13 de jul de 2010

Das águas do Batismo

Em Mara a fonte era amarga (Ex 15, 22-27). Nela Moisés mergulhou um lenho e ela se tronou doce. A água, sem a proclamação da cruz do Senhor, não tem utilidade alguma para a futura salvação. Ao ser, porém, consagrada pelo salutar mistério da cruz, é usada no banho espiritual e no cálice da salvação. À semelhança daquela fonte em que Moisés, isto é, o Profeta, pôs o lenho, também nesta fonte o sacerdote proclama a cruz do Senhor e a água se faz doce pela graça.

Ensina-te o trecho do Livro de Reis (2 Rs 5, 1-14): Naaman era sírio, tinha lepra e ninguém podia purificá-lo. Então disse-lhe uma menina escrava que em Israel havia um profeta que poderia curar a lepra. Tomando consigo ouro e prata, Naaman dirigiu-se ao rei de Israel. Conhecendo o rei o motivo de sua vinda, rasgou as vestes em sinal de luto e declarou que este pedido tão além do poder real era antes um pretexto para um ataque contra seu reino. Mas Eliseu mandou dizer ao rei que lhe enviasse o sírio para que lhe fosse dado a conhecer como Deus estava com Israel. Tendo ele chegado, o profeta fez-lhe saber que devia mergulhar sete vezes no Rio Jordão. Naaman começou, então, a pensar que melhores eram as águas em sua pátria, onde muitas vezes mergulhara e nunca ficara limpo da lepra e quis voltar, sem obedecer à ordem do profeta. Mas, diante do conselho insistente dos seus servos, enfim concordou em banhar-se e, limpo no mesmo momento, compreendeu que não era por virtude da água que se tornara purificado, mas pela graça.

-- Do Tratado sobre os MIstérios, de Santo Ambrósio, bispo (século IV)

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