14 de mai de 2016

São Matias, o apóstolo substituto


Jesus Cristo escolheu doze apóstolos, instituiu Pedro como seu sucessor e, na Santa Ceia, viu um deles, Judas Iscariotes sair do grupo para traí-lo. Mas na tradição judaica, doze é um número importante pois são doze tribos de Israel, doze representa todos os povos, toda nação. Percebendo que Cristo Ressuscitado deveria ser anunciado a todos, São Pedro decide que era necessário fazer algo a respeito.

Segundo o Atos dos Apóstolods (1,20-26), em um encontro de todo grupo, seriam cerca de 120 pessoas, Pedro anuncia que é necessário escolher um entre eles para ser o décimo segundo apóstolo. Dois nomes foram sugeridos: José, o Justo; e Matias. Ambos haviam acompanhado Jesus, aparentemente desde o batizado de Jesus Cristo, embora as referências bíblicas não sejam afirmativas. São Clemente de Alexandria, confirmado por São Jerônimo, assegura que Matias era um dos setenta e dois discípulos enviados a anunciar dois a dois por todo Israel.

São Pedro pede a todos que rezem para que Deus indique o mais adequado para a missão e organiza um sorteio, sendo Matias o escolhido. Por que o sorteio? Quando dois homens eram igualmente justos, não sendo possível decidir qual era o melhor, a sorte era lançada seguindo as leis judaicas. A alternativa seria esperar alguma intervenção visível de Deus, um milagre ou aparição, mas isto seria tentar a Deus, pois apenas a Deus cabe a iniciativa de se comunicar diretamente com os homens. Também não seria aceitável que cada um apresentasse sua candidatura e fosse feita uma eleição, isto daria espaço às vaidades humanas e ao pecado.

São Matias teria percorrido partes da atual da Turquia,
Geórgia, Azerbaijão e Irã, uma área que na época não era
controlada pelo Império Romano.
São Matias Apóstolo estava presente em Pentecostes, tendo recebido o Espírito Santo junto com os demais. Consta que tinha zelo especial por obras de mortificação da carne para resistir às tentações humanas. Quando todos se dispersaram para anunciar o Evangelho, Matias seguiu em direção norte, indo pregar na Capadócia e litoral do Mar Cáspio e residindo no porto de Issus, no Rio Fasis, entre um povo conhecido pela violência, a quem os romanos chamavam de "cidade dos canibais". São Clemente de Alexandria afirma que Matias foi martirizado em Colquis, cerca do ano 80, numa área conhecida por Etiópia, próxima aos Montes Arais (longe, portanto, do atual país da Etiópia, que é na África). 

Na fortaleza romana de Gonio, atual Geórgia, há uma inscrição indicando que o apóstolo foi enterrado naquele local. Em outra tradição, Santa Helena teria levado os restos mortais para Tréveris, Itália; e nas igrejas de Santa Maria Maior (Roma), Santa Justina (em Pádua, Itália) e São Pedro (Lima, Peru) há relíquias legítimas do apóstolo. Sua festa litúrgica na Igreja Católica é 14 de Maio, na Igreja Anglicana é 24 de Fevereiro. 

-- autoria própria

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