30 de nov de 2011

A virtude do silêncio

Mosteiro Cisterciense de Salzedas
Havendo o servo de Deus construído firmes fundamentos de pobreza para sustentar este edifício espiritual, seguimos o que nos ensino aquele maravilhoso arquiteto e mestre de semelhantes edifícios, o Filho de Deus, que no alto da montanha dizia: Bem-aventurados os pobres de espírito, prepara-se com cuidado para refrear a língua.

Falando de coisas boas e proveitosas para a alma, perca o costume de falar palavras ociosas, vãs e sem proveito algum. E, para ter mais sujeita a sua língua, tenha por costume falar apenas quando interrogado, que é precisamente o que a polícia humana nos obriga. E assim entendo que deva agir apenas para coisas necessárias e proveitosas, por que quando não for o caso, a pergunta inútil responde-se por si mesma. 

Se alguma vez ocorrer de alguém, numa conversação, dizer-lhe gracejos ou piadas, poderás mostrar alguma alegria e afabilidade, para não parecer muito pesado ou por demais enfadonho. Mas não lhe responda com nenhum outro gracejo, ainda que murmurem, se chateiem, finalmente lhe ultrajem ou lhe tomem por maníaco, superticioso ou triste.  Em tais casos tens obrigação de rogar de coração a nosso Senhor por estas pessoas, que Ele lhe tire qualquer perturbação ou inquietude de suas almas. 

Algumas vezes terás licença para falar, se for necessário ou assim te obrigar a caridade para com o próximo, ou por obediência. Então deves falar de maneira muito pensada, com muita consideração, poucas palavras, com voz baixa e humilde. Este mesmo deve precaver-se em suas respostas ordinárias, quando algo lhe for perguntado. Por que a seu tempo é bom calar para a edificação do próximo, para que calando, aprendas a falar na ocasião propícia. 

Rogue sempre ao Senhor, para que Ele preencha os corações dos seus próximos, ensinando-lhes interiormente   o que lhes falta aprender; e calando-se, controle sua língua, não dê-lhe licença para falar por falar, mas o faça apenas quando necessário e conveniente.


-- Do Tratado da Vida Espiritual, de São Vicente Ferrer - capítulo II. (século XV). 


-- Tradução particular



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