24 de jul. de 2014

17o. Domingo Comum - 27/07/2014

Evangelho: Mt 13,44-52   

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 44“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo.
45O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. 46Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.
47O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. 48Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam.
49Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, 50e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes.
51Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”.
52Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
Comentário
A interpretação desta parábola é bastante clara: quem encontrar o Reino dos Céus, o Amor de Deus, deve deixar tudo para entrar nele, pois este Reino é infinitamente superior a todas riquezas da terra. Já o v.52 explica que os doutores no Judaísmo possuem toda uma riqueza vinda do Velho Testamento e agora que reconhecem a Jesus, podem acrescentar lições preciosas recebidas de Cristo. Também é um convite a todos os discípulos a serem criadores de novas parábolas e formas de ensinamento.
Leituras Relacionadas:
Antigo Testamento: 
Livros Históricos
  • Levítico 26, 3-13
Livros Proféticos e Salmos:
  • Provérbios 2, 1--5
  • Eclesiástico 20, 27-32
Novo Testamento:
Evangelhos:
  • Mateus 19, 16-22
  • Marcos 4, 13-20
  • Lucas 9, 57-62
Escritos apostólicos:
  • Filipenses 3, 7-12

22 de jul. de 2014

O reino de Deus é paz e alegria no Espírito

Volta ao Senhor de todo o teu coração, deixa este mundo miserável e tua alma encontrará repouso. Pois o reino de Deus é paz e alegria no Espírito Santo. Cristo virá a ti, trazendo-te sua consolação, se no íntimo lhe preparares digna morada.

Toda a sua glória e beleza está no interior e aí ele se compraz. Sua visita é assídua ao homem interior. Palavras mansas, agradável consolo, grande paz, maravilhosa intimidade.

Coragem, alma fiel, prepara teu coração para este Esposo, para que se digne vir a ti e em ti habitar. Ele assim declarou: Se alguém me ama, guarda minha palavra e a ele viremos e faremos nele nossa morada. Dá, portanto, lugar a Cristo. Se possuíres Cristo, serás rico e isto te bastará. Ele cuidará de ti e será teu fiel procurador em todas as coisas e não precisarás depender dos homens.

Põe toda a tua confiança em Deus. Seja ele teu temor e teu amor. Ele responderá por ti e fará o que for melhor do melhor modo possível.

Não tens aqui cidade permanente e onde quer que estejas serás estrangeiro e peregrino, não encontrando descanso a não ser quando fores intimamente unido a Cristo.

Teus pensamentos se fixem no Altíssimo e tua súplica sem cessar se dirija a Cristo. Se não sabes meditar sobre as coisas profundas e celestes, repousa na paixão de Cristo e demora-te com gosto em suas chagas. Suporta-te a ti mesmo com Cristo e por Cristo, se queres reinar com Cristo.

Se te acontecesse entrar uma vez perfeitamente no íntimo de Jesus e experimentar um pouquinho seu ardente amor, então já não mais te preocuparias com o que te é cômodo ou incômodo, porém, mais te alegrarias com o opróbrio infligido, porque o amor de Jesus faz o homem ter-se em conta de nada.

-- Do livro A Imitação de Cristo

19 de jul. de 2014

Sobre Bispos, Arcebispos e Cardeais

Existe alguma diferença entre bispos, arcebispos e cardeais? Ou cardeais "mandam" nos arcebispos, que "mandam" nos bispos, e claro, quem sofre são os padres? Há algum tempo atrás me fizeram estas perguntas, que respondi da melhor maneira possível, ali no improviso. Agora vai uma resposta melhor estruturada, que segue.


Cada centímetro deste planeta, se foi evangelizado e tem uma presença católica estabelecida, está organizado em dioceses, também conhecidas como "igrejas particulares", confiadas a seus Bispos (canon 369). Apenas Roma tem a autoridade para criar e determinar os limites de uma diocese (canon 373). Todo católico deve conhecer, ou pelo menos deveria, o seu Bispo, afinal ao Bispo está submisso.



O que a maioria não sabe é que dioceses estão agrupadas em províncias eclesiásticas (canon 431) com objetivo de atuarem de maneira integrada e coerente em uma mesma região (estado, país). Como regra, não deve haver dioceses "isentas", todas devem estar integradas em alguma província eclesiástica. Ou seja, nenhuma diocese é uma ilha, comunicando-se apenas e diretamente com Roma, todas devem compartilhar algumas idéias com suas vizinhas. O mapa ao lado mostra as atuais 41 provincias eclesiásticas no Brasil, que agrupam 214 dioceses.

Esta divisão explica por que falamos no Arcebispo de Porto Alegre e Bispo de Osório, pois a Diocese de Osório é parte da província elesiástica de Porto Alegre. Comparando, é como as cidades que compõem o estado. 

Quando o Papa decide que um padre pode tornar-se Bispo, ele é escolhido para ser um dos sucessores dos Apóstolos (canon 375). Como padre, ele já foi ordenado, mas para tornar-se Bispo, deve receber a consagração episcopal em uma cerimônia apropriada. Não é o anúncio pelo Vaticano que torna o padre um Bispo, mas sim receber as "ordens superiores", que lhe conferem alguns poderes sacramentais adicionais: conferir o sacramento do Crisma (Confirmação); ordenar diáconos e padres; e ordenar outros bispos (na sucessão apostólica). Há, portanto, uma diferença importante, sacramental, entre padres e bispos. 

Já Cardeais são outra história! Alguns Bispos e Arcebispos são chamados de Cardeais por um motivo não relacionado a divisão geográfica, nem há diferença sacramental entre um Bispo e um Cardeal. Cardeais são aqueles que aconselham e auxiliam o Papa nos assuntos da Igreja, por isto é importante que estejam próximos ao Papa. Com os meios de comunicação atuais, não há tanta necessidade dos Cardeais residirem em Roma, mas eles são chamados a reuniões frequentes, chamadas "Consistórios". Por exemplo, em Outubro haverá um Consistório para tratar de assuntos relacionados à família. Outro momento decisivo na vida dos Cardeais é escolher o próximo Papa, quando o anterior morre. 

Juridicamente, para tornar-se um Cardeal, não é necessário ser Bispo ou Arcebispo. Ao longo dos séculos já houveram vários casos de diáconos e padres que tornaram-se Cardeais. Historicamente, os Papas tendem a colocar seus conselheiros mais próximos em dioceses mais importantes, onde podem exercer uma maior influência, e assim, transmitir as decisões do Papa, que eles mesmos aconselharam, de maneira mais fiel e visível. Assim, as Arquidioceses de cidades mais importantes, como São Paulo e Rio de Janeiro, são normalmente comandadas por um Cardeal. 

Resumindo, a Igreja está dividida em regiões geográficas chamadas dioceses. Cada diocese é administrada por um Bispo. Dioceses são agrupadas em províncias, administradas por Arcebispos. Alguns Bispos e Arcebispos podem ser chamados a serem conselheiros do Papa, ou seja, Cardeais. 

-- autoria própria

17 de jul. de 2014

16o. Domingo Comum - 20/07/2014

Evangelho (Mt 13,24-43)
Naquele tempo, 24Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora.26Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’
28O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’
29O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. 30Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’”
31Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”.
33Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.
34Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.
36Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!”
37Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. 40Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41o Filho do Homem enviará seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes.
43Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.
Comentário
O Reino de Deus é como uma semente que produz frutos de excelente qualidade, mas que no mundo estão misturados ao frutos do mal. Como o grão de mostarda e o fermento, o Reino tem começo modesto, mas desenvolve-se grande, de um pequeno grupo de apóstolos na Galiléia até espalhar-se por todo mundo. 
Leituras Relacionadas:
Antigo Testamento: 
Livros Históricos
  • Gênesis 18, 6
Livros Proféticos e Salmos:
  • Daniel 3, 6
  • Daniel 4, 9-18
  • Salmos 78, 2
  • Salmos 103, 12
Novo Testamento:
Evangelhos:
  • Marcos 4, 30-34
  • Lucas 13, 18-21
Escritos apostólicos:
  • 1 Coríntios 5, 6-8
  • 1 João, 3, 10
  • Apocalipse 14, 15-16

15 de jul. de 2014

Dt 32: Os benefícios de Deus a favor do povo

Queridos irmãos e irmãs,

"E Moisés fez ouvir a toda a assembleia de Israel as palavras deste cântico, até ao fim" (Dt 31, 30). Lê-se assim na abertura do cântico que acabamos de proclamar, tirado das últimas páginas do livro do Deuteronómio, precisamente do capítulo 32. Dele, a Liturgia das Laudes escolheu os primeiros doze versículos, reconhecendo neles um jubiloso hino ao Senhor que protege e cura com amor o seu povo no meio dos perigos e das dificuldades do dia. A análise do cântico revelou que se trata de um texto antigo mas posterior a Moisés, sobre cujos lábios foi posto, para lhe conferir um carácter de solenidade. Este cântico litúrgico situa-se na própria origem da história do povo de Israel. Não faltam nessa página orante notas ou ligações com alguns Salmos e com a mensagem dos profetas:  desta forma, ela tornou-se uma sugestiva e intensa expressão da fé de Israel.

O cântico de Moisés é mais amplo do que o trecho proposto pela Liturgia das Laudes, que constitui apenas o seu prelúdio. Alguns estudiosos pensaram detectar na composição um género literário que tecnicamente é definido com a palavra hebraica rîb, isto é "controvérsia", "litígio processual". A imagem de Deus presente na Bíblia não se mostra absolutamente como a do ser obscuro, uma energia anónima e feia, um acontecimento incompreensível. Ao contrário, é uma pessoa que tem sentimentos, age e reage, ama e condena, participa na vida das suas criaturas e não é indiferente às suas obras. Assim, no nosso caso, o Senhor convoca uma espécie de assembleia judicial, na presença de testemunhas, denuncia os delitos do povo acusado, exige uma pena, mas deixa impregnar a sua sentença por uma misericórdia infinita. Seguimos agora os vestígios desta vicissitude, embora nos detenhamos apenas nos versículos que a Liturgia nos propõe.

Vem imediatamente a menção dos espectadores-testemunhas cósmicos:  "Escutai, ó céus... ouça, toda a terra" (Dt 32, 1). Neste processo simbólico Moisés serve de autoridade pública. A sua palavra é eficaz e fecunda como a profética,  expressão  da  divina.  Observe-se o fluxo significativo das imagens para a definir:  trata-se de sinais deduzidos da natureza como a chuva, o orvalho, o aguaceiro, a chuvada e as gotas de água que fazem com que a terra seja verdejante e coberta de caules de trigo (cf. v. 2).

A voz de Moisés, profeta e intérprete da palavra divina, anuncia a iminente entrada em cena do grande juiz, o Senhor, do qual ele pronuncia o nome santíssimo, exaltando uma das suas numerosas características. De fato, o Senhor é chamado a Rocha (cf. v. 4), um título que aparece em todo o nosso cântico (cf. vv. 15.18.30.31.37), uma imagem que exalta a fidelidade estável e indiscutível de Deus, que é muito diferente da instabilidade e da infidelidade do povo. O tema é desenvolvido com uma série de afirmações sobre a justiça divina:  "A Sua obra é perfeita; todos os Seus caminhos são a própria justiça; Deus de verdade, jamais iníquo, constantemente equitativo e reto" (v. 4).

Depois da solene apresentação do Juiz supremo, que também é a parte lesada, o objetivo do cantor desloca-se para o acusado. Para o definir, ele recorre a uma eficaz representação de Deus como pai (cf. v. 6). As suas criaturas, tão amadas, são chamadas seus filhos, mas infelizmente são "raça perversa" (cf. v. 5). Com efeito, sabemos que já no Antigo Testamento se tem uma concepção de Deus como pai solícito em relação aos seus filhos que com muita frequência desiludem (Êx 4, 22; Dt 8, 5; Sl 102, 13; Sir 51, 10; Is 1, 2; 63, 16; Os 11, 1-4). Por isso, a denúncia não é fria mas apaixonada:  "É assim que recompensas o Senhor, povo louco e insensato? Não é Ele o teu Pai, o teu Criador? Não foi Ele que te formou e te consolidou?" (Dt 32, 6). De fato, é muito diferente insurgir-se contra um soberano implacável ou revoltar-se contra um pai amoroso.

Para tornar concreta a acusação e fazer com que a conversão provenha da sinceridade do coração, Moisés faz apelo à memória:  "Recorda-te dos dias antigos, medita os anos de cada século" (v. 7). Com efeito, a fé bíblica é um "memorial", isto é, uma redescoberta da ação eterna de Deus que se espalha com o passar do tempo; é tornar presente e eficaz aquela salvação que o Senhor proporcionou e continua a oferecer ao homem. O grande pecado de infidelidade coincide, então, com o "esquecimento", que apaga a recordação da presença divina em nós e na história.

O acontecimento fundamental que não se deve esquecer é o da travessia do deserto depois da saída do Egipto, o tema fundamental do Deuteronómio e de todo o Pentateuco. Desta forma, recorda-se a viagem terrível e dramática no deserto do Sinai, "nas solidões ululantes e selvagens" (v. 10), como se diz com uma imagem de grande impacto emotivo. Mas ali Deus inclina-se sobre o seu povo com uma ternura e doçura surpreendentes. Com o símbolo paterno entrelaça-se alusivamente também o materno da águia:  "Protegeu-o e velou por ele. Guardou-o como a menina dos Seus olhos. Como a águia vela pelo seu ninho. E paira sobre as suas aguiazinhas; estende as asas para as recolher, e leva-as sobre as suas penas robustas" (v. 10.11). O caminho no deserto transforma-se então num percurso tranquilo e sereno, porque há o manto protector do amor divino.

O cântico remete também para o Sinai, onde Israel se tornou aliado do Senhor, a sua "porção" e "herança", isto é, a realidade mais preciosa (cf. v. 9; Êx 19, 5). O cântico de Moisés torna-se desta forma um exame de consciência de todos para que, finalmente, os benefícios divinos sejam correspondidos com a fidelidade, e não com o pecado.

-- São João Paulo II, na audiência de 19 de Junho de 2002

11 de jul. de 2014

Este sacramento, que recebestes, tem por fonte a palavra de Cristo

Vemos que são maiores as obras da graça do que as da natureza. Entre as obras da graça, incluímos a graça da bênção profética. Se a bênção humana teve a força de mudar a natureza, que diremos da própria consagração divina, em que agem as palavras mesmas do Senhor e Salvador? Porque este sacramento que recebes se realiza pela palavra de Cristo. Se tanto pôde a palavra de Elias que fez o fogo descer do céu, não terá a palavra de Cristo o poder de mudar a substância dos elementos? Já leste acerca da criação do mundo inteiro que ele falou e tudo foi feito, ele ordenou e tudo foi criado. Portanto a palavra de Cristo, que pôde do nada fazer o que não era, não poderá mudar o que existe para aquilo que não era? Dar novas naturezas às coisas não é menos do que mudá-las. 

Mas por que apresentamos argumentos? Voltemo-nos para seus exemplos, confirmemos pelos mistérios da encarnação a verdade do mistério. Acaso, quando Jesus nasceu de Maria, foi observada a natureza comum? Normalmente, a mulher concebe pela união com o homem. Está, portanto, bem claro que a Virgem gerou fora da ordem natural. E este que consagramos é o corpo que proveio da Virgem. Por que exiges aqui que seja segundo a natureza, quando foi além da natureza que da Virgem se deu o nascimento do mesmo Senhor Jesus? É realmente a verdadeira carne de Cristo que foi crucificada, sepultada; é verdadeiramente o sacramento desta carne. O próprio Senhor Jesus declara: Isto é o meu corpo. Antes da bênção das palavras celestes era outra realidade; depois da consagração, entende-se o corpo. Ele mesmo diz que é seu sangue. Antes da consagração é outra coisa; depois da consagração, chama-se sangue. E tu dizes: “Amém”; o que quer dizer: “É verdade”. Confesse o nosso interior o que proclamam os lábios, sinta o afeto o que a palavra soa. 

Vendo tão grande graça, a Igreja exorta seus filhos, exorta os amigos a que acorram ao sacramento: Comei, amigos meus, bebei e inebriai-vos, meus irmãos. O que comemos, o que bebemos, o Espírito Santo pelo Profeta o exprimiu: Provai e vede, como é suave o Senhor; feliz de quem nele confia. Neste sacramento está Cristo porque é o corpo de Cristo. Não é, por conseguinte, alimento corporal, mas espiritual. O Apóstolo, falando da sua figura, dizia: Nossos pais comeram o pão espiritual e beberam da bebida espiritual. O corpo de Deus é corpo espiritual; o corpo de Cristo é corpo do espírito divino, porque Cristo é espírito, como lemos: O Espírito diante de nossa face, o Cristo Senhor. E na carta de São Pedro encontramos: E Cristo morreu por vós. Por fim este pão fortalece o nosso coração e esta bebida alegra o coração do homem; assim nos lembra o Profeta.

-- Do Tratado sobre os Mistérios, de Santo Ambrósio, bispo (século IV)

10 de jul. de 2014

Estudo Bíblico - 15a. Semana do Tempo Comum

Evangelho (Mt 13,1-23)
1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia.
2Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia.
3E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. 4Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram.
5Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
7Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.
8Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9Quem tem ouvidos, ouça!”
10Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que falas ao povo em parábolas?”
11Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado.12Pois à pessoa que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem será tirado até o pouco que tem.
13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam nem compreendem. 14Desse modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’.
16Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.
18Ouvi, portanto, a parábola do semeador: 19Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
20A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento; quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo.
22A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto.
23A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”.
Comentário
Temos neste trecho do Evangelho a parte inicial do chamado "Discurso das Parábolas". No versículo 13, cita o endurecimento do coração como justificativa para usar parábolas. É um endurecimento voluntário e culposo, que explica a retirada da graça. Aos que estão perdendo a visão desta maneira, a luz plena da verdade de Cristoo só poderia cegar mais. Jesus, assim, opta por dar apenas uma luz suavizada por símbolos, que sirva apenas de sinal para pedirem e receberem mais.
Leituras Relacionadas:
Antigo Testamento: 
Livros Históricos
  • Deuteronômio 30, 14
Livros Proféticos e Salmos:
  • Eclesiástico 40, 15
  • Provérbioa 11, 24
  • Isaias 6, 9-12
  • Jeremias 5, 21
Novo Testamento:
Evangelhos:
  • Marcos 4, 1-20
  • Lucas 8, 5-15
Escritos apostólicos:
  • Atos 28, 26
  • Galatas 5, 22
  • 1 Pedro 1, 10-12

7 de jul. de 2014

Renascemos da água e do Espírito Santo

Que viste no batistério? Águas, sem dúvida, mas não só águas; viste também levitas servindo. Viste o sumo-sacerdote interrogando e consagrando. O Apóstolo te ensinou logo de início a não parar na contemplação do que se vê mas nas coisas que não se vêem, porque as que se vêem são temporais; eternas, as que não se vêem. Em outro lugar encontras: O Deus invisível deixa-se insinuar desde a criação do mundo por tudo quanto foi feito, bem como seu poder eterno e sua divindade transparecem em suas obras. O mesmo Senhor também disse: Se não credes em mim, crede ao menos nas obras. Crê, portanto, estar na presença da divindade. Se crês nas ações porque não crês na presença? Donde proviria a ação se a presença não precedesse?
 
O Batismo de Santo Agostinho, de Giuseppi Briffa.
Há três santos na cena: Santo Agostinho sendo batizado, sua mãe Santa
Mônica e Santo Ambrósio batizando.
Observa que é um mistério muito antigo, prefigurado na própria origem do mundo. Logo no princípio, quando Deus fez o céu e a terra, o Espírito pairava sobre as águas. Não agia aquele que pairava? Pois fica ciente que operava na criação do mundo, pelo Profeta que te diz: Pela palavra do Senhor firmaram-se os céus, e pelo espírito de sua boca, todos os seus exércitos. Ambas as declarações se apóiam no testemunho profético: que pairava e que operava. Moisés é quem diz que pairava; Davi testemunha que operava.

Há ainda outro testemunho. Toda a carne se corrompera por suas iniqüidades. E se diz: Meu espírito não permanecerá nos homens porque são carnais. Com isso, Deus mostrou que a impureza da carne e a nódoa de um pecado grave retiram a graça espiritual. Querendo então Deus renovar o que dera, mandou o dilúvio e ordenou ao justo Noé entrar na arca. Terminado o dilúvio, soltou primeiro o corvo, depois a pomba que voltou com um ramo de oliveira, segundo lemos. Vês a água, vês o lenho, vês a pomba e ainda duvidas do mistério?

A água ali está para banhar o corpo, lavando-o de todo pecado corporal, e nela fica sepultada toda torpeza. No lenho esteve pregado o Senhor Jesus quando padecia por nós. Como aprendeste no Novo Testamento na aparência da pomba desceu o Espírito Santo, o qual te inspira paz à alma e tranqüilidade ao espírito.

-- Do Tratado sobre os Mistérios, de Santo Ambrósio, bispo (século IV)

2 de jul. de 2014

Estudo Bíblico - 14a. Semana do Tempo Comum

Evangelho (Mt 11,25-30)
Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: 25“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
28Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
Comentário
Por "estas coisas", deve ser entendido como se referindo aos "mistérios do Reino de Deus", revelados aos "pequeninos", isto é aos discípulos, mas escondidos aos "sábios", os fariseus e seus doutores.
A afirmação de Jesus de que está em relação íntima com Deus evocam muitos passos dos livros sapienciais. Jesus, deste modo, atribui a si mesmo o papel da Sabedoria, não como um símbolo, mas como pessoa da Santíssima Trindade. 
O "fardo da Lei" é consequência das muitas observâncias acrescentadas, em especial, pelos fariseus. Já a Sabedoria traz o descanso, pois as regras são fáceis e repousantes. 
Leituras Relacionadas:
Antigo Testamento: 
Livros Históricos
  • Êxodo 33, 14
  • Números 12, 3
  • Tobias 7, 12
Livros Proféticos e Salmos:
  • Eclesiástico 51, 1-10. 23-30
  • Salmos 34, 19
  • Salmos 136, 26
  • Sabedoria 2, 13
  • Isaias 10, 27
  • Jeremias 6, 16
  • Daniel 7, 14
Novo Testamento:
Evangelhos:
  • Lucas 10, 21-22
  • Mateus 13, 11
  • João 3, 35-36
  • João 7, 48-49
Escritos apostólicos:
  • Atos 15, 10
  • 1 Coríntios 1, 26-29
  • Galatas 5, 1

1 de jul. de 2014

O Corpo e Sangue de Cristo após a Missa

A orientação geral é consumir todo pão (hóstias) e vinho consagrados durante a Missa, mas usualmente algumas hóstias são mantidas no Tabernáculo. O Corpo de Cristo, sob a aparência de pão,  mantido, diz-se "reservado, após a Missa é chamado de Santíssimo Sacramento. Há várias razões para reservá-lo:

  • utilizá-lo para ministar Eucaristia aos doentes e outras pessoas justamente impossibilitadas de ir a Missa
  • poder ser exposto, de maneira digna, para adoração dos fiéis
  • em Procissões do Santíssimo Sacramento, mais comum no Dia de Corpus Christi, mas também possível em outras datas.
É fundamental ressaltar que o Pão e Vinho consagrados continuam a ser Corpo e Sangue de Cristo ao terminar a Missa, uma vez transformados não há como retornar à forma original. Uma vez que a substância foi alterada, a presença do Corpo e Sangue persiste enquanto as espécies eucarísticas existirem sob a forma de hóstia e vinho. Este é um antigo ensinamento da Igreja, já afirmado por São Cirilo de Alexandria na Carta ao Bispo de Arsinoe: Cristo não é alterado, nem seu santo corpo; o poder da consagração e a graça da salvação são perpétuas.

Desta forma, o Santíssimo Sacramento deve ser tratado com a maior reverência durante e após a Missa. Antes de tudo, deve ser guardado no Tabernáculo, mantido trancado para evitar qualquer forma de profanação. O Tabernáculo deve ser colocado num local adequado dentro da Igreja ou Capela, especificamente preparado para tal e adequado para permitir que fiéis entrem em oração/adoração. 

De acordo com a tradição da Igreja Romana, devemos fazer uma genuflexão ao estarmos em frente ao Santíssimo. Na Igreja Ortodoxa, a tradição é inclinar-se e fazer um Sinal da Cruz. Ambos gestos denotam reverência, respeito e adoração. 

Não é adequado organizar reuniões ou manter conversas casuais no mesmo ambiente do Santíssimo Sacramento. É importante que a Igreja mantenha um local adequado para tais ocasiões. 

-- De um texto da USCCB (United States Conference of Catholic Bishops) sobre a Eucaristia (2001)

-- Tradução própria

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