17 de nov de 2013

São Pedro Claver, escravo dos escravos

São Pedro Claver foi um jesuita espanhol missionário na Espanha que dedicou sua vida aos escravos, de quem é o santo patrono. Ainda quando estava no seminário, Pedro assim definou sua vocação: Devo dedicar-me ao serviço de Deus até a morte, compreendendo que devo tornar-me seu escravo. E na sua profissão de fé declarou ser Petrus Claver, aethiopum semper servus (servo eterno dos africanos).

Nasceu em 1581 na vila catalã de Verdu, em uma família de prósperos fazendeiros, a cerca de 90 km de Barcelona. Ao completar seus estudos, com 20 anos, Clever entrou para a Companhia de Jesus, tendo sido enviado para Palma de Mallorca estudar filosofia. Enquanto esteve lá, conviveu com São Alfonso Rodrigues, um irmão já reconhecido por sua santidade e dom de profecia, e foi ele que contou a São Pedro Clever que Deus lhe havia dito para seguir a América, pois esta era a missão que estava destinado. 

Clever voluntariou-se para o novo continente, chegou em 1610, na cidade de Cartagena, Colômbia, onde completou sua formação e foi ordenado em 1615. A cidade era um porto e centro de comércio de escravos, que eram comprados na África por quatro coroas e vendidos por 200 ou mais. Estima-se que cerca de 10.000 lá chegavam por ano.  

Durante quarenta anos alimentou, banhou e ajudou os escravos. Preferia ir para o porto e esperar os navios negreiros atracando. Entrava nos barcos o mais rápido possível e ia direto aos porões para tratar aqueles que haviam sobrevivido à viagem sobre horríveis condições. Era dificil andar ali, pois os porões estavam completamente superlotados. Ele lhes trazia comida, roupa e remédios; quase sempre acabava deixando parte de suas vestimentas para eles se vestirem. Dizia sempre que era necessário catequisar primeiro com o exemplo, antes de abrir a boca. 

Com a ajuda de interpretes e figuras, ele catequisava os escravos. Conta-se que teria batizado milhares. Também habitualmente pregava na praça da cidade, para uma audiência de marinheiros e mercadores, sempre falando do valor de todas as pessoas e do dever do amor ao próximo. Organizava missões para visitar os escravos nas fazendas, quando costumava dormir com eles e não na casa grande. 

Em uma carta, assim descreveu uma visita a certa fazenda:

Trouxemos roupas, alimentos e algumas mesas. Os muito doentes carregamos nos braços, organizamos dos círculos, de uma deles meu companheiro se encarregou, eu fiquei com o outro círculo. Entre os escravos, dois estavam morrendo, já frios e quase sem pulso. Fizemos uma fogueira no meio do círculo, lavamos suas feridas e colocamos nossos mantos sobre eles, não perdemos tempo pedindo permissão aos seus amos. Aos poucos recobraram as forças e sinais vitais. Ao final, de rosto muito alegre, ficaram nos fitando de olhos muito abertos.

No confessionário preferia atender àqueles que havia batizado e aos pobres, pois, segundo ele, para ricas senhoras havia muitos confessores disponíveis. Ao longo dos anos, de intensa atividade, e devido à sua força moral, tornou-se conhecido como o apóstolo de Cartagena, e, mais importante, melhorou o tratamento dado aos escravos.

Igreja de São Pedro Claver, em Cartagena, construída onde era a casa dos
jesuítas, na qual o santo viveu e morreu.
Nos últimos quatro anos de sua vida esteve muito doente, tendo falecido em 8 de Setembro de 1654. Quando o povo da cidade soube de sua morte, acabaram forçando a entrada da casa dos jesuítas para prestar as últimas homenagens. Sua reputação de santidade era tão grande que as vestes foram imediatamente consideradas relíquias. Os governantes, que não gostavam de sua atuação em favor dos escravos, acabaram aceitando um funeral público, com pompa e circunstância. Seu corpo foi preservado e hoje é venerado na igreja nomeada em sua honra, em Cartagena. 

Foi canonizado em 1888 pelo papa Leão XIII, junto com São Alfonso Rodrigues. Sua festa litúrgica é celebrada em 9 de Setembro.

-- Autoria própria.

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