Mostrando postagens com marcador Santa Maria Da Cruz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Santa Maria Da Cruz. Mostrar todas as postagens

8 de jun. de 2014

Santa Maria da Cruz, morte e canonização

As Irmãs de São José expandiram-se pela Australia e outros países. O legado de Maria da Cruz começava a sedimentar com tantas vidas que tocadas pelo seu trabalho.

Ao longo da décade 1880, a Ordem inaugurou escolas por todo país e Nova Zelândia. Em 1891 já eram 300 irmãs trabalhando em nove dioceses dos dois países. Enquanto visita irmãs na Nova Zelândia, em 1898, Irmã Bernard, ainda superiora da Ordem, faleceu. De acordo com os estatutos, Maria da Cruz deveria convocar imediatamente um capítulo da Ordem para eleger a nova superiora. 

No capítulo, Maria da Cruz foi escolhida. Sua principal preocupação nesta época era com a formação espiritual e professional das irmãs. Em 1900 foram inaugurados dois noviciados, em Adelaide e Sidnei. A Escola na qual as irmãs ganhavam prática como professoras, ao Norte de Sidnei, ainda hoje existe, sendo parte da Universidade Católica Australiana. 

Também em 1900, as irmãs de Queensland, que haviam se separado por instigação do Bispo local, retornaram à Ordem. O novo Bispo Higgins não apenas incentivou como reabriu a diocese para o trabalho das irmãs. Também foi incorporado o Instituto da Irmãs de Wilcannia.  

Em 1903, foi aprovado o voto feminino no país. Irmã Maria da Cruz escreveu para as irmãs incentivando que se alistassem e procurassem atentamente escolher candidatos de acordo com os ensinamentos da Igreja. 

A saúde de Maria da Cruz começou a deteriorar-se. Em 1901 foi aconselhada a ir descansar nas águas termais em Roturoa, Nova Zelândia. Enquanto estava lá, teve um derrame que deixou seu lado esquerdo paralisado. Após retornar para a Austrália, Maria procurou manter um rotina de visitas às escolas e orfanatos próximos a Sidnei, além de escrever muitas cartas para as diversas casas. Mesmo com sua saúde frágil, foi reeleita pela Ordem em 1905, embora as tarefas administrativas diárias já estivessem sob responsabilidade da Irmã La Merci. 

Em 19 de Março de 1909, Maria da Cruz faleceu. Cardeal Moran assim escreveu: Acredito que hoje assisti à morte de uma santa. A Ordem já tinha mais de 750 irmãs, 106 casas, 117 escolas, 12.409 alunos além de 12 orfanatos.
Entrada do Santuário em Sidney.

Santa Maria da Cruz foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em 19 de Janeiro de 1995, durante uma visita a Sidnei; e canonizada pelo Papa Bento XVI, em 17 de Outubro de 2010. Sua memória é celebrada em 8 de Agosto; e o principal santuário encontra-se em North Sydney.  

O Papa Bento XVI, assim referiu-se a ela: "Recordai-vos quem foram os vossos mestres, pois deles podeis aprender a sabedoria que conduz à salvação através da fé em Jesus Cristo". Durante muitos anos, inúmeros jovens em toda a Austrália foram abençoados com mestres que inspiraram no corajoso e santo exemplo de zelo, perseverança e oração de Madre Mary McKillop. Quando era jovem, ela dedicou-se à educação dos pobres, no difícil e exigente campo rural da Austrália, inspirando outras mulheres a agregarem-se a ela na primeira Comunidade religiosa feminina nesse país. Ela atendia às necessidades de cada pessoa que lhe era confiada, sem ter em consideração as condições ou a riqueza, oferecendo-lhe uma formação intelectual e espiritual. Apesar dos numerosos desafios, as suas preces a São José e a sua devoção inabalável ao Sagrado Coração de Jesus, a Quem dedicou a sua nova congregação, infundiram nesta santa mulher as graças necessárias para permanecer fiel a Deus e à Igreja. Através da sua intercessão, que hoje os seus seguidores possam continuar a servir a Deus e a Igreja com fé e humildade!

* Assim encerro a biografia de Santa Maria da Cruz, que foi publicada em 4 partes:

O início da vida de Santa Maria da Cruz
Maria da Cruz, o crescimento da escola e da ordem
Maria da Cruz, os desafios de uma nova Congregação

-- autoria própria

4 de jun. de 2014

Maria da Cruz, os desafios de uma nova Congregação

A confiança de Maria na Providência Divina permitiu-a enfrentar desafios tanto na sua ordem, na Igreja Católica, como a perda de familiares.

O trabalho das irmãs começava a dar frutos pois o estilo de vida religiosa era bastante adequado para o país. Normalmente elas andavam em par ou trio, uam suportando a outra. Alguns, no entanto, estranhavam que as irmãs saíam mendigando pelas ruas. Além disso, o trabalho de Padre Woods nas escolas de Adelaide começava a ser questionado. 

Os problemas em Adelaide, que obrigaram Maria da Cruz a retornar para Adelaide, tornaram-se públicos. O Bispo resolveu organizar uma comissão para investigar a vida das irmãs. Após muitas entrevistas, foi recomendado alterar a regra da Ordem para colocar cada convento sob a autoridade de um padre local, entre outras idéias. 

Percebendo que tais mudanças iriam contra o espírito da Ordem, Maria escreveu para o Bispo explicando a situação. O Bispo sentindo-se afrontado, resolveu excomungá-la em 22 de Setembro de 1871. Após mais negociações e depois de prometer obediência, o Bispo retirou a excomunhão cinco meses após. Ficou acertado que Maria da Cruz deveria viajar a Roma para pedir a aprovação da Ordem e sua Regra.

Em Roma, Monsenhor Kirby, então reitor do Colégio Irlandês, tornou-se o grande apoio da sua causa. Após encaminhar cartas pedindo a aprovação da Ordem e contando sua experiência pessoa, teve um encontro pessoal com o Papa Pio IX, que já sabia de muitos detalhes, incluindo a excomunhão. 

O Vaticano pediu que permanecesse na Europa até que tudo fosse analisado. Ela aproveitou para peregrinar a Paray-le-Monial, onde Margaret Alacoque teve suas visões do Sagrado Coração de Jesus, conhecer seus familiares longíquos na Escócia e visitar escolas por vários países, além de convidar muitas meninas a entrarem na Ordem. Após mais de um ano na Europa, a Ordem foi aprovada e, em 31 de Outubro de 1874, embarcou acompanhada de 15 postulantes em direção a Austrália.

Ao chegar, em Março de 1875, foi realizado o Primeiro Capítulo da Congregação. Após discutirem detalhadamente a nova Constituição, as irmãs aprovaram a nova Regra e elegeram Maria da Cruz como Superiora Geral. 

Bispo Quinn, de Queensland, ao saber das novidades, escreveu para Maria informando que não gostaria que as irmãs de sua Diocese estivessem sob uma autoridade central, que não fosse ele. Maria viajou até Adelaide para conversar com o Bispo, mas ele mantevesse irredutível e começou a substituir as irmãs por professores profissionais. Sem alternativas, Maria da Cruz transferiu-as para outras dioceses. Ao final de 1880, todas já haviam saído da Diocese.

Nesta mesma época, o Bispo de Bathurst, Matthew Quinn, irmão do Bispo de Queensland, também resolveu requerer que as irmãs estivessem sob sua autoridade. A provincial da Ordem na região, Irmã Teresa McDonald faleceu e o Bispo não aceitou a nomeação de uma nova provincial. Maria tentou negociar com o Bispo, mas o Conselho da Ordem decidiu não aceitar nenhum compromisso. As irmãs seriam transferidas para outro lugar, mas algumas foram convencidas pelo Bispo a permanecer, especialmente as noviças e postulantes.

Em 1883, Arcebispo Moran chegou a Diocese de Sidney. Ao ver que o número de pedidos para novas escolas era grande e conhecer o trabalho da Ordem, passou a apoia-la de maneira decisiva. A pedido de Roma, investigou os problemas com os vários bispos e escreveu um relatório amplamente favorável. O Vaticano renovou a aprovação da Ordem, mas requisitou que uma nova superiora fosse eleita, pois Maria da Cruz seria pessoalmente investigada. Assim, Irmã Bernard Walsh foi eleita.

Enquanto estas questões eram resolvidas, em 30 de Maio de 1886, a mãe de Maria morreu quando o navio em que viajava afundou. 

Em 15 de Julho de 1888, Papa Leão XIII definiu a Ordem como uma Congregação, cuja sede principal seria Sidney, e Irmã Bernard sua superiora por dez anos.

-- autoria própria

31 de mai. de 2014

Maria da Cruz, o crescimento da escola e da ordem

O desejo de Mary pela vida religiosa com sua resposta às necessidades das crianças pobres de Penola resultou na fundação de uma nova forma de vida religiosa.

A escola em Pinola foi aberta com a idéia de educar a todas crianças, sem distinção, tanto os que poderiam pagar quanto os que não poderiam, algo inovador na época. Era o início de um modelo de educação católica inédito na Austrália. Certa vez o governador
solicitou que seu neto fosse aluno da escola, mas exigiu uma separação dos alunos pobres. Mary não concordou, todas as criannças são filhos de Deus e recebiam o mesmo tratamento e importância. O menino jamais estudou na escola.

Os primeiros 33 alunos tiveram oportunidade de aprender a ler, escrever e matemática, sempre pensando em aplicações práticas. Por exemplo, a escrever a lista de compras e calcular o preço a pagar. Isto acompanhado de orações e cantos religiosos.

Após estabelecer a escola, Mary declarou sua intenção de servir a Deus. Em de 15 de Agosto de 1867, na pequena capela na Grote Street, em Adelaide, Mary MacKillop declarou seus votos e tornou-se Maria da Cruz. Em uma carta para a mãe escreveu: "Quando saí de casa não poderia imaginar que teria a felicidade de ver minha profissão de fé aceita. Graças a bondade de Deus e gentileza do Padre Woods, foi permitido que entrasse na vida religiosa.".  Em outra carta, afirmou: "A Cruz é minha porção; é meu suave descanso e suporte". Nesta época, Padre Woods auxiliou-a muitíssimo como diretor espiritual.

Após uma reunião dos bispos da Austrália, ao tomar conhecimento da escola de Pinola,  o Bispo de Queensland James Quinn solicitou que as Irmãs de São José estabelecesse uma escola em Brisbane. Mas, ao chegarem an diocese, perseguições e fofocas políticas quase impediram a criação da escola. Foi um ano muito difícil, mas também em que, de acordo com a própria santa, ela pode amadurecer e fortalecer sua fé e organização da Ordem.

Em Agosto de 1871, a Ordem já tinha 120 irmãs, com uma idade média de apenas 23 anos, a Ordem era não apenas nova, mas tentando a inexperiência. No entanto já eram chamadas à várias dioceses do país. Irmã Mechtilde relata que algumas vezes eram insultadas devido ao voto de pobreza, passavam necessidades, mas, em geral, eram bem recebidas pelo povo. Nesta época, Maria da Cruz não apenas sabia o nome de cada irmã como escrevia regularmente a cada uma delas. 

Ao final do ano, uma crise ocorreu em Adelaide. Alertada por cartas do Padre Woods, retornou imediatamente a casa inicial da Ordem pois duas irmãs alegavam ter visões místicas e não auxiliavam nas tarefas diárias, além de contestarem abertamente as orientações do Padre Woods e os regulamentos da Ordem. O assunto já era do conhecimento de outros padres e obrigou Maria da Cruz a chamas as duas irmãos à obediência. Era apenas o início de vários desafios que viriam no futuro com o crescimento da Ordem e sua dispersão pelo país.



27 de mai. de 2014

O início da vida de Santa Maria da Cruz

O início difícil da vida de Santa Maria da Cruz (Mary MacKillop) até a criação de uma escola num estábulo em Penola, sua vida já demonstra o desejo de ajudar aos necessitados e seguir a vontade de Deus.

Seu pai, Alexander MacKillop nasceu em uma família católica nas Highlands da Escócia. Aoos 14 anos foi enviado para o Colégio Scots em Roma para prepara-se para o sacerdócio. Seus professores o descreviam como um excelente estudante e grande debatedor. Ela ficou por seis anos, quando teve que retornar a Escócia por questões de saúde. Recuperado, recomeçou os estudos em Aberdeen por mais dezessete meses. Quando estava próximo a ordenação, decidiu por outra vida e em Janeiro de 1838 embarcou no navio Brilliant rumo a Austrália. 

Flora MacDonald chegou na Austrália em Abril de 1849 a bordo do Glen Huntly, tendo partido da Escócia junto com sua mãe e irmão. Ao chegar, ficaram em quarentena devido a ameaças de febre tifóide. Ao chegarem, foram ajudados por Alexander, que já estave melhor adaptado ao país. Três meses após, Alexander e Flora casaram-se em 14 de Julho.  Em Abril de 1841,Alexander adquiriu uma pequena casa em Melbourne. Mary MacKillop, a primira de oito filhos, nasceu em 15 de Janeiro de 1842.

Sendo a mais velha, Mary logo assumiu a responsabilidade por muitas tarefas caseiras dentro de casa. 

O pai era mau negociante e colocava a familia em dificuldades financeiras, mas compensava largamente educando os filhos na fé e educação geral, pois não havia dinheiro para pagar escolas. Muitas casas foram adquiridas e perdidas durante a infância de Mary. Todos aprenderam a confiar na providência de Deus, uma experiência que carregou por toda vida. 

Aos 14 anos, Mary começou a trabalhar e, logo, tornou-se a principal provedora da casa, respondendo pelas necessidades da família. 

Quatro anos após, Mary mudou-se para a cidade de Penola, Sul da Austrália, para trabalhar como governanta dos seus tios, Alexander e Margaret Cameron. Sua principal atividade era educar as crianças.

Percebendo que os filhos de outros empregados e vizinhos também não tinham acesso à educação, começou a ensiná-los a ler e escrever, usando o Catecismo como texto principal. Logo seu trabalho chamou a atenção do Padre Julian Woods, pároca da igreja na cidade.

Padre Woods tornou-se seu diretor espiritual, com quem compartilhava seus ideias de educação para os pobres. Percebendo que com a chegada de imigrantes pobres, isto tornava-se um problema mais importante, ele também desejava fazer algo. 

Para iniciar, adaptou um estábulo para tornar-se a escola e convidou Mary e suas irmãs Annie e Lexie para serem as professoras.  Aos 24 anos, Mary tornava-se diretora de uma escola e começava a servir a Igreja.

Na Festa de São José, 1o. de Maio de 1866, Mary apareceu usando um vestido muito simples, todo preto. A todos ficou evidente a sua opção. Em 21 de Novembro, sua irmã Lexie também optou pelas vestes de uma postulante a vida religiosa.

Nesta mesma época, Padre Woods tornou-se secretário do Bispo de Adelaide e logo após, Diretor de Educação da Diocese, que abrangia o Sul da Austrália. Este trabalho afastou-o de Penola, mas permitiu que aprovasse a construção de uma escola adequada na cidade. 

Padre Woods e o Bispo, com a intenção de fundarem uma ordem de religiosas na Austrália, criaram as regras da ordem:

1. Pobreza
2. Depender da Providência Divina
3. Não possuir bens materias, nem para fins pessoais.
4. Ir onde for chamada.

Em 1867, Mary tornou a primeira irmã e superiora da Ordem das Irmãs de São José do Sagrado Coração. Até o final do ano, outras dez irmãs haviam se juntado a ordem.

* em Março publiquei uma lista das 10 mais influentes mulheres na história da Igreja e comentei que não conhecia algumas e precisava ler um pouco antes de escrever. Santa Maria da Cruz é uma destas
"desconhecidas". 


-- autoria própria.


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...