9 de set de 2011

A mim o fizeste


Jesus se converte no esfomeado, no desnudo, no mendigo, no enfermo, no prisioneiro, no solitário, no desprezado, e diz: "A mim o fizeste". Está esfomeado do nosso amor, e esta é a fome dos nossos pobres. Esta é a fome que nós devemos encontrar, talvez num lugar próximo a nós.

Visitei um asilo geriátrico onde estavam todos estes pais anciãos. Notei que na casa tinham todo conforto, mas olhavam para a porta de entrada. Virei-me para uma irmã e perguntei: "Como estes velhos, que tem tudo estão olhando para a porta? Porque não estão sorrindo?" Estou muito acostumada ao sorriso dos nossos pobres, inclusive os moribundos sorriem. Ela me respondeu: "É assim quase todos os dias. Estão esperando que uma filha ou filho venha visitá-los. Sofrem por que foram esquecidos". É aqui onde entra o amor. Talvez em nossa própria família tenhamos uma pessoa sozinha, enferma, preocupada. Estamos dispostos a receber-los?

Fui surpreendida ao ver no Ocidente tantos jovens, moços e moças, entregues às drogas e tratei de descobrir por que. Ocorre que não há ninguém em suas famílias que os recebam. Tanto o pai quanto a mãe estão muito ocupados, já não tem tempo. Os filhos vão para as ruas e lá deixam-se conduzir por qualquer coisa. Estes são os fatos que impedem a paz.

Porém penso que atualmente o maior destruidor da paz é o aborto, por que é uma guerra direta, um assassinato direto cometido pela própria mãe. e lemos claramnete na Escritura o que Deus disse: "Ainda que uma mãe esqueça seu filho, Eu jamais te esquecerei. Levo-te gravado na palma de minha mão" (Is 49, 15-16). Esta criança não nascida já estava gravada na palma da mão de Deus.

Muitas pessoas estão muito, muito preocupadas com as crianças da Índia ou da África, lugares onde muitos morrem precocemente de mal-nutrição, fome, etc... porém milhões estão morrendo nos países ricos por vontade deliberada de suas mães. Este é, hoje em diante, o maior destruidor da paz. por que se uma mãe pode matar seu próprio filho, quem me impede de te matar ou tu me matares? Nào há nenhum obstáculo. Asseguremos que todas ascrianças, sem exceção, nascidas ou não-nascidas, sejam desejadas. O que temos feito para que as crianças sintam-se desejadas?

Recolhemos um homem nos esgotos, meio devorado pelos ratos, e o levamos para nossa casa. ele nos disse: "Vivi como um animal pelas ruas, mas agora vou morrer como um anjo, querido e cuidado". Era tão maravilhoso ver a grandeza deste homem, capaz de falar assim, morrer assim, sem culpar a ninguém, sem culpar a nada, sem maldizer, sem fazer comparações. Como um anjo, está a grandez desta gente. 

E por isso cremos no que disse Jesus: Tive fome, estava nu, não tinha repouso, desprezado, abandonado; e a mim o fizeste (cf Mt 25, 35-36).

-- Do Livro Vem, Seja Minha Luz - As Cartas Privadas da Santa de Cálcuta (século XX)

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