13 de jul. de 2012

A Imitação de Cristo

Aos poucos começaremos a publicar capítulos do livro A Imitação de Cristo, livro atribuído ao monge alemão Tomás de Kempis e escrito no século XV.
Este livro é considerado um dos livros mais importantes para quem deseja seguir uma vida cristã.
Foi o livro que acompanhou Santo Inácio de Loyola durante a concepção dos Exercícios Espirituais Inacianos e também admirado por outros santos como São Tomás More e Santa Tereza de Lisieux, que podia citar trechos do livro de cabeça.
Segue um trecho do prólogo:

“Se o livro “Imitação de Cristo” te é familiar, antes de leres esta nova tradução, ouve o que aqui te digo para melhor apreciares tão precioso tesouro. Se, por descuido, ainda não gostares de tão santa leitura, não desdenhes o que por acaso aqui leres; e, se bem refletires, conhecerás quanto tens perdido em não te aproveitares dum meio tão seguro de santificação.
Depois do Evangelho, que vem de Deus, de todos os livros que saíram das mãos do homem, o mais admirável e o mais popular é a “Imitação de Cristo”: nenhum outro mereceu maior estima entre os homens, nem parece mais bem feito para cada um deles, quando o lêem. Não é ele obra engenhos do saber humano, posto que o seu autor conheça a fundo o nosso coração e saiba falar-lhe a linguagem de suas aspirações íntimas; é a efusão de uma alma iluminada do céu e penetrada do profundo sentimento das coisas divinas. O estilo é simples, sem ornato, e por vezes incorreto; porém, a força e a majestade dos pensamentos imprimem-lhe uma espécie de grandeza maravilhosa, que eleva a alma, derrama nela celestial unção, e como a encanta com os dons do Espírito Santo…”
O livro é dividido em quatro partes e ao todo são 114 capítulos:
  • Avisos úteis para a vida espiritual
  • Exortações à vida interior
  • Da consolação interior
  • Do sacramento do altar

Recomenda-se lê-lo após fazer uma oração. Espero que aproveitem a leitura.

11 de jul. de 2012

Santo é o templo de Deus, que sois vós

Eu e o Pai viremos e faremos nele nossa morada. Franqueia, então, a tua porta ao que vem, abre tua alma, alarga o íntimo de tua mente para veres as riquezas da simplicidade, os tesouros da paz, a doçura da graça. Dilata o coração e corre ao encontro do sol, da eterna luz, a que ilumina a todo homem. Esta luz verdadeira brilha para todos. Mas, se alguém fecha as janelas, priva-se da eterna luz. Assim também Cristo é repelido se fechas a porta de teu espírito. Embora possa entrar, não quer ser importuno, não quer entrar à força. Recusa-se a usar de coação!

Nascido da Virgem, ele saiu do seio, irradiando luz sobre o mundo inteiro, refulgindo para todos. Os que desejam, acolhem a claridade inextinguível que noite alguma interrompe. Pois à do sol que vemos diariamente, sucede a noite escura; mas o sol da justiça jamais se põe, porque à sabedoria não sucede a maldade.

Feliz aquele a cuja porta Cristo bate. Nossa porta é a fé, que, quando sólida, defende a casa toda. Por esta porta Cristo entra. Daí dizer a Igreja no Cântico: A voz de meu irmão bate à porta. Escuta o que bate, escuta o que deseja entrar: Abre para mim, minha irmã esposa, minha pomba, minha perfeita, porque tenho a cabeça coberta de orvalho e meus cabelos, das gotas da noite.

Observa que o Deus Verbo bate à porta principalmente quando sua cabeça está coberta de orvalho noturno. Digna-se visitar os atribulados e tentados, para que não sucumbam às amarguras.A cabeça cobre-se de orvalho e de gotas quando o corpo sofre. Importa, portanto, vigiar para não ficar excluído à chegada do Esposo. Se dormes e o teu coração  não vigia, afasta-se antes de bater. Se o teu coração está vigilante, bate e pede ser-lhe  aberta a porta.

Possuímos a porta de nossa alma, possuímos também portais sobre os quais se diz: Levantai, príncipes, vossos portais, erguei-vos, portas eternas, e entrará o Rei da glória. Se quiseres levantar os portais de tua fé, entrará em ti o Rei da glória, trazendo a vitória de sua paixão. Tem também portas a justiça. Delas lemos o que disse o Senhor Jesus por meio de seu profeta:  Abri-me as portas da justiça.

Há quem tenha portas, há quem tenha portais. A essas portas Cristo bate, bate aos portais. Abre, então, para ele; quer entrar, quer encontrar vigilante a Esposa.

-- Do comentário sobre o Salmo 118, de Santo Ambrósio, bispo (século V)

10 de jul. de 2012

São Bento de Núrcia - 11 de Julho

Queridos irmãos e irmãs!

São Bento, fundador dos Beneditinos
Gostaria hoje de falar de São Bento, Fundador do monaquismo ocidental, e também Padroeiro do meu pontificado. Começo com uma palavra de São Gregório Magno, que escreve de São Bento: "O homem de Deus que brilhou nesta terra com tantos milagres não resplandeceu menos pela eloquência com que soube expor a sua doutrina" (Dial. II, 36). O grande Papa escreveu estas palavras no ano de 592; o santo monge tinha falecido 50 anos antes e ainda estava vivo na memória do povo sobretudo na florescente Ordem religiosa por ele fundada. São Bento de Núrcia com a sua vida e a sua obra exerceu uma influência fundamental sobre o desenvolvimento da civilização e da cultura europeia. A fonte mais importante sobre a sua vida é o segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno. Não é uma biografia no sentido clássico. Segundo as ideias do seu tempo, ele pretende ilustrar mediante o exemplo de um homem concreto precisamente de São Bento a subida aos cumes da contemplação, que pode ser realizada por quem se abandona a Deus. Portanto, tem-se um modelo da vida humana como subida para o vértice da perfeição. São Gregório Magno narra também, neste livro dos Diálogos, de muitos milagres realizados pelo Santo, e também aqui não quer narrar simplesmente algo de estranho, mas demonstrar como Deus, admoestando, ajudando e também punindo, intervenha nas situações concretas da vida do homem. Quer mostrar que Deus não é uma hipótese distante colocada na origem do mundo, mas está presente na vida do homem, de cada homem.

Esta perspectiva do "biógrafo" explica-se também à luz do contexto geral do seu tempo: entre os séculos V e VI o mundo estava envolvido por uma tremenda crise de valores e de instituições, causada pela queda do Império Romano, pela invasão dos novos povos e pela decadência dos costumes. Com a apresentação de São Bento como "astro luminoso", Gregório queria indicar nesta situação atormentada, precisamente aqui nesta cidade de Roma, a saída da "noite escura da história" (cf. João Paulo II, Insegnamenti, II/1, 1979, p. 1158). De facto, a obra do Santo e, de modo particular, a sua Regra revelaram-se portadoras de um autêntico fermento espiritual, que mudou no decorrer dos séculos, muito além dos confins da sua Pátria e do seu tempo, o rosto da Europa, suscitando depois da queda da unidade política criada pelo império romano uma nova unidade espiritual e cultural, a da fé cristã partilhada pelos povos do continente. Surgiu precisamente assim a realidade à qual nós chamamos "Europa".

O nascimento de São Bento é datado por volta de 480. Provinha, assim diz São Gregório, "ex provincia Nursiae" da região da Núrsia. Os seus pais abastados enviaram-no para Roma para a sua formação nos estudos. Mas ele não permaneceu por muito tempo na Cidade eterna. Como explicação plenamente credível, Gregório menciona o facto de que o jovem Bento sentia repugnância pelo estilo de vida de muitos dos seus companheiros de estudos, que viviam de modo dissoluto, e não queria cair nos mesmos erros deles. Desejava aprazer unicamente a Deus; "soli Deo placere desiderans" (II Dial., Prol. 1). Assim, ainda antes da conclusão dos seus estudos, Bento deixou Roma e retirou-se na solidão dos montes a leste da cidade. Depois de uma primeira estadia na aldeia de Effide (actualmente Affile), onde durante um certo período se associou a uma "comunidade religiosa" de monges, fez-se eremita na vizinha Subiaco. Ali viveu durante três anos completamente sozinho numa gruta que, a partir da Alta Idade Média, constitui o "coração" de um mosteiro beneditino chamado "Sagrada Espelunca". O período em Subiaco, marcado pela solidão com Deus, foi para Bento um tempo de maturação. Ali tinha que suportar e superar as três tentações fundamentais de cada ser humano: a tentação da auto-suficiência e do desejo de se colocar no centro, a tentação da sensualidade e, por fim, a tentação da ira e da vingança. De facto, Bento estava convencido de que, só depois de ter vencido estas tentações, ele teria podido dizer aos outros uma palavra útil para as suas situações de necessidade. E assim, tendo a alma pacificada, estava em condições de controlar plenamente as pulsões do eu, para deste modo ser um criador de paz em seu redor. Só então decidiu fundar os seus primeiros mosteiros no vale do Anio, perto de Subiaco.

No ano de 529 Bento deixou Subiaco para se estabelecer em Montecassino. Alguns explicaram esta transferência como uma fuga das maquinações de um invejoso eclesiástico local. Mas esta tentativa de explicação revelou-se pouco convincente, dado que Bento não regressou para lá depois da morte repentina do mesmo (II Dial. 8). Na realidade, esta decisão impôs-se-lhe porque tinha entrado numa nova fase da sua maturação interior e da sua experiência monástica. Segundo Gregório Magno, o Êxodo do vale remoto do Anio para Monte Cassio uma altura que, dominando a vasta planície circunstante, se vê ao longe reveste um carácter simbólico: a vida monástica no escondimento tem uma sua razão de ser, mas um mosteiro tem também uma sua finalidade pública na vida da Igreja e da sociedade, deve dar visibilidade à fé como força de vida. De facto, quando, em 21 de Março de 574, Bento concluiu a sua vida terrena, deixou com a sua Regra e com a família beneditina por ele fundada um património que deu nos séculos passados e ainda hoje continua a dar frutos em todo o mundo.

Em todo o segundo livro dos Diálogos Gregório ilustra-nos como a vida de São Bento estivesse imersa numa atmosfera de oração, fundamento portante da sua existência. Sem oração não há experiência de Deus. Mas a espiritualidade de Bento não era uma interioridade fora da realidade. Na agitação e na confusão do seu tempo, ele vivia sob o olhar de Deus e precisamente assim nunca perdeu de vista os deveres da vida quotidiana e o homem com as suas necessidades concretas. Ao ver Deus compreendeu a realidade do homem e a sua missão. Na sua Regra ele qualifica a vida monástica "uma escola ao serviço do Senhor" (Prol. 45) e pede aos seus monges que "à Obra de Deus [ou seja, ao Ofício Divino ou à Liturgia das Horas] nada se anteponha" (43, 3). Mas ressalta que a oração é em primeiro lugar um acto de escuta (Prol. 9-11), que depois se deve traduzir em acção concreta. "O Senhor aguarda que nós respondamos todos os dias com os factos aos seus ensinamentos", afirma ele (Prol. 35). Assim a vida do monge torna-se uma simbiose fecunda entre acção e contemplação "para que em tudo seja glorificado Deus" (57, 9). Em contraste com uma auto-realização fácil e egocêntrica, hoje com frequência exaltada, o primeiro e irrenunciável compromisso do discípulo de São Bento é a busca sincera de Deus (58, 7) sobre o caminho traçado pelo Cristo humilde e obediente (5, 13), ao amor do qual ele nada deve antepor (4, 21; 72, 11) e precisamente assim, no serviço do outro, se torna homem do serviço e da paz. Na prática da obediência realizada com uma fé animada pelo amor (5, 2), o monge conquista a humildade (5, 1), à qual a Regra dedica um capítulo inteiro (7). Desta forma o homem torna-se cada vez mais conforme com Cristo e alcança a verdadeira auto-realização como criatura à imagem e semelhança de Deus.

À obediência do discípulo deve corresponder a sabedoria do Abade, que no mosteiro desempenha "as funções de Cristo" (2, 2; 63, 13). A sua figura, delineada sobretudo no segundo capítulo da Regra, com um perfil de espiritual beleza e de compromisso exigente, pode ser considerada como um auto-retrato de Bento, porque como escreve Gregório Magno "o Santo não pôde de modo algum ensinar de uma forma diferente da qual viveu" (Dial. II, 36). O Abade deve ser ao mesmo tempo terno e mestre severo (2, 24), um verdadeiro educador. Inflexível contra os vícios, é contudo chamado sobretudo a imitar a ternura do Bom Pastor (27, 8), a "ajudar e não a dominar" (64, 8), a "acentuar mais com os factos do que com as palavras tudo o que é bom e santo" e a "ilustrar os mandamentos divinos com o seu exemplo" (2, 12). Para ser capaz de decidir responsavelmente, também o Abade deve ser homem que escuta "os conselhos dos irmãos" (3, 2), porque "muitas vezes Deus revela ao mais jovem a solução melhor" (3, 3). Esta disposição torna surpreendentemente moderna uma Regra escrita há quase quinze séculos! Um homem de responsabilidade pública, e também em pequenos âmbitos, deve ser sempre também um homem que sabe ouvir e aprender de quanto ouve.

Bento qualifica a Regra como "mínima, traçada só para o início" (73, 8); mas na realidade ela pode oferecer indicações úteis não só para os monges, mas também para todos os que procuram uma guia no seu caminho rumo a Deus. Pela sua ponderação, a sua humanidade e o seu discernimento entre o essencial e o secundário na vida espiritual, ele pôde manter a sua força iluminadora até hoje. Paulo VI, proclamando a 24 de Outubro de 1964 São Bento Padroeiro da Europa, pretendeu reconhecer a obra maravilhosa desempenhada pelo Santo mediante a Regra para a formação da civilização e da cultura europeia. Hoje a Europa que acabou de sair de um século profundamente ferido por duas guerras mundiais e depois do desmoronamento das grandes ideologias que se revelaram como trágicas utopias está em busca da própria identidade. Para criar uma unidade nova e duradoura, são sem dúvida importantes os instrumentos políticos, económicos e jurídicos, mas é preciso também suscitar uma renovação ética e espiritual que se inspire nas raízes cristãs do Continente, porque de outra forma não se pode reconstruir a Europa. Sem esta linfa vital, o homem permanece exposto ao perigo de sucumbir à antiga tentação de se querer remir sozinho utupia que, de formas diferentes, na Europa do século XX causou, como revelou o Papa João Paulo II, "um regresso sem precedentes ao tormento histórico da humanidade" (Insegnamenti, XIII/1, 1990, p. 58). Procurando o verdadeiro progresso, ouvimos também hoje a Regra de São Bento como uma luz para o nosso caminho. O grande monge permanece um verdadeiro mestre em cuja escola podemos aprender a arte de viver o humanismo verdadeiro.

Papa Bento XVI - Audiência Geral - Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

9 de jul. de 2012

Como seguir o blog

Um recurso interessante do blog é a possibilidade de receber por email cada texto postado por nós. Na direita, ao alto, tem um espação para digitar o seu endereço de email. Depois basta clicar no botão "Submit". Uma mensagem pedindo confirmação será enviada para o endereço indicado. Siga as instruções da mensagem e você srá mais um seguidor do blog.


7 de jul. de 2012

O oitavo artigo do Creio (Compêndio da Doutrina Católica)

Que nos ensina o oitavo artigo: Creio no Espírito Santo?

- Que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, que é Deus Eterno, Onipotente, Criador e Senhor de todas as coisas, como o Pai e o Filho.

De quem procede o Espírito Santo?

- Procede do Pai e do Filho por via de vontade e amor.

Se o Filho procede do Pai e do Filho, parece que o Pai existia antes do Filho, e os dois antes do Espírito Santo. Como pois se diz ser eternas todas as três pessoas?

- Porque desde a eternidade o Pai tem gerado o Filho, e o Pai e o Filho tem produzido o Espírito Santo; pelo que todos os três são eternos e tem sempre existido sem diferença de tempo.

Se tanto a primeira quanto a segunda Pessoas são puríssimas e santíssimas, porque só à terceira pessoa se atribui o nome de Espírito Santo?

- Porque a primeira pessoa tem o seu próprio nome: Pai; e a segunda é Filho e por isso se atribui à terceira o nome comum de Espírito Santo, para distingui-la das demais; nome que lhe é muito próprio, pois a ela se atribui a obra de santificação.

Pode-se dizer que os Anjos e Almas no céu são também "Espíritos Santos"?

- As criaturas são santas porque são santificadas pelo Espírito Santo, mas somente o Espírito Santo é santo por si mesmo e é ele que nos santifica, por esta razão chama-se Espírito Santo por excelência.

O Pai e o Filho nos santificam também?

- Todas as três pessoas nos santificam igualmente.

Se é assim, porque se atribui ao Espírito Santo papel especial na santificação das almas?

- Porque a santificação das almas é obra de amor; e as obras de amor se atribuem ao Espírito Santo.

 -- Compêndio da Doutrina Cristã, por São Roberto Belarmino (século XVI)

Outros artigos do Creio:
  • Primeiro artigo: Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;
  • Segundo artigo: e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
  • Terceiro artigo: que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria;
  • Quarto artigo: padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
  • Quinto artigo: desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;
  • Sexto artigo: subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
  • Sétimo artigo:  de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.


Sacrifício para Deus é um espírito contrito


Rei Davi em oração, por Pieter de Grebber

Reconheço o meu pecado, diz Davi. Se eu o reconheço, perdoa-me, Senhor! Mesmo procurando viver bem, de modo algum tenhamos a presunção de ser sem pecado. Que  demos valor à vida em que se pede perdão. Os homens sem esperança, quanto menos  atentam para os próprios pecados, com tanto maior curiosidade espreitam os alheios.  Procuram não o que corrigir, mas o que morder. Não podendo escusar-se, estão prontos  a acusar. Não foi este o exemplo de rogar e de satisfazer a Deus que Davi nos deu,  dizendo: Porque reconheço meu crime e meu pecado está sempre diante de mim. Davi  não estava atento aos pecados alheios. Caía em si, não se desculpava, mas em si mesmo  penetrava e descia cada vez mais profundamente. Não se poupava, e por isso podia  confiadamente pedir para si o perdão.

Queres reconciliar-te com Deus? Repara como procedes contigo, para que Deus te seja  propício. Presta atenção ao salmo, onde lemos: Porque se quisesses um sacrifício, eu o  faria certamente; não te causam prazer os holocaustos. Então ficarás sem sacrifício  para oferecer? Nada oferecerás? Com nenhuma oblação tornarás Deus propício? Que  disseste? Se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente; não te causam prazer os  holocaustos. Continua, escuta e dize: Sacrifício para Deus é o espírito contrito; o  coração contrito e humilhado Deus não o despreza. Rejeitado aquilo que oferecias,  encontraste o que oferecer. Como os antepassados, oferecias vítimas de animais, ditos  sacrifícios: Se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente. Não queres mais este  gênero de sacrifícios, no entanto, procuras um sacrifício.

Não te causam prazer os holocaustos. Se não tens prazer com os holocaustos, ficarás  sem sacrifício? De modo algum. Sacrifício para Deus é o espírito contrito; o coração  contrito e humilhado Deus não o despreza. Tens o que oferecer. Não examines o  rebanho, não aprestes navios e não atravesses as mais longínquas regiões em busca de  perfumes. Procura em teu coração aquilo de que Deus gosta. O coração deve ser  esmagado. Por que temes que o esmagado pereça? Lê-se aqui: Cria em mim, ó Deus, um  coração puro. Para que seja criado o coração puro, esmague-se o impuro.

Sintamos aborrecimento por nós mesmos quando pecamos, porque os pecados  aborrecem a Deus. Já que não estamos sem pecado, ao menos nisto sejamos  semelhantes a Deus: o que lhe desagrada, desagrade também a nós. Em parte tu te unes  à vontade de Deus, por te desagradar em ti aquilo mesmo que odeia aquele que te fez.

-- Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo (século V)

5 de jul. de 2012

Santo Antônio Maria Zacarias


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II 
AOS CLÉRIGOS REGULARES DE SÃO PAULO 
NO V CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO SEU
 SANTO FUNDADOR SANTO ANTÓNIO MARIA ZACARIAS

Ao Rev.do Pe. GIOVANNI MARIA VILLA
Superior-Geral dos Clérigos Regulares de São Paulo

1. Por ocasião do quinto centenário do nascimento de Santo António Maria Zacarias, desejo unir-me espiritualmente à alegria desta Congregação, bem como à das Religiosas Angélicas de São Paulo e do Movimento dos Leigos de São Paulo, e elevar ao Senhor ardentes acções de graças por ter dado à Igreja, na pessoa deste Santo, um incansável imitador do Apóstolo das Nações e um luminoso modelo de caridade pastoral. Formulo os mais sinceros bons votos a fim de que estas solenes celebrações jubilares constituam uma ocasião preciosa para pôr em evidência o dom da santidade resplandecente na Igreja de todos os tempos e que, no século XVI, encontrou em Santo António Maria Zacarias uma singular testemunha. Além disso, faço votos para que o Rev.do Padre, os seus colaboradores e toda a Família espiritual de Santo António Maria Zacarias sigam fidelmente os passos deste Santo. Ele conquistou numerosas almas para a "ciência do amor de Jesus Cristo", suscitando uma variedade de carismas de vida consagrada. Indicava constantemente a meta da santidade, não apenas aos seus religiosos orientados para o caminho da "reforma" ou da "renovação" espiritual, mas a todos os fiéis, a quem recordava que eram chamados a tornar-se "não pequenos... mas grandes santos" (Carta XI).

As celebrações do quinto centenário do nascimento do vosso Fundador representam uma preciosa oportunidade para aprofundar a actualidade da sua mensagem. Estou persuadido de que a reflexão sobre o seu amor ardente por Jesus, "exaltado na Cruz e escondido sob as Espécies eucarísticas", e sobre o seu zelo incansável pelas almas constituirá para os seus filhos espirituais um convite a dedicar-se com renovado ardor à educação humana e cristã das jovens gerações, que representam o futuro da Igreja e da sociedade em geral.

2. Procurando este objectivo, Santo António Maria Zacarias inspirou-se no Apóstolo das Nações e, por este motivo, gostava de se definir como um "Sacerdote do Apóstolo Paulo", indicando este mesmo modelo às Famílias religiosas e ao Movimento laical por ele fundados. E costumava recomendar aos seus seguidores:  "Então, estai persuadidos e certos de que, sobre o fundamento de Paulo, edificareis não o feno nem a lenha, mas o ouro e as margaridas; sobre vós e os vossos entes queridos, abrir-se-ão os céus e os seus tesouros" (Carta VI).

Na escola de São Paulo, ele aprendeu a lei fundamental da vida espiritual como um "crescimento de momento a momento" (Carta X), até alcançar a estatura do homem perfeito em Jesus Cristo, despojando-se incessantemente do  homem  velho,  para  se  revestir  do homem  novo,  na  justiça  e  santidade (cf. Ef 4, 22-24).

Durante a sua vida, ele teve que enfrentar obstáculos e perseguições, mas mostrou sempre coragem e confiança indómitas no Senhor. Hoje, estes mesmos sentimentos devem alimentar quantos fazem parte da sua Família espiritual. Com efeito, é necessário enfrentar com a audácia que nasce do amor a difícil situação em que se encontram não poucas das vossas beneméritas e seculares instituições educativas, para continuar a pôr a riqueza da vossa tradição pedagógica ao serviço dos jovens, das suas famílias e de toda a sociedade.

Da mesma forma, é necessário cuidar com singular zelo da formação cristã das novas gerações, através do anúncio da Palavra de Deus, da pontual e devota celebração dos Sacramentos, de maneira especial do sacramento da Reconciliação, da direcção espiritual, dos retiros e dos exercícios espirituais. Tudo aquilo que constituiu, desde o princípio, um aspecto específico do carisma barnabita exige dos Clérigos Regulares de São Paulo um impulso apostólico audacioso e constante. O Povo de Deus tem mais necessidade do que nunca de guias autorizados e de um alimento abundante, para acolher e viver a ""medida alta" da vida cristã ordinária", através de uma oportuna "pedagogia da santidade" (cf. Novo millennio ineunte, 31).

3. As palavras e o exemplo do Fundador continuam a impelir os seus filhos para uma renovada fidelidade ao impulso missionário, que se alimenta de orações ardentes e se fundamenta sobre uma sólida preparação teológica e cultural. Com efeito, somente assim é possível levar a toda a parte um anúncio incisivo e um testemunho credível do Evangelho (cf. Novo millennio ineunte, 42-57) e contribuir para uma vasta acção da nova evangelização, que diz respeito a toda a Comunidade eclesial. Possa esta benemérita Congregação, haurindo do fecundo património espiritual do seu Fundador, percorrer com decisão o caminho de Deus (cf. Sermão VI), em ordem a dar "vida espiritual" (Carta V) ao povo cristão.

Caríssimos Irmãos e Irmãs, não tenhais medo de vos empenhardes num combate aberto contra a mediocridade, o compromisso e qualquer forma de tibieza, que o Santo Fundador definia como "nociva e a maior inimiga de Cristo crucificado, que reina com tanta força nos tempos modernos" (Carta V). Cada um tenha a preocupação de fazer frutificar os dons recebidos e perseverar na oração e nas obras de amor, mantendo viva em cada circunstância a confiança da Providência divina.

4. Santo António Maria Zacarias preocupava-se não apenas em recordar constantemente aos leigos a vocação universal à santidade, mas procurava empenhá-los também na evangelização. Imitando o seu exemplo, também vós, queridos Barnabitas, juntamente com as Religiosas Angélicas de São Paulo, não hesiteis em encorajar quantos se sentem chamados a testemunhar o carisma do Fundador nos vários âmbitos da vida social. Além disso, promovei uma atenta e actualizada pastoral vocacional para acompanhar e sustentar aqueles que o Senhor  chama  para  abraçar  a  vida consagrada.

Desta maneira a tríplice Família espiritual fundada por Santo António Maria Zacarias, que segundo o seu exemplo volta a percorrer os passos de São Paulo, crescerá na comunhão de intenções e de corações, e será capaz de propor de novo, com um espírito sempre renovado, o caminho da santidade aos homens e às mulheres do nosso tempo. O Senhor, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, de quem Santo António Maria Zacarias foi terno e fiel devoto, suscite em cada um dos membros deste Instituto o entusiasmo e a coragem do bem ao serviço de Deus e dos irmãos mais necessitados.

Com estes bons votos concedo de coração à sua pessoa, Rev.do Padre, aos seus Irmãos Barnabitas, às Religiosas Angélicas e aos membros do Movimento laical de São Paulo, uma especial Bênção apostólica, propiciadora de graças e de  um  renovado  ardor  espiritual  e apostólico.

Vaticano, 5 de Julho de 2002

4 de jul. de 2012

Santa Catarina Drexel




* Uma santa americana para o o 4 de Julho!

Nascida na Filadélfia, estado de Pensilvânia, Estados Unidos da América, em 26 de Novembro de 1858, Katherine Drexel era a segunda filha de Francis Drexel e Hannah Langstroth. Seu pai era um conhecido banqueiro e filantropista. Os pais instilaram em suas filhas a idéia que a riqueza da família era um simples empréstimo de Deus e que deveria ser compartilhada com outros.

Quando a família viajou para o Oeste do país, Katherine, na época uma jovem adolescente, viu a pobreza e miseria que viviam os poucos índios americanos que sobreviveram. Esta experiência despertou o desejo de fazer algo específico para ajudá-los, sendo o início de sua jornada pessoal e ajuda financeira a numerosas missões e missionários que se dedicavam a evangelização dos indígenas. Em 1887 ela estabeleceu a primeira escola para índios, chama Escola Indígina Santa Catarina, na cidade de Santa Fé, Novo México.

Mais tarde, quando visitava o Papa Leão XIII em Roma, pediu que enviasse missionários que ela se responsabilizaria por todos os custos. Foi então que, para sua grande surpresa, o Papa pediu que ela mesma fosse como missionária para aquela região. Após conversar com o seu diretor espiritual, Bispo James O'Connor, tomou a decisão de dedicar-se totalmente a Deus, bem como investir seus bens em favor dos índios e negros americanos.

Tomada a decisão, transformou sua vida radicalmente, gastando para si apenas o mínimo necessário, vivendo na pobreza. Em 12 de Fevereiro de 1891 professou seus votos como religiosa e fundou a Ordem da Irmãs do Santíssimo Sacramento, dedicada a levar a mensagem do Evangelho e a Eucaristia para índios e negros.

Sempre uma mulher de oração, Katherine encontrou na Eucaristia uma fonte que alimentava seu amor pelos pobres e forças para combater o racismo. Sabendo que muitos negros viviam em situação precária, longe de serem realmente livres, pois continuavam trabalhando nas fazendas ou sub-empregos, sem educação e direitos constitucionais, sentia-se especialmente chamada a mudar a mentalidade racista do país. Por exemplo, nos estados do Sul, restrições legais quase impediam os negros de cursarem o ensino básico. 

Em vista disto, fundar e organizar escolas para índios e negros tornou-se uam prioridade para ela e sua congregação. Durante a sua vida, financiou diretamente 60 escolas e missões, especialmente no Oeste e Sul do país. O ápice foi a fundação da Universidade Xavier na Louisiana, a única instituição predominantemente negra e índia de ensino superior. Além disso, dedicava-se também a visitar as famílias, hospitais e prisões. 

Combinando uma vida de oração silenciosa e um determinado ativismo, iluminada pelo Espírito Santo, superou diversos obstáculos e facilitou grandes avanços na justiça social. Através de seu exemplo, reformulou a Igreja Americana, tornando-a consciente que sua missão não se restringia unicamente aos tradicionais católicos, em especial imigrantes italianos e irlandeses. 

Nos últimos 18 anos de sua vida permaneceu quase imóvel devido a uma séria doença. Dedicou-se totalmente a uma vida de adoração e contemplação, como sempre desejara desde a juventude. Faleceu em 3 de março de 1955, aos 96 anos. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em 20 de Novembro de 1988; e canonizada em 01 de Outubro de 2000 pelo mesmo Papa. Algumas reliquias estão expostas no altar da Capela de Maria na Igreja de São Rafael Arcanjo, em Raleigh, Carolina do Norte; e na Paróquia Katherine Drexel, em Sugar Grove, Illinois. 





3 de jul. de 2012

Meu Senhor e meu Deus!

A Incredulidade de São Tomé - Caravaggio
3 de Julho - Festa de São Tomé
Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.

Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29). Ora, como diz o apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar: A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).

-- Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa.

Se quisesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo


É esta a nossa glória: o testemunho de nossa consciência. Há homens de juízo temerário, detratores, maldizentes, murmuradores, suspeitosos do que não vêem, procurando acusar o que nem mesmo suspeitam.Contra gente assim, o que nos resta a não ser o testemunho de nossa consciência? Mas, irmãos, também em relação àqueles a quem queremos agradar, não procuramos nossa glória nem a devemos buscar, mas a salvação deles, de modo que não se extraviem aqueles que nos seguem, se andarmos bem. Sejam nossos imitadores, se o formos de Cristo. Se não formos imitadores de Cristo, que eles o sejam! Pois o Senhor apascenta o seu rebanho e junto com todos os bons pastores, ele é o único, porque todos estão nele.

Por isso, não temos em vista nosso proveito quando buscamos agradar aos homens, mas queremos alegrar-nos com eles, alegrarmo-nos por sentirem prazer com o bem, para vantagem deles, não para nossa honra. Claramente se percebe contra quem disse o Apóstolo: Se quisesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo (Gl 1,10). Também se percebe a favor de quem ele disse: Agradai a todos em tudo, assim como também eu lhes agrado em tudo. Ambas as coisas puras, ambas sem perturbação. Quanto a ti, come e bebe tranqüilamente; mas não pises os pastos, nem turves as águas.

Na verdade, também ouviste nosso Senhor Jesus Cristo, o Mestre dos apóstolos: Brilhem vossas obras diante dos homens, para que vejam o bem que fazeis e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mt 5,16). Ele vos fez assim: Nós, gente de suas pastagens e ovelhas de suas mãos (cf Mt 10,1-5). Louvor a ele que te fez bom, se és bom, e não a ti que, por ti mesmo só poderias ser mau. Por que queres torcer a verdade, de modo que quando fazes algum bem, queres ser elogiado e, quando fazes o mal, queres que o Senhor seja criticado? De fato, aquele que disse: Brilhem vossas obras diante dos homens, é o mesmo que, na mesma exortação, declarou: Não façais vossa justiça diante dos homens (Mt 6,1). Como no Apóstolo, também no Evangelho estes ditos te parecem contraditórios. Se, porém, não turvares a água de teu coração, aí encontrarás o acordo das Escrituras e terás paz também com elas.

Esforcemo-nos, pois, irmãos, não apenas para sermos bons, mas ainda para convivermos bem com os homens. Não procuremos apenas ter uma boa consciência, mas, na medida em que permitirem nossas limitações, vigilantes sobre a fragilidade humana, empenhemo-nos em nada fazer que levante dúvidas para o irmão mais fraco. Não aconteça que, comendo ervas boas e bebendo águas límpidas espezinhemos as pastagens de Deus e as ovelhas fracas comam a erva pisada e bebam a água turva.


-- Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo (século V)

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...