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12 de abr. de 2014

Sobre o pão e vinho eucarísticos após a missa

O Pão e Vinho Eucarísticos deixam de ser Corpo e Sangue de Cristo quando a Missa termina? Não! Durante a celebração da Eucaristia, o pão e vinho tornam-se Corpo e Sangue de Cristo e assim ermanecem ao final da Missa. Não podem ser transformados de novo em simples pão e vinho. Não há nenhuma possibilidade de transformá-los de volta ao seu estado natural ao final da celebração. A presença do Corpo e Sangue de Cristo persiste enquanto as espécies eucarístiscas existirem (Catecismo da Igreja Católica, 1377). Cristo permance na Eucaristia enquanto as espécies se mantiverem sob a forma de pão e vinho. São Cirilo de Alexandria já afirmava: Cristo não é alterado, nem seu seu santo corpo é afetado, o poder da consagração e restauraçãoo da vida é perpétuo (carta 83, para o Bispo de Arsinoe). 

Embora seja possível consumir todo pão e vinho ao final da Missa, normalmente algumas hóstias consagradas são guardadas no Tabernáculo, diz-se que são "reservadas" e constituem o Sagrado Sacramento.

Porque anjos guardam o tabernáculo? Assim Deus orienttou
Moisés sobre como construir a Arca da Aliança, o primeiro
tabernáculo. 
Há vários motivos para manter algumas hóstias intactas: em primeiro lugar, são utilizadas para a distribuição aos doentes e aqueles que por legítimas razões não puderam comparecer à Eucaristia. Também podem ser expostas para permitir sua adoração, utilizando o rito apropriado; ou carregadas durante as procissões de Corpus Christi, ou ainda, apenas permitir a oração privada. Diversos santos tinham profunda adoração pelo Santíssimo Sacramento e passavam horas adorando-o. Nas igrejas católicas de rito oriental, a devoção é especialmente importante no tempo de Quaresma.

O tabernáculo onde o Corpo e Sangue de Cristo são mantidos deve estar colocado em um local apropriado e distinto da igreja, adequadamente decorado e que convide à oração. Antigamente o tabernáculo era colocado ao centro da parede do altar, mas recomenda-se que sempre possível seja colocado em outro local. Em igrejas maiores é comum haver uma capela específica para o Santíssimo Sacramento. 

De acordo com a tradição da Igreja, é comum inclinar-se ou ajoelhar-se em frente no tabernáculo, além de fazer o sinal da cruz. Não é apropriado conversas desnecessárias e casuais em frente ao tabernáculo, ao qual deve-se sempre mostrar reverência. 

-- autoria própria


26 de nov. de 2013

Chegarás à fonte, verás a luz

Nós, cristãos, em comparação com os infiéis, já somos luz; porque, como diz o Apóstolo: Outrora éreis trevas; agora, luz no Senhor. Andai como filhos da luz (Ef 5,8). E em outro lugar: Passou a noite, o dia se aproximou; rejeitemos, pois, as obras das trevas e revistamos as armas da luz; como em pleno dia caminhemos com dignidade (Rm 13,12-13).

Todavia, em comparação com aquela luz a que chegaremos, ainda é noite até mesmo o dia em que estamos. Ouve o apóstolo Pedro, quando do magnífico esplendor desceu até ele a voz dirigida a Cristo Senhor: Tu és meu Filho muito amado, em que pus minhas complacências. Esta voz, continua, nós a ouvimos vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo (2Pd 1,17-18). Já que, porém, nós não estivemos lá e não ouvimos então esta voz do céu, o mesmo Pedro nos fala: E a palavra profética se tornou mais segura para nós; fazeis bem em dar-lhe atenção como a uma lâmpada em lugar escuro, até que brilhe o dia e a estrela da manhã desponte em vossos corações (cf. 2Pd 1,19).

Quando, pois, vier nosso Senhor Jesus Cristo e, segundo diz o apóstolo Paulo, iluminar tudo quanto se oculta nas trevas e manifestar os pensamentos do coração, para que receba cada um de Deus seu louvor (1Cor 4,5), então num dia assim não haverá mais necessidade de lâmpadas:não se lerá mais o profeta, não se abrirá o volume do Apóstolo, não buscaremos o testemunho de João, não precisaremos do próprio Evangelho. Portanto, todas as Escrituras serão retiradas do centro onde, na noite deste mundo, elas se acendiam como lâmpadas a fim de não ficarmos nas trevas.

Afastadas todas estas luzes, não tendo mais de brilhar para nós, indigentes, e dispensando o auxílio que por esses homens de Deus nos era dado, vendo conosco aquela verdadeira e clara luz, o que é que veremos? Onde nosso espírito irá alimentar-se? Por que se alegrará com o que vê? Donde virá aquele júbilo que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem subiu jamais ao coração do homem? (cf. 1Cor 2,9). O que é que veremos?

 Eu vos peço: amai comigo, corei crendo comigo, desejemos a pátria celeste, suspiremos pela pátria do alto, sintamo-nos como peregrinos aqui. Que veremos então? Responda o evangelho: No princípio era o Verbo e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1,1). No lugar de onde te banhou o orvalho, chegarás à fonte. Aí, de onde o raio de luz, indiretamente e como por rodeios, foi lançado a teu coração tenebroso, verás a luz sem véus; vendo-a, recebendo-a, serás purificado. Caríssimos, diz João, somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos; sabendo que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual é (1Jo 3,2).

Percebo que vossos sentimentos sobem comigo para as alturas, mas o corpo corruptível pesa sobre a alma; e a habitação terena com a multiplicidade dos pensamentos oprime o espírito (Sb 9,15). Também eu irei deixar de lado este livro, saireis também vós, cada um para sua casa. Sentimo-nos bem na luz comum, muito nos alegramos, exultamos de verdade; mas, ao afastar-nos uns dos outros, dele não nos afastemos.

-- Dos Tratados sobre São João, Santo Agostinho, bispo (século V)

6 de mai. de 2010

A Eucaristia - corpo e sangue

Um só morreu por todos. É ele mesmo que em todas as igrejas do mundo, pelo mistério do pão e do vinho nos alimenta, vivifica e santifica. Esta é a carne e este é o sangue do Cordeiro. O pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo (Jo 6,51). Também o seu sangue está expresso sob a espécie do vinho. Jesus mesmo afirma: Eu sou a videira verdadeira (Jo 15,1), manifestando com toda clareza que é seu sangue todo vinho oferecido como sacramento da paixão. O grande patriarca Jacó já profetizara acerca de Cristo, ao dizer: Lavará no vinho a sua túnica e no sangue da uva o seu manto (Gn 49,11).

O Criador e Senhor da natureza, que produz o pão da terra, também transforma o pão no seu próprio Corpo (porque pode fazê-lo e assim havia prometido). Do mesmo modo, aquele que transformou a água em vinho, transforma o vinho no seu sangue.

O que recebes é o corpo daquele pão do céu, e o sangue é daquela videira sagrada. Porque, ao dar o pão e vinho consagrados a seus discípulos, disse-lhes: Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue (Mt 26, 26.28). Acreditemos portanto, naquele em quem pusemos nossa confiança: a Verdade não sabe mentir.

-- Dos Tratados de São Gaudêncio de Bréscia, bispo (Século IV)

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