8 de out de 2011

Santo Damião de Molokai (ou São Damião "Leproso")

Santo Damião de Veuster nasceu na Bélgica
em 3/Jan/1840 e morreu em Molokai, Hawaii,
em 15/Abr/1889.
Em 1873, padre Damien de Veuster se voluntariou para servir numa colônia de leprosos em Molokai, Hawaii. Oito anos antes da chegada do missionário, um surto de lepra ocorreu nas ilhas e as vítimas haviam sido isoladas num local que ainda hoje o único acesso é por uma longa e dificil caminhada. Mesmo tendo uma premonição que poderia morrer de lepra, aceitou a missão com alegria, tendo declarado: Eu quero ir para lá. Eu já conheço muitas destas almas desafortunadas e peço somente compartilhar seus sofrimentos e abandono.

Logo ao chegar a Molokai, padre Damien compreendeu que tratava-se de uma prisão, onde degradação, sofrimentos e mortes eram constante. Embora desesperançado, não deixou-se abater. Imediatamente tratou de encontrar formas de melhorar a o ambiente. Não os tratava como doentes, mas como seres humanos. Ele os organizou em grupos de trabalho para construir clínicas, dormitórios e estradas. Criou a paróquia de Santa Filomena. Estabeleceu um cemitério e fazia caixões. A dignidade na morte melhorou a vida dos doentes. Para os amantes de esportes havaianos, organizou pequenas competições, da qual participavam mesmo alguns que já haviam perdido um pé. Formou um coro e uma banda. Dois doentes que ainda tinham os dez dedos tornaram-se organistas, tendo aprendido algumas músicas apropriadas para funerais. 

Padre Damien não tomava precauções ao cuidar do seu povo. Dirariamente os ajudava, tratava as feridas, fazia curativos, dava banhos. Disse um visitante: eu vi padre Damien os tratar como faço com as mais belas flores do meu jardim. Quando não estava cuidando dos doentes, pressionava as autoridades por mais dinheiro e recursos médicos. 
Padre Damian com crianças do coro da colonia de leprosos. 

Em Dezembro de 1884, enquanto preparava-se para tomar banho, colocou seu pé em água fervente, queimando-o a ponto de criar bolhas. Mas ele não sentiu nenhuma dor, percebendo que contraíra a doença.  Não apenas continuou com seu trabalho, mas intensificou a construção de casas e outras obras de auxílio. 

Em 1889 sabia claramente que a morte aproximava-se. A doença atingira completamente um braço e uma perna,  e já afetava outro pé. Em 23 de Março já não conseguiu levantar-se da cama. Em 30 de Março fez uma confissão geal e renovou seus votos. Em 2 de Abril recebeu a extrema-unção.  Morreu as 8:00 de 15 de Abril de 1889, aos 49 anos. Foi sepultado no mesmo cemitério que havia construído, junto com outros leprosos. Em uma carta para seu irmão declarou: tornei-me um leproso junto aos leprosos, para os conduzir a Jesus Cristo.

Foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 4 de Junho de 1995 e canonizado pelo Papa Bento XVI em 11 de Outubro de 2009. Na homília da missa de canonização, o Papa assim o descreveu:

Jozef  De Veuster, que na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria recebeu o nome de Damiaan, quando tinha 23 anos, em 1863, deixou a sua terra natal, a Flandres, para anunciar o Evangelho do outro lado do mundo, nas Ilhas Hawaii. A sua atividade missionária, que lhe deu tanta alegria, alcança o seu ápice na caridade. Não sem receio e repugnância, fez a escolha de ir para a Ilha de Molokai ao serviço dos leprosos que ali se encontravam, abandonados por todos; assim expôs-se à doença da qual eles sofriam. Com eles sentia-se em casa. O servidor da Palavra tornou-se assim um servidor sofredor, leproso com os leprosos, durante os últimos anos da sua vida.

Para seguir Cristo, o Padre Damiaan não só deixou a sua pátria, mas também pôs em perigo a sua saúde: por isso ele – como diz a palavra de Jesus que nos foi anunciada no Evangelho de hoje recebeu a vida eterna (cf. Mc 10, 30). Neste vigésimo aniversário da canonização de outro santo belga, o Irmão Mutien-Marie, a Igreja na Bélgica está unida mais uma vez para dar graças a Deus por um dos seus filhos reconhecidos como autentico servo de Deus. Recordemo-nos diante desta nobre figura que é a caridade que faz a unidade: ela cria-a e torna-a desejável. No seguimento de São Paulo, São Damiaan convida-nos a escolher o bom combate (cf. 1 Tm 1, 18), não os que levam à divisão, mas os que unem. Ele convida-nos a abrir os olhos sobre as lepras que desfiguram a humanidade dos nossos irmãos e interpelam ainda hoje, mais do que a nossa generosidade, a caridade da nossa presença servidora.


Antes de falecer, escreveu como uma regra de vida:

A memória das infidelidades passadas deve mover a cada um de nós a realizar atos de humildade e contrição no tempo presente, renovando nossos votos para o futuro. Seja severo consigo, indulgente com os demais. Seja absolutamente escrupuloso com tudo a respeito de Deus, na oração, meditação, celebração da missa e sacramentos.

Una seu coração ao de Deus. E, quando no meio das tentações, proteste incessantemente que prefere morrer neste momento que consentir com um pecado, mesmo que um simples pecado venial. Que a paixão te leve a constantemente murmurar estas palavras: "Desejo desaparecer e ser com Cristo". Para manter-se longe dos pecados, lembre-se do julgamento invisível de Deus, que olha e conhece todas nossas ações. 

Seja bom, seja vigilante. Lembre-se sempre dos três votos pelos quais estas morto para o mundo. Tudo que possuíres é para teu uso pessoal, nada é tua propriedade. Morra para os prazeres da carne, a pureza te fará como um anjo. A impureza faz o diabo com um padre. Sem sensualidades, nada de olhares fáceis. Faça todos os caprichos da tua vontade morrerem. E quanto ao teu corpo, deixe teus superiores dispor dele como bem entenderem. 

Lembre-se sempre da imutabilidade de Deus e imite a sua paciência quando enfrentares todas situações. Lembre-se que Deus é eterno. Trabalhe corajosamente para um dia reunir-se a Ele. 

-- A regra de vida foi traduzida do livro Voices of the Saints, de Bert Ghezzi, assim como muitas informações a respeito da vida do Santo.  

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