19 de jul de 2014

Sobre Bispos, Arcebispos e Cardeais

Existe alguma diferença entre bispos, arcebispos e cardeais? Ou cardeais "mandam" nos arcebispos, que "mandam" nos bispos, e claro, quem sofre são os padres? Há algum tempo atrás me fizeram estas perguntas, que respondi da melhor maneira possível, ali no improviso. Agora vai uma resposta melhor estruturada, que segue.


Cada centímetro deste planeta, se foi evangelizado e tem uma presença católica estabelecida, está organizado em dioceses, também conhecidas como "igrejas particulares", confiadas a seus Bispos (canon 369). Apenas Roma tem a autoridade para criar e determinar os limites de uma diocese (canon 373). Todo católico deve conhecer, ou pelo menos deveria, o seu Bispo, afinal ao Bispo está submisso.



O que a maioria não sabe é que dioceses estão agrupadas em províncias eclesiásticas (canon 431) com objetivo de atuarem de maneira integrada e coerente em uma mesma região (estado, país). Como regra, não deve haver dioceses "isentas", todas devem estar integradas em alguma província eclesiástica. Ou seja, nenhuma diocese é uma ilha, comunicando-se apenas e diretamente com Roma, todas devem compartilhar algumas idéias com suas vizinhas. O mapa ao lado mostra as atuais 41 provincias eclesiásticas no Brasil, que agrupam 214 dioceses.

Esta divisão explica por que falamos no Arcebispo de Porto Alegre e Bispo de Osório, pois a Diocese de Osório é parte da província elesiástica de Porto Alegre. Comparando, é como as cidades que compõem o estado. 

Quando o Papa decide que um padre pode tornar-se Bispo, ele é escolhido para ser um dos sucessores dos Apóstolos (canon 375). Como padre, ele já foi ordenado, mas para tornar-se Bispo, deve receber a consagração episcopal em uma cerimônia apropriada. Não é o anúncio pelo Vaticano que torna o padre um Bispo, mas sim receber as "ordens superiores", que lhe conferem alguns poderes sacramentais adicionais: conferir o sacramento do Crisma (Confirmação); ordenar diáconos e padres; e ordenar outros bispos (na sucessão apostólica). Há, portanto, uma diferença importante, sacramental, entre padres e bispos. 

Já Cardeais são outra história! Alguns Bispos e Arcebispos são chamados de Cardeais por um motivo não relacionado a divisão geográfica, nem há diferença sacramental entre um Bispo e um Cardeal. Cardeais são aqueles que aconselham e auxiliam o Papa nos assuntos da Igreja, por isto é importante que estejam próximos ao Papa. Com os meios de comunicação atuais, não há tanta necessidade dos Cardeais residirem em Roma, mas eles são chamados a reuniões frequentes, chamadas "Consistórios". Por exemplo, em Outubro haverá um Consistório para tratar de assuntos relacionados à família. Outro momento decisivo na vida dos Cardeais é escolher o próximo Papa, quando o anterior morre. 

Juridicamente, para tornar-se um Cardeal, não é necessário ser Bispo ou Arcebispo. Ao longo dos séculos já houveram vários casos de diáconos e padres que tornaram-se Cardeais. Historicamente, os Papas tendem a colocar seus conselheiros mais próximos em dioceses mais importantes, onde podem exercer uma maior influência, e assim, transmitir as decisões do Papa, que eles mesmos aconselharam, de maneira mais fiel e visível. Assim, as Arquidioceses de cidades mais importantes, como São Paulo e Rio de Janeiro, são normalmente comandadas por um Cardeal. 

Resumindo, a Igreja está dividida em regiões geográficas chamadas dioceses. Cada diocese é administrada por um Bispo. Dioceses são agrupadas em províncias, administradas por Arcebispos. Alguns Bispos e Arcebispos podem ser chamados a serem conselheiros do Papa, ou seja, Cardeais. 

-- autoria própria

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