15 de mar de 2012

A Vida de Moisés - Maná e a batalha contra Amalec

Junto com este prodígio observava-se outro. Todos os que haviam saído para a coleta eram evidentemente diferentes em idades e forças. Não obstante, não obtinha um mais e o outro menos conforme a diferença de forças existente entre eles, mas o que era recolhido era proporcional à necessidade de cada um, de forma que nem o mais forte conseguia mais, nem o mais fraco tinha menos do que a medida justa. 

Alem deste prodígio, a história narra outro: cada um recolhia para o dia e não guardava nada para depois, e se alguém, por economia, reservava algo do alimento do dia para o amanhã, o reservado se tornava inútil para a alimentação, pois se tornava infectado de bichos (Ex 16, 16 –24). 

Na história desse alimento deu-se também este outro prodígio. Uma vez que um dia da semana era celebrado com o descanso conforme uma disposição antiga, no dia anterior, embora caísse o mesmo alimento dos dias precedentes e o esforço de quem o recolhia fosse também o mesmo, resultava que a quantidade era o dobro da habitual, de forma que não tinham nenhum pretexto para não cumprir a lei do descanso. O poder divino se mostrou ainda mais plenamente nisto; enquanto as sobras se tornavam inúteis nos outros dias, só o armazenado no dia anterior ao Sábado, assim se chamava o dia de descanso, se mantinha sem corrupção, de modo que em nada parecia mais estragado em relação à véspera (Ex 16, 25- 30). 

Houve uma guerra deles contra um povo estrangeiro. A narração chama amalecitas aos que se uniram então contra eles. Foi naquela ocasião que os israelitas se organizaram pela primeira vez no sentido de batalha: não foram lançados à luta todos em um exército completo, mas foram selecionados por seu valor, e os escolhidos foram designados para a peleja. Nesta peleja Moisés mostrou uma nova forma de luta: enquanto Josué, que era quem guiava o povo depois de Moisés, comandava a batalha aos amalecitas, Moisés, fora da luta, a partir de uma colina, olhava para o céu enquanto, de um lado e de outro, o assistiam dois de seus familiares (Ex 17, 8-10). 

Sabemos pela história que, entre as coisas que então aconteceram, teve lugar este prodígio: Se Moisés mantinha as mãos elevadas ao céu, seu exército cobrava forças contra os inimigos: porem, se os abaixava, também o exército cedia ao assalto dos estrangeiros. Ao perceberem isto, os que assistiam a Moisés, colocando-se de um lado e de outro, sustentavam-lhe as mãos quando por alguma causa desconhecida elas se tornavam pesadas e difíceis de se mover. E como eles eram fracos para mantê-lo em posição ereta, escoraram sua posição com uma pedra, e conseguiram que Moisés mantivesse as mãos levantadas ao céu com este apoio. Feito isto, os estrangeiros foram dominados pelas forças dos israelitas (Ex 17, 11-13). 

A nuvem que guiava o caminhar do povo permanecia no mesmo lugar; era preciso que também não se movesse o povo, já que não havia guia para seu caminhar. Desta forma tinham abundância para viver sem esforço: acima o ar fazia chover sobre eles um pão preparado; e abaixo a pedra lhes proporcionava água; a nuvem aliviava os inconvenientes do ar livre, pois durante o dia se convertia em anteparo contra o calor do sol e durante a noite dissipava a escuridão iluminando com seu fogo. Por esta razão não lhes era penoso deter-se naquele deserto ao pé do monte em que se havia instalado o acampamento.

-- Do texto A Vida de Moisés, de São Gregório de Nissa (século IV)

2 comentários:

Eduardo disse...

Posso entender que essa batalha contra os amalecitas, como uma figura da Igreja futura, com o povo apoiando o seu pastor, o Papa ? Não somente com o que se espera: com orações, com o anúncio do seu magistério aos demais, com obediência, mas também, e é essa parte que quero perguntar, apoiando-o quando possa se mostrar fraco ou vacilante ? Ora, a fraqueza de Moisés, era física, e não moral ou de Fé, mas uma fraqueza que precisou de apoio. Neste momento eu refaço a pergunta noutros termos : a infalibilidade do ensinamento Moral ou de Fé, pode ser por vezes, uma propriedade ainda que por momentos, dos fiéis da Igreja, caso o Papa necessite ? Não estou de forma alguma, duvidando da infalibilidade do Papa, antes a reafirmo com toda a força, mas talvez Deus faça-a se manifestar ( a infalibilidade ) pela via dos fiéis....Quero deixar claro, que não me identifico de forma alguma com a Teologia da Libertação que banaliza a infalibilidade e entende que pode ser exercida por comunidades eclesiais de base a torto e a direito, reduzindo o Papa a um mero "gestor" espiritual. Não é isso. Não penso em uma "democracia teologica" em que fiéis seguindo o ritmo da moda, possam criar novos dogmas ou derrubar outros: isso seria uma heresia. Agora vu dar um exemplo concreto: Parece que o Papa Paulo VI, demorou dois ou tres anos a condenar de forma explicita a pilula anticoncepcional. Talvez tivesse dúvidas quanto ao assunto, como Pedro trve duvidas quanto ao consumo de alimentos sacrificados, mas Deus lhe mostrou em sonhos que tais preceitos não tinham mais valor. Talvez Paulo VI, tenha nessw tempo de indefinição, ouvido outros sacerdotes, bispos, cardeais e até alguns leigos e o pronunciamento infalível tenha surgido de diálogos assim, em encontros privados, e claro, oraççoes.

Miguel Fornari disse...

A Infalibilidade Papal é um dom recebido pelo Papa, sendo próprio do ofício. Logo não pode ser transmitida aos cardeais, bispos, padres ou leigos.

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