte. Que a mão direita não saiba o que a esquerda está fazendo.
Também era conhecido como um exemplo de justiça. Teria aparecido em sonho ao Imperador Constantino, informando que três jovens haviam sido condenados injustamente; também apareceu ao oficial que comandava a região. Ao perceberem que ambos haviam tido o mesmo sonho, decidiram libertar os rapazes.
Outra história bastante conhecida é sobre sua participação no Concílio de Nicéia em 325 quando, num acesso de raiva, esbofeteou o herético Ário, que questionava a Santíssima Trindade. Esta história é um contraste óbvio com o afável velhinho Papai Noel, mas pode ser encontrada em vários afrescos antiguíssimos, com legendas como "Eu vim para dar presentes às crianças e derrubar heréticos, acontece que já dei todos presentes que tinha!".
Aos santos padres que também participavam do Concílio, o tapa não pareceu um gesto adequado de caridade cristã e não apenas expulsaram Nicolau como mandaram prendê-lo. Mas na mesma noite as cadeias abriram-se e um anjo o guiou de volta ao Concílio. Ou seja, Deus reconhecia que o Santo tinha o coração na Verdade e merecia sua misericórdia. Talvez isto não combine bem com a figura do velhinho gentil, mas mostra que misericórdia não é uma virtude oposta a justiça e que mansidão não deve ser confundida com omissão.
1Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
2Está escrito no Livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho.3Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas! ’”
4Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados.5Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão.
6João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. 7E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”.
Comentário:
Neste início do Evangelho o evangelista apresenta João Batista como o precursor do Messias que prega em conformidade com a profecia de Isaías (Is 40,1-5.9-11) um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Mas há em Marcos uma singularidade: repentinamente brilha a personalidade de Jesus, que virá após João; batiza com o Espírito Santo, sendo, portanto, o Messias prometido, pois os tempos messiânicos se caracterizam pelo dom do Espírito (Is 44,3; Jl 3,1; Zc 12,10).
O Salmo 148 que agora elevámos a Deus constitui um verdadeiro "cântico das criaturas", uma espécie de Te Deum do Antigo Testamento, um aleluia cósmico que envolve tudo e todos no louvor divino.
Assim comenta um exegeta contemporâneo: "O salmista, chamando-os pelo nome, ordena os seres: em cima o céu, dois astros segundo os tempos, e, separadas, as estrelas; de um lado as árvores de fruto, do outro os cedros; num plano os répteis, e noutro as aves; aqui os príncipes e além os povos; em duas filas, talvez dando as mãos, jovens e moças... Deus estabeleceu-os atribuindo-lhes um lugar e uma função; o homem acolhe-os, dando-lhes lugar na linguagem, e assim dispostos os conduz à celebração litúrgica. O homem é "pastor do ser" ou liturgo da criação" (L. Alonso Schökel, Trinta Salmos: poesia e oração).
Sigamos também nós este coro universal, que ressoa no firmamento do céu e que tem como templo todo o cosmos. Deixemo-nos conquistar pelo alcance do louvor que todas as criaturas elevam ao seu Criador.
No céu encontramos os cantores do universo estrelar: os astros mais distantes, as esteiras dos anjos, o sol e a lua, as estrelas reluzentes, os "céus dos céus" (cf. v. 4), isto é, o espaço estrelar, as águas superiores que o homem da Bíblia pensa que estão conservadas em depósitos antes de caírem como chuva sobre a terra.
O aleluia, ou seja, o convite a "louvar o Senhor", ressoa pelo menos oito vezes e tem como meta final a ordem e a harmonia dos seres celestes: "estabeleceu-lhes leis a que não faltam" (v. 6).
O olhar dirige-se depois para o horizonte terrestre onde se segue uma procissão de cantores, pelo menos vinte e dois, isto é, uma espécie de alfabeto de louvor, espalhado no nosso planeta. Eis os monstros marinhos e os abismos, símbolos do caos aquático sobre o qual a terra está fundada (cf. Sl 23, 2), segundo a concepção cosmológica dos antigos semitas.
O Padre da Igreja, São Basílio, observa: "Nem sequer o abismo foi considerado desprezível pelo salmista, que o acolheu no coro geral da criação, aliás, com uma linguagem própria, também ele completa harmoniosamente o hino ao Criador"
A procissão continua com as criaturas da atmosfera: o fogo dos relâmpagos, o granizo, a neve, o nevoeiro e o vento da tempestade, considerado um veloz mensageiro de Deus (cf.Sl 148, 8).
Entram depois em cena os montes e as colinas, consideradas popularmente as criaturas mais antigas da terra (cf. v. 9a). O reino vegetal está representado pelas árvores de fruto e pelos cedros (cf. v. 9b). Ao contrário, o mundo animal está presente através das feras, dos animais, dos répteis e das aves (cf. v. 10).
E por fim, eis o homem que preside à liturgia da criação. Ele é definido de acordo com todas as idades e distinções: crianças, jovens e idosos, príncipes, reis e nações (cf. vv. 11-12).
Confiemos agora a São João Crisóstomo a tarefa de lançar um olhar de conjunto sobre este imenso coro. Ele faz isto com palavras que reenviam também para o cântico dos três jovens na fornalha ardente, por nós meditado na última catequese.
O grande Padre da Igreja e patriarca de Constantinopla afirma: "Devido à sua grande rectidão de alma os santos, quando se preparam para dar graças a Deus, costumam chamar muitos para participar no seu louvor, exortando-os a empreender juntamente com eles esta bonita liturgia. Também os três jovens na fornalha ardente fizeram isto, quando chamaram toda a criação para louvar o benefício recebido e para cantar hinos a Deus (Dn 3).
Também este Salmo faz o mesmo, chamando as duas partes do mundo, a que está no alto e a que está em baixo, a sensível e a inteligente. Assim fez também o profeta Isaías, quando disse: "Cantai, ó Céus, exulta de alegria ó terra... porque o Senhor consola o seu povo" (Is49, 13). E o Saltério exprime-se de novo assim: "Quando Israel saiu do Egito, a casa de Jacó dum povo estranho, os montes saltaram como carneiros, as colinas como cordeiros" (Sl113, 1.4). E em Isaías: "As nuvens façam chover a justiça" (Is 45, 8). De fato, os santos, considerando-se eles próprios insuficientes para louvar o Senhor, dirigem-se a todas as partes envolvendo todos na hinologia comum.
Também nós somos convidados a associar-nos a este coro imenso, tornando-nos voz explícita de cada criatura e louvando a Deus nas duas dimensões fundamentais do seu mistério. Por um lado, devemos adorar a sua grandeza transcendente, "porque só o Seu nome é excelso, a sua majestade está acima do céu e da terra", como diz o nosso Salmo (v. 13). Por outro lado, reconhecemos a sua bondade condescendente, porque Deus está próximo das suas criaturas e vem, sobretudo, em ajuda do seu povo: "Ele enalteceu o poder do seu povo... povo da sua amizade" (v. 14), como ainda afirma o Salmista.
Face ao Criador omnipotente e misericordioso aceitemos, então, o convite de Santo Agostinho para o louvar, exaltar e celebrar através das suas obras: "Quando observas estas criaturas e por isso te regozijas e te elevas até ao Artífice de tudo e, através do intelecto, contemplas os atributos invisíveis das coisas criadas, então eleva-se a sua confissão sobre a terra e no céu... Se as criaturas são belas, quanto mais não o será o Criador?"
São João Paulo II, papa; na audiência de 17 de Julho de 2002.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 33Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. 34É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.
35Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. 36Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. 37O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”
Comentário:
Este trecho do Evangelho é paralelo a Mt 24, 37-44. O cristão que vive à espera do seu Senhor ou na presença do seu Senhor, que age nos acontecimentos, deve assumir as próprias responsabilidades. A vigilância a que é convidado está explicitada em outro lugar como oração (Lc 21,36; Ef 6,18; Cl 4,2), sobriedade, fé e caridade infatigável (1Ts 5,8; 2Ts 3,13) e resistência ao mal (Ef 6,10-20; 1Pd 5,8; Rm 13,11-14).
Um homem pescando no Reservatório Loch Raven, próximo a Baltimore, cerca de duas décadas estava convencido que fisgara um peixe grande quando puxou a linha e viu que era algo bastante diferente. Sem saber exatamente do que se tratava, achou que era algo meio religioso e levou até a Igreja Católica mais próxima. O padre imediatamente reconheceu o objeto como sendo um ostensório de bronze em estilo gótico e sugeriu que fosse levado à Basílica Nacional da Virgem Maria, em Baltimore.
Lá o ostensório permaneceu guardado até recentemente, quando foi restaurado e exposto em uma capela especialmente dedicada à oração pelas vocações ao presbiterato e vida consagrada. Como ressaltou o Arcebispo (de Baltimore) Lori, "em frente a este ostensório pescado nas águas de um lago pediremos ao Senhor que envie novos pescadores de homens, tanto aqui em Baltimore como em toda Igreja. É um milagre que ele tenha sido tirado das profundezas do lago, um verdadeiro sinal da providência de Deus".
A nova capela inclui um altar inspirado no altar principal da Basílica. O ostensório ficará sob um baldaquim octogonal em estilo neoclássico. As paredes de pastilhas azuis que cobrem o seu interior e servem de fundo para o ostensório lembram as águas do lago do qual ele foi pescado, assim como as palavras do Senhor afirmando que Ele encontra-se nas profundezas dos nossos corações.
Maria Fontanella, aos seis anos, combinou com seu irmão que no meio da noite fugiriam para o deserto onde viveriam a vida dos monges. Mas, obviamente, o plano não deu certo. Aos 12 anos juntou-se às Irmãs Cisterciences, mas retornou logo para casa quando seu pai faleceu. Enfim aos 14 anos entrou para o Convento das Irmãs Carmelitas. Nos primeiros tempos teve dificuldades para adaptar-se à rotina e seguir as orientações para noviças. Mas com perseverança, acabou professando os votos alguns depois.
Então veio um julgamento ainda mais sério. Maria começou a ter visões, ser atacada por espíritos diabólicos e duvidar da fé. Neste período praticou penitências extremas, muito além do comum mesmo para a época. A mais conhecida penitência foi amarrar-se em uma cruz. Guiada por conselheiro espiritual, após três anos emergiu desta noite escura com um profundo senso de oração e piedade.
Faleceu de causas naturais em 16 de Dezembro de 1717; foi beatificada em 1865 pelo Papa Pio IX.
O texto a seguir foi dado às irmãs do Convento como preparação para o Natal:
A pureza é uma qualidade tão aprazível à Deus que seu Divino Filho tendo tornado-se homem pela graça do Espírito Santo nasceu de uma pura virgem. Todos nós sabemos com que abundância de graças e extraordinária pureza Deus adornou corpo e alma de Maria. Então a fez merecedora da Palavra que se tornou corpo em seu ventre. Portanto se queremos que o Imaculado Deus nasça em nossa alma, devemos buscar a pureza nas nossas consciências. A maneira correta de atingir este objetivo é banir de nossos corações até a menor das faltas e cultivar todas as virtudes.
Quão grande é a tua bondade, meu Jesus! Embora eu tenha te ofendido tão profundamente, ainda queres te revestir de um corpo humano para me libertar de todos meus pecados e perdoá-los. Imaginei que um dia iria encontrar um Deus sentado no centro do tribunal acusando-me de todas as minhas faltas. Ao contrário, encontro o Filho de Maria, salvador dos meus pecados, o Cordeiro de Deus! Quão eficaz é a doçura do teu coração para afastar a dureza do meu. Eu detesto meus pecados com todas as minhas forças por que eles se opõem à tua infinita bondade. Imprima no meu coração tal arrependimento que eu prefira morrer a ofender-te novamente.