25 de set de 2010

Para viver bem, deve-se morrer para o mundo

Agora, para viver bem é necessário, em primeiro lugar, morrer para o mundo antes de morrer em corpo. Todos que vivem para o mundo estão mortos para Deus: não podemos de nenhum modo viver para Deus, exceto se primeiro morrermos para o mundo. Esta verdade está tão plenamente revelada nas Sagradas Escrituras, que apenas infiéis podem negá-la. Mas, como toda verdade deve ser proclamada pela boca de duas ou três testemunhas, vou citar os santos apóstolos, São João, São Paulo e São Tiago, por que através deles o Espírito Santo, o espírito da verdade, falou plenamente.

Escreve São João: "Já não conversarei muito convosco, pois o príncipe deste mundo vem, contra mim ele nada pode" (Jo 14,30). Aqui o demônio é dito "o príncipe deste mundo", que é rei de todos os vícios; e por "mundo", é entendido a companhia de todos os pecadores que amam o mundoe são amados por ele. Um pouco depois, o evangelista continua: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro, odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas porque não sois do mundo e minha escolha vos separou do mundo, o mundo, por isso, vos odeia." (Jo 15, 19). E em outro ponto: "Não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus" (Jo 17, 9). Aqui, Cristo claramente nos  diz que por "mundo" significa quem, com o príncipe do mundo, devem ouvir no último dia: "Vão, conforme predito, para o fogo eterno." (cf Ap 20, 19). São João acrescenta em sua epístola: "Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o orgulho da riqueza - não vem do Pai, vem do mundo. Ora, o mundo passa com suas concupiscências; mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1Jo 2 16-17).

Vamos agora ouvir como São Tiago fala em sua epístola: "Adúlteros, não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Assim, todo aquele que quer ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus" (Tg 4,4). Então, São Paulo, aquele vaso da eleição, escreve em sua Primeira Epístola aos  Coríntios, para todos que tem fé: "Vossas necessidades vão além deste mundo", e em outro lugar, na mesma Epístola: "Mas por seus julgamentos o Senhor nos corrige, para não sejamos condenados com o mundo" (1Co 11,32).

Aqui nos é dito claramente que o mundo inteiro será condenado no último dia. Mas por "mundo" não significa céu e terra, nem aqueles que vivem nele; mas somente aqueles que amam o mundo. Os justos e piedosos, em quem reina o amor de Deus, não a concupiscência da carne, estão no mundo, mas não são do mundo: mas os perdidos em vícios não apenas estão no mundo, eles também pertencem a este mundo; pois não o amor de Deus, mas a concupiscência do mundo reina em seus corações, ou seja, luxúria e a concupiscência dos olhos, a avareza e o "orgulho da vida", que é a estima por eles mesmos acima dos outros; então eles imitam a arrogância e o orgulho do demônio, não a humildade e suavidade de Jesus Cristo.
 
-- Do Livro A Arte de Morrer Bem, de São Roberto Belarmino, bispo (século XVIII)
-- Nota: sempre que possível procuro utilizar fontes creditáveis, como textos traduzidos por profissionais e publicados com autorização de nossas autoridades eclesiais. Este, no entanto, foi traduzido por mim, a partir do livro em Inglês.

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