7 de out de 2011

A importância de assistir a Santa Missa - o exemplo dos Reis


Papa Silvestre I abençoa o Imperador Constantino Magno
Os exemplos dos grandes causam ordinariamente muito mais impressão que a piedade mesmo singular de simples particulares, conforme o axioma vulgar: “Conforme-se a terra ao exemplo do rei.” Ora, longa seria a lista que eu poderia desenrolar, para animar a seguir o exemplo daqueles que assistiam todos os dias à Santa Missa.

Citaremos rapidamente alguns: Constantino Magno não só assistia todos os dias à Santa Missa, mas, quando partia em qualquer expedição, em pleno fragor da guerra e ruído das armas, fazia-se acompanhar dum altar portátil no qual mandava celebrar diariamente a Santa Missa, e por este meio alcançou retumbantes vitórias. O Imperador Lotário observava sempre a mesma prática. Em tempos de paz como de guerra, fazia questão de assistir, todos os dias, a três Santas Missas.  O piedoso Henrique III, rei da Inglaterra, assistia, do mesmo modo, a três Santas Missas diárias, para grande edificação de sua corte.  O Senhor recompensou-o, ainda neste mundo, com um feliz reinado de cinqüenta e seis anos.

Mas, para expor à luz a piedade dos monarcas ingleses e sua assiduidade em assistir à Santa Missa, não é preciso remontar aos séculos passados; basta considerar a grande alma de Maria Clementina, a piedosa rainha cuja perda Roma ainda chora. Como ele se dignou dizer-me muitas vezes, punha todas as suas delícias em assistir ao Divino Sacrifício e todos os dias assistia a todas as Santas Missas que podia. Mantinha-se imóvel, sem almofadas, sem apoio, como uma estátua. E por esta devota assistência à Santa Missa, acendeu-se em seu coração amor tão ardente a JESUS-Hóstia, que se esforçava por assistir diariamente a três ou quatro bênçãos do Santíssimo Sacramento. Sua carruagem percorria a toda a velocidade as ruas de Roma, a fim de permitir-lhe chegar a tempo nas diversas igrejas. E quantas lágrimas derramou esta santa mulher para mitigar a fome que tinha de pão dos Anjos, fome tão veemente que lhe causava enlanguescimento noite e dia, porque seu coração se achava a todo instante transportado aonde estava seu tesouro. 

DEUS permitiu, entretanto, que tão prementes instâncias não fossem atendidas; permitiu-o para tornar mais heróico o seu amor, mais ainda, para torná-la mártir de amor. Assim, a meu ver, isto lhe acelerou a morte, como posso julgar pela última carta que me escreveu já no leito de morte. É certo que, se lhe foi negada a comunhão freqüente, não perdeu ela o mérito, pois, não podendo satisfazer seu amor pela comunhão sacramental, buscava consolo na comunhão espiritual, que fazia não só na Santa Missa, mas renovava-a muitas vezes durante o dia, com grande contentamento de seu coração, seguindo o método indicado no capítulo anterior.

Ora, dizei-me, este exemplo sublime não basta para rechaçar todas as desculpas dos que demonstram tanta preguiça em assistir, todos os dias à Santa Missa e nela fazer a comunhão espiritual? Não me satisfaz, entretanto, que imiteis esta boa rainha com o fervor do vosso coração em desejar receber JESUS-HÓSTIA; mas quisera que a imitásseis, ocupando vossas mãos nos trabalhos que tão freqüentemente ela efetuava, a fim de prover de objetos do culto às igrejas pobres, exemplo seguido em Roma por muitas damas nobres, que se consideravam felizes em  trabalhar com suas mãos nos vários paramentos destinados ás igrejas. E fora de Roma, conheço uma grande princesa, ilustre tanto por sua piedade como pelo nascimento, que assistia, todas as manhãs, a várias Santas Missas, e ocupa suas damas nos trabalhos destinados ao altar, a ponto de enviar caixas cheias de corporais, manutérgios e outras peças semelhantes aos missionários e pregadores, para que distribuam ás igrejas pobres e a fim de que o Divino Sacrifício seja oferecido a DEUS com toda a pompa, decência e solenidade adequadas.

Terminamos este parágrafo com o exemplo da São Venceslau (NT. em outro post há a narrativa da vida e morte de São Venceslau), rei da Boêmia, que todos devem imitar, se não em tudo, ao menos na medida do possível. Este Santo rei, não contente em assistir diariamente a muitas Santas Missas, de joelhos sobre o chão duro, e de servir aos padres no altar, com mais humildade que um seminarista, presenteava, ainda, as igrejas com as jóias mais preciosas de seu tesouro e as mais ricas  tapeçarias de seu palácio.

Costumava, além disso, confeccionar, com suas próprias mãos, as hóstias destinadas ao santo Sacrifício. Para este fim e sem receio de diminuir sua dignidade real, com suas mãos feitas para empunhar o cetro, cultivava um campo, conduzindo a charrua, semeava o trigo, fazia a colheita, depois moia os grãos, peneirava a farinha, preparava e cortava as hóstias e as apresentava com o mais profundo respeito aos sacerdotes, para que as convertessem no Corpo do Salvador. Ó mãos dignas, de São Venceslau, de empunhar o cetro da Terra inteira! Qual foi, porém, a recompensa de tão terna piedade?

Permitiu DEUS que o imperador Oto I concebesse pelo santo rei tal benevolência que lhe concedeu o privilégio de gravar em seu brasão as armas do império: a águia negra sobre fundo branco, favor nunca obtido por nenhum outro príncipe. Deste modo, por intermédio do imperador, quis DEUS recompensar a grande devoção de São Venceslau ao Sacrifício da Eucaristia. Magnífica, porém foi sua recompensa no Céu, quando, por um glorioso martírio, obteve uma bela coroa de glória eterna. E assim, graças a essa afeição profunda à Santa Missa, ele foi duplamente coroado, neste mundo e no outro.

-- Do Livro As Excelências da Santa Missa, de São Leonardo de Porto Príncipe, presbítero (século XVIII)

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