15 de dez de 2010

Com a vinda de Cristo, Deus torna-se visível aos homens

Há um só Deus que, por sua palavra e Sabedoria, criou e harmonizou todas as coisas.

Sua palavra é nosso Senhor Jesus Cristo, que nos últimos tempos se fez homem entre os homens, para unir o fim ao princípio, isto é, o homem a Deus.

Por isso, os profetas que tinham recebido dessa mesma Palavra o carisma profético, anunciaram sua vinda segundo a carne; mediante essa vinda, realizou-se a união e a comunhão de Deus com o homem, conforme a vontade do Pai. Desde o começo a Palavra de Deus tinha anunciado que Deus seria visto pelos homens, que viveria e conversaria com eles na terra, que se faria presente à sua criatura, para salvá-la e ser percebido por ela, livrando-nos das mãos de todos os que nos odeiam (Lc 1,71), isto é, de todo o espírito de pecado, e fazendo que o sirvamos em justiça e santidade enquanto perdurarem nossos dias (Lc 1,74-75). E assim unido ao Espírito de Deus, o homem tenha acesso a Gloria do Pai.

Os profetas anunciavam que Deus seria visto pelos homens, conforme diz também o Senhor: Felizes os puros de coração, porque verão a Deus (Mt 5,8).


Cristo, parte do afresco O Último Julgamento, de Giotto,
na Capela Arena, em Pádua.

Contudo, ninguém pode ver a Deus na sua grandeza e gloria inenarrável e continuar vivendo (cf. Ex33,20), porque o Pai é inacessível. Mas em seu amor, sua bondade e sua onipotência, ele chega a conceder aos que o amam o dom de ver a Deus; isto é que anunciavam os profetas, pois o que é impossível aos homens, é possível a Deus (Lc 18,27).

O homem, por si mesmo, não poderá ver a Deus. Mas Deus, se quiser, será visto pelos homens, por aqueles que ele quiser. Deus que tudo pode, foi visto outrora em visão profética por meio do Espírito, deixa-se ver agora por meio de seu Filho, graças à adoção filial, e será visto finalmente no reino dos céus como Pai. Com efeito, o Espírito prepara o homem para o Filho de Deus, o Filho conduz o homem para o Pai e o Pai lhe dá a imortalidade na vida eterna, que é fruto da contemplação de Deus.

Assim como os que vêem a luz estão na luz e recebem a sua claridade, também os que vêem a Deus estão em Deus e recebem sua claridade. A claridade de Deus vivifica; portanto, os que vêem a Deus recebem a vida.

-- Do Tratado contra as Heresias, de Santo Irineu, bispo (século II)


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