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2 de dez. de 2015

Ai de mim, se não evangelizar!

Percorremos as aldeias de neófitos, que receberam os sacramentos cristãos há poucos anos. Esta região não é cultivada pelos portugueses, já que é muito estéril e pobre; e os cristãos indígenas, por falta de sacerdotes, nada sabem a não ser que são cristãos. Não há ninguém que celebre para eles as sagradas funções; ninguém que lhes ensine o Símbolo, o Pai-nosso, a Ave-Maria e os mandamentos da Lei de Deus.

Desde que aqui cheguei, não parei um instante: visitando com frequência as aldeias, lavando na água sagrada os meninos não batizados. Assim, purifiquei grandíssimo número de crianças que, como se diz, não sabem absolutamente distinguir entre a direita e a esquerda. Estas crianças não me permitiram recitar ofício divino, nem comer, nem dormir, enquanto não lhes ensinasse alguma oração; foi assim que comecei a perceber que delas é o reino dos céus.

À vista disto, como não podia, sem culpa, recusar pedido tão santo, começando pelo testemunho do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinava-lhes o Símbolo dos Apóstolos, o Pai-nosso e a Ave-Maria. Observei que são muito inteligentes; se houvesse quem os instruísse nos preceitos cristãos, não duvido que seriam excelentes cristãos.

Nestas paragens, são muitíssimos aqueles que não se tornam cristãos, simplesmente por faltar quem os faça tais. Veio-me muitas vezes ao pensamento ir pelas academias da Europa, particularmente a de Paris, e por toda a parte gritar como louco e sacudir aqueles que têm mais ciência do que caridade, clamando: "Oh! Como é enorme o número dos que excluídos do céu, por vossa culpa se precipitam nos infernos!"

Quem dera que se dedicassem a esta obra com o mesmo interesse com que se dedicam às letras, para que pudessem prestar contas a Deus da ciência e dos talentos recebidos!

Na verdade, muitos deles, impressionados por esta ideia, entregando-se à meditação das realidades divinas, talvez estivessem mais preparados para ouvir o que Deus diria neles: abandonando as cobiças e interesses humanos, se fizessem atentos a um aceno ou vontade de Deus. Decerto, diriam de coração: Aqui estou, Senhor; que devo fazer? (At 9,10; 22,10). Envia-me para onde for do teu agrado, até mesmo para a Índia.

-- Das Cartas a Santo Inácio, de São Francisco Xavier, presbítero (século XVI)

14 de jun. de 2014

Pregamos a Cristo até os confins da terra

Ai de mim se não evangelizar! Por ele, pelo próprio Cristo, para tanto fui enviado. Eu sou apóstolo e também testemunha. Quanto mais distante o país, quanto mais difícil a missão, com tanto mais veemência a caridade me aguilhoa. É meu dever pregar seu nome: Jesus é Cristo, o Filho do Deus vivo. É aquele que nos revelou o Deus invisível, ele, o primogênito de toda criatura, ele, em quem tudo existe. É o mestre redentor dos homens: por nós nasceu, morreu e ressuscitou.
Visita do Papa Paulo VI a uma favela nas Filipinas, em 1970.

É ele o centro da história e do universo. Ele nos conhece e ama, o companheiro e o amigo em nossa vida, o homem das dores e da esperança. Ele é quem de novo virá, para ser o nosso juiz, mas também – como confiamos – a eterna plenitude da vida e nossa felicidade.

Jamais cessarei de falar sobre ele. Ele é a luz, é a verdade,mais ainda, é o caminho, a verdade e a vida. É o pão e a fonte de água viva, saciando a nossa fome e a sede. É o pastor, o guia, o modelo, a nossa força, o nosso irmão. Assim como nós, mais até do que nós, ele foi pequenino, pobre, humilhado, trabalhador, oprimido, sofredor. Em nosso favor falou, fez milagres, fundou novo reino onde os pobres são felizes, onde a paz é a origem da vida em comum, onde são exaltados e consolados os de coração puro e os que choram, onde são saciados os que têm fome de justiça, onde podem os pecadores encontrar perdão e onde todos se reconhecem irmãos.

Vede, este é o Cristo Jesus, de quem já ouvistes falar, em quem muitíssimos de vós já confiam, pois sois cristãos. A vós, portanto, ó cristãos, repito seu nome, a todos o anuncio: Cristo Jesus é o princípio e o fim, o alfa e o ômega, o rei do mundo novo, a misteriosa e suprema razão da história humana e de nosso destino. É ele o mediador e como que a ponte entre a terra e o céu. É ele, o Filho do homem, maior e mais perfeito do que todos por ser o eterno, o infinito, Filho de Deus e Filho de Maria, bendita entre as mulheres, sua mãe segundo a carne, nossa mãe pela comunhão com o Espírito do Corpo místico.

Jesus Cristo, não vos esqueçais, é a nossa inalterável pregação. Queremos ouvir seu nome até os confins da terra e por todos os séculos dos séculos!

-- Papa Paulo VI, homília pronunciada em uma missa em Manila, Filipinas, em 29 de Novembro de 1970.

3 de mai. de 2014

A pregação apostólica

Cristo Jesus, nosso Senhor, durante a sua vida terena, ensinou quem era ele, quem tinha sido desde sempre, qual era a vontade do Pai que vinha cumprir e qual devia ser o comportamento do homem. Ensinava estas coisas ora em público, diante de todo o povo, ora em particular, aos seus discípulos. Dentre estes escolheu doze para estarem a seu lado, e que destinou para serem os principais mestres das nações.
São Felipe Apóstolo

        Quando, depois da sua ressurreição, estava prestes a voltar para o Pai, ordenou aos onze – pois um deles se havia perdido – que fossem ensinar a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

        Imediatamente os apóstolos (palavra que significa “enviados”) chamaram por sorteio a Matias como duodécimo para ocupar o lugar de Judas, segundo a profecia contida num salmo de Davi. Depois de receberem a força do Espírito Santo com o dom de falar e de realizar milagres, começaram a dar testemunho da fé em Jesus Cristo na Judéia, onde fundaram Igrejas; partiram em seguida por todo o mundo, proclamando a mesma doutrina e a mesma fé entre os povos. Em cada cidade por onde passaram fundaram Igrejas, nas quais outras Igrejas que se fundaram e continuam a ser fundadas foram buscar mudas de fé e sementes de doutrina. Por esta razão, são também consideradas apostólicas, porque descendem das Igrejas dos apóstolos.
São Tiago Apóstolo

        Toda família deve ser necessariamente considerada segundo sua origem. Por isso, apesar de serem tão numerosas e tão importantes, estas Igrejas não formam senão uma só Igreja: a primeira, que foi fundada pelos apóstolos e que é origem de todas as outras. Assim, todas elas são primeiras e apostólicas, porque todas formam uma só. A comunhão na paz, a mesma linguagem da fraternidade e os laços de hospitalidade manifestam a sua unidade. Estes direitos só têm uma razão de ser: a unidade da mesma tradição sacramental.

        Se quisermos saber o conteúdo da pregação dos apóstolos, e, portanto, aquilo que Jesus Cristo lhes revelou, é preciso recorrer a estas mesmas Igrejas fundadas pelos próprios apóstolos e às quais pregaram quer de viva voz,quer por seus escritos.

        O Senhor realmente havia dito em certa ocasião: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora; e acrescentou: quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade (Jo 16,12-13). Com estas palavras revelou aos apóstolos que nada ficariam ignorando, porque prometeu-lhes o Espírito da Verdade que os levaria ao conhecimento da plena verdade. E, sem dúvida alguma, esta promessa foi cumprida, como provam os Atos dos Apóstolos ao narrarem a descida do Espírito Santo.

-- Do Tratado sobre a prescrição dos hereges, de Tertuliano, presbítero (século II)

* leitura recomendada para a festa de São Felipe e São Tiago Apóstolos, 3 de Maio

30 de abr. de 2014

São José de Anchieta, a alegria de proclamar o Evangelho

No trecho do Evangelho que há pouco ouvimos os discípulos não conseguem acreditar na alegria que sentem, pois não podem crer por causa desta alegria. Assim diz o Evangelho. Analisemos a cena: Jesus ressuscitou, os discípulos de Emaús narraram a sua experiência: também Pedro afirma que O viu. Sucessivamente, o próprio Senhor aparece na sala e diz-lhes: "A paz esteja convosco!». Vários sentimentos irrompem nos corações dos discípulos: medo, surpresa, dúvida e, finalmente, alegria. Um júbilo tão grande que, devido a esta alegria, «não conseguiam acreditar". Estavam assustados, transtornados, e Jesus, praticamente esboçando um sorriso, pede-lhes algo para comer e começa a explicar as Escrituras, abrindo-lhes a mente para que pudessem compreendê-las. É o momento da admiração, do encontro com Jesus Cristo, onde tanta alegria não nos parece verdadeira; ainda mais, assumir a alegria, o júbilo daquele instante, parece-nos arriscado e sentimos a tentação de nos refugiarmos no ceticismo, no "não exageres!". É mais fácil acreditar num fantasma do que em Cristo vivo! É mais fácil ir ter com um necromante que nos prediz o futuro, que nos lê as cartas, do que ter confiança na esperança de um Cristo vencedor, de um Cristo que venceu a morte! É mais fácil uma ideia, uma imaginação, do que a docilidade a este Senhor que ressuscita da morte e só Deus sabe para que nos convida! Este processo de relativizar tanto a fé acaba por nos afastar do encontro, distanciando-nos da carícia de Deus. É como se destilássemos a realidade do encontro com Jesus Cristo no alambique do medo, no alambique da segurança excessiva, do desejo de controlarmos nós mesmos o encontro. Os discípulos tinham medo da alegria... e também nós!
A leitura dos Atos dos Apóstolos fala-nos de um paralítico. Ouvimos somente a segunda parte da história, mas todos nós conhecemos a transformação deste homem, aleijado de nascença, prostrado à porta do Templo a pedir esmolas, sem nunca atravessar o seu limiar, e como os seus olhos fitaram o olhar dos Apóstolos, esperando que lhe dessem algo. Pedro e João não podiam oferecer-lhe nada daquilo que ele procurava: nem ouro nem prata. E ele, que tinha permanecido sempre à porta, entra agora com os próprios pés, saltando e louvando a Deus, celebrando as suas maravilhas. E a sua alegria é contagiosa. É isto que nos diz a Escritura de hoje: as pessoas estavam cheias de enlevo e, admiradas, acorriam para ver esta maravilha! E no meio daquela confusão, daquela estupefação, Pedro anunciava a mensagem. A alegria do encontro com Jesus Cristo, aquela que temos tanto medo de aceitar, é contagiosa e clama o anúncio: é ali que a Igreja cresce! O paralítico acredita, porque a Igreja não se desenvolve por proselitismo, mas por atração; a atração do testemunho daquela alegria que anuncia Jesus Cristo. Este testemunho que nasce da alegria acolhida e em seguida transformada em anúncio. Trata-se da alegria fundante! Sem esta alegria, sem este júbilo não se pode fundar uma Igreja! Não se consegue instituir uma comunidade cristã! É uma alegria apostólica, que se irradia, que se propaga. Como Pedro, também eu me interrogo: Sou capaz, como Pedro, se me sentar ao lado do meu irmão e de lhe explicar lentamente a dádiva da Palavra que recebi e de o contagiar com a minha alegria? Sou capaz de convocar ao meu redor o entusiasmo daqueles que descobrem em nós o milagre de uma vida nova, que não se consegue controlar, e à qual devemos docilidade porque nos atrai e nos conduz? E esta vida nova nasce do encontro com Cristo?
Também São José de Anchieta soube comunicar o que ele mesmo experimentara com o Senhor, aquilo que tinha visto e ouvido dele; o que o Senhor lhe comunicava nos seus exercícios. Ele, juntamente com Nóbrega, é o primeiro jesuíta que Inácio envia para a América. Um jovem de 19 anos... Era tão grande a alegria que ele sentia, era tão grande o seu júbilo, que fundou uma Nação: lançou os fundamentos culturais de uma Nação em Jesus Cristo. Não estudou teologia, também não estudou filosofia, era um jovem! No entanto, sentiu sobre si mesmo o olhar de Jesus Cristo e deixou-se encher de alegria, escolhendo a luz. Esta foi e é a sua santidade. Ele não teve medo da alegria.
São José de Anchieta escreveu um maravilhoso hino à Virgem Maria à Qual, inspirando-se no cântico de Isaías 52, compara o mensageiro que proclama a paz, que anuncia a alegria da Boa Notícia. Ela, que naquela madrugada de Domingo sem sono por causa da esperança, não teve medo da alegria, nos acompanhe no nosso peregrinar, convidando todos a levantar-se, a renunciar às paralisias para entrar juntos na paz e na alegria que nos promete Jesus, Senhor Ressuscitado.
-- Papa Francisco, em 24 de Abril de 2014

24 de abr. de 2014

RICA - Rito de Iniciação Cristão para Adultos

Preguem o Evangelho a todos, façam que todos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (Mt 28, 19)

O catecumenato foi estabelecido pelos santos padres no início da Igreja Católica e consistia num tempo adequado de catequeses, participação na Igreja e conversão par adultos que vinham de outras religiões. Após a Igreja tornar-se a religião oficial de de diversos países, o catecumenato deixou de ser praticado.

Mas devido a nova realidade de neo-paganismo do século XX em diante,  o Concílio Vaticano II decidiu por sua atualidade afirmando: Restaura-se o Catecumenato dos adultos, dividido em diversas etapas. O tempo do Catecumenato,  estabelecido para conveniente instrução, será santificado com os sagrados ritos a serem celebrados em tempos sucessivos! (Sacrossantum Concilium, 62). São convidados ao catecumenato adultos que estejam fora da Igreja, tenham sido batizados ou não quando crianças. Esta preparação recebeu o nome de RICA - Rito de Iniciação Cristã para Adultos.

Na prática, trata-se de um conjunto de etapas que introduzem adultoos progressivamente na Igreja: pré-catecumenato, catecumenato, purificação/iluminação e mistagogia. Cada etapa é marcada por um rito. Na entrada no pré-catecumenato recebe os noovos catecúmenos e entrega seu tesouro e orientação, a Bíblia. Após um tempo suficientemente longo para que catequistas conheçam os candidatos, procede-se um escrutínio que marcará a entrada na etapa seguinte, o catecumenato. A Igreja entregará o Símbolo da Fé (Creio), o Pai-Nosso e seus mandamentos. No I ou II domingos da Quaresma, procede-se ao rito da Eleição, no V domingo ao rito da purificação através de um exorcismo e, finalmente, na Vigília Pascal
os catecúmenos são batizados, recebem a primeira comunhão e crisma. 

Pelos sacramentos da iniciação cristã, os homens, libertos do poder das trevas, mortos com Cristo e com Ele sepultados e ressucitados, recebem o Espírito de adoção filial e celebram, com todo povo de Deus, o memorial da morte e ressurreição do Senhor. O tempo de Mistagogia, normalmente se estende até Pentecostes, onde podem ser ministradas novas catequeses.

Nos Estadoos Unidos é prática bastante comum. Nesta Páscoa, na Arquidiocese de Nova Iorque cerca de 2000 adultos foram batizados; em Washington, 1300 adultos; em Los Angeles, também cerca de 2000. A foto de uma catecumena ou neófita (recém-batizada) recebendo o Batismo na minha paróquia me Port Chester/NY. 

Talvez seja hora de muitas dioceses no Brasil olharem seriamente e se preparem para oferecer esta forma de iniciação cristã, pois até onde conheço, não é comum, embora a realidade de pessoas abandonarem a Igreja seja.

-- autoria própria

23 de abr. de 2014

A pregação da verdade



A Igreja, espalhada pelo mundo inteiro até os confins da terra, recebeu dos apóstolos e de seus discípulos a fé em um só Deus, Pai todo-poderoso, que criou o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe (cf. At 4,24); em um só Jesus Cristo Filho de Deus, que se fez homem para nossa salvação; e no Espírito Santo, que, pela boca dos profetas, anunciou antecipadamente os desígnios de Deus: a vinda de Jesus Cristo, nosso amado Senhor, o seu nascimento de uma Virgem, a sua paixão e ressurreição de entre os mortos, a ascensão corporal aos céus, a sua futura vinda do céu na glória do Pai. Então ele virá para recapitular o universo inteiro (cf. Ef 1,10) e ressuscitar todos os homens, a fim de que, segundo a vontade do Pai invisível, diante de Cristo Jesus nosso Senhor, Deus, Salvador e Rei, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua o proclame (cf. Fl 2,10-11), e ele julgue todos os homens com justiça.

        A Igreja recebeu, como dissemos, e guarda com todo cuidado esta pregação e esta fé; apesar de espalhada pelo mundo inteiro, guarda-a como se morasse em uma só casa. Acredita nela como quem possui uma só alma e um só coração; e a proclama, ensina e transmite, como se tivesse uma só boca. Porque, embora através do mundo haja línguas muito diferentes, a força da Tradição é uma só e a mesma para todos.

        As Igrejas fundadas na Germânia, as que se encontram na Ibéria e nas terras celtas, as do Oriente, do Egito e Líbia, ou as do centro do mundo, não creem nem ensinam de modo diferente. Assim como o sol, criatura de Deus, é um só e o mesmo para todo o universo, igualmente a pregação da verdade brilha em toda parte e ilumina todos os homens que querem chegar ao conhecimento da verdade.

        E dos que presidem às Igrejas, nem mesmo o mais eloquente, dirá coisas diferentes das que afirmamos, pois ninguém está acima do divino Mestre; nem o orador menos hábil enfraquecerá a Tradição. Sendo uma só e mesma a fé, nem aquele que muito diz sobre ela a aumenta, nem aquele que diz menos a diminui.

-- Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo (século II)


24 de ago. de 2013

O Papa pode lhe telefonar

Em 15 de Agosto Stefano Cabizza, estudante de Engenharia, que vive na cidade de Padova, na Itália participou da Missa celebrada pelo Papa em Castel Gandolfo. Levou uma carta que conseguiu passar para um dos cardeais que também estavam lá, achando que isto seria tudo.

Três dias após, o telefone de sua casa tocou em torno de 10 horas. Sua irmã atendeu, disse que Stefano não estava em casa mas sim assistindo aulas e retornaria em torno das 5 da tarde. Pontualmente a pessoa telefonou novamente a tarde, desta vez Stefano atendeu e, para sua surpresa, era o Papa Francisco no outro lado. O Papa agradeceu a carta e conversou com ele por quase dez minutos. O Papa havia lhe tefonado diretamente, nenhuma secetária avisou-o algo como "Sua Santidade está lhe telefonando".

Cerca de 10 dias depois, o irmão de Michele Ferri foi morto num assalto ao posto de gasolina em que trabalhava na cidade de Pesaro. A menina de 14 anos escreveu ao papa pedindo que orasse pelo irmão e a família. Em vez de uma resposta padrão, o papa lhe telefonou, disse que havia chorado ao ler a carta e prometeu rezar por todos.

Em ambos casos, Francisco insistiu que lhe chamassem pelo nome ou o coloquial "tu", em vez de um pronome mais formal. A um deles, teria dito: "você acha que os apóstolos chamavam Jesus de Sua Eminência?". Também, não foram os jovens que procuraram a imprensa, mas sim vizinhos. Alias, eles não deram entrevistas a respeito dos telefonemas. 

Bem, então você já sabe: se seu telefone receber uma ligação de um número incomum, com muitos dígitos, começando por 379, pode ser ele. 

* Esta história foi publicada originalmente pelo jornalista John Allen Jr, que cobre o Vaticano para o National Catholic Reporter. Original aqui

30 de jul. de 2013

Ide sem medo para servir

Amados irmãos e irmãs,
Queridos jovens!

Ide e fazei discípulos entre todas as nações. Com estas palavras, Jesus se dirige a cada um de vocês, dizendo: Foi bom participar nesta Jornada Mundial da Juventude, vivenciar a fé junto com jovens vindos dos quatro cantos da terra, mas agora você deve ir e transmitir esta experiência aos demais. Jesus lhe chama a ser um discípulo em missão! Hoje, à luz da Palavra de Deus que acabamos de ouvir, o que nos diz o Senhor? Que nos diz o Senhor? Três palavras: Ide, sem medo, para servir.

1. Ide. Durante estes dias, aqui no Rio, vocês puderam fazer a bela experiência de encontrar Jesus e de encontrá-lo juntos, sentindo a alegria da fé. Mas a experiência deste encontro não pode ficar trancafiada na vida de vocês ou no pequeno grupo da paróquia, do movimento, da comunidade de vocês. Seria como cortar o oxigênio a uma chama que arde. A fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (cf. Rm 10,9).

Mas, atenção! Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, vão; mas disse: Ide e fazei discípulos entre todas as nações. Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem, sim; mas não nasce da vontade de domínio, da vontade de poder. Nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e não nos deu somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, Ele deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como pessoas livres, como amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor.

Para onde Jesus nos manda? Não há fronteiras, não há limites: envia-nos para todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nós mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todas as pessoas. Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.

De forma especial, queria que este mandato de Cristo - Ide - ressoasse em vocês, jovens da Igreja na América Latina, comprometidos com a Missão Continental promovida pelos Bispos. O Brasil, a América Latina, o mundo precisa de Cristo! Paulo exclama: Ai de mim se eu não pregar o evangelho! (1Co 9,16). Este Continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido por vocês!

2. Sem medo. Alguém poderia pensar: Eu não tenho nenhuma preparação especial, como é que posso ir e anunciar o Evangelho? Querido amigo, esse seu temor não é muito diferente do sentimento que teve Jeremias – acabamos de ouvi-lo na leitura – quando foi chamado por Deus para ser profeta: Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo. Deus responde a vocês com as mesmas palavras dirigidas a Jeremias: Não tenhas medo... pois estou contigo para defender-te (Jr 1,8). Deus está conosco!

Não tenham medo! Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus prometeu: Eu estou com vocês todos os dias (Mt 28,20). E isto é verdade também para nós! Jesus nunca deixa ninguém sozinho! Sempre nos acompanha.

Além disso, Jesus não disse: Vai, mas Ide: somos enviados em grupo. Queridos jovens, sintam a companhia de toda a Igreja e também a comunhão dos Santos nesta missão. Quando enfrentamos juntos os desafios, então somos fortes, descobrimos recursos que não sabíamos que tínhamos. Jesus não chamou os Apóstolos para que vivessem isolados; chamou-lhes para que formassem um grupo, uma comunidade. Queria dar uma palavra também a vocês, queridos sacerdotes, que concelebram comigo esta Eucaristia: vocês vieram acompanhando os seus jovens, e é uma coisa bela partilhar esta experiência de fé! Certamente isso lhes rejuvenesceu a todos. O jovem contagia-nos com a sua juventude. Mas esta é apenas uma etapa do caminho. Por favor, continuem acompanhando os jovens com generosidade e alegria, ajudem-lhes a se comprometer ativamente na Igreja; que eles nunca se sintam sozinhos! E aqui desejo agradecer cordialmente aos grupos de pastoral juvenil, aos movimentos e novas comunidades que acompanham os jovens na sua experiência de serem Igreja, tão criativos e tão audazes. Sigam em frente e não tenham medo!

A última palavra: para servir. No início do salmo proclamado, escutamos estas palavras: Cantai ao Senhor Deus um canto novo (Sl 95, 1). Qual é este canto novo? Não são palavras, nem uma melodia, mas é o canto da nossa vida, é deixar que a nossa vida se identifique com a vida de Jesus, é ter os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas ações. E a vida de Jesus é uma vida para os demais, a vida de Jesus é uma vida para os demais. É uma vida de serviço.

São Paulo, na leitura que ouvimos há pouco, dizia: Eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível (1 Cor 9, 19). Para anunciar Jesus, Paulo fez-se escravo de todos. Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus.

Três palavras: Ide, sem medo, para servir. Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe mais alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho. Na primeira leitura, quando Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar (Jr 1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo. Queridos jovens, Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês! Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, lhes acompanhe sempre com a sua ternura: Ide e fazei discípulos entre todas as nações. Amém.

-- Papa Francisco, Homília da Santa Missa da Jornada Mundial da Juventude, 29 de Julho de 2013

28 de jul. de 2013

O Campo da Fé

Queridos jovens,

Contemplando vocês que hoje estão aqui presentes, me vem à mente a história de São Francisco de Assis. Diante do Crucifixo, ele escuta a voz de Jesus que lhe diz: Francisco, vai e repara a minha casa. E o jovem Francisco responde, com prontidão e generosidade, a esta chamada do Senhor para reparar sua casa. Mas qual casa? Aos poucos, ele percebe que não se tratava fazer de pedreiro para reparar um edifício feito de pedras, mas de dar a sua contribuição para a vida da Igreja; era colocar-se ao serviço da Igreja, amando-a e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a Face de Cristo.

Também hoje o Senhor continua precisando de vocês, jovens, para a sua Igreja. Queridos jovens, o Senhor precisa de vocês! Ele também hoje chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja e ser missionário. Hoje, queridos jovens, o Senhor lhes chama! Não em magote, mas um a um… a cada um. Escutem no coração aquilo que lhes diz. Penso que podemos aprender algo daquilo que sucedeu nestes dias: por causa do mau tempo, tivemos de suspender a realização desta Vigília no “Campus Fidei”, em Guaratiba. Não quererá porventura o Senhor dizer-nos que o verdadeiro “Campus Fidei”, o verdadeiro Campo da Fé não é um lugar geográfico, mas somos nós mesmos? Sim, é verdade! Cada um de nós, cada um de vocês, eu, todos. E ser discípulo missionário significa saber que somos o Campo da Fé de Deus. Ora, partindo da denominação Campo da Fé, pensei em três imagens que podem nos ajudar a entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a primeira imagem, o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras.

1. Primeiro: o campo como lugar onde se semeia. Todos conhecemos a parábola de Jesus sobre um semeador que saiu pelo campo lançando sementes; algumas caem à beira do caminho, em meio às pedras, no meio de espinhos e não conseguem se desenvolver; mas outras caem em terra boa e dão muito fruto (cf. Mt 13,1-9). Jesus mesmo explica o sentido da parábola: a semente é a Palavra de Deus que é lançada nos nossos corações (cf. Mt 13,18-23). Hoje – todos os dias, mas de forma especial hoje – Jesus semeia. Quando aceitamos a Palavra de Deus, então somos o Campo da Fé! Por favor, deixem que Cristo e a sua Palavra entrem na vida de vocês, deixem entrar a semente da Palavra de Deus, deixem que germine, deixem que cresça. Deus faz tudo, mas vocês deixem-no agir, deixem que Ele trabalhe neste crescimento!

Jesus nos diz que as sementes, que caíram à beira do caminho, em meio às pedras e em meio aos espinhos não deram fruto. Creio que podemos, com honestidade, perguntar-nos: Que tipo de terreno somos, que tipo de terreno queremos ser? Quem sabe se, às vezes, somos como o caminho: escutamos o Senhor, mas na nossa vida não muda nada, pois nos deixamos aturdir por tantos apelos superficiais que escutamos. Eu pergunto-lhes, mas agora não respondam, cada um responde no seu coração: Sou uma jovem, um jovem  aturdido? Ou somos como o terreno pedregoso: acolhemos Jesus com entusiasmo, mas somos inconstantes;  diante das dificuldades, não temos a coragem de ir contra a corrente. Cada um de nós responda no seu coração: Tenho coragem ou sou um covarde? Ou somos como o terreno com os espinhos: as coisas, as paixões negativas sufocam em nós as palavras do Senhor (cf. Mt 13, 18-22). Em meu coração, tenho o hábito de jogar em dois papéis: fazer bela figura com Deus e fazer bela figura com o diabo? O hábito de querer receber a semente de Jesus e, ao mesmo tempo, irrigar os espinhos e as ervas daninhas que nascem no meu coração? Hoje, porém, eu tenho a certeza que a semente pode cair em terra boa. Nos testemunhos, ouvimos como a semente caiu em terra boa. "Não, Padre, eu não sou terra boa! Sou uma calamidade, estou cheio de pedras, de espinhos, de tudo". Sim, pode suceder que à superfície seja assim, mas você liberte um pedacinho, um bocado de terra boa e deixe que caia lá a semente e verá como vai germinar. 

Eu sei que vocês querem ser terreno bom, cristãos de verdade; e não cristãos pela metade, nem cristãos “engomadinhos”, cujo cheiro os denuncia pois parecem cristãos mas no fundo, no fundo não fazem nada; nem cristãos de fachada, cristãos que são “pura aparência”, mas sim cristãos autênticos. Sei que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade inconsistente que se deixa arrastar pelas modas e as conveniências do momento. Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que deem pleno sentido. É assim ou estou enganado? É assim? Bem; se é assim, façamos uma coisa: todos, em silêncio, fixemos o olhar no coração e cada um diga a Jesus que quer receber a semente. Digam a Jesus: Vê, Jesus, as pedras que tem, vê os espinhos, vê as ervas daninhas, mas vê este pedacinho de terra que te ofereço para que entre a semente. Em silêncio, deixemos entrar a semente de Jesus. Lembrem-se deste momento, cada um sabe o nome da semente que entrou. Deixem-na crescer, e Deus cuidará dela.

2. O campo...O campo, para além de ser um lugar de sementeira, é lugar de treinamento. Jesus nos pede que o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que “joguemos no seu time”. A maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é paixão nacional. Sim ou não? Ora bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim a nossa vida de discípulos do Senhor. Descrevendo os cristãos, São Paulo nos diz: "Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível!" (1Co 9, 25). Jesus nos oferece algo superior à Copa do Mundo! Algo superior à Copa do Mundo! Jesus oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda, de uma vida feliz e nos oferece também um futuro com Ele que não terá fim, na vida eterna. É o que nos oferece Jesus, mas pede para pagarmos a entrada; e a entrada é que treinemos para estar “em forma”, para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida, testemunhando a nossa fé. Através do diálogo com Ele: a oração. Padre, agora vai pôr-nos todos a rezar? Porque não? Pergunto-lhes… mas respondam no seu coração, não em voz alta mas no silêncio: Eu rezo? Cada um responda. Eu falo com Jesus ou tenho medo do silêncio? Deixo que o Espírito Santo fale no meu coração? Eu pergunto a Jesus: Que queres que eu faça, que queres da minha vida? Isto é treinar-se. Perguntem a Jesus, falem com Jesus. E se cometerem um erro na vida, se tiverem uma escorregadela, se fizerem qualquer coisa de mal, não tenham medo. Jesus, vê o que eu fiz! Que devo fazer agora? Mas falem sempre com Jesus, no bem e no mal, quando fazem uma coisa boa e quando fazem uma coisa má. Não tenham medo d’Ele! Esta é a oração. E assim treinam no diálogo com Jesus, neste discipulado missionário! Através dos sacramentos, que fazem crescer em nós a sua presença. Através do amor fraterno, do saber escutar, do compreender, do perdoar, do acolher, do ajudar os demais, qualquer pessoa sem excluir nem marginalizar ninguém. Queridos jovens, que vocês sejam verdadeiros “atletas de Cristo”!

3. E terceiro: o campo como canteiro de obras. Aqui mesmo vimos como se pôde construir uma igreja: indo e vindo, os jovens e as jovens deram o melhor de si e construíram a Igreja. Quando o nosso coração é uma terra boa que acolhe a Palavra de Deus, quando “se sua a camisa” procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de irmãos que percorrem o mesmo caminho; somos parte da Igreja. Esses jovens, essas jovens não estavam sós, mas, juntos, fizeram um caminho e construíram a Igreja; juntos, realizaram o que fez São Francisco: construir, reparar a Igreja. Eu lhes pergunto: Querem construir a Igreja? [Sim…] Se animam uns aos outros a fazê-lo? [Sim…] E amanhã terão esquecido este "sim" que disseram? [Não…] Assim gosto! Somos parte da Igreja; mais ainda, tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história. Jovens, por favor, não se ponham na "cauda" da história. Sejam protagonistas. Joguem ao ataque! Chutem para diante, construam um mundo melhor, um mundo de irmãos, um mundo de justiça, de amor, de paz, de fraternidade, de solidariedade. Jogai sempre ao ataque! São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício espiritual (cf. 1Pe 2,5). E, olhando para este palco, vemos a miniatura de uma igreja, construída com pedras vivas. Na Igreja de Jesus, nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua Igreja; cada um de nós é uma pedra viva, é um pedacinho da construção e, quando vem a chuva, se faltar aquele pedacinho, temos infiltrações e entra a água na casa. E não construam uma capelinha, onde cabe somente um grupinho de pessoas. Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos! Ele diz a mim, a você, a cada um: "Ide e fazei discípulos entre todas as nações!" Nesta noite, respondamos-lhe: Sim, Senhor! Também eu quero ser uma pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus! Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Atrevem-se a repetir isto? Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Digam agora… [os jovens repetem]. Depois devem se lembrar que o disseram juntos.

O coração de vocês, coração jovem, quer construir um mundo melhor. Acompanho as notícias do mundo e vejo que muitos jovens, em tantas partes do mundo, saíram pelas estradas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas estradas; são jovens que querem ser protagonistas da mudança. Por favor, não deixem para outros o ser protagonistas da mudança! Vocês são aqueles que tem o futuro! Vocês… Através de vocês, entra o futuro no mundo. Também a vocês, eu peço para serem protagonistas desta mudança. Continuem a vencer a apatia, dando uma resposta cristã às inquietações sociais e políticas que estão surgindo em várias partes do mundo. Peço-lhes para serem construtores do mundo, trabalharem por um mundo melhor. Queridos jovens, por favor, não "olhem da sacada" a vida, entrem nela. Jesus não ficou na sacada, mergulhou… "Não olhem da sacada" a vida, mergulhem nela, como fez Jesus.

Resta, porém, uma pergunta: Por onde começamos? A quem pedimos para iniciar isso? Por onde começamos? Uma vez perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que devia mudar na Igreja; queremos começar, mas por qual parede? Por onde – perguntaram a Madre Teresa – é preciso começar? Por ti e por mim: respondeu ela. Tinha vigor aquela mulher! Sabia por onde começar. Hoje eu roubo a palavra a Madre Teresa e digo também a você: Começamos? Por onde? Por ti e por mim! Cada um, de novo em silêncio, se interrogue: se devo começar por mim, por onde principio? Cada um abra o seu coração, para que Jesus lhe diga por onde começar.

Queridos amigos, não se esqueçam: Vocês são o Campo da Fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor. Elevemos o olhar para Nossa Senhora. Ela nos ajuda a seguir Jesus, nos dá o exemplo com o seu "sim" a Deus: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra" (Lc 1,38). Também nós o dizemos a Deus, juntos com Maria: faça-se em mim segundo a Tua palavra. Assim seja!

-- Papa Francisco, 28 de Julho de 2013

-- OBS: esta é a catequese do papa na noite de Vigilia com os jovens, não é a homília durante a Santa Missa deste domingo, como consta no site do Vaticano. 
-- OBS2: O site do Vaticano já corrigiu o link.

7 de ago. de 2012

São Domingos


* Em preparação para festa de São Domingos, que é celebrada em 8 de Agosto
São Domingos, fundador da ordem dominicana (1170-1221)

São Domingos possuía tão grande nobreza de comportamento, e o ímpeto do divino fervor tanto o arrebatava que, sem dificuldade, era reconhecido como vaso de honra e de graça. Possuía serenidade de espírito extremamente constante,a não ser que a compaixão e a misericórdia a turbassem; e visto que o coração jubiloso alegra o semblante, revelava exteriormente a placidez do homem interior pela benignidade visível e alegria do rosto.

Em toda parte, mostrava-se homem evangélico por palavras e atos. Durante o dia, com os irmãos e companheiros, ninguém mais simples, ninguém mais agradável. À noite, ninguém mais vigilante, nem mais insistente de todos os modos na oração. Falava raramente; vivia com Deus na oração, e sobre isto exortava seus irmãos.

Havia um pedido a Deus que lhe era freqüente e especial: que lhe concedesse a verdadeira caridade, eficaz em atender e em favorecer a salvação dos homens. Assim fazia porque julgava que só seria verdadeiramente um bom membro de Cristo, quando se entregasse totalmente à salvação dos homens, como o Salvador de todos, o Senhor Jesus, que se ofereceu todo para nossa salvação. Para este fim, após madura e demorada deliberação, fundou a Ordem dos Frades Pregadores.

Exortava constantemente por palavras e por escrito os irmãos desta Ordem a que sempre se aplicassem ao Novo e ao Antigo Testamento. Trazia sempre consigo o evangelho de Mateus e as epístolas de São Paulo; lia-os tanto, a ponto de sabê-los quase de cor.

Por duas ou três vezes, eleito bispo, recusou sempre, preferindo viver na pobreza com os irmãos a possuir um episcopado. Guardou ilibada até o fim a limpidez de sua virgindade. Desejava ser flagelado, ser cortado em pedaços e morrer pela fé cristã. Dele afirmou Gregório IX: “Conheci um homem, que seguiu em tudo o modo de vida dos apóstolos; não há dúvida de que esteja unido nos céus à glória dos mesmos apóstolos”.

-- De escritos diversos da História da Ordem dos Pregadores (século XIII)

13 de ago. de 2011

O Senhor fez em mim maravilhas - Homilia do Papa João Paulo II, Encontro Mundial da Juventude, 1993

Amados jovens e queridos amigos em Cristo:

Hoje a Igreja se encontra, com Maria, nos umbrais da casa de Zacarias, em Ain-Karim. Com a nova vida que levava dentro de si, a Virgem de Nazaré se apressou a ir ali, imediatamente depois do fiat da Anunciação, para ajudar sua prima Isabel. Foi Isabel a primeira a reconhecer as maravilhas que Deus estava realizando em Maria. Cheia do Espírito Santo, Isabel se surpreendeu que a mãe do Senhor houvesse ido a sua casa (Lc 1,43). Com intuição profunda do mistério, declarou: Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram prometidas (Lc 1,45). Com sua alma cheia de humilde gratidão por Deus, Maria respondeu com um hino de louvor: Porque o Senhor fez em mim maravilhas, santo é o Senhor (Lc 1,49).

Nesta solenidade a Igreja celebra a culminação das maravilhas que Deus realizou em Maria: sua Assunção gloriosa ao céu. E no mesmo hino de ação de graçcas, o Magnificat ressoa em toda a Igreja, como a primeira vez em Ain-Karim: todas as gerações te chamarão bem-aventuradas (Lc 1,48).  Nos achamos reunidos aqui, ao pé das Montanhas Rochosas, que nos recordam que Jerusalém também estava rodeada por montes (Sl 124,2) e que Maria subiu até eles (Lc 1,39), para celebrar a subida de Maria a Jeusalem celestial, aos umbrais do templo eterno da Santíssima Trindade. Aqui em Denver, na Jornada Mundial da Juventude, os filhos e filhas católicos dos Estados Unidos, junto com outros de toda raça, língua, povo e nação (Ap 5,9), se unem todas as gerações que desde então tem proclamado: o Poderoso fez maravilhas em teu favor, Maria; e em nosso favor, membros de seu povo peregrino.

Com meu coração cheio de louvor à Rainha dos Céus, sinal de esperança e fonte do consolo em nossa peregrinação de fé até a Jerusalém celestial (Hb 12,22), saúdo a todos que participam desta liturgia solene. Fico feliz em ver tantos sacerdotes, religiosos e fiéis laicos em Denver, do estado do Colorado, de todas as partes do Estados Unidos, e de muitos países do mundo, unidos aos jovens da Jornada Mundial da Juventude para honrar a vitória definitiva da graça em Maria, Mãe do Redentor.

A oitava Jornada Mundial da Juventude é uma celebração da vida. Este encontro nos tem permitido uma séria reflexão sobre as palavras de Jesus Cristo: Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância (Jo 10,10). Jovens de todos os rincões do mundo, com oração ardente, tens aberto vosso coração a verdade da promessa de vida nova em Cristo. Mediante os sacramentos, especialmente a penitência e Eucaristia, e a unidade e amizade nascida entre muitos de vós, tens tido uma experiência real e transformadora da vida nova que somente Cristo vos pode dar. Vós, jovens peregrinos, também tens mostrado que compreendeis que o dom da vida de Cristo não é unicamente para vós. Haveis chegado a ser mais conscientes da vossa vocação e missão na Igreja e no mundo. Para mim, nosso encontro tem sido uma profunda e comovedora experiênncia de vossa fé em Cristo, e faço minhas as palavras de São Paulo: Tenho grande confiança em vós. Grande é o motivo de me gloriar de vós. Estou cheio de consolação, transbordo de gozo em todas as nossas tribulações (2Cor 7,4).

Essas não são palavras vazias de elogio. Confio que tenhas compreendido o alcance do desafio que se coloca e tereis a sabedoria e valentia de enfrentá-lo. Há muito que depende de vós.

Este mundo maravilhoso, tão amado pelo Pai que enviou seu Filho único para sua salvação (Jo 3,17), é o teatro de uma batalha interminável que está ocorrendo por nossa dignidade e identidade como seres livres e espirituais. Esta luta tem seu paralelo no combate apocalíptico descrito na primeira leitura da missa. A morte luta contra a vida: uma cultura da morte tenta se impor ao nosso desejo de viver e viver plenamente. Aqueles que se opõe à luz da vida preferem as obras infrutuosas das trevas (Ef 5,11). Preparam injustiças, discriminações, explorações e violência. Em todas as épocas seu  êxito aparente se pode medir pela matança de inocentes. Em nosso século, mais que em qualquer época da história, a cultura da morte adquiriu uma forma social e institucionalizada de legalidade para justificar os mais terríveis crimes contra a humanidade: o genocídio, as soluções finais, as limpezas étnicas e o massivo "tirar a vida de seres humanos ainda antes do seu nascimento ou antes que cheguem ao seu destino natural de morrer" (Dominum et vivificantem, 57). A leitura de hoje, tomada do livro do Apocalipse, apresenta a Mulher rodeada por forças hostis. a natureza absoluta de seu ataque está simbolizada no objeto de sua intenção malvada: o Filho, o símbolo da nova vida. O dragão (Ap 12, 3), o princípe deste mundo (Jo 12, 31) e o pai da mentira (Jo 8, 44) tenta incessantemente arrancar  do coração humano o sentido de gratidão e respeito ao dom original, extraordinário e fundamental de Deus: a própria vida humana. Hoje está batalha tem sido cada vez direta.

Queridos amigos, este encontro em Denver sobre o tema da vida deveria conduzirmos a uma consciência mais profunda da contradição interna que existe em uma parte da cultura da metrópole moderna.

Quando os pais fundadores desta grande nação incluíram certos direitos inalienáveis na Constituição, algo similar existe em muitos países e muitas declarações internacionais, assim fizeram porque reconheciam a existência de uma lei, uma série de direitos e deveres, esculpidas pelo Criador no coração e consciência de cada pessoa.

Em grande parte do pensamento contemporâneo não se faz nenhuma referência a esta lei garantida pelo Criador. Deixa-se a cargo de cada pessoa a possibilidade de escolher este ou aquele objetivo como conveniente ou útil em determinado conjunto de circunstâncias. E já não existe nada que se considere intrinsicamente bom e universalmente vinculante. Se asseguram direitos, porém, ao não ter nenhuma referência a uma verdade objetiva, carecem de uma base sólida. Existe uma grande confusão em amplos setores da sociedade sobre o que está correto e errado, e estão à merce daqueles que tem poder de criar opinião e impô-las aos demais.

A família se acha especialmente atacada. E se nega o caráter sagrado da vida humana. Naturalmente, os membros mais débeis da sociedade são os que correm o maior risco: recém-nascidos, crianças, enfermos,  desválidos, anciões, pobres e desocupados, imigrantes, refugiados e pequenos do mundo.

Jovens peregrinos, Cristo vos necessita para iluminar o mundo e mostrar-lhes a luz da vida (Sl 16, 11). O desafio consiste em fazer que o "sim" da Igreja à vida seja concreto e efetivo. A batalha será grande e necessita de cada um de vós. Ponham sua inteligência, vossos talentos, entusiamo, compaixão e fortaleza ao serviço da vida.

Não tenhais medo. O resultado da batalha pela vida já está decidido, ainda que prossiga a luta em circunstâncias adversas e com muitos sofrimentos. Essa certeza nos oferece a segunda leitura: Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram! Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos. Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão (1 Cor 15, 20-22). Este é o paradoxo da mensagem cristã: Cristo, a cabeça, já venceu o pecado e a morte. Cristo em seu Corpo, o povo peregrino de Deus, segue sofrendo o ataque do maligno e de todo mal que é capaz a humanidade pecadora.

Nesta etapa da história, a mensagem libertadora do evangelho da vida foi posta em vossas mãos. A missão de proclamá-lo até os confins da terra passa agora a vossa geração. Como o grande apóstolo Paulo, também deveis sentir toda urgência desta tarefa. Ai de mim se não anunciar o evangelho (1Co 9,16). Ai de vós se não defender a vida! A Igreja necessita de vossas energias, vossos entusiasmo e ideais juvenis para fazer que o evangelho da vida penetre na sociedade, transformando o coração das pessoas e as estruturas da sociedade, para crer numa civilização de justiça e amor verdadeiros. Hoje, em um mundo que carece desta luz e de nobres ideais, as pessoas necessitam mais que nunca da espiritualidade sempre nova e vital do Evangelho.

Não tenhas medo de sair às ruas e lugares públicos, como os primeiros apóstolos que anunciavam a Cristo e a boa nova da salvação nas praças da cidade, nas cidades e vilarejos. Não é mais tempo de envergonhar-se do Evangelho (Rm 1, 16). É tempo de anunciá-lo desde os telhados (Mt 10, 27). Não tenhais medo de romper com os estilos de vida conformtáveis e rotineiros, para aceitar a missão de dar a conhecer a Cristo na metrópole moderna. Deveis ir aos cruzamentos dos caminhos (Mt 22, 9) e convidar a todos que encontreis ao banquete que Deus tem preparado ao seu povo. Não devem esconder o Evangelho por medo e indiferença. Não foi pensado para estar escondido, é necessário colocá-lo sob a luz, para que todos possam vê-lo e honram nosso Pai celestial (Mt 5,15-16). Jesus veio buscar os homens e mulheres de seu tempo, comprometendo-os com um diálogo aberto e sincero, independente de suas condições. Como bom samaritano da família humana, aproximou-se das pessoas para curar-las de seus pecados e das feridas que a vida inflige, levá-las para a casa do Pai. Jovens da Jornada Mundial da Juventude, a Igreja pede que vão, com a força do Espírito Santo, aos que estão próximos e longes. Compartilhem com eles a liberdade que haveis achado em Cristo. As pessoas tem sede da autêntica liberdade interior, desejam a vida que Cristo vem dar em abundância. Agora que se avizinha um novo milênio, para o qual toda Igreja está se preparando, o mundo é como um campo já pronto para a colheita. Cristo necessita de ajudantes dispostos a trabalhar em sua vinha. Vós, jovens católicos do mundo, não se acovardem. Em vossas mãos levem a cruz de Cristo. Em vossos lábios, palavras de vida. Em vosso coração, a graça salvífica de Senhor.
Cinco dias extraordinários

No momento de sua Assunção, Maria foi levada a vida, em corpo e alma. Já está em posse das primícias (1Co 15,20) da morte e ressurreição redentora de nosso Salvador. O Filho recebeu dela a vida humana; em troca, deu-Lhe a plenitude da comunhão na vida eterna. Ela é o único ser, além de Cristo, em que o mistério realizou-se plenamente. Em Maria, a vitória final da vida sobre a morte já é uma realidade. E como ensina o Concílio Vaticano II, a Igreja tem alcançado, na Santíssima Virgem, a perfeição, em virtude da qual não tem manchas nem marcas (Lumen gentium, 65). Na Igreja e por ela, também nós esperamos uma herança incorruptível, que não se perde, reservada para nós nos céus (1Pe 1, 4).

Bendita seja, Maria, Mãe do Filho eterno, nascido de teu seio virginal, eras plena de graças (Lc 1, 28). Recebeste mais abundância de vida (Jo 10,10) que os demais descendentes de Adão e Eva. Como a mais fiel dos que ouvem a palavra (Lc 11,28), não apenas conservaste e meditaste este mistério em teu coração (Lc 2, 19.51), mas também conservaste teu corpo e o alimentaste com o amor abnegado com que rodeaste Jesus durante toda sua vida terrena. Como Mãe da Igreja, guia-nos desde o teu lugar no céu e intercedes por n'so. Conduze-nos a Cristo, o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6) e ajuda-nos a crescer em santidade, vencendo o pecado (cf. Lumen gentium, 65). 

A liturgia te apresenta, Maria, como a mulher vestida de sol (Ap 12,1). Porém estás vestida, ainda mais esplendidamente, da luz divina, que pode chegar a ser a vida de todos quantos foram criados a imagem e semelhança de Deus mesmo: Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (Jo 1, 4-5). Oh, mulher vestida de sol, os jovens do mundo te saúdam com muito amor, veem a ti com toda valentia de seus corações jovens! Este encontro em Denver os tem ajudado a ser mais conscientes da vida que trouxe teu Filho divino. Todos somos testemunhas. Estes jovens sabem agora que a vida é mais poderosa que as forças da morte e que o amos é mais forte que a morte (Ct 8,6). Teu espírito se alegra, oh Maria, e nosso espírito se alegra contigo, porque o Poderoso fez maravilhas em teu e nosso favor, em favor de todos os jovens congregados aqui em Denver, em favor dos jovens do mundo. O Poderoso fez maravilhas em teu favor, Maria; em nosso favor, contigo. O Poderoso fez maravilhas em nosso favor e santo é seu nome. Sua misericórdia alcança de geração em geração. Nos alegramos, Maria; nos alegramos contigo. Virgem elevada aos céus. O Senhor fez maravilhas em teu favor, o Senhor fez maravilhas em nosso favor. Aleluia, Amém.

-- Homília do Papa João Paulo II, no dia da Festa da Assunção de Maria, durante a Jornada Mundial da Juventude, em Denver (EUA), 15 de Agosto de 1993.

* tradução particular a partir do original em espanhol 

27 de jun. de 2010

Pregamos a Cristo

Ai de mim se não evangelizar! (1 Cor 9,16) Por ele, pelo próprio Cristo, para tanto fui enviado. Eu sou apóstolo e também testemunha. Quanto mais distante o país, quanto mais difícil a missão, com tanto mais veemência a caridade me aguilhoa. É meu dever pregar seu nome: Jesus é Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,6). É aquele que nos revelou o Deus invisível, ele o primogênito de toda criatura, ele, em quem tudo existe . É o mestre redentor dos homens: por nós nasceu, morreu e ressuscitou.

É ele o centro da história e do universo. Ele nos conhece e ama, o companheiro e amigo em nossa vida, o homem das dores e da esperança. Ele é quem de novo virá, para ser nosso juiz, mas também - como confiamos - a eterna plenitude da vida e nossa felicidade.

-- Das Homílias de Paulo VI, papa (pronunciada em Manila, 29 de novembro de 1970) 

O texto completo desta homília está disponível no site do Vaticano em inglês e italiano. Também há outras homílias e manifestações públicas do Papa Paulo VI durante esta viagem apóstólica a Ásia e Oceânia.

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