12 de abr. de 2020

Homília da Vigília Pascal, Papa Francisco

"Terminado o sábado" (Mt 28, 1), as mulheres foram ao sepulcro. O Evangelho desta santa Vigília começa assim: com o sábado. Este é o dia do Tríduo Pascal que mais descuramos, ansiosos de passar da cruz de sexta-feira à aleluia de domingo. Este ano, porém, damo-nos conta, mais do que nunca, do sábado santo, o dia do grande silêncio; podemos rever-nos nos sentimentos que tinham as mulheres naquele dia. Como nós, tinham nos olhos o drama do sofrimento, duma tragédia inesperada, que se verificou demasiado rapidamente. Viram a morte e tinham a morte no coração. À amargura, juntou-se o medo: acabariam, também elas, como o Mestre? E depois os receios pelo futuro, carecido todo ele de ser reconstruído. A memória ferida, a esperança sufocada. Para elas, era a hora mais escura, como o é hoje para nós.

Contudo, nesta situação, as mulheres não se deixam paralisar. Não cedem às forças obscuras da lamentação e da lamúria, não se fecham no pessimismo, nem fogem da realidade. Realizam algo simples e extraordinário: nas suas casas, preparam os perfumes para o corpo de Jesus. Não renunciam ao amor: na escuridão do coração, acendem a misericórdia. Nossa Senhora, no sábado – dia que Lhe será dedicado –, reza e espera. No desafio da tristeza, confia no Senhor. Sem o saber, estas mulheres preparavam na escuridão daquele sábado "o romper do primeiro dia da semana" (Mt 28, 1), o dia que havia de mudar a história. Jesus, como semente na terra, estava para fazer germinar no mundo uma vida nova; e as mulheres, com a oração e o amor, ajudavam a esperança a desabrochar. Quantas pessoas, nos dias tristes que vivemos, fizeram e fazem como aquelas mulheres, disseminando rebentos de esperança com pequenos gestos de solicitude, de carinho, de oração!

Ao amanhecer, as mulheres vão ao sepulcro. Lá diz-lhes o anjo: "Não tenhais medo. Não está aqui; ressuscitou" (cf. Mt 28, 5-6). Diante dum túmulo, ouvem palavras de vida... E depois encontram Jesus, o autor da esperança, que confirma o anúncio dizendo-lhes: "Não temais" (28, 10). Não tenhais medo, não temais: eis o anúncio de esperança para nós, hoje. Tais são as palavras que Deus nos repete hoje, na noite que estamos a atravessar.

Nesta noite, conquistamos um direito fundamental, que não nos será tirado: o direito à esperança. É uma esperança nova, viva, que vem de Deus. Não é mero otimismo, não é uma palmadinha nas costas nem um encorajamento de circunstância, com o aflorar dum sorriso. Não. É um dom do Céu, que não podíamos obter por nós mesmos. Tudo correrá bem: repetimos com tenacidade nestas semanas, agarrando-nos à beleza da nossa humanidade e fazendo subir do coração palavras de encorajamento. Mas, à medida que os dias passam e os medos crescem, até a esperança mais audaz pode desvanecer. A esperança de Jesus é diferente. Coloca no coração a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois até do túmulo faz sair a vida.

O túmulo é o lugar donde, quem entra, não sai. Mas Jesus saiu para nós, ressuscitou para nós, para trazer vida onde havia morte, para começar uma história nova no ponto onde fora colocada uma pedra em cima. Ele, que derrubou a pedra da entrada do túmulo, pode remover as rochas que fecham o coração. Por isso, não cedamos à resignação, não coloquemos uma pedra sobre a esperança. Podemos e devemos esperar, porque Deus é fiel. Não nos deixou sozinhos, visitou-nos: veio a cada uma das nossas situações, no sofrimento, na angústia, na morte. A sua luz iluminou a obscuridade do sepulcro: hoje quer alcançar os cantos mais escuros da vida. Minha irmã, meu irmão, ainda que no coração tenhas sepultado a esperança, não desistas! Deus é maior. A escuridão e a morte não têm a última palavra. Coragem! Com Deus, nada está perdido.

Coragem: é uma palavra que, nos Evangelhos, sai sempre da boca de Jesus. Só uma vez é pronunciada por outros, quando dizem a um mendigo: "Coragem, levanta-te que [Jesus] chama-te" (Mc 10, 49). É Ele, o Ressuscitado, que nos levanta a nós, mendigos. Se te sentes fraco e frágil no caminho, se cais, não tenhas medo; Deus estende-te a mão dizendo: "Coragem!" Entretanto poderias exclamar como padre Abbondio: "A coragem, não no-la podemos dar" (I promessi sposi, XXV). Não a podes dar a ti mesmo, mas podes recebê-la, como um presente. Basta abrir o coração na oração, basta levantar um pouco aquela pedra colocada à boca do coração, para deixar entrar a luz de Jesus. Basta convidá-Lo: "Vinde, Jesus, aos meus medos e dizei também a mim: “coragem!”"Convosco, Senhor, seremos provados; mas não turvados. E, seja qual for a tristeza que habite em nós, sentiremos o dever de esperar, porque convosco a cruz desagua na ressurreição, porque Vós estais conosco na escuridão das nossas noites: sois certeza nas nossas incertezas, Palavra nos nossos silêncios e nada poderá jamais roubar-nos o amor que nutris por nós".

Eis o anúncio pascal, anúncio de esperança. Este contém uma segunda parte, o envio. "Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia" (Mt 28,10): diz Jesus. Ele "vai à vossa frente para a Galileia" (28, 7): diz o anjo. O Senhor precede-nos, precede-nos sempre. É bom saber que caminha diante de nós, que visitou a nossa vida e a nossa morte para nos preceder na Galileia, isto é, no lugar que, para Ele e para os seus discípulos, lembrava a vida diária, a família, o trabalho. Jesus deseja que levemos a esperança lá, à vida de cada dia. Mas, para os discípulos, a Galileia era também o lugar das recordações, sobretudo da primeira chamada. Voltar à Galileia é lembrar-se de ter sido amado e chamado por Deus. Cada um de nós tem a sua própria Galileia. Precisamos de retomar o caminho, lembrando-nos de que nascemos e renascemos a partir duma chamada gratuita de amor, lá, na minha Galileia. Este é o ponto donde recomeçar sempre, sobretudo nas crises, nos tempos de provação: na recordação da minha Galileia.

Mais ainda. A Galileia era a região mais distante de Jerusalém, onde estavam. E não só geograficamente: a Galileia era o lugar mais distante do caráter sacro da Cidade Santa. Era uma região habitada por povos diferentes, que praticavam vários cultos: era a Galileia dos gentios (Mt 4, 15). Jesus envia para lá, pede para recomeçar de lá. Que nos diz isto? Que o anúncio da esperança não deve ficar confinado nos nossos recintos sagrados, mas ser levado a todos. Porque todos têm necessidade de ser encorajados e, se não o fizermos nós que tocamos com a mão o Verbo da vida (1 Jo 1, 1), quem o fará? Como é belo ser cristãos que consolam, que carregam os fardos dos outros, que encorajam: anunciadores de vida em tempo de morte! A cada Galileia, a cada região desta humanidade a que pertencemos e que nos pertence, porque todos somos irmãos e irmãs, levemos o cântico da vida! Façamos calar os gritos de morte: de guerras, basta! Pare a produção e o comércio das armas, porque é de pão que precisamos, não de metralhadoras. Cessem os abortos, que matam a vida inocente. Abram-se os corações daqueles que têm, para encher as mãos vazias de quem não dispõe do necessário.

No fim, as mulheres estreitaram os pés de Jesus (Mt 28, 9), aqueles pés que, para nos encontrar, haviam percorrido um longo caminho até entrar e sair do túmulo. Abraçaram os pés que espezinharam a morte e abriram o caminho da esperança. Hoje nós, peregrinos em busca de esperança, estreitamo-nos a Vós, Jesus ressuscitado. Voltamos as costas à morte e abrimos os corações para Vós, que sois a Vida.

-- Papa Francisco, homília da Vigília Pascal, 11 de Abril de 2020

11 de abr. de 2020

As duas noites da Páscoa


Hoje gostaria de falar sobre duas noites na qual Deus se faz presente.

A primeira noite, a noite do medo, é esta Quaresma, marcada pelo coronavírus. As ruas estão vazias, o comércio está fechado, as igrejas estão fechadas, não há confissões, não há missas, todos estão trancados em casa, com medo. A vida normal, como conhecemos, não está acontecendo.

O número mais comentado é o total de mortes. Já pensaste por quê? O mundo tem medo da morte, o mundo que tirou Cristo de suas vidas, tem medo de morrer, caiu na mentira do demônio que faz com que não acreditemos na palavra de Deus.

Por que o mundo está quase parado, não é possível sair para beber, para procurar drogas, para ficar rico, para assistir ao futebol. O mundo está afastado dos seus vícios habituais, os vícios que utiliza para fugir da realidade que a cada dia estamos mais perto da morte. Agora é visível que a morte nos ronda, nos amedronta, por que é algo incerto, incerto se não acreditarmos na palavra de Deus.

Pense nos judeus saindo do Egito, sendo perseguidos pelo exército do faraó, as margens do Mar Vermelho. De um lado, a morte por afogamento, de outro lado a morte pela espada chegando. Estavam encurralados. Mas Deus agiu, abriu o mar, deu um caminho de salvação para aquele povo, que é o mesmo caminho de salvação para nós, é acreditar na palavra de Deus.

Os judeus salvaram-se, viram os soldados afogados, seus corpos foram dar às praias. Ainda hoje, na noite de Páscoa, lembram que saíram do Egito, que Deus matou os primogênitos, que abriu o mar. Este é o poder de Deus Salvador que pode transformar tudo, pode transformar uma noite de morte, uma noite de medo, em uma noite de salvação, simplesmente pelo poder de sua palavra.

Oh! noite que me guiaste,
Oh! noite mais amável que a alvorada
Oh! noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada!


– Verso do poema A Noite Escura de São João da Cruz

A segunda noite é a noite de Páscoa, a noite sobre todas as noites, a noite em que Cristo Ressuscitado vence a morte. Ó noite maravilhosa, noite que ilumina nossa vida, a noite em que Palavra de Deus pode se realizar na nossa vida, a noite em que a Palavra de Deus pode te trazer a salvação.

Deus nos guiou até este momento, não morremos até hoje por que Deus quer que vivamos esta Páscoa em casa, para nossa conversão, para aprendermos a celebrar nas casas. Deus realizou maravilhas na tua vida, primeiro de tudo, Ele te deu a vida, pense de quantos acidentes ou quase-acidentes Ele te livrou, de algumas doenças Ele já te livrou, e, acima de tudo, de todos os teus pecados Ele te perdoou.

Nesta noite Jesus Cristo, o Amado de Deus, ressuscita dos mortos, vence a morte para o benefício de todos nós. A Igreja, Amada de Deus, celebra que o demônio está vencido, que a morte está vencida, que não precisamos temer a morte. A morte está derrotada, nossa vida não termina na morte, acreditamos em Cristo Jesus Ressuscitado, acreditamos que também nós ressuscitaremos quando for nosso tempo.

A Igreja, nesta noite de Páscoa, é transformada. Se estívessemos celebrando nas igrejas, veríamos as trevas transformando-se em luz, pois a Vigília Pascal inicia no escuro, mas vai se iluminando na medida em que Cristo entra na Igreja, com o presbítero carregando o Círio Pascal. Com as luzes acesas cantamos o Glória, Glória a Deus nos altos dos céus, Glória a Jesus Cristo Ressuscitado!

Nesta noite Deus mostra todo amor que tem por nós, por cada um nós. Cristo nos ama, e ama muitíssimo. Um anjo anunciou às mulheres que Cristo havia Ressuscitado, hoje vamos receber este mesmo anúncio assistindo à missas em casa, apenas com nossa família, não na igreja, com a comunidade, mas isto não tira seu poder. Que este anúncio de Deus possa transformar a tua vida, que possas acreditar, em teu coração, nesta Palavra de Deus.

Cristo Ressuscitou, Cristo venceu a morte, Aleluia, Aleluia!


-- autoria própria

6 de abr. de 2020

A avareza espiritual

Muitos principiantes têm às vezes também grande avareza espiritual. Mal se contentam com o espírito que Deus lhes dá,; andam muito desconsolados e queixosos por não acharem, nas coisas espirituais, o consolo desejado. 

Muitos nunca se fartam de ouvir conselhos e aprender regras da visa espiritual; querem ter sempre grande cópia de livros sobre este assunto. Se ocupam mais em ler do que em se exercitarem na mortificação e perfeição da pobreza interior do espírito, como deveriam. 

Além disto, carregam-se de imagens e rosários, ora deixam uns, ora tomam outros; vivem a trocá-los e destrocá-los; querem-nos, já desta maneira, já dequela outra, afeiçoando-se mais a esta cruz do que àquela, por lhes parecer mais interessante. Também vereis a outros bem munidos de Agnus Dei, relíquias e santinhos, como as crianças com brinquedos. 

 Condeno, em tudo isto, a propriedade do coração e o apego ao  e curiosidades destas coisas; pois esta maneira de agir é muito contrária à pobreza de espírito, que só põe os olhos na substância da devoção, e se aproveita somente do que lhe serve para tal fim, cansando-se de tudo mais. 

A verdadeira piedade há de brotar do coração, firmando-se na verdade e solidez, significadas nestas coisas espirituais; o resto é apego e propriedade de imperfeição, que é necessário cortar, a fim de atingir algo da perfeição.

-- São João da Cruz, no livro A Noite Escura da Alma.  (século XVI)

14 de mar. de 2020

Sobre a obrigação de ir à Missa em tempos de pandemia

A obrigação de ir à Missa dominical e dias santos é afirmada no Código Canônico (1246-1248) e enfatizada no Catecismo (2180-2183). Ninguém duvida desta obrigação. A Igreja, no entanto, não pode obrigar, nem tenta forçar, ninguém a ir à Missa, digamos que não há uma polícia da religião ou algo assim, mas sempre enfatiza a importância da missa semanal.

Em caso de faltar esta obrigação, a questão fundamental não é quantas missas a pessoa deixou de ir, mas por que não foi a Missa? Como veremos, há motivos razoáveis para não ir a Missa: impossibilidade, dispensa e justificação.

Se não for a Missa, o católico é convidado a realizar algum exercício espiritual, como rezar a Liturgia das Horas, assistir a Missa na televisão, se manter em oração por uma hora (tempo de duração de uma Missa) ou algo que lhe seja possível. É claro que nada disso corresponde ao sacrifício pascal de uma Missa, mas são boas alternativas espirituais.

Impossibilidade

Desde dos tempos mais antigos é reconhecido que ninguém é obrigado a realizar o impossível. Se as missas são canceladas em um local e não há maneira razoável de ir a outro, pode ser impossível encontrar uma missa para assitir. No caso, quando um país inteiro não realiza missas, não há alternativas razoáveis, talvez apenas para quem mora nas cidades da fronteira.

Dispensa

A obrigação de rezar a Deus nos domingos é um dos mandamentos já presentes no Antigo Testamento, mas a obrigação específica de ir a Missa é uma questão da lei eclesiástica e pode ser dispensada pelo Bispo diocesano ou párocos após considerarem gravemente as circunstâncias locais e a saúde espiritual de seu rebanho. É óbvio que as decisões de um bispo ou pároco alcançam apenas aqueles que estão sob sua administração. Se um bispo da Itália dispensa seus fiéis de ir a Missa, isto não se aplica ao Brasil.

Justificação

A justificação individual é o motivo mais comum para não ir a Missa, especialmente por que estar doente é uma justificativa válida. Duas observações são importantes:

Primeiro, não devemos julgar.  Se uma pessoa diz que não foi a Missa por que está com dor de cabeça, isto pode não parecer suficiente para um, mas não há como saber com certeza quão debilitante é para aquela pessoa. Lembre-se, no final todos teremos que nos justificar perante Deus, não para os irmãos. 

Segundo, cada doença possui diferentes riscos para o doente e aqueles que estiverem a sua volta. Algumas doenças não colocam outros em risco, como o câncer; outras são mais contagiosas, como sarampo e gripe. É justo que alguém deixe de ir a Missa para não colocar a saúde de outros em risco, por justiça em relação aos seus irmãos e irmãs. 

Este segundo ponto pode se estender a pessoas que mesmo não estando doentes, considerem o risco de estarem transmitindo uma doença por ter contato com alguém doente. No caso do coronavírus, a ciência está indicando que este risco é importante e não deve desprezado. 

Estar com medo de contrair uma doença não parece ser uma justificativa razoável, afinal todos estamos expostos a este risco diariamente. Mas cada pessoa deve exercer seu julgamento individual, considerar os riscos para si, seus familiares e, em caso de dúvida, rezar para que Deus ilumine sua decisão. De novo, a ninguém cabe julgar o irmão, apenas a Deus. 

-- autoria própria, baseado no texto publicado pelo Dr. Edward Peters

1 de mar. de 2020

Shahbaz Bhatti, Servo de Deus, político paquistanês


Shahbaz Bhatti nasceu no Paquistão em 1968, era filho de uma família católica em um país onde menos de 2% da população é cristã, e devido a sua vida, são discriminados, deixados na pobreza e sem educação! Ele contava que em uma Sexta-Feira Santa, quando tinha 13 anos, ouviu uma homília sobre o sacrifício de Jesus na Cruz e decidiu, naquele dia, que dedicaria sua vida defendendo os cristãos e outras minorias no país.


Mantendo sua palavra, quando estava na universidade, Bhatti organizou um grupo de estudantes cristãos para resistir aos ataques da maioria de muçulmanos radicias. Em 2008 foi nomeado Ministro para Assuntos das Minorias, o primeiro ministro cristão na história do país! Mesmo sabendo que sua luta pelas minorias tornava-o um alvo, manteve-se lutando por justiça, especialmente contra as leis contra blasfêmia do governo islâmico. Nunca casou, morava com sua mãe e dedicava-se a causa da ingualdade. Na manhã de 2 de Março de 2011, quando saiu de casa, foi assassino. Tinha apenas 42 anos! No seu diário, havia escrito antes de sair: Eu creio em Jesus Cristo que deu sua vida por nós e estou pronto a morrer por sua caus. Eu vivo por minha comunidade e vou morrer defendendo seus direitos”. O Papa Francisco declarou Bhatti como sendo um Servo de Deus.


-- tradução do texto escrito pelo Pe Pat Angelucci, que foi publicado no boletim da Paróquia Bom Bosco, Port Chester/NY, Março/2020.

15 de fev. de 2020

Santa Josefina Vannini, a orfã que fundou uma ordem

Em 7 de Julho de 1859, Roma, nasceu Giuditta Vannini, a filha do meio de Angelo e Annunziata, seus irmãos chamavam-se Augusto (mais velho) e Giulia. Foi batizada no dia seguinte na Basílica de Santo Andrea delle Fratte. Quando recém havia completado quatro anos, seu pai faleceu de problemas intestinais, em 18 de Agosto de 1863, e sua mãe faleceu poucos depois, em 6 de Novembro de 1866. 

Giuditta tinha apenas sete anos e já era orfã de pai e mãe. Ela foi morar no Orfanato de Torlonia, seu irmão, com um tio, e  a irmã menor no Orfanato das Irmãs de São José. A família estava desfeita e era abandonada no orfanato onde moraria por muitos anos. Em 19 de Março de 1873, com 13 anos, recebeu a Primeira Comuhão e o Sacramento do Crisma. Continuou a morar no orfanato até receber um diploma de professora de jardim de infância.

No entanto, ao invés de trabalhar como professora, sentiu-se chamada à vida religiosa, começando seu noviciado com as Irmãs Vicentinas, em Siena. Teve que enfrentar um novo revés, pois ficou muito doente de 1887, sendo enviada para uma casa de repouso. Depois de um ano, já recuperada, retornou ao convento em Siena, mas desta vez não foi aceita pelas superioras que avaliaram-na negativamente. Tinha já 27 anos e enfrentava um novo fracasso na vida.

Quatro anos depois, em 17 de Dezembro de 1891 participou de um retiro espiritual onde conheceu o Padre Luigi Terra, que tinha um plano de fundar uma nova ordem de irmãs da caridade dedicadas a cuidar dos doentes. Luigi convidou-a para entrar na tal ordem, mas, na prática, ela foi a primeira a aceitar. Em 19 de Março de 1893, ela e duas companheiras receberam o escapulário e o hábito de religiosas da Ordem Terceira de São Camilo, quando professou os votos e assumiu o nome de Giuseppina (Josefina). Imediatamente foi nomeada superiora geral da ordem e com a ajuda de um frade camiliniano, começou a redigir os estatutos da ordem. Distintivo da ordem, é que o hábito tem uma grande cruz vermelha no centro.

Vivendo em grande pobreza, os números começam a aumentar. Ao final de 1893 já são 14 irmãs, uma casa é fundada em Cremona, em 1894 outra casa em Brindisi. E novos problemas surgem, o Papa Leão XIII decidiu proibir o estabelecimento de novas ordens na Arquidiocese de Roma e não aprovou as Irmãs de São Camilo. No entanto, com o apoio do Cardeal Lucido Parocchi, elas conseguem a aprovação de uma "associação de caridade". 

Outra provação aparece na sua vida com fofocas maliciosas sobre sua relação com o Padre Tezza. O superior do padre decide proibi-lo de qualquer contato com Josefina e as irmãs, incluindo não confessá-las ou celebrar missas. Padre Tezza aceita e começa a rezar paa que seu sofrimento ocorra  em favor do desenvolvimento da ordem. Em 1900, foi enviado para Lima, Peru, como missionário, separando-se totalmente das irmãs. Ele faleceu no Peru em 1923 e foi beatificado em 4 de Novembro de 2001.

Com as tribulações de Padre Luigi, Josefina assumiu totalmente as responsabilidades da Ordem, fundando novas casas na Itália, França, Bélgica e até Argentina, visitando-as, incentivando as mais jovens e coordenando com as autoridades locais onde exerciam sua missão de auxiliar os pobres. Em 1909, a Ordem foi aprovada para atuar em Roma.

Ao final do ano seguinte caiu doente, com problemas cardíacos. Sentindo que o fim aproximava-se, escreveu: "Tenham coragem! Acima de tudo é Deus que conduz a ordem, não sou eu. E do paraíso poderei fazer o que não faço neste mundo com perfeição, rezar por todas vocês. Tenham fé que se eu não me recuperar, este é o melhor."  Josefina faleceu em 23 de Fevereiro de 1911 e foi enterrada em Roma, depois seus restos mortais seriam transferidos para a principal casa da ordem em Grottaferrata. 

A Congregação foi aprovada em caráter temporária pelo Papa Pio XI em 1922 em caráter definitivo em 17 de Junho de 1931. Atualmente são mais de 800 irmãs em vários países europeus, América Latina e África.

Os dois milagres reconhecidos durante o processo de canonização ocorreram na Argentina e Brasil: 

  • em 1993, em Buenos Aires, uma moça estava num hospital que as irmãs atendiam, ela tinha uma forma de cancer no pescoço que afetou sua espinha e terminou por paralisá-la. As irmãs começaram uma novena pela sua cura, e ao longo de nove dias ela foi melhorando, recuparando seus movimentos e o cancer desaparecendo. Ao final da novena, pode sair caminhando do hospital, totalmente curada. 
  • em 2005, a Congregação estava construindo uma casa de repouso para velhos em Sinop, Mato Grosso. Um dos operários, Arno Klauck caiu de uma altura de mais de 10 metros. Durante a queda, em frente de várias testemunhas, ouviram-no gritar "Madre Josefina, ajude-me". Exceto por alguns arranhões, os médicos no hospital não constataram nada, nem um único osso quebrado. O vídeo (em italiano) mostra a Superiora Geral da Congregação, Madre Laura Biondi contando o milagre de Sinop e uma neta do irmão Augusto recordando algumas histórias da família. 
Santa Josefina Vannini foi canonizada em 13 de Outubro de 2019 pelo Papa Francisco. 

-- autoria própria.



8 de fev. de 2020

A Igreja é contra a Teoria da Evolução de Darwin?

Resposta curta: 
A Igreja fala em criação continua (no latim, creatio continua) para descrever a ação criadora contínua de Deus ao longo da história do universo. Segundo Santo Agostinho, a narrativa do Livro do Genêsis é uma adaptação às realidades humanas, logo a criação não necessariamente ocorreu em seis dias, isto apenas indica que foi um trabalho extremamente produtivo e bem feito em um espaço de tempo que as pessoas podem entender.  Como explicou o Papa Bento XVI, Deus é suficientemente poderoso para criar as condições que proporcionaram o surgimento da vida, sua reprodução e diferenciação. A história bíblica da criação ressalta que o homem é criação de Deus, a teoria científica da evolução explica as causas naturais, mas não as razões pela qual existimos. A idéia de que o Cristianismo é contrário à teoria científica da evolução resulta de uma leitura literal da Bíblia e o desprezo por todos os ensinamentos da Igreja ao longo dos séculos, algo contrário a fé católica.

Resposta longa:
Já muito antes de Darwin, a Igreja discutia duas formas de criação: Creatio ex-nihilo e Creatio continua. Creatio ex-nihilo explica que no princípio existia apenas a Santíssima Trindade e Deus criou o universo do nada, Creatio continua explica a criação como uma atividade diária, que ainda ocorre hoje. 

Da mesma forma, há duas teorias científicas sobre o assunto: o Criacionismo e a Evolução Natural, sendo que desde Mendel e Darwin, a Evolução Natural tem sido a teoria dominante nos meios científicos por explicar muito melhor o processo natural. 

Igualar Creation ex-nihilo ao Criacionismo e Creatio continua à evolução natural é simplificar demais as idéias e misturar Teologia com Biologia. Ideías teológicas buscam explicar a ação e os ensinamentos de Deus, além disso as duas idéias teológicas (ex-nihilo e continua) falam da transcedência de Deus, como percebemos sua presença divina nas realidades terrestres, enquanto as idéias biológica se restrigem aos aspectos materiais da evolução. 

Creatio ex-nihilo é baseada, obviamente, em Genesis 1, 1-3:

"No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam­ o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: “Faça-se a luz!”. E a luz foi feita."

E no Evangelho de São João 1, 1-3:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito."

Creatio continua é baseada em outros  trechos, como os capítulos 38 a 41 do Livro de Jó. Aqui coloco apenas um trecho (Jó 38, 25-27) que fala de Deus controlando as chuvas:

"Quem abre um canal para o aguaceiro e uma rota para os relâmpagos dos trovões, para fazer chover sobre uma terra desabitada e sobre um deserto sem seres humanos, para regar regiões vastas e desoladas, para nelas fazer germinar a erva verdejante?"

Também há o Salmo 138, 13 que mostra como Deus está presente na concepção de cada pessoa:

"Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo, vós me tecestes no seio de minha mãe."

Na verdade, as duas idéias são complementares, pois uma explica que Deus ordenou o Universo como o conhecemos hoje, enquanto a outra nos fala que Deus continua agindo na história, na minha e na tua vida.  

É interessante notar como São Alberto Magno, doutor da Igreja, explica milagres como sendo uma intervenção não-natural de Deus onde Ele mostra seu poder sobre a natureza que Ele mesmo criou. Por exemplo, o curso natural de uma doença incurável é levar à morte, mas a Deus pode intervir e retirar a doença do corpo da pessoa em um único instante, de maneira sobrenatural, ou seja, acima da natureza.

O Ensinamento da Igreja sobre a Teoria da Evolução

Antes de tudo, é importante citar que a Darwin não criou sua teoria do nada, mas como evolução de outras i'deias científicas da época. Dois séculos antes de Darwin, o bispo dinamarquês Nicolas Steno já falava da existência de fósseis e processos de datação que colocavam aqueles ossos milhões de anos atrás da história registrada da humanidade. O jesuíta Mendel, contemporâneo de Darwin, mostrou que era possivel selecionar sementes de ervilha para modificar a espécie de maneira mais conveniente para os humanos.  

Darwin publicou o livro A Origem das Espécies em 1859. Poucos anos depois, o também inglês Cardeal Newman, canonizado ano passado, já escrevia:

A Teoria de Darwin não é necessariamente ateística, seja verdadeira ou falsa; ela apenas sugera uma idéia maior, a Divina Providência e Sabedoria. A "evolução acidental dos organismos vivos"não é inconsistente com a idéia de Deus, pois é acidental para nós, não para Deus. 

O Concílio Vaticano I (1869-70) oficialmente declarou:

A Santa Madre Igreja ensina que Deus, fonte e fim de todas as criaturas, pode ser conhecido, utilizando o raciocínio humano, ao considerarmos todas as criaturas vivas; desde a criação do mundo, sua natureza invisível pode claramente ser percebida através de tudo que Ele criou.

Na Encíclica Humanae Generis, de 1950, o Papa Pio XII explicitamente afirma:

A Igreja não proíbe que pesquisas e discussões, envolvendo cientistas e teólogos, ocorram quanto a doutrina da evolução, pois estalimita-se às origens do corpo humano.

Em outro trecho da mesma Encíclica, o Papa destaca que os católicos devem acreditar na existência da alma, criada imediatamente por Deus no momento da concepção. A alma é uma substância espiritual, não material, sua origem é divina e é única de cada pessoa. 

Estes pontos foram reforçados pelo Papa João Paulo II, em um discurso na Pontifícia Academia de Ciências, proferido em 22 de Outubro de 1996:

A convergência de muitos resultado de estudos independentes constituem um argumetno sognificativo em favor da Teoria da Evolução. [....] 

Mas no mesmo discursos, alertou:

Teorias da evolução que considerem o espírito como algo provindo das forças da matéria, ou como um simples complemento do corpo físico, são incompatíveis com a verdade sobre o homem.

Ou seja, o limite está claro: o corpo físico pode ser explicado como um fenômeno que se desenvolveu em várias etapas aos longos dos milênios, mas para cada pessoa Deus provê uma alma criada por especialmente por Ele. 

Mais tarde, o Papa Bento XVI afirmaria em Julho de 2004:

Através da atividade de causas naturais, Deus cria as condições requiridas para o surgimento e suporte de organismos vivos, e além disso, sua reprodução e diferenciação. [...] Teólogos católicos podem entender, através deste raciocínio, que a fé confirma a criação divina. Através de sua providencial criação, o Deus Trindade pretende não apenas fazer um local para os seres humanos, mas também um local para possam ter sua vida em união com Deus. Além disso, operando de maneira real, através de causas secundárias*, os seres humanos contribuem para a transformação do Universo.

* secundárias por que não é Deus agindo diretamente

Numa reunião com o clero de Treviso, o Papa Bento XVI comentou:

Hoje vejo, não apenas na Alemanha, mas também nos Estados Unidos, um forte debate entre Criacionismo e Evolucionismo, apresentados como alternativa mutuamente exclusivas, somo se aqueles que acreditam em Deus não pudessem conceber a evolução e aqueles que acreditam na ciência, devem excluir Deus. Isto é um absurdo por que há muitas provas científicas em favor da evolução, que parece ser uma realidade visívele que eenriquece nossa compreensão da vida. Mas a Teoria da Evolução não responde a grande questão filosófica: de onde viemos? como tudo começou e nos trouxe até aqui? É a questão fundamental.

O que diz o Catecismo da Igreja Católica

Para concluir, há três parágrafos do Catecismo que resumem muito bem a posição da Igreja:

159. Fé e ciência. Muito embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no espírito humano a luz da razão. E Deus não pode negar-Se a Si próprio, nem a verdade pode jamais contradizer a verdade. É por isso que a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé: as realidades profanas e as da fé encontram a sua origem num só e mesmo Deus.

283. A questão das origens do mundo e do homem tem sido objecto de numerosas investigações científicas, que enriqueceram magnificamente os nossos conhecimentos sobre a idade e a dimensão do cosmos, a evolução dos seres vivos, o aparecimento do homem. Tais descobertas convidam-nos, cada vez mais, a admirar a grandeza do Criador e a dar-Lhe graças por todas as suas obras, e pela inteligência e saber que dá aos sábios e investigadores. Estes podem dizer com Salomão: Foi Ele quem me deu a verdadeira ciência de todas as coisas, a fim de conhecer a constituição do Universo e a força dos elementos [...], porque a Sabedoria, que tudo criou, mo ensinou (Sb 7, 17-21).

284. O grande interesse atribuído a estas pesquisas é fortemente estimulado por uma questão de outra ordem, que ultrapassa o domínio próprio das ciências naturais. Porque não se trata apenas de saber quando e como surgiu materialmente o cosmos, nem quando é que apareceu o homem; mas, sobretudo, de descobrir qual o sentido de tal origem: se foi determinada pelo acaso, por um destino cego ou uma fatalidade anónima, ou, antes, por um Ser transcendente, inteligente e bom, chamado Deus. E se o mundo provém da sabedoria e da bondade de Deus, qual a razão do mal? De onde vem ele? Quem é por ele responsável? E será que existe uma libertação do mesmo?

-- autoria própria

25 de jan. de 2020

Deus nos deu uma alma


Deus nos deu uma alma, isto é nos deu aquele ser invisível, que sentimos em nós e que tende continuamente a elevar-se a Deus. Aquele ser inteligente que pensa e raciocina e que não pode encontrar sua felicidade na terra e que, portanto, em meio às mesmas riquezas e a qualquer prazer terreno, ela está sempre inquieta até que não repouse em Deus, por isso mesmo somente Deus pode torná-la feliz.


Deus deu a liberdade à nossa alma, isto é a faculdade de escolher entre o bem e o mal, assegurando-lhe um prêmio se faz o bem, ameaçando um castigo se por ventura escolhe o mal.

A alma está sujeita a muitas e graves enfermidades, tais como, para acenar algumas, a inclinação à cólera, aos prazeres sensuais, às amizades particulares, à tristeza e à tepidez.

Ò cristão, que tens uma alma imortal, pensas que se a salvas, tudo está salvo, mas se a perdes tudo está perdido. Tens uma só alma, um único pecado e tu podes perdê-la. Que seria de nós e da alma se neste momento Deus nos chamasse ao seu Divino Tribunal? Tu que lês pensa na tua alma e eu que escrevo pensarei seriamente na minha.

Vai, pois, alma fiel ao teu Criador. O Céu te está aberto, os anjos e os santos te prepararam uma grande festa. Aquele Jesus que tanto amaste te convida e te chama dizendo: "Vem, servo bom e fiel, vem, tu que combateste, conseguiste a vitória, agora vem à posse de uma alegria que jamais te faltará: entra no gozo do teu Senhor".

-- Este texto é uma combinação de vários parágrafos escritos por Dom Bosco em diferentes cartas e homílias. Para referências e um texto mais longo sobre Dom Bosco, acesse o escrito pelo Pe. Antenor Silva, SDB.

18 de jan. de 2020

Desde o início, Deus a todos justificou pela fé

Com decisão firmemo-nos na bênção de Deus e procuremos ver quais os caminhos desta bênção. Com toda a atenção repassemos no espírito aquilo que desde o início se fez. Por que motivo foi abençoado nosso pai Abraão? Não foi por ter realizado a justiça e a verdade pela fé? Isaac, cheio de confiança, embora soubesse o que ia acontecer, de bom grado deixou-se oferecer em sacrifício. Jacó, com humildade, afastou-se de sua terra, por causa do irmão, e partiu para junto de Labão a quem serviu. Por isso lhe foram dados os doze cetros de Israel.
Abraão pronto para sacrificar seu filho Isaac.
Se alguém considerar honestamente, um a um, os dons concedidos através de Abraão, entenderá a sua grandeza. Porque dele vêm todos os sacerdotes e levitas que servem ao altar de Deus; dele, segundo a carne, veio o Senhor Jesus; dele vieram os reis, príncipes e chefes de cada família de Judá. Isto sem que as outras tribos tenham menor honra, pois o Senhor prometeu a Abraão: A tua posteridade será numerosa como as estrelas do céu. Todos esses alcançaram glória e majestade, não por obras ou ações justas que tenham praticado, mas por vontade do Senhor. Por isso, também nós, chamados por esta vontade, no Cristo Jesus, não nos justificamos a nós mesmos por causa de nossa sabedoria, ou inteligência, ou piedade, ou ações que tenhamos feito pela santidade do coração, mas apenas pela fé, pela qual Deus onipotente a todos justificou desde o início. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Que faremos então, irmãos? Vamos deixar de lado as boas obras e largar a caridade? De jeito nenhum! Que o Senhor não o permita! Mas com zelo e alegre coragem apressemo-nos em realizar tudo o que é bom. Pois o Realizador e Senhor de tudo se alegra com suas obras. Por seu altíssimo e imenso poder estendeu os céus e com incompreensível sabedoria os adornou. Separou a terra das águas que a rodeavam, e, sobre o imóvel fundamento de sua vontade, a firmou. Por sua ordem, os animais que a recobrem começaram a existir. Também, tendo criado o mar e tudo o que nele vive, abraça-os com seu poder.
Acima de tudo, suas puras e santas mãos formaram a criatura por excelência, dotada de inteligência: o homem, selo de sua imagem. Pois assim falou Deus: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança; e Deus criou o homem, homem e mulher os criou. Terminadas todas essas obras, louvou-as e as abençoou, dizendo: Crescei e multiplicai-vos. Reparemos que todos os justos, se adornaram de boas obras, e o próprio Senhor, adornando-se, alegrou-se com a beleza de sua criação. Diante, pois, de tal modelo, caminhemos atentos à sua vontade e façamos com todas as nossas forças a obra da justiça.
-- Da Carta aos Coríntios, de São Clemente I, papa (século I)

15 de jan. de 2020

O que fazer com água benta em casa?

As únicas finalidades para a água benta são a de santificar os momentos e objetos da nossa vida e repartir nela os benefícios da glória de Deus.

Neste sentido, existem três maneiras lícitas de usar a água benta segundo a Igreja Católica: consagrar, abençoar e exorcizar:

1. Ao consagrar, a água benta ajuda a separar coisas e pessoas para Deus. Em seu uso oficial na liturgia, tem como função dedicar uma pessoa ao serviço do Senhor.

2. Ao abençoar, a água compartilha as bondades de Deus com as pessoas. As salva dos pecados veniais e infunde nelas a alegria do Espírito Santo.

3. No exorcismo, a água benta é uma ferramenta útil para o combate contra o demônio. É preciso lembrar que o sacerdote é o único autorizado a usá-la dessa forma.

Fora isso, o uso é ilícito e proibido pela Igreja. Neste sentido, a água benta não é para beber, já que o objetivo não é saciar a sede do indivíduo.

Também é preciso recordar que ter água benta em casa, se não for para abençoar ou purificar-se dos pecados veniais, não serve para nada. Não emite nem energia positiva nem nada mágico sobre a casa.

Usemos bem estes sacramentos, não como objetos superticiosos, mas como um canal da graça de Deus, nosso Salvador.
 

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