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8 de set. de 2015

A unidade indivisível da comunhão conjugal

A primeira comunhão é a que se instaura e desenvolve entre os cônjuges: em virtude do pacto de amor conjugal, o homem e a mulher já não são dois, mas uma só carne (Mt 19,6; Gn 2,24) e são chamados a crescer continuamente nesta comunhão através da fidelidade quotidiana à promessa matrimonial do recíproco dom total.

Esta comunhão conjugal radica-se na complementariedade natural que existe entre o homem e a mulher e alimenta-se mediante a vontade pessoal dos esposos de dividir, num projeto de vida integral, o que têm e o que são: por isso, tal comunhão é fruto e sinal de uma exigência profundamente humana. Porém, em Cristo, Deus assume esta exigência humana, confirma-a, purifica-a e eleva-a, conduzindo-a à perfeição com o sacramento do matrimônio: o Espírito Santo infuso na celebração sacramental oferece aos esposos cristãos o dom de uma comunidade nova, de amor, que é a imagem viva e real daquela unidade singularíssima, que torna a Igreja o indivisível Corpo Místico do Senhor.

O dom do Espírito é um mandamento de vida para os esposos cristãos e, ao mesmo tempo, impulso estimulante a que progridam continuamente numa união cada vez mais rica a todos os níveis - dos corpos, dos corações, das inteligências e das vontades, das almas - revelando deste modo à Igreja e ao mundo a nova comunhão de amor, doada pela graça de Cristo.

A poligamia contradiz radicalmente uma tal comunhão. Nega de fato, diretamente o plano de Deus como nos foi revelado nas origens, porque contrária à igual dignidade pessoal entre o homem e a mulher, que no matrimônio se doam com um amor total e por isso mesmo único e exclusivo. Como escreve o Concílio Vaticano II: A unidade do matrimónio, confirmado pelo Senhor, manifesta-se também claramente na igual dignidade pessoal da mulher e do homem que se deve reconhecer no mútuo e pleno amor.

A comunhão conjugal caracteriza-se não só pela unidade mas também pela sua indissolubilidade: Esta união íntima, já que é dom recíproco de duas pessoas, exige, do mesmo modo que o bem dos filhos, a inteira fidelidade dos cônjuges e a indissolubilidade da sua união.

É dever fundamental da Igreja reafirmar vigorosamente - como fizeram os Padres do Sínodo - a doutrina da indissolubilidade do matrimônio: a quantos, nos nossos dias, consideram difícil ou mesmo impossível ligar-se a uma pessoa por toda a vida e a quantos, subvertidos por uma cultura que rejeita a indissolubilidade matrimonial e que ridiculariza abertamente o empenho de fidelidade dos esposos, é necessário reafirmar o alegre anúncio da forma definitiva daquele amor conjugal, que tem em Jesus Cristo o fundamento e o vigor (Ef 5,25).

Radicada na doação pessoal e total dos cônjuges e exigida pelo bem dos filhos, a indissolubilidade do matrimônio encontra a sua verdade no desígnio que Deus manifestou na Revelação: Ele quer e concede a indissolubilidade matrimonial como fruto, sinal e exigência do amor absolutamente fiel que Deus Pai manifesta pelo homem e que Cristo vive para com a Igreja.

Cristo renova o desígnio primitivo que o Criador inscreveu no coração do homem e da mulher, e, na celebração do sacramento do matrimônio, oferece um coração novo: assim os cônjuges podem não só superar a dureza do coração (Mt 19,8), mas também e sobretudo compartir o amor pleno e definitivo de Cristo, nova e eterna Aliança feita carne. Assim como o Senhor Jesus é a testemunha fiel (Ap 3,14), é o sim das promessas de Deus (2Cor 1,20) e, portanto, a realização suprema da fidelidade incondicional com que Deus ama o seu povo, da mesma forma os cônjuges cristãos são chamados a uma participação real na indissolubilidade irrevogável, que liga Cristo à Igreja, sua esposa, por Ele amada até ao fim (Jo 13,1).

O dom do sacramento é, ao mesmo tempo, vocação e dever dos esposos cristãos, para que permaneçam fiéis um ao outro para sempre, para além de todas as provas e dificuldades, em generosa obediência à santa vontade do Senhor: O que Deus uniu, não o separe o homem (Mt 19,6).

Testemunhar o valor inestimável da indissolubilidade e da fidelidade matrimonial é uma das tarefas mais preciosas e mais urgentes dos casais cristãos do nosso tempo. Por isso, juntamente com todos os Irmãos que participaram no Sínodo dos Bispos, louvo e encorajo os numerosos casais que, embora encontrando não pequenas dificuldades, conservam e desenvolvem o dom da indissolubilidade: cumprem desta maneira, de um modo humilde e corajoso, o dever que lhes foi confiado de ser no mundo um sinal - pequeno e precioso sinal, submetido também às vezes à tentação, mas sempre renovado - da fidelidade infatigável com que Deus e Jesus Cristo amam todos os homens e cada homem. Mas é também imperioso reconhecer o valor do testemunho daqueles cônjuges que, embora tendo sido abandonados pelo consorte, com a força da fé e da esperança cristãs, não contraíram uma nova união. Estes cônjuges dão também um autêntico testemunho de fidelidade, de que tanto necessita o mundo de hoje. Por isto mesmo devem ser encorajados e ajudados pelos pastores e pelos fiéis da Igreja.

A comunhão conjugal constitui o fundamento sobre o qual se continua a edificar a mais ampla comunhão da família: dos pais e dos filhos, dos irmãos e das irmãs entre si, dos parentes e de outros familiares.

Tal comunhão radica-se nos laços naturais da carne e do sangue, e desenvolve-se encontrando o seu aperfeiçoamento propriamente humano na instauração e maturação dos laços ainda mais profundos e ricos do espírito: o amor, que anima as relações interpessoais dos diversos membros da família, constitui a força interior que plasma e vivifica a comunhão e a comunidade familiar.

A família cristã é, portanto, chamada a fazer a experiência de uma comunhão nova e original, que confirma e aperfeiçoa a comunhão natural e humana. Na realidade, a graça de Jesus Cristo, o Primogénito entre muitos irmãos (Rm 8,29), é por sua natureza e dinamismo interior uma graça de fraternidade como a chama Santo Tomás de Aquino. O Espírito Santo, que se infunde na celebração dos sacramentos, é a raiz viva e o alimento inexaurível da comunhão sobrenatural que estreita e vincula os crentes com Cristo, na unidade da Igreja de Deus. Uma revelação e atuação específica da comunhão eclesial é constituída pela família cristã que também, por isto, se pode e deve chamar Igreja doméstica .

Todos os membros da família, cada um segundo o dom que lhe é peculiar, possuem a graça e a responsabilidade de construir, dia após dia, a comunhão de pessoas, fazendo da família uma escola de humanismo mais completo e mais rico: é o que vemos surgir com o cuidado e o amor para com os mais pequenos, os doentes e os anciãos; com o serviço recíproco de todos os dias; com a co-participação nos bens, nas alegrias e nos sofrimentos.

Um momento fundamental para construir uma comunhão semelhante é constituído pelo intercâmbio educativo entre pais e filhos (Ef 6,1-4; Cl 3,20), no qual cada um deles dá e recebe. Mediante o amor, o respeito, a obediência aos pais, os filhos dão o seu contributo específico e insubstituível para a edificação de uma família autenticamente humana e cristã. Isso ser-lhe-á facilitado, se os pais exercerem a sua autoridade irrenunciável como um ministério verdadeiro e pessoal, ou seja, como um serviço ordenado ao bem humano e cristão dos filhos, ordenado particularmente a proporcionar-lhes uma liberdade verdadeiramente responsável; e se os pais mantiverem viva a consciência do dom que recebem continuamente dos filhos.

A comunhão familiar só pode ser conservada e aperfeiçoada com grande espírito de sacrifício. Exige, de fato, de todos e de cada um, pronta e generosa disponibilidade à compreensão, à tolerância, ao perdão, à reconciliação. Nenhuma família ignora como o egoísmo, o desacordo, as tensões, os conflitos agridem, de forma violenta e às vezes mortal, a comunhão: daqui as múltiplas e variadas formas de divisão da vida familiar. Mas, ao mesmo tempo, cada família é sempre chamada pelo Deus da paz a fazer a experiência alegre e renovadora da reconciliação, ou seja, da comunhão restabelecida, da unidade reencontrada. Em particular a participação no sacramento da reconciliação e no banquete do único Corpo de Cristo oferece à família cristã a graça e a responsabilidade de superar todas as divisões e de caminhar para a plena verdade querida por Deus, respondendo assim ao vivíssimo desejo do Senhor: que todos sejam um (Jo 17,21).

-- Seções 19, 20 e 21 da Exortação Apóstólica Familiaris Consortium, de São João Paulo II (1981)

21 de fev. de 2014

Uma breve história do casamento cristão - parte final

No século XVI vários grupos que aderiram à Reforma Protestante negaram em diferentes graus a natureza sacramental de vários sacramentos, inclusive do casamento. Em resposta, o Concílio de Trento confirmou a lista de sete sacramentos, reafirmando o casamento. O documento da 24a. sessão dedica-se ao matrimônio e inicia citando as Escrituras, lembrando passagens como "quando um homem e mulher unem-se, devem abandonar a casa dos seus pais e viver conjuntamente" e "agora são uma só carne"; também que Deus explicou à Adão, "o que o Deus uniu, homem nenhum pode separar"

Nas clausulas canônicas, negar o matrimônio como sacramento, autorizar um homem a ter várias mulheres, que casar com parentes consangüinos, entre outros motivos, é explicitamente citado como anátema, possível motivo para excomunhão. Além disso, clérigos e monjes continuam proibidos de contrair matrimônio e a virgindade é considerada em igual condição às pessoas casadas.

Casamentos clandestinos continuaram proibidos, mas caso tenham ocorrido na presença de um padre, são válidos. Preferencialmente, a cerimônia deve ocorrer na paróquia de um dos noivos e casamentos de pessoas sem endereço conhecido deveria ser realizado com cautela. Por fim, estabeleceu que casamentos podem ser realizados em qualquer tempo exceto Quaresma, Oitava de Páscoa e Advento. Além disso, as paróquias deveriam registrar os casamentos de forma escrita para resolver eventuais dúvidas.

A questão dos casamentos mistos, com pessoas não católicas, tornou-se importante na Europa. Inicialmente eles foram proibidos pelo Concílio, mas apenas em países que publicassem o decreto chamado Tametsi. Casamentos celebrados por um pastor tornavam-se inválidos, por que atendiam às normas canônicas, isto é, ser celebrado por um padre e em frente a duas testemunhas. Mas, na prática, implantar o decreto em toda potencialidade não foi possível, em especial nos países em que outras igrejas predominavam. Progressivamente os papas decretaram dispensas e regras especiais para estas áreas, iniciando por Holanda e Bélgica em 1741, depois Irlanda, Alemanha e Austria. Isto funcionou até que o código canônico fosse atualizado, incluindo a necessidade de solicitar ao bispo local autorização para casar com pessoas de outra fé. 

Na forma atual, um casamento é definido como  a união de um homem e mulher que livremente expressam seu consentimento não estando sobre nenhuma coerção legal ou de qualquer outra natureza e não estando impedidos por nenhuma lei eclesial. O consentimento é um ato humano e livre, em que os noivos declaram escolher o conjuge como esposo/esposa de maneira indissolúvel. Não há nenhuma possibilidade de substituir os noivos neste ato. Eventualmente a Igreja pode examinar os fatos e decidir que o casamento nunca existiu. Unidade, indissolubilidade e abertura à vida são essenciais ao casamento, divórcios não são autorizados e a família é o lugar ideal onde as crianças devem receber os primeiros ensinamentos e exemplos de fé.



13 de fev. de 2014

Uma breve história do casamento cristão - parte II

Continuando este breve apanhado histórico, vou abordar os ensinamentos dos primeiros padres da Igreja. Por muito tempo na história da Igreja não houve um ritual específico para celebrar casamentos. Na Didaqué, documento que descreve a vida nas primeiras comunidades, não há nenhuma referência a esta celebração e casais podiam dar-se em casamento em qualquer local. No entanto, Santo Inácio de Antioquia, ao escrever para o Bispo Policarpo de Esmirna, em torno de 110, comentou: "Quando um homem e uma mulher se unem, é importante que estejam em acordo com o bispo, que seu casamento seja agradável a Deus e não apenas para satisfazer seus desejos." 

Tertuliano (c.160-c.255) fala de cristãos pedindo "permissão" para casar aos seus padres e escreveu nestes termos: Como poderia descrever adequadamente a felicidade do casamento em comunhão com a Igreja, no qual sacrifício se fortalece, a benção acrescenta um selo ao casal, os anjos estão presentes como testemunhas e o Pai dá seu consentimento? Pois nem mesmo na Terra os filhos podem casar-se legalmente sem  o consentimento de seus pais. Quão belo então, o casamento de dois cristãos, dois unidos em uma mesma esperança, um desejo, um caminho na direção da vida que seguirão, um só na prática da religião. São como irmão e irmã, servos do mesmo Mestre. Nada pode dividi-los, nem a carne nem o espírito. Os noivos são, em verdade, dois em uma só carne e também um só espírito. Podem rezar juntos, culturar a Deus juntos, jejuar juntos, instruirem um ao outro, encorajar um ao outro. Lado a lado podem visitar a Igreja e participar do banquete de Deus, lado a lado enfrentam as dificuldades e perseguições, compartilham a consolação de Deus. Não devem ter segredos um para o outro, não evitam a companhia do outro nem querem mal ao seu companheiro. Podem visitar os doentes e assistir aos necessitados, dar esmolas tranquilamente, realizar exercícios de piedade diariamente. Não precisam fazer o sinal da Cruz furtivamente, nem temer o companheiro, nem silenciar sobre as bençãos de Deus. Salmos e hinos podem cantar juntos, dedicando-se para ver quem canta melhor para agradar a Deus. Vendo tal casal, Cristo rejubila de alegria e a eles concede Sua paz. Onde estiverem dois ou mais presentes, ali também está Jesus, e onde está Jesus, o mal não prevalecerá.

São Cipriano, Bispo de Cártago, recomenda que cristãos não devem casar com pagãos para mais livremente poderem exercer sua fé. Dirigindo-se às virgens consagradas, exorta-as a evitarem vestimentas extravagantes, atividades como festas excessivas e ir aos banhos públicos acompanhada de homens. Assim escreveu: O primeiro desejo de Deus foi de crescer e multiplicar-vos, o segundo é controlar seus desejos. Enquanto o mundo era ainda inabitado, era importante sermos fertéis afim de habitarmos a terra. Agora que o mundo já está ocupado, podemos aceitar a virgindade, viver à maneira dos eunucos, desde que eunucos em favor do reino de Deus. O Senhor não apenas ordena isto, como também exorta, mas também não impõe como uma ordem, um peso, pois concede liberdade para escolhermos.  

Argumentando contra a heresia maniqueísta, que condenava o casamento, São Jerônimo argumentou: Não concordamos com as opiniões de Maniqueu e seguidores, que são contrários ao casamento, nem nos deixamos levar pelo erro de Taciano, que pensa que todo intercurso é um ato impuro; eles condenam e rejeitam não apenas o casamento mas também todo alimento que Deus criou para uso dos homens. Sabemos que em uma grande casa há não apenas vasos de ouro e prata, mas também há os de madeira e barro. Enquanto honramos o casamento, preferimos a virgindade, que é um fruto do casamento sadio. Ou por acaso a prata deixará de ser prata apenas por que o ouro é mais valioso? E também escreveu: Alguém pode dizer: "Como podes condenar o casamento que é abençoado por Deus? Não é necessário condenar o casamento apenas por que a virgindade é preferível. Não trata-se aqui de igualar o mal ao bem. A glória de Deus está reservada também às mulheres casadas, pois o Senhor ordenou: crescei e multiplicai-vos. O lugar dos que seguem a Deus é o céu.

São Jerônimo argumentou ainda que o casamento poderia distrair a pessoa da oração e que, neste aspecto, a virgindade é preferível: Se pretendermos rezar todo tempo, nunca poderemos dar a atenção devida ao conjuge, pois neste tempo não estariamos rezando. Referindo-se aos clérigos, disse: Um padre deve oferecer sacrifícios permanentemente em favor do povo, portanto deve permanecer em oração. E se deve permanecer em oração, não pode atender às obrigações do casamento.

Santo Agostinho (354-430) desenvolveu uma teologia sacramental do casamento, em especial no livro Sobre os Dons do Matrimônio. Para ele, três valores são fundamentais no matrimônio: fidelidade, como sendo algo mais profundo que o mero aspecto sexual; filhos, que devem ser aceitos com amor, nutridos com afeto e ensinados sobre os preceitos da religião Cristã; e o sacramento, cuja indissolubilidade é um sinal de abençoada união eterna de Deus. Quanto à virgindade, comentou: Eu sei o que dizem por aí: "Suponha que todos decidissem pela virgindade, como poderia a raça humana sobreviver? Desejaria apenas que tivessem uma preocupação sincera com a caridade, um coração puro e boa consciência, pois aí, então, a Cidade de Deus (a Igreja) espalharia-se mais rapidamente e o fim dos tempos adviria gloriosamente. Tendo sido seguidor do Maniqueísmo em sua juventude, conhecia bem os ensinamentos desta seita, e sobre virgindade/casamento afirmou: Casamento e fornicação não são dois males, pois tem naturezas diferentes; casamento e virgindade são duas bençãos, embora a segunda seja melhor.  

Como vimos, vários santos e doutores da Igreja defenderam o casamento como algo abençoado por Deus, ordenado deste o princípio como sendo entre um homem e uma mulher. E dentro de um casamento, ambos podem ajudar-se e crescer na fé. A virgindade era considerada como superior, e de acordo com São Jerônimo, necessária para os sacerdotes. Santo Agostinho fala em fidelidade, prole e sacramento indissolúvel, e seu pensamento irá influenciar a Idade Média, como veremos na próxima parte. 

-- Autoria própria

11 de fev. de 2014

Uma breve história do casamento cristão - parte I

Tendo em vista a convocação para um Sínodo sobre Famílias e Evangelização, que será realizado em Outubro deste ano, e cujos trabalhos, de certa forma, já iniciaram com o envio de um questionário a todos dioceses e cristãos, vou escrever aqui alguns textos sobre a história do casamento na Igreja Católica. Se alguma novidade brotar do Sínodo, ela certamente será baseada em dois milênios de tradição.

O casamento é citado no Novo Testamento. O primeiro milagre de Jesus Cristo é feito exatamente numa festa de casamento em Caná (Jo 2), indicando a aprovação de Jesus Cristo à esta instituição bem como à sua celebraçãoo pública. Além disso, Jesus Cristo proíbe o divórcio e explica que "dois se fazem uma carne"

No tempo de Jesus, o casamento era considerado uma passagem obrigatória à vida adulta e aprovada pela fé judaica. No entanto, tanto para  a cultura judaica quanto para a grego-romana, os ensinamentos da Igreja logo se constituíram em uma grande novidade, com notável elevação do papel da mulher. Na Carta aos Hebreus encontramos: Vós todos considerai o matrimônio com respeito e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros (Hb 13,4). Na Primeira Carta aos Coríntios, temos: cada homem tenha sua mulher, e cada mulher tenha seu marido. O marido cumpra o seu dever para com a sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois retornai novamente um para o outro, para que não vos tente Satanás por vossa incontinência (I Cor 7,2b-5).

E quanto a questão do divórcio, aceito pelos judeus, diz: Aos casados mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido. E, se ela estiver separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente, o marido não repudie sua mulher (I Cor 7,10-11).

Um pouco depois: A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver. Mas, se morrer o marido, ela fica livre e poderá casar-se com quem quiser, contanto que seja no Senhor (I Cor 7,39).

Ao mesmo tempo, o celibato era considerado com um estado mais "elevado", pois este tinha sido o exemplo de Jesus. Também considerava-se que a vinda de Cristo era eminente, neste caso o casamento seria uma distração para o aperfeiçoamento da alma, um apego a questões temporais. No mesmo capítulo da Carta aos Coríntios, São Paulo recomenda o celibato mas reconhece que não é apropriado para todos: Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se (I Cor 7,8-9). 

Alguns escritores interpretaram esta passagem qualificando o casamento como uma medida de urgência para garantir a salvação frente à fraqueza pela carne, que impediria os casados a conterem seus impulsos e manterem a castidade. Em conseqüência, a família seria colocada em um segundo plano. Em termos práticos, o direito de escolher entre uma vida celibatária ou casamento também foi uma grande novidade, pois filhos e, principalmente as moças, poderiam ser obrigadas a casaram-se devido a arranjos feitos pelos seus pais. A história de Santa Inês é um exemplo claro, pois ela foi martirizada por recusar o casamento arranjado com o filho do Prefeito. Santa Pontamiema, que era escrava, ao não entregar seu corpo para satisfazer os desejos de seu proprietário, é levada a julgamento e condenada. Ao juiz responde: Eu prefiro sofrer tudo o que vosso furor puder vos inspirar a obedecer aos infames desejos de meu senhor

Este desejo de pureza corporal, levou aos hereges gnosticistas a um extremo perigoso, de considerar qualquer atividade corporal, em especial a procriação, como indesejável. E isto levou os padres da Igreja a responderem de maneira brilhante, defendendo o casamento, como pretendo expor na sequencia. Por ora, basta ressaltar que o casamento cristão representou um progresso ao impedir o adultério, aumentar a importância da mulher e dar aos jovens a escolha entre casamento e virgindade.

-- Autoria própria

26 de jul. de 2012

Os filhos, dom preciosíssimo do matrimonio


Segundo o desígnio de Deus, o matrimónio é o fundamento da mais ampla comunidade da família, pois que o próprio instituto do matrimonio e o amor conjugal se ordenam à procriação e educação da prole, na qual encontram a sua coroação.

Na sua realidade mais profunda, o amor é essencialmente dom e o amor conjugal, enquanto conduz os esposos ao conhecimento recíproco que os torna uma só carne, não se esgota no interior do próprio casal, já que os habilita para a máxima doação possível, pela qual se tornam cooperadores com Deus no dom da vida a uma nova pessoa humana. Deste modo, os cônjuges, enquanto se doam entre si, doam para além de si mesmo a realidade do filho, reflexo vivo do seu amor, sinal permanente da unidade conjugal e síntese viva e indissociável do ser pai e mãe.

Tornando-se pais, os esposos recebem de Deus o dom de uma nova responsabilidade. O seu amor paternal é chamado a tornar-se para os filhos o sinal visível do próprio amor de Deus, do qual deriva toda a paternidade no céu e na terra.

Não deve todavia esquecer-se que, mesmo quando a procriação não é possível, nem por isso a vida conjugal perde o seu valor. A esterilidade física, de fato, pode ser para os esposos ocasião de outros serviços importantes à vida da pessoa humana, como por exemplo a adoção, as várias formas de obras educativas, a ajuda a outras famílias, às crianças pobres ou deficientes.

No matrimonio e na família constitui-se um complexo de relações interpessoais - vida conjugal, paternidade-maternidade, filiação, fraternidade - mediante as quais cada pessoa humana é introduzida na família humana e na família de Deus, que é a Igreja.

O matrimonio e a família dos cristãos edificam a Igreja: na família, de fato, a pessoa humana não só é gerada e progressivamente introduzida, mediante a educação, na comunidade humana, mas mediante a regeneração do batismo e a educação na fé, é introduzida também na família de Deus, que é a Igreja.

A família humana, desagregada pelo pecado, é reconstituída na sua unidade pela força redentora da morte e ressurreição de Cristo. O matrimonio cristão, partícipe da eficácia salvífica deste acontecimento, constitui o lugar natural onde se cumpre a inserção da pessoa humana na grande família da Igreja.

O mandato de crescer e de multiplicar-se, dirigido desde o princípio ao homem e à mulher, atinge desta maneira a sua plena verdade e a sua integral realização.

A Igreja encontra assim na família, nascida do sacramento, o seu berço e o lugar onde pode atuar a própria inserção nas gerações humanas, e estas, reciprocamente, na Igreja.

-- Da Exortação Apostólica Familiaris Consortium, do Papa João Paulo II, em 22 de Novembro de 1981

23 de jul. de 2012

O homem imagem de Deus Amor


* Na próxima sexta-feira celebraremos a festa de São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora. Aproveitando o exemplo desta santa família, vou publicar alguns trechos de uma exortação essencial  escrita pelo Papa João Paulo II sobre a família, chamada Familiaris Consortium


Deus criou o homem à sua imagem e semelhança: chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor.

Deus é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação, e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano.

Enquanto espírito encarnado, isto é, alma que se exprime no corpo informado por um espírito imortal, o homem é chamado ao amor nesta sua totalidade unificada. O amor abraça também o corpo humano e o corpo torna-se participante do amor espiritual.

A Revelação cristã conhece dois modos específicos de realizar a vocação da pessoa humana na sua totalidade ao amor: o Matrimónio e a Virgindade. Quer um quer outro, na sua respectiva forma própria, são uma concretização da verdade mais profunda do homem, do seu «ser à imagem de Deus».

Por consequência a sexualidade, mediante a qual o homem e a mulher se doam um ao outro com os actos próprios e exclusivos dos esposos, não é em absoluto algo puramente biológico, mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana como tal. Esta realiza-se de maneira verdadeiramente humana, somente se é parte integral do amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para com o outro até à morte. A doação física total seria falsa se não fosse sinal e fruto da doação pessoal total, na qual toda a pessoa, mesmo na sua dimensão temporal, está presente: se a pessoa se reservasse alguma coisa ou a possibilidade de decidir de modo diferente para o futuro, só por isto já não se doaria totalmente.

Esta totalidade, pedida pelo amor conjugal, corresponde também às exigências de uma fecundidade responsável, que, orientada como está para a geração de um ser humano, supera, por sua própria natureza, a ordem puramente biológica, e abarca um conjunto de valores pessoais, para cujo crescimento harmonioso é necessário o estável e concorde contributo dos pais.

O «lugar» único, que torna possível esta doação segundo a sua verdade total, é o matrimónio, ou seja o pacto de amor conjugal ou escolha consciente e livre, com a qual o homem e a mulher recebem a comunidade íntima de vida e de amor, querida pelo próprio Deus que só a esta luz manifesta o seu verdadeiro significado. A instituição matrimonial não é uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, nem a imposição extrínseca de uma forma, mas uma exigência interior do pacto de amor conjugal que publicamente se afirma como único e exclusivo, para que seja vivida assim a plena fidelidade ao desígnio de Deus Criador. Longe de mortificar a liberdade da pessoa, esta fidelidade põe-na em segurança em relação ao subjectivismo e relativismo, fá-la participante da Sabedoria Criadora.

-- Da Exortação Apostólica Familiaris Consortium, do Papa João Paulo II, em 22 de Novembro de 1981

17 de jan. de 2011

O Sacramento do Matrimônio

O sacramento do Matrimônio é o próximo, ele é uma instituição composta de duas: uma, como um contrato civil por lei natural; outro, como um sacramento pela lei dos Evangelhos. De ambas deverei falar brevemente, não em todos aspectos, mas somente naquilo que interessa para viver de maneira justa, e, enfim, morrer de maneira correta. A primeira instituição foi feita por Deus no paraíso, através destas palavras de Deus, não é bom que o homem esteja só (Gn 2,18), não pode ser propriamente compreendida, a menos que em relação com algum modo de propagar a raça humana.

As bodas de Cana.


Santo Agustinho observa que de nenhuma maneira um homem necessita de uma mulher, exceto para conceber e educar crianças; para todas as outras coisas, o homem precisa de mais ajuda se companheiros fiéis do que mulheres. No entanto, logo após da mulher ser formada, inspirado por Deus, Adão exclamou: o homem deixe o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher (Gn 2,24); e estas palavras do Evangelho segundo São Mateus: não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. (Mt 9, 4-6). Nosso Senhor atribui estas palavras à Deus, por que Adão falou não como se fossem vindas dele mesmo, mas por divina inspiração. Esta foi a primeira instituição do Matrimônio.

Outra instituição, ou melhor, exaltação do matrimônio à dignidade de sacramento, é encontrada na Epístola de Sào Paulo aos Efésios: por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne. Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja (Ef 5,31-32). Que o matrimônio é um verdadeiro sacramento, Santo Agostinho prova no livro O Bom Marido: "Nos nossos casamentos, mais importante é a santidade do sacramento que a fecundidade.", e no capítulo seguinte, repete "em todas as nações e povos, a vantagem do casamento consiste em ser o meio apropriado para nascer crianças na fé e castidade, e, no que diz respeito ao povo de Deus, nisto também consiste a santidade do casamento". E, em outro livro, afirma "na cidade do Senhor e em seu Santo Monte, isto é, na sua Igreja, casamento não é apenas uma união, é também considerado um sacramento". Mas neste ponto não é necessário dizer mais. Trata-se do que explicarei, como homens e mulheres unidos em matrimônio devem viver, e como podem morrer um boa morte.

Três bençãos são frutos do matrimônio, das quais podemos fazer bom uso: crianças, fidelidade e a graça do sacramento. A geração de filhos, junto com uma educação apropriada, deve ser mantida em vista, se queremos fazer bom uso do casamento; ao contrário, comete grave pecado, quem busca os prazeres da carne. Onan, um dos filhos do patriarca Juda, é severamente advertido nas Escrituras por não se lembrar disto, por ter abusado, não utilizado, o sagrado sacramento (cf. Gn 38).

Mas algumas vezes pode ocorrer que pessoas casadas sintam-se oprimidas pelo número de seus filhos, pois pela pobreza não podem facilmentemente criar, há um remédio agradável a Deus: por consenso mútuo separar-se de seu leito matrimonial e gastar seus dias em orações e jejuns. Pois isto é agradável a Deus, pessoas casadas envelhecerem na virgindade, seguindo o exemplo de Nossa Senhora e São José. Porque desagradaria a Deus se pessoas casadas não vivessem reunidas como homem e mulher, por consenso mútuo, para que possam dispender suas vidas em orações e jejuns?

De novo: é mais grave pecado para pessoas unidas em matrimônio e abençoadas com filhos, neglicenciar a piedosa educação ou aquelas coisas necessárias à sua vida. Neste ponto, nós temos muitos exemplos, tanto na história sagrada quanto profana. Mas como desejo ser conciso, satisfaço-me somente com o livro dos Reis: naquele dia cumprirei contra Heli todas as ameaças que pronunciei contra a sua casa. Começarei e irei até o fim. Anunciei-lhe que eu condenaria para sempre a sua família, por causa dos crimes que ele sabia que os seus filhos cometiam, e não os corrigiu. Por isso jurei à casa de Heli que a sua culpa jamais seria expiada, nem com sacrifícios nem com oblações. (1Sm 3,12-14). Estas ameaças Deus rapidamente cumpriu: os filhos de Heli foram mortos em batalha e Heli caiu de seu trono, quebrou o pescoço e morreu miseravelmente. Portanto, se Heli, em outros assuntos um homem justo e juiz correto de seu povo, morreu com seus filhos por que não quis educá-los, e não os castigou quando se tornaram ímpios; o que ocorrerá com aqueles que, não apenas não educam se filhos adequadamente, mas também através de seu mau exemplo encoraja-os a pecarem? Verdadeiramente, ele não podem esperar nada além de uma morte horrível, para si mesmos e seus filhos, exceto se arrependam a tempo e façam penitência adequada.

Outra benção, a mais nobre, é a graça do sacramento, que Deus mesmo coloca no coração de pessoas piedosas, desde que o casamento tenha sido devidamente celebrado, e os noivos estejam bem dispostos e preparados. Esta graça, para não mencionar outras bençãos que o acompanham, ajuda de uma maneira maravilhosa a produzir o amor e paz entre pessoas casadas, mesmo que as diferentes personalidades e hábitos de cada um sejam capazes de produzir discórdia. Mas, acima de todas as coisas, imitar a união de Cristo com a Igreja faz o casamento mais suave e abençoado. Disto fala o Apóstolo na Epístola aos Efésios: maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível (Ef 5, 25-27).  

O apóstolo também adverte às mulheres, dizendo: as mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos (Ef 5,22-24). O apóstolo conclui: o que importa é que cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido (Ef 5, 25-27). Se estas palavras do Apóstolo forem diligentemente consideradas, os casamentos serão abençoados na terra e nos céus.

Agora explicaremos brevemente o significado das palavras de São Paulo. Primeiro, ele exorta aos maridos que amem suas esposas, como Cristo atem ama sua Igreja . Cristo certamente ama Sua igreja com o amor da amizade, não com o amor da concupiscência; ele procura o bem da sua Igreja, a segurança de sua Igreja, e para seu próprio interesse. Portanto, não ama sua esposa que conta com sua beleza, deixa-se cativar pelo seu amor a ela, ou considera suas riquezas e herança, pois ama a outras coisas, não sua esposa, desejando satisfazer sua concupiscência pela carne ou por outros objetos, o que chama-se avareza. Assim Salomão, sábio no início do reinado, mas ímpio ao final, amou suas esposas e comcubinas, não com o amor da amizade, mas com concupiscência; desejando não o benefício delas, mas satisfazer-se na carne, ficando cego, ele não hesitou em sacrificar a deuses estrangeiros, para que não perdesse a nenhuma de suas amantes.

Que Cristo em seu casamento coma Igreja, pensa não em si mesmo, seu prazer ou usofruto, mas no bem da sua esposa, é evidente nestas palavras: Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra (Ef 5,26-27). Isto é perfeita e verdadeira caridade, entregar-se a punição e sofrimento, em favor do bem-estar eterno da Igreja sua esposa. Mas não apenas Ele amou sua Igreja com amor perfeito, sem concupiscência, não apenas por um tempo, mas com amor perpétuo

Como nunca abandonou sua natureza humana, Ele reuniu sua esposa consigo, em um casamento indissolúvel. Amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor (Jr 31,3), diz o Profeta Jeremias. Por esta razão o casamento é indissolúvel para os cristãos, por que é um casamento que simboliza a união de Cristo com sua Igreja; ainda que o casamento entre pagãos e judeus possa ser dissolvida em certas circunstâncias.
O mesmo apóstolo ensina que as mulheres devem estas sujeitas aos seus maridos, como a Igreja está sujeita a Cristo. Jezebel não observou este preceito, pois ela deseja comandar seu marido, ela perdeu a ambos, juntos com seus filhos (1Re 16 - 1Re22; 2Re 9-10).

E ainda que não hajam muitas mulheres que desejem liderar seus maridos, mas talvez a culpa seja dos homens que não sabem manter a sua superioridade. Sara, mulher de Abraão, estava sujeita seu marido, ela assim dizia sobre ele: velha como sou, ... o meu senhor também é já entrado em anos (Gn 18, 12). E esta obediência de Sara, São Pedro em sua primeira Epístola aprecia: era assim que outrora se ornavam as santas mulheres que esperavam em Deus; eram submissas a seus maridos, como Sara que obedecia a Abraão, chamando-o de senhor (IPe 3, 5-6). Pode soar estranho, que os santos apóstolos Pedro e Paulo continuamente exortem os maridos a amar suas esposas, e as esposas a temer seus maridos; mas se elas devem ser sujeitas a eles, não devem elas também amá-los? Uma esposa deve amar seu marido e ser amada por ele. Mas elas devem amá-los com medo e reverência, tal que seu amor não previna o medo, de outra maneira ela pode tornar-se uma tirana. Dalila enganou seu marido Sansão, embora fosse ele um homem forte, não como um homem, mas como escravo (Jz 13-16).

E no livro de Esdras é relatado que o rei, sendo cativo do amor a sua comcubina, fez ela sentar-se a sua direita, mas ela se apoderou se sua coroa e coloco-a sobre a própria cabeça e feriu o rei. Portanto, não devemos ficar surpresos que o Senhor Todo Poderoso tenha dito a primeira mulher: teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio (Gn 3,16). Ao marido é necessário ter sabedoria para amar e, ao mesmo tempo, ordenar sua esposa; admoestá-la e ensiná-la; e, se necessário, até mesmo cirrigi-la. Temos como exemplo Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho. Seu marido era um homem cruel e pagão, mas ainda assim ela mantevesse com ele piedosa e prudentemente, sempre o amou, e, ao final, converteu-o a Deus.

-- Do Livro A Arte de Morrer Bem, de São Roberto Belarmino, bispo (século XVIII)
 
-- Nota: sempre que possível procuro utilizar textos traduzidos por profissionais e publicados com autorização de nossas autoridades eclesiais. Este, no entanto, foi traduzido por mim, a partir do livro em Inglês, por não tê-lo encontrado traduzido para o Português. O texto em inglês está disponível aqui.






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