A fé cristã é, essencialmente, a religião do Logos, pensamento, razão, palavra.O cristianismo é expressão da verdade mais profunda do ser e da existência; é bom e belo porque é verdadeiro, alicerça-se numa realidade efetiva e não num conjunto de crenças irracionais e míticas. (Dom Henrique Costa)
13 de mar. de 2013
12 de mar. de 2013
A misericórdia do Senhor para com os pecadores que se convertem
| São Máximo, o Confessor (c.580-662) |
Os pregadores da verdade e os ministros da graça divina, todos os que, desde o princípio até os nossos dias, cada um a seu tempo, expuseram a vontade salvífica de Deus, dizem que nada lhe é tão agradável e conforme a seu amor como a conversão dos homens a ele com sincero arrependimento.
E para dar a maior prova da bondade divina, o Verbo de Deus Pai (ou melhor, o primeiro e único sinal de sua bondade infinita), num ato de humilhação que nenhuma palavra pode explicar, num ato de condescendência para com a humanidade, dignou-se habitar no meio de nós, fazendo-se homem. E realizou, padeceu e ensinou tudo o que era necessário para que nós, seus inimigos e adversários, fôssemos reconciliados com Deus Pai e chamados de novo à felicidade eterna que havíamos perdido.
O Verbo de Deus não curou apenas nossas enfermidades com o poder dos milagres. Tomou sobre si as nossas fraquezas, pagou a nossa dívida mediante o suplício da cruz, libertando-nos dos nossos muitos e gravíssimos pecados, como se ele fosse o culpado, quando na verdade era inocente de qualquer culpa. Além disso, com muitas palavras e exemplos, exortou-nos a imitá-lo na bondade, na compreensão e na perfeita caridade fraterna.
Por isso dizia o Senhor: Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão (Lc 5,32). E também: Aqueles que têm saúde não precisam de médicos, mas sim os doentes (Mt 9,12). Disse ainda que viera procurar ao velha desgarrada e que fora enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Do mesmo modo, pela parábola da dracma perdida, deu a entender mais veladamente que viera restaurar no homem a imagem divina que estava corrompida pelos mais repugnantes pecados. E afirmou: Em verdade eu vos digo, haverá alegria no céu por um só pecador que se converte (cf. Lc 15,7).
Por esse motivo, contou a parábola do bom samaritano: àquele homem que caíra nas mãos dos ladrões, e fora despojado de todas as vestes, maltratado e deixado semimorto, atou-lhe as feridas, tratou-as com vinho e óleo e, tendo colocado em seu jumento, deixou-o numa hospedaria para que cuidassem dele; pagou o necessário para o seu tratamento e ainda prometeu, dar na volta, o que porventura se gastasse a mais.
Mostrou-nos ainda a condescendência e bondade do pai que recebeu afetuosamente o filho pródigo que voltava, como o abraçou porque retornara arrependido, revestiu-o de novo com as insígnias de sua nobreza familiar e esqueceu todo o mal que fizera. Pela mesma razão, reconduziu ao redil a ovelhinha que se afastara das outras cem ovelhas de Deus e fora encontrada vagueando por montes e colinas. Não lhe bateu nem a ameaçou nem a extenuou de cansaço; pelo contrário, colocando-a em seus próprios ombros, cheio de compaixão, trouxe-a sã e salva para o rebanho.
E deste modo exclamou: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo (Mt 11,28-29). Ele chamava de jugo os mandamentos ou a vida segundo os preceitos evangélicos; e quanto ao peso, que pela penitência parecia ser grande e mais penoso, acrescentou: O meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11,30).
Outra vez, querendo nos ensinar a justiça e a bondade de Deus, exortava-nos com estas palavras: Sede santos, sede perfeitos, sede misericordiosos, como também vosso Pai celeste é misericordioso (cf. Mt 5,48; Lc 6,36). E: Perdoai, e sereis perdoados (Lc 6,37). Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles (Mt 7,12).
-- Das Cartas de São Máximo, o Confessor, abade (século VII)
10 de mar. de 2013
Como será o conclave
* todos horários citados são os de Roma. Brasilia, São Paulo, Rio de Janeiro estão 4 horas atrás; Nova Iorque e Washington, 5 horas atrás.
O conclave iniciará nesta terça-feira, quando às 3:45 da tarde os cardeais sairão da Casa Domus Santa Marta para o Palácio Apostólico. As 4:30 entrarão na Capela Sistina em procissão, farão um juramento e o Mestre de Cerimônias promulgará a ordem "Extra omnes", para que todos não participantes diretos do Conclave retirem-se. Cardeal Grech fará uma meditação sobre a grave incubência dos cardeais e a necessidade de agirem com reta intenção para o bem da Igreja Universal. Após, ocorrerá a primeira votação. As 7:00 celebrarão as Vésperas e, após, retornarão à Domus Santa Marta.
Iniciando na quarta-feira, 13 de Março, o dia de atividades iniciará com a celebração de uma Santa Missa às 8:15. Os cardeais devem entrar na Capela Sistina às 9:30, rezar a Liturgia das Horas e iniciar o processo de votação. Em torno de meio-dia há uma pausa para almoço e retorno à Capela Sistina às 4:00, uma breve oração e votações.
São previstas duas votações pela manhã, duas pela tarde. Os votos são queimados ao final de cada sessão ou imediatamente após a eleição do Papa, ou seja, se na primeira votação o Papa for eleito, veremos a fumaça branca. Em caso contrário, podemos esperar fumaça negra em torno do meio-dia e 7:00 da noite. Se até sexta-feira à noite o Papa ainda não tiver sido eleito, o Sábado será reservado para um dia de orações.
Tendo por base o histórico dos últimos conclaves, é razoável esperar que o Papa seja eleito a partir de quarta-feira, sendo quinta-feira o dia mais provável. Os fiéis podem e devem participar de maneira indireta, através de orações e jejuns em favor da uma eleição inspirada pelo Espírito Santo, para o bem de toda Igreja.
Os últimos 11 conclaves
Apenas para termos um mínimo de referência histórica, vejamos os dados básicos dos últimos 11 conclaves para eleição de um Papa, a iniciar pelos mais recentes.
1. Bento XVI, 2005 - 115 eleitores - 4 votações - 18 e 19 de Abril
2. João Paulo II, 1978 - 111 eleitores - 8 votações - 14 a 16 de Outubro
3. João Paulo I, 1978 - 111 eleitores - 4 votações - 25 e 26 de Agosto
4. Paulo VI, 1963 - 80 eleitores - 6 votações - 19 a 21 de Junho
5. João XXIII, 1958 - 51 eleitores - 11 votações - 25 a 28 de Outubro
6. Pio XII, 1939 - 62 eleitores - 3 votações - 1 e 2 de Março
7. Pio XI, 1922 - 53 eleitores - 14 votações - 2 a 6 de Fevereiro
8. Bento XV, 1914 - 57 eleitores - 10 votações - 31 de Agosto a 3 de Setembro
9. Pio X, 1903 - 64 eleitores - 7 votações - 31 de Julho a 4 de Agosto
10. Leão XII, 1878 - 50 eleitores - 18 a 21 de Fevereiro
11. Pio IX, 1846 - 50 eleitores - 14 a 16 de Junho
Os conclaves anteriores, com regras totalmente diferentes, tendiam a durar semanas, qualquer comparação é quase irrelevante.
1. Bento XVI, 2005 - 115 eleitores - 4 votações - 18 e 19 de Abril
2. João Paulo II, 1978 - 111 eleitores - 8 votações - 14 a 16 de Outubro
3. João Paulo I, 1978 - 111 eleitores - 4 votações - 25 e 26 de Agosto
4. Paulo VI, 1963 - 80 eleitores - 6 votações - 19 a 21 de Junho
5. João XXIII, 1958 - 51 eleitores - 11 votações - 25 a 28 de Outubro
6. Pio XII, 1939 - 62 eleitores - 3 votações - 1 e 2 de Março
7. Pio XI, 1922 - 53 eleitores - 14 votações - 2 a 6 de Fevereiro
8. Bento XV, 1914 - 57 eleitores - 10 votações - 31 de Agosto a 3 de Setembro
9. Pio X, 1903 - 64 eleitores - 7 votações - 31 de Julho a 4 de Agosto
10. Leão XII, 1878 - 50 eleitores - 18 a 21 de Fevereiro
11. Pio IX, 1846 - 50 eleitores - 14 a 16 de Junho
Os conclaves anteriores, com regras totalmente diferentes, tendiam a durar semanas, qualquer comparação é quase irrelevante.
9 de mar. de 2013
Quarto Domingo da Quaresma - Ano C
![]() |
| O Filho Pródigo, Rembrandt |
O quarto domingo da Quaresma é um tanto único pois é chamado de "Laetare", da alegria, quebrando um pouco o tempo penitencial e já anunciando a Páscoa que se aproxima. As vestes são da cor rosa e flores podem adornar o altar. De acordo com o RICA (Rito para Iniciação de Cristãos Adultos), é o dia indicado para o segundo escrutínio dos batizandos.
A primeira leitura relembra a celebração da primeira Páscoa na Terra Prometida. A intervenção direta de Deus, o maná, já não era necessário, pois o povo havia recebido uma terra que emanava frutos e mel.
Na segunda leitura, uma carta de São Paulo aos Coríntios, o apóstolo anuncia o Kerygma brevemente: Jesus Cristo trouxe a salvação para os homens, pelo amor que o Pai nutre por cada um de nós, nossos pecados estão perdoados, é possível nos reconcialiarmos com Deus. Esta é a justiça de Deus.
O Evangelho conta a história do Filho Pródigo, a terceira de uma sequência chamada de Parábolas da Misericórdia: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho pródigo. Essencialmente ela nos mostra um Deus que é um Pai amoroso. Inicia com o Filho pedindo a parte dele na herança pois já não acredita no Pai, quer distância da família. Esta é a escolha do filho: o mundo com suas extravagâncias, ganâncias e falsas promessas. Enquanto deixou-se guiar pelo seu orgulho, porque sabia desde sempre que seu pai tinha muitos bens, o jovem persistiu no mundo, não com Deus; experimentou claramente a futilidade da sua vida, tristeza e humilhação,
Até que deixou seu orgulho quebrar-se, preparou-se para ser humilhado pelo pai e irmão; retornou para seu Deus Pai. Reconheceu-se pecador e orgulhoso e rumou para casa. O pai corre em sua direção, da mesma forma que o pastor busca a ovelha perdida e a mulher procura a moeda perdida. É um Deus vigilante, esperando pelo seu filho, cada um de nós, dia e noite, de maneira perfeita, sem desesperar ou desistir. Este pai não apenas acolhe o jovem, como lhe dá presentes e prepara uma festa. Na parábola temos a figura do pai perfeito, que não diz uma palavra para recriminar seu filho, não sai de sua boca sequer um "eu te avisei", ou algo do tipo.
Por fim, há o filho mais velho, nem por isso mais sábio ou menos orgulhoso. Manteve-se com o Pai, mas talvez visando a herança que teria. E quando ela está ameaçada porque o pai consome o melhor dela para receber o irmão, reclama. O Pai é obrigado a corrigi-lo, pois ainda não enxergou o seu erro, mas já duvida do seu Pai.
Deus é um pai amoroso, atento aos filhos, que alimentou o povo no deserto, atendeu suas dificuldades no momento difícil; enviou Cristo para nos trazer a salvação; e aguarda ansioso que a aceitemos. Alegremo-nos!
8 de mar. de 2013
Hino de vitória pela travessia do Mar Vermelho
Caríssimos Irmãos e Irmãs:
Este hino de vitória (cf. Êx 15, 1-18), proposto para as Laudes do sábado da primeira semana, conduz-nos a um momento-chave da história da salvação: ao acontecimento do Êxodo, quando Israel foi salvo por Deus numa situação humanamente desesperada. Os fatos são conhecidos: depois de uma longa escravidão no Egito, já a caminho para a terra prometida, os Hebreus tinham sido alcançados pelo exército do faraó, e nada os subtrairia à destruíção, se o Senhor não tivesse intervindo com a sua mão poderosa. O hino tarda a descrever a arrogância dos desígnios do inimigo armado: "Corramos, alcancemo-los! Repartamos os despojos!..." (Êx 15, 9).
Mas que poder tem o maior dos exércitos, diante da omnipotência divina? Deus ordena que o mar abra um carreiro para deixar passar o povo atacado e que o feche quando passam os agressores: "Mandaste o teu sopro. O oceano engoliu-os: afundaram-se como o chumbo nas águas majestosas" (Ibid. 15, 10).
São imagens fortes, que querem mostrar a medida da grandeza de Deus, enquanto exprimem a admiração de um povo que quase não acredita no que vê, e se abandona em uníssono num cântico comovido: "O Senhor é a minha força e a minha glória, foi Ele que me salvou. Ele é o meu Deus, glorificá-Lo-ei; é o Deus de meu pai, louvá-Lo-ei" (Ibid., 15, 2).
O cântico não fala apenas da libertação obtida; indica também a sua finalidade positiva, ou seja, a entrada na casa de Deus para viver em comunhão com Ele: "Tu guias, pela Tua misericórdia, este povo que libertaste; e com o Teu poder o diriges para a Tua santa morada" (Ibid., 15, 13).
Compreendido desta forma, este acontecimento não esteve só na base da aliança entre Deus e o seu povo, mas tornou-se o "símbolo" de toda a história da salvação. Em muitas outras ocasiões Israel conhecerá situações análogas, e o Êxodo atualizar-se-á pontualmente. De maneira especial, aquele acontecimentio prefigura a grande libertação que Cristo realizará com a sua morte e ressurreição.
Por isso o nosso hino é cantado de modo especial na liturgia da Vigília pascal, para ilustrar com a intensidade das suas imagens o que se realizou em Cristo. N'Ele fomos salvos não só de um opressor humano, mas daquela escravidão de satanás e do pecado, que desde as origens pesa sobre o destino da humanidade. Com Ele a humanidade põe-se de novo a caminho, pelas estradas que conduzem à casa do Pai.
Esta libertação, já realizada no mistério e presente no Batismo como uma semente de vida destinada a crescer, alcançará a sua plenitude no fim dos tempos, quando Cristo voltar glorioso e entregar "o Reino a Deus Pai" (1 Cor. 15, 24). A Liturgia das Horas convida-nos a olhar precisamente para este horizonte final, escatológico, introduzindo o nosso Cântico com uma citação do Apocalipse: "os que venceram a Besta...cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus" (Ap15, 2.3).
No final dos tempos, realizar-se-á plenamente para todos os que foram salvos aquilo que o acontecimento do Êxodo prefigurava e a Páscoa de Cristo realizou de maneira definitiva, mas aberto ao futuro. De fato, a nossa salvação é real e profunda, mas situa-se entre o "já" e o "ainda não" da condição terrena, como nos recorda o apóstolo Paulo: "Porque na esperança é que fomos salvos" (Rm 8, 24).
"Cantemos ao Senhor, que é solenemente grande" (Êx 15, 1). Pondo nos nossos lábios estas palavras do antigo hino, a Liturgia das Laudes convida-nos a orientar o nosso dia para o horizonte da história da salvação. Esta é a forma cristã de compreender o passar do tempo. Nos dias que se acumulam não há uma fatalidade que nos oprime, mas um desígnio que se desvenda lentamente, e que os nossos olhos devem aprender a ler como em filigrana.
Os Padres da Igreja eram particularmente sensíveis a esta perspectiva histórico-salvífica, e gostavam de ler os factos relevantes do Antigo Testamento do dilúvio do tempo de Noé à chamada de Abraão, da libertação do Êxodo ao regresso dos Hebreus depois do exílio em Babilónia como "prefigurações" de acontecimentos futuros, reconhecendo naqueles fatos um valor "arquétipo": neles eram prenunciadas as características fundamentais que se iriam repetir, de certa forma, durante toda a história humana.
Contudo, já os profetas tinham lido os acontecimentos da história da salvação, mostrando o seu sentido sempre atual e indicando a sua realização plena no futuro. Desta forma, ao meditar sobre o mistério da aliança estabelecida por Deus com Israel, eles falam de uma "nova aliança" (Jr 31, 31; cf. êx 36, 26-27), na qual a lei de Deus teria sido escrita no próprio coração do homem. Não é difícil ver nesta profecia a nova aliança estabelecida no sangue de Cristo e realizada através do dom do Espírito. Ao recitar este hino de vitória do antigo Êxodo à luz do Êxodo pascal, os fiéis podem viver a alegria de se sentirem Igreja peregrina no tempo, rumo à Jerusalém celeste.
Por conseguinte, trata-se de contemplar com admiração sempre renovada tudo o que Deus dispôs para o seu Povo: "Tu o introduziste e o estabeleceste no monte da Tua herança, no lugar que reservaste para Tua morada, Senhor! Santuário preparado pelas Tuas mãos, ó meu Deus!"(Êx 15, 17). O hino de vitória não exprime o triunfo do homem, mas o triunfo de Deus. Não é um cântico de guerra, é um cântico de amor.
Deixando que os nossos dias sejam invadidos por este estremecimento de louvor dos antigos Hebreus, nós caminhamos pelas estradas do mundo, cheias de insídias, de perigos e de sofrimentos, com a certeza de estarmos envolvidos pelo olhar misericordioso de Deus: nada pode resistir ao poder do seu amor.
-- Papa João Paulo II, na audiencia de 21 de Novembro de 2001
7 de mar. de 2013
Homília sobre o Jejum em Tempo de Quaresma
Irmãos, o tempo de Quaresma, quando comparado ao restante do ano, é como um porto protegido, no qual todos navegadores podem se aproveitar de calmas águas espirituais. A Quaresma é um tempo de salvação não apenas para monges e padres, mas para todos, governantes ou governados, ricos ou pobres, imperadores e escravos, para todas as raças e idades.
Nas cidades e vilas deve-se reduzir as festividades e algazarias, para que salmos, preces e meditações tomem seu lugar, pois é para isto que o Senhor Deus nos propicia estas semanas e guia nossos espíritos para a paz e perdão das ofensas, se, com coração sincero, nos prostarmos perante Ele com temor, prometendo melhorarmos no futuro.
Os líderes da Igreja devem falar de modo simples, para que todos entendam, pois assim como os atletas precisam de incentivo nos estádios, aqueles que jejuam precisam de encorajamento dos seus pastores.
Assim, como fui posto a frente deste rebanho, devo dirigir-lhes algumas breves palavras. Jejuar é uma renovação da alma, como dizem os apóstolos, mesmo que estejamos fracos fisicamente, o espírito está se fortalecendo dia a dia. E renovado, o espírito torna-se mais bontio, mais próximo de sua beleza original; amorosamente desenhado por aquele que disse Eu e o Pai viremos e faremos morada neste lugar.
Se tal é a graça do jejum, de nos tornarmos lugares adequados para Deus, devemos apreciá-lo, felizes, sem reclamar da escassez da dieta, pois sabemos que o Senhor preparou um banquete para milhares apenas com poucos pães. Também porque o não habitual e difícil, com entusiasmo, torna-se agradável.
O jejum não é definido apenas pela comida, mas também pela abstinênca de todo mal, como nos explicaram os santos padres. Portanto, eu lhes imploro, vamos nos abster da preguiça, avareza, malicias, roubos, desânimo, lerdeza, auto-indulgência e da excessiva confiança em si mesmo; vamos nos abster de desejos destrutivos que a serpente coloca a nossa frente quando estamos jejuando.
Ouçamos aquele que disse: "o fruto que colocaste na minha frente era agradável de segurar e de ótimo para comer". Atentos, pois está dito: "agradável de segurar" não "agradável por natureza". Pois, assim como se alguém morder uma linda fruta pode estar podre por dentro, o prazer pode parecer de uma doçura incalculável, mas quando experimentado é mais amargo que o fel, ou melhor, é como uma espada de dois gumes que devora a alma que conquistou.
Isto é o que sofreu Adão quando foi enganado pela serpente, pois quando experimentou o fruto proibido encontrou morte, não vida. Isto também é o que todos sofrem até hoje, pois somos enganados pelo demônio. Pois Lucífer, que é escuridão, tem poder para assumir a aparência de um anjo de luz, pode também transformar a aparência do que é ruim em agradável, o amargo em doce, trevas em luz, feiura em beleza, morte em vida, pois não cessa de guiar o mundo para a perdição em cada oportunidade.
Mas que nós, caro rebanho, não sejamos conduzidos à mentira, nem soframos o destino dos pássaros que procurando por comida caem na armadilha dos caçadores. Ao contrário, assim que percebermos os disfarces do mal, virmos a nudez do demônio, possamos nos afastar dele em definitivo.
Aceitemos felizes os tempos de salmodiar, sejamos entusiásticos com os hinos, atentos às leituras, nos prostemos e oremos conforme o recomendado para cada hora; trabalhemos honestamente, pois o trabalho é bom e também por que aquele que não trabalha não é merecedor do alimento. Compartilhemos os problemas de todos, pois se um é fraco, outro é forte; nos alimentemos e bebamos com moderação, para que não provoquemos inveja entre os malvados, mas zelemos com bondade. Em tudo tenhamos compaixão para com os outros, sejamos razoáveis, obedientes e cheios de perdão e bons frutos; que a Paz de Cristo mantenha-se em nossos corações e pensamentos, guiando nossas ações.
E que cada um seja considerado pelo Pai como justo, sem condenação, quando alcançar o dia supremo da ressurreição, que no seu tempo ganhe o reino dos céus com Jesus Cristo Nosso Senhor, a quem se deve toda glória, com o Pai e o Espírito Santo, agora e para todo sempre, pelos tempos dos tempos. Amém.
-- São Teodoro Estudita, monge, século IX
* tradução própria
4 de mar. de 2013
Alguns cardeais, possíveis papas
Assim como sabemos quem são os jogadores do nosso time, o técnico e presidente; prefeito, deputados, governador e presidente; é importante conhecermos aqueles que estão a frente da nossa Igreja. E aproveitando as listas de possíveis papas, vou listar alguns que estão sendo falados aqui pelos EUA:
Europeus:
- Cardeal Peter Erdo, de Budapeste, 60 anos. Foi reeleito para segundo mandato como presidente do Conselho da Conferência Episcopal Européia em 2011, sendo, portanto muito bem visto pelos europeus.
- Cardeal Gianfranco Ravasi, 70 anos, presidente do Pontifício Conselho de Cultura, foi escolhido para liderar o retiro de Quaresma da Cúria. Tem liderado esforços em favor do diálogo com não-cristãos, tendo por base os aspectos morais do Cristianismo.
| Cardeal Scola |
- Cardeal Angelo Scola, 71 anos, é o atual arcebispo de Milão. Trata-se de umr espeitado teólogo e apoiador do movimento Comunhão e Liberação, baseado na sua diocese. Se história ajuda, os Papas Pio XI e Paulo VI também eram arcebispos de Milão quando foram eleitos.
- Cardeal Christoph Schonborn, 68 anos, foi aluno do Papa Bento XVI na Alemanha. Ele pregou o retiro de Quaresma em 1996, a pedido do Papa João Paulo II e foi o principal diretor do Catecismo publicado em 1992.
Americanos:
- Cardeal Timothy Dolan, 63 anos, arcebispo de Nova Iorque e presidente da Conferência Americana de Bispos. Ano passado destacou-se entre o grupo de novos cardeais pela sua catequese sobre Nova Evangelização. É um excelente comunicador.
- Cardeal Marc Ouellet, 68 anos, é o Prefeito da Congregação dos Bispos, que nomeia bispos celebrantes em latim ao redor do mundo e presidente da Comissão Pontificia para América Latina, stendo por isto grande conhecimento das realidades da Igeja em muitos países. Já lecionou Teologia na Universidade Lateranense, em Roma.
- Cardeal Oscar Maradiaga, 70 anos, salesiano e presidente da Caritas Internacional. Em Honduras é uma referência moral, muito respeitado pela população.
| Cardeal Leandro Sandri |
- Cardeal Leonardo Sandri, 69 anos, argentino, como prefeito da Congregação para Ritos Orientais conhce bastante bem os problemas nas regiões onde muçulmanos são ampla maioria ou o comunismo dominou por muitos anos. Já foi núncio na Venezuela e México.
- Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, estudou filosofia e teologia em Roma, trabalho de 1994 à 2001 na Congregação para os Bispos.
Africanos:
- Cardeal Robert Sarah, 67 anos, é o presidente do Pontifício Conselho "Cor Unum", que promove e organiza a caridade cristã. Já serviu por nove anos na Congregação para Evangelização dos Povos e fio bispo diocesano em Gana.
- Cardeal Peter Turkson, 64, atual presidente do Conselho Pontifício para Justiça e Paz. É um estudioso bíblico, ativo em questões de diálogo ecumênico e interreligioso.
Asiáticos:
- Cardeal Luis Tagle, 55 anos, arcebispo de Manila (Indonésia). É o mais novo dos cardeais, tendo sido eleito apenas em Novembro de 2012, é líder da única grande nação asiática tradicionalmente católica, é um respeitado teólogo e grande pregador. Mantém um canal no YouTube bastante popular, já serviu na Comissão Teológica Internacional, orgão auxiliar a Congregação Para a Doutrina da Fé.
2 de mar. de 2013
Terceiro Domingo da Quaresma (ano C)
A primeira leitura deste domingo narra a famosa cena da sarça ardente, quando Deus se revela a Moisés e atribui-lhe a missão de anunciar que Deus intervirá na história para libertar o seu povo. Deus é aquele que é, sempre foi deste antes da história e continuará a ser no futuro, um Deus de tal forma transcendente que o homem não pode aproximar-se, o mesmo Deus dos nossos antepassados, um Deus tão grande que não há adjetivos nem nomes que se possa acrescentar. Trata-se simplesmente do Deus que é o próprio Deus.
Na segunda leitura São Paulo nos adverte que a salvação não é automática. Não basta apenas acreditar em Cristo, o novo Moisés a guiar o povo; ser batizado, atravessar o Mar Vermelho; reeber o Espírito Santo, representado pela nuvem que protegia o povo no deserto; ou receber a Eucaristia, maná enviado dos céus. Os israelitas todos tiveram esta experiência, no entanto não confiaram em Deus, duvidaram de sua palavra, e pereceram no deserto. Que nos possamos colocar em prática a Palavra de Deus, em especial neste tempo de Quaresma, enquanto é tempo.
No Evangelho, Cristo nos convida a aceitar sua bondade, nso arrependermos, nos renovarmos, em especial na Quaresma, um tempo adequado. Para a agricultura, o tempo é essencial, chuva ou frio fora de época pode arrasar uma plantação. A figueira, por algum motivo não estava pronta para dar frutos; o vinhateiro pede mais um ano para a árvore, talvez ela possa tirar melhor proveito das épocas; se assim não for, poderá ser cortada por Deus. é um complemento da advertência da leitura anterior, que possamos tirar proveito neste ano, aproveitar o amor de Deus.
Segundo São Josemaria Escrivá, há um caso especial que devemos estar atentos - cristãos que poderiam estar fazendo mais, melhor, poderiam estar vivendo plenamente a sua vocação como filhos de Deus, mas por falta de generosidade preferem o mundo. O dom da fé nos foi dado para compartilharmos com o próximo. Que não sejamos como a figueira por preguiça ou apego excessivo ao conforto, Deus nos chama para algo maior.
1 de mar. de 2013
O plano da salvação
Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4); por isso muitas vezes e de muitos modos falou outrora aos nossos pais, pelos profetas (Hb 1,1). Quando se completou o tempo previsto, enviou o seu Filho (Gl 4,4), a Palavra que se fez carne, ungido pelo Espírito Santo, para anunciar a boa-nova aos pobres e curar os contritos de coração, como médico dos corpos e das almas, mediador entre Deus e os homens. Sua humanidade, na unidade da pessoa do Verbo, foi o instrumento de nossa salvação. Deste modo, em Cristo realizou-se perfeitamente a nossa reconciliação com Deus e nos foi dada a plenitude do culto divino.
Esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, prefiguradas pelas obras maravilhosas que ele operou no povo da Antiga Aliança, foi realizada por Cristo, principalmente pelo mistério pascal de sua bem-aventurada paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão. Por este mistério, morrendo destruiu nossa morte e, ressuscitando,restituiu-nos a vida. Foi do lado de Cristo adormecido na cruz, que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja.
Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, da mesma forma enviou os apóstolos, repletos do Espírito Santo, não apenas para pregarem o evangelho a toda criatura, anunciando que o Filho de Deus, por sua morte e ressurreição, nos libertou da morte e do poder de Satanás e nos introduziu no reino do Pai, mas também para realizarem a obra da salvação que anunciavam, por meio do sacrifício e dos sacramentos, ao redor dos quais se desenvolve toda a vida litúrgica.
Pelo batismo, os homens são incorporados no mistério pascal de Cristo: mortos com ele, sepultados com ele e com ele ressuscitados, recebem o Espírito de adoção filial no qual todos nós clamamos: Abá – ó Pai! (Rm 8,15), transformando-nos assim nos verdadeiros adoradores que o Pai procura.
Do mesmo modo, todas as vezes que comem a ceia do Senhor, anunciam a sua morte até que ele venha. Por isso, no próprio dia de Pentecostes, quando a Igreja se manifestou ao mundo, os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo (At 2,41). Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo.(At 2,42.47).
Desde então, nunca mais a Igreja deixou de se reunir para celebrar o mistério pascal lendo todas as passagens da Escritura que falavam dele (Lc 24,27), celebrando a Eucaristia na qual se tornam presentes a vitória e o triunfo de sua morte e, ao mesmo tempo, dando graças a Deus, pelo seu dom inefável (2Cor 9,15) em Cristo Jesus, para o louvor de sua glória (Ef 1,12).
-- Da Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II (século XX)
Assinar:
Postagens (Atom)



