30 de out de 2010

Por que rezar?

A necessidade de oração é repetida tão insistentemente nas Sagradas Escrituras que nada mais é mais claramente pedido que este dever. Embora o Todo Poderoso conheça nossas necessidades, como Nosso Senhor nos fala no Evangelho segundo São Mateus, Ele deseja que peçamos, e pela oração recebamos como que por mãos espirituais. Escuta Nosso Senhor em São Lucas: é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo (Lc 18,1b) e vigiai, pois, em todo o tempo e orai (Lc 21,36). Escuta o apóstolo: orai sem cessar (1Ts 5,17) e o livro do Eclesiastico: nada te impeça de orar sempre (Eclo 18,22).

Estes preceitos não significam que não devemos fazer outra coisa, mas somente que nunca devemos nos esquecer de tão essencial exercício e fazer uso frequente dele. Isto Nosso Senhor e seus apóstolos nos ensinaram, pois mesmo nunca tendo deixado de rezar, não negligenciaram a pregação ao povo, confirmando suas palavras com sinais e milagres. E deve-se dizer que eles sempre rezavam e com muita frequencia. Neste sentido devem ser compreendidas estas palavras: meus olhos estão sempre fixos no Senhor (Sl 24,15) e também: bendirei continuamente ao Senhor, seu louvor não deixará meus lábios (Sl 33,2) e as palavras sobre os apóstolos: permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus (Lc 24, 53).

Os frutos da oração são três vantagens: mérito, perdão e graças. Quanto ao mérito da oração, temos o testemunho de Cristo no evangelho: Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á (Mt 6,5-6). Por estas palavras, o Senhor proibe a prece em local público como vanglória, para ser visto pelos outros. Caso contrário, podemos rezar no templo e encontrar uma "quarto" em nosso coração e, então, rezar para Deus "em segredo". As palavras "recompensar-te-á" significam o mérito, pois como Ele disse sobre os fariseus, já receberam sua recompensa, ou seja, reconhecimento humano. Aquele que orar no silêncio de seu coração, que olhar somente para o Senhor, devemos entender que serão recompensadas pelo Pai que vêm em segredo.
Quanto ao perdão pelos pecados cometidos, conhecemos a prática da Igreja, que quando o perdão é desejado, a oração deve-se unir ao jejum e esmolas; embora muitas vezes jejum e esmolas sejam esquecidos, a oração é essencial.

Enfim, pela oração podemos receber muitas graças, como nos ensina São João Crisóstomo em seus escritos sobre a oração, nos quais ele emprega uma comparação com as mãos humanas. Embora o homem nasça nu e necessitado de todas as coisas, não pode queixar-se do Criador, por que recebeu suas mãos, o orgão acima de todos orgãos, através do qual podemos obter alimento, casa e tudo mais. Do mesmo modo, o homem espiritual não pode fazer nada sem a assistência divina; ele possui o poder da oração, o orgão espiritual mais importante, através do qual Deus pode facilmente prover todas as nossas necessidades.

-- Do Livro A Arte de Morrer Bem, de São Roberto Belarmino, bispo (século XVIII)
 -- Nota: sempre que possível procuro utilizar textos traduzidos por profissionais e publicados com autorização de nossas autoridades eclesiais. Este, no entanto, foi traduzido por mim, a partir do livro em Inglês, por não tê-lo encontrado traduzido para o Português. O texto em inglês está disponível aqui.

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