30 de nov de 2012

São João Batista - referências bíblicas

JOÃO BATISTA foi filho de Zacarias e Isabel; JOÃO significa em hebraico "Iahweh é benigno"; e BATISTA por ser aquele que batizava. Lc 1 narra a história de seu nasciento: o anúncio a Zacarias por parte do anjo Gabriel, a idade avançada de seus pais, o mutismo de Zacarias, a escolha do nome, o reconhecimento de Jesus ainda no ventre de Maria, enquanto João também estava no ventre de sua mãe. Os temas do nascimento de um filho de pais em idade avançada  do anúncio por meio de um anjo e do nome escolhido de modo extraordinário constituem ecos dos relatos de Abraão, Isaac, Sansão e Samuel. O relato da concepção e nascimento de João parece conter também elemento de um midraxe, no qual a história expressa simbolicamente a antecipação do acontecimento salvífico no Evangelho. Mas "simbolismo" não quer dizer "criação fantástica": o parentesco entre João e Jesus provavelmente faz parte da tradição autêntica. 

Mais tarde, João aparece (Mt 3,1-10; Mc 1,4-6; Lc 3,1-9) no deserto de Judá anunciando o reino, o dia do juízo e conclamando ao batismo e penitência. João vestia-se de um modo que recorda o profeta Elias; sua vida também é um eco do modo de vida de Elias. Lc acrescenta alguns detalhes sobre o seu ensinamento moral (3,10-14); generosidade para com os pobres e renúncia à violência e à opressão. João anunciava a vinda do Messias como juiz (Mt 3,11s; Mc 1, 7s; Lc 3,15-18). O Messias batizaria com o Espírito Santo e com o fogo, razão pela qual o batismo de João - que era símbolo de arrependimento ao qual conclamava - constituia apenas uma preparação. Os evangelhos sinóticos dão testemunho do grande número de pessoas que iam vê-lo e ouvi-lo (Mt 3,5.7; Mc 1,5). Quando Jesus uniu-se àqueles que queriam ser batizados por João, este o reconheceu como Messias (Mt3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21s). 

A apresentação de João Batista no evangelho de São João não é muito diferente dos sinóticos. João Batista foi enviado por Deus para "dar testemunho da luz" (Jo 1,6-15). Jo 1,19-36 narra que negou ser o Messias (Lc 3,15s; Jo 3,25-30), indicando Jesus como "Cordeiro de Deus". Depois dessa indicação, Jesus começou a fazer os seus primeiros discípulos.

João foi preso por Herodes Antipas, que ele censurara publicamente por seu matrimônio adúltero e incestuoso com Herodíades (Mt 4,12; Mc 1,14; Lc 3, 19s). No relato dos sinóticos, Jesus não começa seu ministério antes da prisão de João Batista. Ao final, João foi executado devido a uma tola promessa feita por Herodes durante uma orgia (Mt 14,1-12; Mc 6,14-28; Lc 9,7-9). A morte de João é atestada também pelo historiador Josefo, que testemunha a popularidade e prestígio entre o povo. 

Jo 5,33-36 acrescenta que Jesus disse ser João uma "testemunha da verdade"e "facho ardente e luminoso", destacando sua influência sobre o povo (Jo 10,41). Pergunta-se a Jesus por que seus discípulos não jejuavam como faziam os de João (Mt 9,14ss; Mc 2,18ss; Lc 5, 33ss). Em outra passagem Jesus a atenção sobre o contraste entre a austeridade de vida de João e seu próprio modo comum de viver (Mt 11,18; Lc 7,33). A resposta de Jesus, expressa nos termos do Servo de Isaías, foi muito clara para quem conhecia o AT. Não há motivos para pensar que se tratasse de um procedimento teatral da parte de João, não para convencer-se a si mesmo, mas sim para convencer seus discípulos; não é improvável que João houvesse perdido um pouco da certeza demonstrada em seu primeiro testemunho e quissesse estar seguro. A resposta de Jesus não apenas o tranquiliza, mas define o caráter de sua messianidade. O testemunho de Jesus a respeito de João faz dele o maior dentre os nascidos de mulher (Mt 11,7-19; Lc 7, 24-35). Em João se concretizou a crença judaica de que Elias retornaria antes do Messias (Mt 17, 13; Mc 9,13). Alguns chegaram a pensar que Jesus fosse João ressuscitado da morte (Mt 16, 14; Mc 8,28; Lc 9,19). Jesus reduziu os fariseus ao silêncio perguntando-lhes se o batismo de João era "do céu ou dos homens"(Mt 21,25-27; Mc 11,30-33; Lc 20,4-8); a fama popular de João como profeta era tão grande que os fariseus não ousavam por em dúvida a autenticidade da sua missão. 

Desde os primeiros tempos considerava-se que o batismo de João marcou o início da vida pública de Jesus (At 1,22; 10,37). A própria antitese de João entre o seu batismo e o batismo do Espírito Santo e no fogo é repetida em At 1,5;11,16. O testemunho de João em relação a Jesus nos evangelhos retorna no discurso de Paulo em Antioquia (At 13,24s). Os discípulos de João sobreviveram como um grupo singular vários anos depois de sua morte, até mesmo em lugares distantes como Éfeso (At 19,3): Apolo, originário de Alexandria, que se tornou cristão em Éfeso conhecia apenas o batismo de João (At 18 18,25).

* extraído do Dicionário Bíblico, de John Mackenzie, Edições Paulinas.



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