14 de fev de 2014

O Altar de Ghent

O Altar de Ghent também conhecido como o altar do Cordeiro de Deus, é composto por 12 painéis pintados no século XV, pelos irmãos Van Eyck entre 1430-32. Hoje está na Catedral de São Bavo, em Ghent; aos domingos e dias festivos é exposto aberto, nos demais dias permanece fechado. Como ospainéis são pintados em ambos os lados, o resultado é totalmente diferente. 

Em termos artísticos, é um rompimento com a tradição medieval, pois as figuras humanas são bastante realistas. Jan Van Eick era um pintor miniaturista, capaz de reproduzir pequenos detalhes de maneira magnífica. As roupas, jóias, a fonte, a natureza, tudo é pintado com uma riqueza de detalhes fantástica. A iluminação é complexa e inovadora, utilizando técnicas de sombreamento inovadoras, e que combinava com as luzes que entravam pelas janelas da capela para a qual foi projetada. Além disso, muitas obras semelhantes foram perdidas quando fanáticos religiosos as destruíram no século XVI; o Altar foi salvo por que os reis resolveram colocar uma guarda especial dentro da Igreja para salvá-la. 

Na visão aberta, a figura central é a Santíssima Trindade, identificada pela tripla tiara na cabeça. A esquerda está Nossa Senhora, vestida com uma noiva, e a direita São João Batista.  Este trio está cercado por anjos musicais, cantando glórias a Deus. Nos extremos, envergonhados, olhando para baixo, estão Adão e Eva, nus. Na parte de baixo, temmos a cena da adoraçãoo do Cordeiro de Deus, as pessoas todas se reunindo ao seu redor, agrupadads de acordo com sua missão: homens mártires, escritores e profetas judeus, homens santos e mulheres mártires. Nos painéis menores temos os cavaleiros de Cristo, justos juízes, confessores e mártires, apóstolos e papas.

Na visão fechada, a cena principal é a Anunciação da Virgem Maria, com o Anjo e Nossa Senhora. Acima deles estão representados profetas do Antigo Testamento que previram a vinda do Filho de Cristo. Na linha de baixo, como se fossem estátuas, São Joãoo Batista e São João Evangelista. Ajoelhados, o casal que financiou a obra. 

Durante a invasão napoleônica, o altar foi levado para Paris. AS figuras nuas de Adão e Eva fora retiradas da Igreja e transferidas para um museu em Bruxelas. Com a derrota em Waterloo, restituído para a Bélgica. Em 1815 os painéis laterais foram vendidos para um colecionador inglês, que revendeu para o Rei da Prússia. Na I Guerra Mundial, os alemães levaram a obra para Berlim, mas atendendo ao Tratado de Versailles, restituíram as peças roubadas. Em 1934, o painel dos Justos Juízes foi roubado. Em 1940, foi decidido transferir o Altar para o Vaticano e estava a caminho quando a Itália declarou guerra aliando-se ao alemães. A obra ficou num museu na cidade de Pau, França, até 1942 quando Hitler ordenou que fosse trazida para a Alemanha. A obra foi recuperada pelo Exército Americano, por um grupo especial cuja história é contada no filme/livro Caçadores de Obras-Primas, que está estreando hoje.

Após ser restaurada e uma cópia do painel roubada ser confeccionada, uma cerimônia foi realizada presidida pelo Rei da Bélgica. Oficiais dos governos alemães e franceses não foram convidados.

OBS: O livro que originou o filme é muito interessante e conta algumas histórias realmente heróicas. Por exemplo, os americanos encontraram uma igreja medieval com bombas ao seu redor prontas para explodir, como uma armadilha para quem resolvesse entrar na Igreja. Um especialista em artes, mesmo com pouco treinamento em desarmar bombas, mas conhecendo o valor histórico e artístico da Igreja, resolve que vale a pena arriscar sua vida para tentar salvar a Igreja. 

-- Autoria própria

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