3 de dez de 2016

Os ícones na Igreja Ortodoxa

Uma parede tradicional com ícones pintados em madeira e utilizando
tintas feitas pelo artista a partir de componentes naturais, como fazem os
monges a séculos. 
Ao entrar em uma Igreja Ortodoxa, você imediatamente notará que uma parede separa o altar do restante da Igreja; é a parede dos ícones. Esta parede não existe em Igrejas Católicas, mas seu significado é muito importante para todos os cristãos. Ela tem uma porta central dupla, a Porta Sagrada ou Porta dos Céus. Tipicamente o primeiro ícone à direita da porta é Cristo Criador de Todas as Coisas, o "Cristo Pancrator", e ao lado esquerdo o Ícone de Maria, Mãe de Deus, segurando Jesus em seus braços.  O ícone nas portas é da Anunciação da Virgem Maria, quando o Arcanjo Gabriel lhe anuncia Imaculada Conceição. Ao redor deles há variados ícones dos evangelistas e outros santos. 

As portas são o caminho para os céus, o Ícone da Anunciação nos recorda que Cristo se fez homem para nossa salvação; Maria foi o ponto de passagem para que Cristo entrasse no mundo; e é também a porta de passagem para que entremos nos céus. Os ícones dos evangelistas lembram que conhecemos a Cristo através de suas Sagradas Palavras registradas nos Evangelhos.

Os monges sempre ensinaram que é impossível retratar a verdadeira natureza de Deus, pois nunca o vimos, pouco o conhecemos.  No entanto, Deus veio ao mundo na forma de uma pessoa, tornou-se carne e sangue. Este é o milagre da Incarnação, fundamental para a fé cristã. Podemos pintar uma imgem de Cristo por que ele esteve no meio de nós como uma pessoa. Neste sentido, todo ícone de Cristo lembra que Deus se fez homem.

Uma versão um pouco mais moderna da parede de ícones.
Em uma imagem, mesmo que o Sol ou a Lua não estejam representados, é possível dizer a hora do dia pois observando as luzes e sombras. Em um ícone, a iluminação provêm da imutável luz de Deus, não há luzes e sombras, tudo é uniformemente iluminado por Deus. Ícones são pintados desta maneira proposidatamente pois são uma janela para os céus. Não é o ícone que é venerado, mas a pessoa, o Santo, Nossa Senhora ou o próprio Deus, visto através desta janela que é venerado. 

Como disse São João Damasceno: "Um ícone é um hino de triunfo, uma revelação, um monumento duradouro à vitória dos Santos e a desgraça dos demônios".

-- adaptado de um texto de Tony Holden 

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